21 a 25 de julho de 2008

Comércio Exterior

Resultados
Emergentes vão liderar demanda mundial em 2008
Brasil e China ajudam Volks a compensar recuo na Europa
Commodities elevam previsões para saldo comercial
Preço de exportação fica 35% maior em junho

Agronegócio

Líder embarca 8% do total brasileiro
Missão vai ao Chile para discutir carnes
Preço de suíno é recorde em Santa Catarina
Quatro anos após acordo sanitário, China ainda é promessa para as carnes

Mercosul

Venezuela vetará acordo entre EUA e Mercosul
Lula quer levar 400 empresários à Argentina, mas só a metade deve ir

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Nova proposta dos EUA é "insuficiente"
MST e Contag prometem reagir a acordo na OMC

Plano Internacional

Argentina e Venezuela resistem a concessões



Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial das três primeiras semanas de julho fechou com saldo positivo de US$ 1,989 bilhão. Mas, de acordo com os dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a expansão maior das importações que a das exportações reduziu o saldo em 6,5%, em comparação com o de igual período de 2007. O acumulado no ano, de US$ 13,339 bilhões, demonstra uma queda ainda maior, de 41%.

Nas três semanas de julho, as exportações somaram US$ 11,844 bilhões, com média diária de US$ 846 milhões - o segundo maior valor desde, pelo menos, 2003. Essa cifra correspondeu a um aumento de 31,8% em relação à média diária de julho de 2007.

O bom desempenho deveu-se especialmente à alta dos preços internacionais das commodities, que contribuiu para o aumento de 48,3% da média diária de embarques de produtos básicos, na mesma comparação. A soja retomou o topo da lista de bens exportados pelo País, com expansão de 90,6%. Para o segundo lugar, voltaram os minérios, que tiveram aumento de 66,4% na média diária de embarques. Outra commodity com preços em ascensão, as carnes apresentaram elevação de 52,9% nas vendas externas.

Os dados da Secex apontaram ainda o aumento de 41,2% na média diária de exportações de produtos semimanufaturados, em relação aos números de julho de 2007. Nesse conjunto, as maiores expansões foram verificadas nas vendas de óleo de soja em bruto, ferro-ligas e celulose, entre outros.

No caso das manufaturas, a média diária das exportações aumentou apenas 16,5%. O setor de material de transportes contribuiu com elevação de 6,6% nas vendas, enquanto o metalúrgico aumentou 36%, e o de produtos mecânicos, 16%.

As importações das três semanas de julho totalizaram US$ 9,855 bilhões, com média diária de US$ 703,9 milhões - valor menor apenas que os de maio e junho deste ano, mas 43,7% superior ao de julho de 2007. Com exceção de aeronaves e peças e cobre, cujas compras diminuíram no período, todos os outros 21 principais setores de importação apresentaram expansão na média diária.

Tradicional campeão das importações, o conjunto dos combustíveis e lubrificantes apresentou aumento de 37,9%, em relação à média diária de julho de 2007. Em boa parte, o resultado foi influenciado pela alta dos preços do petróleo. A segunda posição ficou com os equipamentos mecânicos, cuja média diária de compras cresceu 50,8%. Adubos e fertilizantes ficaram em quarto lugar, com expansão de 109,3%.

b) Emergentes vão liderar demanda mundial em 2008

Os países emergentes continuarão a dar o tom no consumo mundial de cimento. Segundo estudos de bancos, como o BNP Paribas, divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), neste ano o crescimento da demanda se manterá em alta em países como Brasil, China, Rússia e Índia e voltará a cair nos Estados Unidos e da Europa Ocidental.

O Paribas projetou para 2008 alta de 6% no consumo mundial. Sem a China, que responde por metade - 1,3 bilhão de toneladas - de todo o cimento vendido no mundo, esse percentual cairia para 4% a 5%. Por conta da crise do "sub-prime", o número de novas residências e permissões para construção nos Estados Unidos e Europa vêm caindo, informa o relatório do banco.

Enquanto se projeta expansão de 8% neste ano para China, Leste europeu e África, 6% a 7% para Sudeste asiático e 6% para América Latina, as previsões da América do Norte são de queda de 9,5%. Esse percentual, segundo um executivo da Votorantim, é amenizado pelo Canadá. O mercado americano deve cair 15%. Na Europa ocidental, a retração esperada é de 3%.

