29 a 02 de novembro de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Superávit deve cair, apesar do recorde nas exportações
Sem resultados na OMC, Itamaraty vai partir para negociações bilaterais
Importações do país batem recorde histórico

Agronegócio

Eleva expõe estratégias distintas de frigoríficos
Perdigão compra Eleva por até R$ 1,7 bi
Marfrig conclui aquisição de dois frigoríficos na Argentina

Mercosul

Lula prevê avanço nas relações bilaterais
Considerações sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul
Integrar o Mercosul para investir

Brasil quer acordo que beneficie o Mercosul

OMC

País prepara reunião de emergentes para discutir Doha
Para Lula, interesses político-eleitorais vão influir em desfecho da Rodada Doha

Plano Internacional

Petróleo bate 4º recorde seguido
Corrida da África: a China sai na frente
EUA crescem mais que previsto; juros caem
China proíbe 700 fabricantes de brinquedos de exportar




Comércio Exterior

a) Resultados

No mês passado, as exportações atingiram US$ 15,769 bilhões, o maior valor para um único mês. O mesmo ocorreu com as importações, que totalizaram em outubro US$ 12,330 bilhões. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o saldo comercial ficou em US$ 3,439 bilhões. Com o resultado do mês passado, o saldo acumulado no ano subiu para US$ 34,376 bilhões e o de 12 meses para US$ 42,667 bilhões.

b) Superávit deve cair, apesar do recorde nas exportações

Mesmo com valorização do real mais forte em outubro, as exportações brasileiras bateram novo recorde no mês e no acumulado de janeiro a outubro. O resultado levou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a elevar a projeção deste ano, de US$ 155 bilhões para US$ 157 bilhões.

As importações também registraram recorde e, estimuladas pelo câmbio, continuam crescendo mais do que as vendas ao exterior. Com isso, o superávit comercial esperado pelo governo para 2007 é em torno de US$ 40 bilhões, US$ 6,6 bilhões menos que em 2006.

O saldo comercial em outubro foi de US$ 3,439 bilhões, resultado de exportações de US$ 15,76 bilhões e importações de US$ 12,33 bilhões. No ano, o superávit é de US$ 34,37 bilhões, 9,9% menor que no mesmo período do ano passado, por causa da valorização do real. As exportações acumulam US$ 132,36 bilhões nos dez primeiros meses do ano, com alta de 16,5% sobre o mesmo período de 2006. As importações somam US$ 97,99 bilhões, crescimento de 29,8%.

c) Sem resultados na OMC, Itamaraty vai partir para negociações bilaterais

O Brasil começa a montar sua estratégia para negociar acordos bilaterais com novos países a partir de 2008, incluindo economias ricas e emergentes. Sem um resultado na Organização Mundial do Comércio (OMC) há seis anos, com o fracasso da Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca) e a indefinição das negociações entre o Mercosul e a Europa, o Itamaraty se lança a novas regiões.

O Itamaraty prefere ainda não revelar quais seriam esses países. Mas economias como a do Canadá, Suíça, Austrália, Coréia do Sul e Japão poderiam ser consideradas. Os emergentes do Sudeste Asiático estariam na lista também, além de outros países em desenvolvimento. Por enquanto, um acordo com a China não está previsto, ante o impacto que teria em qualquer setor da economia.

d) Importações do país batem recorde histórico

O Brasil nunca importou tanto. Em outubro, ingressaram US$ 12,3 bilhões em mercadorias produzidas em outros países, novo recorde mensal histórico. Em tempos de dólar fraco e economia em expansão, as importações cresceram 41,1% na comparação com igual mês do ano passado e o total importado em dez meses de 2007 já supera todo o volume de 2006.

No outro lado da balança comercial, a despeito do câmbio desfavorável, o governo anunciou nova projeção para as exportações. O número passou de US$ 155 bilhões para US$ 157 bilhões no acumulado de 2007.

Outubro reforça a tendência de deterioração do saldo do Comércio Exterior vista desde o primeiro semestre. No mês, o resultado foi 12,9% menor que o de outubro de 2006, ficando em US$ 3,439 bilhões. O salto das importações é visto como a causa principal dessa piora.

"O dólar fraco começa a ter efeitos mais explícitos no Comércio Exterior. Temos visto o aumento das importações, que tem avançado em linha com o câmbio favorável, o crescimento da economia e o aumento da renda", diz o professor de economia da USP Fábio Kanczuk. Ele diz que esse movimento já era esperado há alguns meses. "Mas os bons resultados nas exportações adiaram o fato."

