22 a 26 de janeiro de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Real limita quantidade exportada
Aumento das importações afetou 14 setores
PAC divide beneficiados e ‘esquecidos’
UE no Nordeste

Agronegócio

Etanol mais caro nos EUA
Fala de Bush afeta cotação de commodities
Geada na Califórnia deve aumentar preços da laranja

Mercosul

Uruguai volta a cobrar


OMC


Retomada de Doha
Ministra francesa não acredita na retomada de Doha
EUA gastam 12 vezes mais em subsídios
Empresários pedem mais dos EUA




Comércio Exterior

a) Resultados

Com três dias para o encerramento do mês de janeiro, a balança comercial acumula superávit de US$ 2,327 bilhões, resultado de US$ 9,640 bilhões exportados e compras que somam US$ 7,313 bilhões. Considerando apenas a quarta semana do mês, foram registrados US$ 2,383 bilhões em vendas externas e US$ 1,711 bilhão em importações, o que levou a um saldo positivo de US$ 672 milhões.

As importações seguem com fôlego maior que as exportações. As importações cresceram 31,3% em relação a janeiro de 2006, com média diária de US$ 384,9 milhões. As vendas tiveram alta de 20,4% e média diária de US$ 507,4 milhões.

b) Real limita quantidade exportada

A valorização do real em relação ao dólar influenciou as exportações brasileiras e seu baixo crescimento de 3% em quantidade ao longo de 2006. Segunda a Funcex, nos anos anteriores, o crescimento no volume embarcado registrava percentuais sempre acima dos 9%. A alta de 12,5% nos preços dos itens exportados garantiram o crescimento de 16% nas vendas anuais e possibilitaram a exportação de US$ 137 bilhões.

No entanto, o aumento dos preços do produto brasileiro pode implicar na perda de mercado para concorrentes como a China. É nos produtos manufaturados, sensíveis às variações cambiais, que essa tendência se agrava. A quantidade de manufaturados exportada pelo Brasil em 2006 cresceu apenas 2%, um resultado pífio em relação as altas de 11% em 2005 e de 26% em 2004. Em contrapartida, os preços desses produtos aumentaram 12% no ano passado. Nos produtos básicos, a quantidade exportada cresceu 6% - comportamento um pouco melhor, mas ainda assim inferior aos anos anteriores, por conta da frustrante safra de grãos do país.

c) Aumento das importações afetou 14 setores

O aumento das importações como resultado da valorização do real frente o dólar atingiu 14 segmentos da indústria brasileira. A queda na produção como conseqüência da compra de importados chegou a US$ 19,6 bilhões. Calçados, têxteis e alimentos foram os setores mais afetados. O segmento de material eletrônico também foi bastante atingido, com um impacto negativo de R$ 2,824 bilhões. O efeito maior veio do aumento das importações, que cresceram R$ 3,020 bilhões - as exportações contribuíram positivamente com R$ 196 milhões.

d) PAC divide beneficiados e ‘esquecidos’

Após a apresentação do programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a economia brasileira se dividiu entre os setores que seriam beneficiados por medidas de desoneração e os menos contemplados pelas medidas. Fabricantes de máquinas e equipamentos para infra-estrutura e siderurgias receberam bem o pacote, mas representantes do agronegócio e outros setores exportadores contrariaram os critérios do governo para a distribuição de incentivos. A falta de propostas para a modernização da área retroportuária, dos portos secos e entrepostos alfandegários foi levantada pela Fiesp.

O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, ainda espera que as reivindicações do agronegócio sejam atendidas. 'Um setor que responde por 40% do PIB e gera 86% da pauta de exportação não pode ficar fora de qualquer projeto de desenvolvimento.' Já o presidente da Cedro Cachoeira, Aguinaldo Diniz Filho, ficou decepcionado. 'O setor têxtil, ao contrário da nossa expectativa, foi esquecido.'Na área de calçados, o diretor da Ferracini, Marco Araújo, diz que não esperava nada muito profundo no PAC. 'Mas já ajudaria muito se ele desonerasse um pouco a carga tributária da indústria de calçados.

e) UE no Nordeste

A APEX (Agência de Promoção das Exportações) lançou projeto para atrair investimentos europeus estimados em US$ 25 milhões para o Nordeste, entre 2007 e 2008. No entanto, os primeiros passos das negociações apontam para possíveis US$ 100 milhões aplicados na região, principalmente no setor imobiliário. A informações é de Juan Quirós, presidente da APEX e em contato com cerca de 50 empresas, a maioria portuguesas, espanholas, inglesas, irlandesas e escandinavas, países que possuem ligação aérea direta com cidades nordestinas.