O crescimento da demanda forçará o Leste europeu e África a importar 12 milhões de toneladas. Angola, por exemplo, deve comprar no exterior 3 milhões de toneladas, segundo fontes do setor, para atender sua crescente demanda. O Brasil pode fechar o ano no ritmo de pelo menos 12% de alta (foi 15% no primeiro semestre) e Rússia com 10% a 15%.

"Falta cimento no mundo", diz José Otávio de Carvalho, secretário-executivo do SNIC, apontando a África como exemplo. Segundo o JP Morgan, países em desenvolvimento apresentaram alta de 11,7% no consumo em 2007. Nos países do BRIC, foi de 13,2% sobre 2006. "O Brasil ainda está muito atrasado", afirma. De 1998 a 2007, enquanto o consumo subiu 155,8% na China, 132,7% na Rússia e 96,4% na Índia, aqui ficou em magros 12,5%.

c) Brasil e China ajudam Volks a compensar recuo na Europa

China e Brasil, nessa ordem, puxaram os maiores volumes de crescimento de vendas da Volkswagen no mundo, ajudando, assim, a compensar um pouco a queda de vendas que essa e outras montadoras européias amargam no seu continente de origem.

Segundo relatório que a companhia alemã divulgou aos investidores, o volume de veículos vendido em todo o planeta nos seis primeiros meses do ano somou um crescimento de 5,8%, num total de 3,27 milhões de unidades.

Na China, foram vendidos 531,6 mil veículos, um crescimento de 23,2% em comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas no Brasil, que somaram 316 mil unidades, avançaram 21,8% no mesmo período. Mas o maior índice de crescimento veio da Índia. Apesar de o volume ser ainda baixo - 10,4 mil unidades - o total de vendas da marca alemã nesse país aumentou 69,2% na primeira metade do ano.

A Europa ainda deteve o maior volume de vendas da companhia - 1,84 milhão. Mas a China já encostou na Alemanha, onde a Volks vendeu 534 mil veículos de janeiro a junho. Com o mercado desaquecido, o desempenho na Europa Ocidental registrou uma queda de 3,6%.

"Nuvens de tempestade estão claramente sobre o mundo automotivo", relatou Detlef Wittig, vice-presidente de vendas e marketing do grupo Volkswagen. No entanto, disse o executivo, o resultado global superou a média do mercado e aumentou a participação mundial do grupo.

O Brasil já foi a maior operação da Volks fora da Alemanha. Perdeu a posição para a China. Mas a estrutura que a companhia tem no país tende a tornar a filial brasileira cada vez mais independente em desenvolvimento de produtos.

A Volks está no Brasil há 55 anos. O país foi o primeiro a receber uma fábrica da companhia fora da Alemanha. Hoje a operação envolve 21 mil empregados em cinco fábricas. Durante esse tempo, a empresa já produziu 17 milhões de veículos. No segundo lugar no mercado interno, a montadora acaba de dar um passo para avançar mais, com a renovação total do Gol, automóvel mais vendido no Brasil e o quinto da marca Volkswagen mais vendido no mundo.

A crise de vendas na Europa não atrapalhará as exportações da filial brasileira, já que os maiores volumes seguem para mercados da América Latina, além de África e Oriente Médio. Durante o lançamento do novo Gol, o presidente da Volks do Brasil, Thomas Schmall, disse que a empresa pode decidir em breve por novos investimentos de peso para ampliar a capacidade industrial no Brasil.

Puxado pela demanda no mercado interno, que até o mês passado ainda não havia dado qualquer sinal de desaceleração, o ritmo de crescimento de produção surpreendeu Schmall, no cargo desde janeiro de 2007. "Ninguém imaginava que o mercado ia crescer tanto", disse. O executivo contou que quando assumiu o posto a produção anual da Volks no Brasil era de 600 mil carros por ano. Para 2008 está previsto volume de 800 mil e para o próximo ano, 900 mil. No período, a montadora também abriu 2,8 mil novos empregos e anunciou um programa de investimentos que somará R$ 3,2 bilhões entre os anos de 2007 e 2011.

d) Commodities elevam previsões para saldo comercial

Os especialistas em Comércio Exterior estão revisando para cima suas expectativas para o superávit da balança comercial brasileira por conta do efeito positivo da inflação das commodities para as vendas externas. A Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB) reviu sua estimativa de superávit em 2008 para US$ 23,15 bilhões. Caso a previsão se confirme, significará uma queda de 42% em relação aos US$ 40 bilhões registrados em 2007.