Agronegócio

a) Eleva expõe estratégias distintas de frigoríficos

No dia em que Perdigão e Eleva, que estudam uma fusão, divulgaram seus resultados, a Sadia tentou reduzir a importância de uma eventual perda da primeira posição no segmento se a operação for concretizada. "Aquisição de faturamento não está dentro de nossas prioridades. [Uma aquisição] Tem de ser sustentável no tempo. Não pode ser feita só pela sedução de faturamento maior no curto prazo", afirmou Walter Fontana, presidente do conselho de administração da Sadia, em almoço com analistas para comentar os resultados da empresa de janeiro a setembro.

O fato é que se a fusão vingar, a Sadia ficará menor que a empresa resultante do negócio. Levando em conta os resultados nos primeiros nove meses do ano, Perdigão e Eleva teriam, juntas, um faturamento bruto de R$ 7,438 bilhões. No período, a Sadia teve receita bruta de R$ 6,926 bilhões. O lucro líquido das duas seria de R$ 314,9 milhões e o EBITDA, de R$ 736,4 milhões. Na mesma comparação, a Sadia teve lucro de R$ 393,9 milhões e um EBITDA de R$ 733,9 milhões.

b) Perdigão compra Eleva por até R$ 1,7 bi

A Perdigão anuncia hoje, com a compra da Eleva, antiga Avipal, a criação da maior empresa brasileira de alimentos. A Perdigão pagará até R$ 1,7 bilhão pela empresa.
De acordo com o fato relevante distribuído na noite de ontem, a Perdigão comprará 35,74% das ações de controle da Eleva por R$ 598 milhões. Também haverá troca de ações entre as duas empresas, e a Eleva se tornará uma subsidiária da Perdigão, que passará a deter 41,57% do capital votante.

Para financiar a compra dos papéis da Eleva que serão pagos em dinheiro, a Perdigão fará uma oferta primária de ações, já aprovada por seu conselho de administração. O controlador da Eleva é Shan Ban Chun, que ocupa o cargo de presidente do conselho e detém 61,54% dos papéis da empresa.

Após o pagamento das ações dos controladores, a Perdigão fará uma oferta pública pelos papéis dos acionistas minoritários da Eleva, pelo mesmo preço desembolsado para os majoritários, de R$ 25,81. Ontem, as ações da Eleva fecharam em queda de 0,04% na Bolsa, cotadas a R$ 22,99.

c) Marfrig conclui aquisição de dois frigoríficos na Argentina

O frigorífico Marfrig informou ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que concluiu a aquisição das empresas Best Beef S.A. e Estâncias del Sur, na Argentina, por US$ 39,3 milhões. A compra foi feita por meio da subsidiária do Marfrig na Argentina, AB&P (Argentina Breeders & Packers S.A.). A empresa também comunicou à CVM que pretende concluir até 14 de novembro de 2007 os processos de auditoria para adquirir 70,51% das ações do frigorífico Quickfood S.A. e o total das ações dos Establecimientos Colonia Ltda, no Uruguai.

A Best Beef fica na localidade de Vivoratá e tem capacidade de abate de 800 bois por dia. A unidade produz carne cozida e hambúrgueres bovinos com as marcas Lola e Lolita. Já o Estâncias del Sur fica em Córdoba e tem capacidade de abate de 1.000 cabeças de gado bovino por dia.

Mercosul

a) Lula prevê avanço nas relações bilaterais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou à presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, uma mensagem de felicitações pela vitória em primeiro turno e reiterou o convite para a primeira-dama visitar o Brasil antes de sua posse. O convite já havia sido feito - e aceito por Cristina - às 22 horas da noite de domingo, quando Lula ligou para ela, tão logo a apuração confirmou a vitória da primeira mulher eleita para a Casa Rosada.

Em nota, o presidente Lula diz que "para o Brasil, essa é uma oportunidade ainda maior de seguir fortalecendo a parceria estratégica e os esforços comuns de aprofundamento do Mercosul e do processo de integração sul-americana". Para Lula, "a consagradora manifestação das urnas" mostra que a população aprova o governo Kirchner, que "recolocou a Argentina no rumo do desenvolvimento, da prosperidade e da justiça social, e reafirmou sua presença soberana no mundo".