Agronegócio

a) Etanol mais caro nos EUA

Após a declaração do presidente americano George W. Bush sobre a expansão do consumo de combustíveis renováveis pelos EUA, o entusiasmo inicial foi reduzido por alguns fatores limitantes no plano internacional. A alta nos preços do milho – principal matéria-prima para a extração do biocombustível nos EUA - e a queda no preço do etanol – resultado da desvalorização do petróleo - são as principais variáveis.

Um cálculo da consultoria Céleres com base em estudo do Serviço de Pesquisa do Congresso americano mostra que no primeiro semestre de 2006, quando o valor médio do galão de etanol nos EUA estava em US$ 3,00 e o milho em US$ 2,33 por bushel, o produtor tinha uma margem de US$ 1,83 por galão. Hoje, com o galão a US$ 2,25 e o milho na casa dos US$ 4,00, a rentabilidade caiu para US$ 0,46. No ano passado, os EUA esmagaram 56 milhões de toneladas para produzir etanol. Para este ano, já há consultorias prevendo um processamento de 80 milhões de toneladas. Tudo para suprir a demanda de 110 usinas existentes hoje em operação nos EUA e as 73 em construção, que devem entrar em operação nos próximos anos.

b) Fala de Bush afeta cotação de commodities

A fala de George W. Bush despertou especulações e apreensão no mercado americano, principalmente no setor agrícola. Para os produtores de milho dos EUA, diz, a fala presidencial pode ter tido um gosto amargo ao apontar a necessidade do uso de outras matérias-primas para a produção de biocombustíveis no país e mesmo a compra de etanol de outros países produtores. O temor com as fontes alternativas e com as importações prevaleceram ontem na bolsa de Chicago - que também viveu uma boa dose de realização de lucros por parte de fundos e especuladores - e as cotações caíram tanto no caso do milho quanto da soja.

No caso do milho, os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a US$ 4,0075 por bushel, em queda de 8,25 centavos de dólar. Já os contratos futuros para entrega em dezembro caíram 5 centavos de dólar por bushel, para US$ 3,9775. No mercado de soja, onde o comportamento foi semelhante - a soja vem sendo "rebocada" pelo milho na onda do etanol - os futuros para março registraram baixa de 12,25 centavos de dólar e fecharam a US$ 7,15 por bushel, enquanto maio fechou a US$ 7,3050, com retração de 11,50 centavos de dólar.

c) Geada na Califórnia deve aumentar preços da laranja

As fortes geadas que castigaram o estado americano da Califórnia durante o mês de fevereiro destruíram cerca de 75% da produção anual de laranja da região, um prejuízo de US$ 800 milhões. A redução da oferta deve resultar em aumento do preço da fruta no Brasil. Os EUA são o segundo maior produtor de laranja no mundo, o primeiro é o Brasil.

Mercosul

a) Uruguai volta a cobrar

O presidente uruguaio Tabaré Vázquez manifestou seu descontentamento com o Mercosul em artigo publicado no dia 24 de janeiro no jornal espanhol “El País”. Ao considerar as quatro reuniões entre presidentes da região, Vázquez afirmou que as populações precisam de avanços concretos após tais encontros para evitar frustrações. Ele disse ver com "profunda preocupação" o risco de que as cúpulas se tornem "rotina protocolar". Com o mesmo tom de insatisfação usado no Rio, escreveu que os documentos produzidos ao final das reuniões "não resolvem as matérias pendentes nem garantem a conquista dos objetivos propostos".

Ontem, o Brasil liberou R$ 20 milhões ao Paraguai, para serem investidos na "modernização da administração tributária e aduaneira", segundo texto do "Diário Oficial" da União. No Rio, os países menores reclamaram do desequilíbrio no bloco.


OMC

a) Retomada de Doha

Ministros de 27 países, reunidos durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, relançaram formalmente a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Entretanto, a incerteza quanto a reais mudanças nas propostas dos EUA e da União Européia quanto ao corte de subsídios agrícolas ameaçam a credibilidade dessa iniciativa.

A dependência entre a estratégia americana e a renovação da Trade Promotion Authority (TPA) por aprovação da maioria democrata, reduz as garantias para uma correspondente redução tarifária por parte da Europa. Enquanto não se chega a um consenso, consultas bilaterais são feitas entre os principais atores da Rodada; Brasil, índia, UE e EUA discutem cotas e limites em seus cortes tarifários mas ainda não se percebe nenhum movimento concreto.