De acordo com José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB, a previsão da entidade estava mais pessimista e chegou a cerca de US$ 17 bilhões no primeiro trimestre do ano e a US$ 20 bilhões mais recentemente. A última projeção oficial, no entanto, é de 18 de dezembro e chegava a US$ 29,7 bilhões. "Os preços das commodities estão mudando muito", disse Castro. A AEB projeta exportações de US$ 196,8 bilhões e importações de US$ 160,5 bilhões para 2008.

Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, também está trabalhando na revisão de sua projeção de saldo por conta da evolução do preço das commodities. Sua estimativa deve subir dos atuais US$ 22,8 bilhões para algo entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões.

Ainda há muita discrepância no mercado para as estimativas de saldo em 2009. Castro, da AEB, projeta praticamente um empate e disse que ainda tem dúvidas se será um pequeno superávit ou déficit. "Ainda não há garantia de resultado positivo", disse.

Pessoa, da LCA, projeta um cenário diferente e estima superávit de US$ 17 bilhões no próximo ano. Ele não acredita em uma queda abrupta do preço das commodities. Apesar de esperar um desaceleração gradual da economia mundial, por conta uma política monetária mais apertada em vários países, o economista avalia que as commodities agrícolas devem seguir com preços robustos, graças a demanda dos países emergentes.

e) Preço de exportação fica 35% maior em junho

Graças a inflação das commodities no mercado mundial, os preços de exportação dos produtos brasileiros atingiram o maior patamar desde janeiro de 1978, quando esse indicador começou a ser calculado. Em junho, os preços de exportação ficaram 34,8% superiores àqueles praticados em igual mês de 2007, conforme a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

No primeiro semestre, os preços de exportação do Brasil acumularam alta de 25,3% em relação a igual período de 2007, e no período de 12 meses até junho alcançou 18,5%. Todas as variações são recordes históricos. Os dados serão divulgados no boletim da Funcex, que será publicado na próxima semana.

É esse efeito de explosão dos preços das commodities que garante um bom resultado para a balança comercial, pois o volume exportado estagnou. Em 12 meses até junho, a quantidade embarcada subiu apenas 0,3%. Por conta da greve dos fiscais da Receita Federal, do atraso no embarque da safra agrícola e de problemas com a exportação de petróleo, o volume chegou a cair 1,6% no primeiro semestre. Em junho, a situação se normalizou e houve uma recuperação, com alta de 5,2% nos embarques físicos em relação a junho de 2007.

Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, enumera uma série de impactos positivos da alta das commodities para a balança comercial brasileira: aumento da receita obtida com produtos agrícolas, vendas significativas de petróleo (produto que ganhou destaque na pauta de exportação), o reajuste do minério de ferro, e até o impacto indireto para os manufaturados.

"A explicação está nas commodities", disse Fernanda Feil, da Rosenberg & Associados. Ela calcula que os produtos básicos afetam o desempenho de 65% das exportações . Também vale destacar o reajuste de 70% para o minério de ferro obtido pela Vale com as siderúrgicas. Os economistas do departamento econômico do Bradesco alertam que esse impacto só apareceu na balança em junho, por conta do embarque de contratos antigos.

Os produtos básicos lideram a alta de preços das exportações brasileiras. Em junho, chegaram a subir 58% em relação a junho de 2007. No primeiro semestre em relação a igual período do ano passado, o aumento alcançou 40%. No mês passado, o preço da soja exportada subiu quase 60%, da carne bovina, 57% e do minério de ferro, 63%. A quantidade embarcada de commodities só se recuperou em junho. No mês passado, os embarques de produtos básicos saltaram 20%, depois de crescerem apenas 0,9% no acumulado do semestre.

Mesmo nos produtos manufaturados, cujo mercado é menos instável, as empresas brasileiras obtiveram excelentes reajustes de preços. Os preços dos produtos industrializados subiram 20,4% em junho em relação a igual mês do ano anterior, e 16,6% no primeiro semestre. Em compensação, o volume de exportação de manufaturados está bastante prejudicado. Esse indicador recuou 1,8% em junho comparado com junho de 2007 e 3,9% no primeiro semestre.

Para os economistas do Bradesco, a queda na quantidade exportada de manufaturados é resultado da valorização cambial, mas, principalmente, do desvio de exportação para atender à robusta demanda interna. "A inflação mundial ajuda a explicar porque o real forte não foi tão nocivo para a indústria brasileira", disse Pessoa, da LCA.