O chanceler Celso Amorim disse que a vitória de Cristina pode gerar um salto de qualidade nas relações bilaterais. "A parceria estratégica entre Brasil e Argentina é o motor da integração regional e instrumento para nossa inserção soberana no sistema internacional”.

b) Considerações sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara ratificou o protocolo na última quarta-feira e este, agora na qualidade de decreto legislativo, deve ainda ser apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário da Câmara, antes de ser submetido ao Senado. O protocolo provocou, e continua provocando, um intenso e inédito debate sobre uma questão de política externa, tanto no Congresso como na sociedade. O contexto é, sem dúvida, de grande politização do debate.

Em adição, o mecanismo de controle do Legislativo sobre o Executivo tem caráter ex-post. Ou seja, o Executivo tem competência para negociar acordos internacionais, cabendo ao Legislativo a função de avaliá-los e ratificá-los. Assim, frente ao elevado número de acordos internacionais submetidos à aprovação do Congresso e ao alto grau de conhecimento específico que eles requerem, este caráter ex-post de controle mostra-se problemático, pois dificulta a atuação do Legislativo nos processos de tomada de decisão de assuntos internacionais. Uma vez que um acordo já foi negociado internacionalmente, sua alteração fica dificultada.

c) Integrar o Mercosul para investir

Vista como mais internacionalista que seu marido, a presidente argentina eleita Cristina Fernández de Kirchner defendeu a ampliação do Mercosul em sua primeira entrevista desde o resultado das urnas. A primeira-dama e senadora deixou claro o que pretende na região: integrar o sistema energético de seus países para fazer frente à alta do preço do petróleo.

A presidente - que assume o governo dia 10 de dezembro - enfatizou que a Argentina voltou para a América Latina na gestão de seu marido Néstor Kirchner

d) Brasil quer acordo que beneficie o Mercosul

O chanceler Celso Amorim garantiu que a indústria brasileira tem como competir em um cenário de maior abertura comercial e admitiu que, no curto prazo, algumas variações cambiais podem ter efeitos mais sérios que a queda de tarifas de importação. Mas, numa reunião ontem com o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, ele insistiu que o Brasil não aceitará um acordo comercial que não leve em conta os interesses do Mercosul de manter certos setores industriais protegidos por alguns anos ainda.

Em Genebra, o ministro das Relações Exteriores ouviu de Lamy que as flexibilidades que o País exigia da OMC poderiam causar um problema sistêmico. A relação entre o Mercosul e a entidade máxima do comércio está provocando polêmica entre os negociadores, que tentam até o fim do ano fechar algum tipo de acordo comercial.

Pela proposta do Mercosul, o bloco poderia incluir um número maior de setores como beneficiários de redução de tarifas na OMC por ser uma união aduaneira. O temor da OMC é de que isso abra um precedente perigoso ao sobrepor as regras de blocos regionais às leis da OMC. Amorim garantiu que não é isso que se pretende fazer.

OMC           

a) País prepara reunião de emergentes para discutir Doha

O Brasil aumenta a pressão na Rodada Doha, preparando uma reunião de ministros do G-20 e dos outros grupos em desenvolvimento para 15 de novembro, em Genebra, antecedendo os textos finais para eventual acordo agrícola e industrial. O embaixador brasileiro junto à OMC, Clodoaldo Hugueney, prefere nâo falar de aliança dos países em desenvolvimento, mas de esforço para obter equilibrio na negociação. "O G-20 sempre disse que trabalha por entendimento até o fim do ano."

Os países em desenvolvimento representam dois terços dos 150 membros da OMC. Estão de acordo sobre dois dos três pilares da negociação agrícola: combate aos subsídios à exportação e às subvenções domésticas, que derrubam preços internacionais. Mas no terceiro, sobre acesso ao mercado, há claras diferenças. Os mais pobres, da África, Caribe e Pacifico, têm preferências para vender para Europa e EUA e temem a erosão dessa vantagem com a redução das tarifas de importação para países como Brasil e Argentina. Além disso, o G-20 é um grupo para negociação agrícola. Dentro dele, há quem não queira misturar a discussão com a negociação de produtos industriais, onde o racha entre alguns emergentes é evidente.

O Uruguai, em nome do Mercosul, apresentará a proposta por flexibilidade adicional, de 10 para 16% das linhas tarifárias, e nenhum limite sobre o volume de importações, para proteger indústrias do bloco. O curioso é que o Mercosul não menciona coeficiente, que determinará o corte tarifário em geral. Ou seja, não engessou sua demanda, deixando margem para a negociação.

b) Para Lula, interesses político-eleitorais vão influir em desfecho da Rodada Doha

As negociações sobre a retomada da Rodada Doha, que discute o fim das barreiras ao livre comércio, envolvem mais interesses político-eleitorais que econômicos, afirmou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva em Zurique, na Suíça.