Em Davos, o Brasil, líder do G-20, mostrou-se o mais ansioso para fechar um acordo a qualquer momento. "Tenho autorização do presidente, os números para concluir um acordo hoje, amanhã ou depois de amanhã, se os outros (EUA e UE) quiserem", desafiou Amorim. O comissário de comércio europeu, Peter Mandelson, declarou o que era considerado apenas uma possibilidade: aumentar os cortes tarifários europeus de 39% para 54%, redução mais próxima à proposta do G-20.

Enquanto isso, Supachai Panitchpakdi, ex-diretor da OMC, que fracassou na tentativa de terminar a rodada, agora como observador "de fora" aposta pouco ou quase nada na conclusão da negociação neste ou no próximo ano. Supachai acha que o calendário político nos EUA e na Europa empurrará a rodada para 2009.

b) Ministra francesa não acredita na retomada de Doha

Em visita ao Brasil, a ministra de Comércio Exterior da França, Christine Legarde mostrou ceticismo em relação ao relançamento da Rodada Doha da OMC e sua conclusão nos próximos dois ou três meses. A ministra, que representa um dos países mais protecionistas da Europa, não pareceu preocupada com possíveis cortes tarifários maiores que os defendidos pela França e pareceu pouco confiante na renovação do TPA pelo Congresso americano dominado pelos Democratas.

A ministra francesa se encontrou com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na reunião, ela disse que, da mesma maneira que o Brasil quer proteger setores industriais, a França deseja identificar alguns produtos agrícolas como sensíveis por razões "estratégicas, políticas e econômicas".Questionada sobre a autoridade do comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, para avançar nas negociações, Lagarde lembrou que a Comissão Européia é apenas um "agente" do Conselho Europeu, que é formado pelos 27 estados-membros. "Caberá ao conselho aceitar ou não propostas de acordo que forem submetidas pela comissão", disse.

Junto à França, Polônia, Irlanda e Grécia também impõem resistência à proposta de Mandelson e prometem vetar a proposta no Conselho Europeu.

c) EUA gastam 12 vezes mais em subsídios

Os últimos dados disponíveis sobre incentivos agrícolas dos EUA e da União Européia datam de 2004 e totalizam US$ 18,6 bilhões e US$ 74 bilhões, respectivamente. Para efeitos comparativos, as estimativas para os subsídios brasileiros não ultrapassam os US$ 1,5 bilhão, e grande parte desse montante é destinada à agricultura familiar.

Aproximadamente US$ 850 milhões são destinados à renegociação de dívidas de produtores pequenos, US$ 279 milhões garantem políticas de manutenção de preços e instrumentos de comercialização. Entretanto, tais gêneros de subsídios são considerados pela OMC como distorções para o comércio. Cerca de US$ 394 milhões subsidiaram créditos e investimentos com taxas menores que as praticadas no mercado, prática também considerada distorciva mas permitida para os países em desenvolvimento.

d) Empresários pedem mais dos EUA

Para os negociadores brasileiros envolvidos na Rodada Doha, a indústria brasileira só estaria disposta a reduzir suas tarifas a partir de um corte nos subsídios americanos para US$ 15 bilhões anuais. A União Européia também precisa garantir maior abertura e parece próxima de reduzir em 54% suas tarifas de importações,no entanto, condiciona sua flexibilidade à redução dos incentivos concedidos por Washington a seus produtores. Este cenário se aproxima da proposta do G-20 de redução de 54% nas taxas européias, mas se afasta do limite de US$ 12 bilhões proposto para os subsídios americanos.

Os empresários brasileiros ficaram entusiasmados com a perspectiva de um acordo EUA e UE. Para a agricultura, é melhor que o impasse atual. E, mesmo os representantes da indústria, que vão pagar a conta da negociação, estão convencidos de que a OMC pode ser o único caminho para obter benefícios em mercados importantes, como os Estados Unidos, dada a inércia do Brasil nos acordos bilaterais. "Não é o acordo dos sonhos, mas é uma etapa importante", diz Beraldo. Ele explica que, se concretizado, o acordo entre EUA e UE atende as ambições do Brasil na queda das tarifas de importação européias, mas que seria preciso avaliar novamente a posição do país sobre o apoio doméstico americano.

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