Apesar de divergirem sobre a magnitude, os economistas ouvidos pelo Valor esperam perda de fôlego dos preços de exportação do Brasil no segundo semestre. "Existe hoje uma grande bolha no mercado de commodities", disse Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores. Ele avalia que os preços das commodities devem sofrer uma contração nos último trimestre do ano. O economista aposta que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, deve começar a subir os juros em breve para controlar a inflação, o que funcionaria como um incentivo para os especuladores deixarem as commodities e voltarem para os títulos do Tesouro americano.

Agronegócio

a) Líder embarca 8% do total brasileiro

O cafeicultor Jair Coser, presidente da Unicafé, maior companhia exportadora de café do Brasil e do mundo, diz que a permanência de sua empresa na liderança dos embarques do produto por tantos anos é reflexo de muita persistência. "Temos vários escritórios abertos em boa parte das regiões produtoras de café do país."

Na safra 2007/08, a Unicafé exportou 2,082 milhões de sacas de 60 quilos. Desse total, mais de 95% foram do tipo arábica. A exportadora de Coser representou quase 8% dos volumes totais embarcados no país no mesmo período (28 milhões de sacas). Segundo Coser, sua companhia escoa o grão por diversos portos do país. Boa parte das exportações do grupo é feita pelos portos de Santos (SP) e Vitória (ES), mas a Unicafé também exporta pelo porto do Rio de Janeiro quando os custos estão mais competitivos. Durante muitos anos, a principal concorrente da Unicafé foi a Tristão, exportadora capixaba.

Com faturamento de R$ 670 milhões, a Unicafé movimenta entre 2,5 milhões e 2,7 milhões de sacas de café de 60 quilos por safra, das quais mais de 80% são exportados. "Os preços do café nunca estiveram tão bons no mercado internacional. Mas, infelizmente, o câmbio desvalorizado no Brasil tem reduzido os ganhos do setor."

Para garantir maior rentabilidade à sua própria produção de café, Coser está aumentando a participação da variedade robusta em seus cafezais. Com 3 milhões de pés de café na Serra dos Aimorés, região na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo, Coser pretende ter um mix de 50% de arábica e robusta nos próximos anos. Hoje o robusta responde por 10% do total.

Pecuarista, com um rebanho de cerca de 12 mil cabeças de gado de corte, Coser diz que a maioria dos cafeicultores do país teve que diversificar para sair do vermelho. Mas como um tradicional produtor de café, Coser garante que não vai abandonar o setor.

b) Missão vai ao Chile para discutir carnes

Representantes das indústrias de carne suína de Santa Catarina tentam habilitar novas plantas para exportar ao Chile. Eles participam de uma missão comercial, com rodada de negócios e visitas a atacadistas no Chile, numa viagem organizada pelo Ministério da Agricultura.

A delegação, liderada pelos secretários de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, e de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, também terá representante da Abef (exportadores de frango) e da Abipecs (exportadores de suíno).

No início de julho, os chilenos habilitaram, para exportação de suínos, duas fábricas de Santa Catarina: a da Coopercentral Aurora, em Joaçaba, e a da Mabella, controlado pela Marfrig, em Itapiranga.

Ricardo Gouvêa, diretor do Sindicarnes-SC, diz que a intenção é mostrar ao Chile que quase todas as plantas que necessitavam de pequenos ajustes - segundo relatório da missão chilena de fevereiro de 2008 - já fizeram as alterações e poderiam ser aprovadas para exportação. Seis plantas foram classificadas dessa forma e e duas foram reprovadas. Luiz Temp, vice-presidente da Aurora, diz que a cooperativa já fez as mudanças pedidas e espera que outras três plantas possam ser habilitadas para exportar ao Chile.

c) Preço de suíno é recorde em Santa Catarina

Os preços do suíno vivo em Santa Catarina atingiram um novo patamar recorde, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri). Na principal praça de produção, a região de Chapecó, no oeste do Estado, o quilo do suíno vivo bateu ontem R$ 2,79, em média, para o produtor integrado à agroindústria. No caso do produtor independente, o preço alcançou R$ 2,90 o quilo. O cenário está mais aquecido no segmento após um período de preços deprimidos nos dois últimos anos.