"Sinto que há interesses e que todo mundo tem um cuidado político. O que hoje está em jogo não é mais a questão econômica, o que está em jogo hoje é o que representam os eleitores nos países que estão na mesa de negociações. Todo mundo está olhando muito mais para as próximas eleições do que para a quantidade de dinheiro que está em jogo nas negociações", disse o presidente.

No mês passado, durante viagem a Nova York, Lula defendeu que as negociações precisam estar fechadas antes da eleições americanas, que ocorrem no ano que vem. "O mundo não pode esperar as eleições americanas", afirmou o presidente na ocasião.

Plano Internacional

a) Petróleo bate 4º recorde seguido

Os contratos futuros de petróleo superaram os US$ 93 o barril e fecharam ontem em nível recorde pelo quarto dia útil consecutivo. A alta foi atribuída à interrupção de parte da produção do México e à influência da queda do dólar no mercado de câmbio.

"O frenesi de compras é imenso; qualquer notícia que poderia motivar uma baixa nos preços é ignorada, enquanto notícias que favoreceriam uma alta são amplificadas dez vezes. Isso provavelmente vai continuar até a divulgação dos dados dos estoques dos Estados Unidos, na quarta-feira", comentou Nauman Barakat, da Macquarie Futures USA.

Tempestades levaram ao fechamento temporário de todos os três portos mexicanos de exportação de petróleo no Golfo do México e a estatal Pemex disse que suspendeu a produção de 600 mil barris por dia. Segundo a empresa, será necessário esperar que os portos reabram para que a produção seja retomada, porque os reservatórios da companhia na região estão com capacidade máxima.

b) Corrida da África: a China sai na frente

O governo brasileiro quer atrair os Estados Unidos para sua política estratégica na África. A idéia, já tratada em conversas preliminares entre o chanceler Celso Amorim e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, é unir a diplomacia brasileira com os dólares americanos para enfrentar um "inimigo" comum naquele continente: a China.

O Brasil de Lula, como se sabe, quer conquistar a África antes que alguém o faça. Mas, faltam-lhe, como dizem diplomatas experimentados, recursos de poder. À China não falta nada. Segundo levantamento do Deutsche Bank, 650 empresas estatais chinesas investem na África, especialmente em setores como telecomunicações e petróleo, além de outras commodities.

Em 2005, os chineses tinham US$ 1,6 bilhão investidos no continente africano. Recentemente, em apenas uma operação - um investimento de US$ 2,3 bilhões da China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) em exploração de gás e petróleo na Nigéria - esse valor mais do que dobrou. Um ministro da comitiva do presidente Lula que esteve na África há três semanas ficou impressionado com a quantidade de chineses que viu trabalhando em Luanda, capital de Angola. Como se vê, em sua política externa pragmática, a China faz pacote completo. Entra com capital e trabalho.

c) EUA crescem mais que previsto; juros caem

Depois de um corte de 0,5 ponto percentual em setembro, o primeiro desde 2003, o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) anunciou ontem mais uma redução da taxa básica de juros americana, de 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano. Em movimento análogo, a taxa de redesconto (aplicada nos empréstimos concedidos pelo Fed a outras instituições financeiras) também foi diminuída em 0,25 ponto, para 5% ao ano.

Já a economia americana cresceu numa taxa anualizada de 3,9% no terceiro trimestre, superando a maioria das expectativas e apesar da crise nos mercados financeiros, puxada pelo aumento no consumo e nas exportações.

d) China proíbe 700 fabricantes de brinquedos de exportar

A China proibiu mais de 700 fábricas de brinquedos de exportar seus produtos. A proibição foi anunciada à imprensa chinesa depois de uma inspeção de segurança feita com o objetivo de reparar os danos à imagem do país causados por problemas de qualidade.

Centenas de outras fábricas na província de Guangdong, no sudeste do país - o maior centro produtor de brinquedos da China -, receberam a ordem de renovar suas instalações ou melhorar a qualidade dos produtos, seguindo uma série de recalls feitos em vários países, informou o jornal China Daily.

Das 1.726 fábricas inspecionadas - aproximadamente 85% do total de fabricantes de Guangdong com licença de exportação - 1.454 apresentaram algum tipo de problema, de acordo com a área de supervisão de qualidade do governo da província.

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