Os preços atuais superam em mais de 100% as cotações de dois anos atrás. Em julho de 2006, o preço pago ao produtor integrado estava no seu pior patamar, em R$ 1,28. Já o produtor independente recebia R$ 1,20. Um ano depois, a média de preços apurada pela Epagri indicava uma melhora tímida: R$ 1,68 para integrados e R$ 1,58 para os independentes.

A alta da carne bovina também puxa os preços do suíno em um momento em que há crescimento da demanda pelo produto nos mercados internos e externos.

Há outros fatores favorecendo a atividade: melhora da renda das famílias brasileiras, incremento da demanda mundial por alimentos, abertura de um novo mercado para Santa Catarina, como é o caso do Chile, e possibilidades de aberturas de outros no futuro, como China e Estados Unidos. As exportações de suínos de SC já subiram 43% no primeiro semestre deste ano, atingindo US$ 197 milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

O setor parece estar deixando para trás a crise, que começou no fim de 2005, depois que casos aftosa no Paraná e no Mato Grosso do Sul, levaram a Rússia - então o principal comprador de carne suína de SC - a embargar as importações. O embargo levou a um represamento de 100 mil animais, o que derrubou os preços e fez com que pelo menos 5% dos 12 mil produtores deixassem a atividade, segundo a ACCS. A Rússia não habilitou recentemente frigoríficos de SC para exportação de suínos, apesar de o embargo ao Estado oficialmente não existir mais. De qualquer forma, os catarinenses conseguiram diversificar seus mercados.

Ricardo Gouvêa, diretor-executivo do Sindicarnes-SC, sindicato que representa as agroindústrias do Estado, afirma que frigoríficos paulistas estão puxando os preços para cima em Santa Catarina. Ele afirma que algumas empresas de São Paulo assediam até produtores integrados de agroindústrias catarinenses, que, por contrato, devem vender fornecer suínos exclusivamente a elas. "Alguns produtores estão rompendo contratos pelo preço que esses frigoríficos estão oferecendo, mas esquecem que eles os abandonam quando o mercado fica difícil", reclama.

Tradicionalmente, São Paulo, que não é auto-suficiente em carne suína, compra de Santa Catarina, Paraná e do Centro-Oeste, explica Valdomiro Ferreira Júnior, presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS). Segundo ele, normalmente há maior demanda nesta época do ano. Além disso, este ano, houve venda antecipada de animais - com peso menor - em São Paulo, o que eleva a procura em outros Estados.

Segundo Gouvêa, o aumento de preços do suíno vivo preocupa as agroindústrias porque há dificuldade de repasse na mesma proporção para o varejo por conta da forte concorrência. "A indústria já está com custo alto, e o preço do suíno no comércio não vem sofrendo reajuste no mesmo patamar que no campo. Isso acaba estrangulando a margem", diz ele, acrescentando que o real valorizado dificulta as exportações.

d) Quatro anos após acordo sanitário, China ainda é promessa para as carnes

Quase quatro anos após anunciar um amplo acordo sanitário com a China, o governo brasileiro ainda enfrenta fortes dificuldades para abrir o cobiçado mercado do país asiático às carnes nacionais.

Os embarques de empresas brasileiras à China tem, ao contrário, registrado forte redução no volume desde 2005, quando o regime de cotas foi substituído pelo sistema de habilitação de frigoríficos. Na comparação entre o primeiro semestre deste ano com igual período de 2007, as exportações do complexo carnes à China recuaram 91%, despencando de US$ 8,82 milhões para residuais US$ 807 mil.

Em 2007, a situação já era ruim: as vendas somaram US$ 13,9 milhões, desempenho 32% inferior aos US$ 20,4 milhões de 2006. A meta do governo previa vender US$ 600 milhões em carne bovina e US$ 200 milhões em frangos até o ano passado.

Estimulado por um encontro bilateral na semana passada, em Pequim, o governo brasileiro aposta na vinda de uma missão sanitária chinesa em meados de setembro para avançar na habilitação de novos frigoríficos. "Mas há uma questão de fundo que é a exigência deles para a assinatura de acordos bilaterais, e não unilaterais", diz o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto. O Brasil insistia em firmar acordos sem considerar as ambições chinesas de exportação de carnes de aves e tripas suínas.

Para destravar as negociações, o Brasil acenou agora com a habilitação de três frigoríficos chineses de aves e de tripas de suínos. "Se der certo, podemos habilitar 24 frigoríficos de aves e adicionar cinco novas plantas de bovinos às três hoje autorizadas a exportar para lá", calcula.

De Genebra, onde participa das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), Célio Porto informa, entretanto, que a reunião do Comitê Sino-Brasileiro de Alto Nível (Cosban), encabeçado pelo vice-presidente José Alencar, teve que ser postergada de setembro deste ano para fevereiro de 2009.

"Eles estão totalmente absorvidos pelas Olimpíadas", disse. Um reforço na tentativa de abertura, aposta o secretário, será a nomeação de Clodoaldo Hugueney como novo embaixador brasileiro em Pequim. Diplomata experiente, Hugueney é um dos principais negociadores brasileiros na OMC, onde tem mantido relações próximas com os chineses.

O secretário Célio Porto informa que os chineses tem dado sinais de interesse na abertura por causa dos planos de formação de estoques reguladores de carne para combater a inflação dos preços. No caso da carne suína, o governo chinês estima uma elevação de 60% nos preços internos. "Por isso, eles já reduziram o imposto de importações da carne brasileira de 12% para 6% até o fim do ano", afirma.

Para os bovinos, os chineses acenam com a concessão de guias de importação a cinco plantas de Mato Grosso, São Paulo e Goiás. Os cinco foram habilitados em 2006, mas precisam das guias para vender a carne. "Mas não estão descartadas novas inspeções aqui", diz o secretário.

A China tem brecado a compra das carnes com exigências burocráticas via reiterados pedidos adicionais de informação. Mesmo sendo membro da OMC, adota restrições sanitárias mais duras do que as recomendadas.

Mercosul

a) Venezuela vetará acordo entre EUA e Mercosul

O governo da Venezuela alerta que vai bloquear qualquer tentativa de acordo comercial entre o Mercosul e os Estados Unidos. Nos bastidores, o governo brasileiro vem trabalhando com a possibilidade de se aproximar dos Estados Unidos. Mas com a adesão da Venezuela ao Mercosul, Caracas deixa claro que não vai apoiar a iniciativa.

"Não temos porque ter um acordo (com os americanos) ou a idéia de um projeto como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas)’, afirmou em Genebra o ministro de Comércio da Venezuela, Willian Contreras.

Segundo ele, os trabalhos técnicos para adesão da Venezuela ao Mercosul estão "praticamente concluídos". "Estamos apenas esperando a ratificação por parte do Congresso brasileiro. Espero que isso ocorra logo", disse. O ministro acredita que a adesão da Venezuela ao Mercosul dará um "novo perfil ao bloco". "Vemos unir o potencial energético da Venezuela ao potencial agrícola do Brasil", afirmou.

A Venezuela ainda ataca o acordo que está sendo proposto na Organização Mundial do Comércio (OMC) e insinua que está disposta a bloquear um tratado nas bases. "A OMC está defasada e não dá uma resposta aos problemas do mundo real, como a crise alimentar. Alguns na organização parecem surdos diante de nossos apelos", disse Contreras, que tem o pomposo título de Ministro do Poder Popular para Indústrias Leves e Comércio.

Questionado se Caracas estaria disposta a vetar sozinha um acordo, respondeu apenas que "o tratado não poderá ser imposto a ninguém". "Não vamos aceitar chantagem política. Vamos manter nossa soberania."

Em um encontro que manteve com o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, Contreras ainda deixou claro que não aceitaria que outros países tomassem decisões em seu nome. "Não delegamos a terceiros decisões soberanas", afirmou o ministro. Para ele, os objetivos originais da Rodada Doha foram "esquecidos".

b) Lula quer levar 400 empresários à Argentina, mas só a metade deve ir

Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo se esforça para transformar a visita que ele fará à Argentina, em 4 de agosto, em uma forte demonstração do setor privado brasileiro no mercado argentino. Lula quer manifestar apoio à presidente Cristina Kirchner, que enfrenta uma crise inédita no governo, com a queda dos índices de popularidade, desmoralização da política econômica e a derrota, no Congresso, da tentativa de tributar exportadores. Lula gostaria de visitar Cristina acompanhado de 400 empresários brasileiros. Deve ir com bem menos que isso.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) prometeram ajuda ao presidente e vêm se empenhando em motivar os empresários com a missão, que permitirá os executivos contatarem diretamente as habitualmente arredias autoridades argentinas. No início do mês, o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Ricardo Martins, fez uma missão exploratória a Buenos Aires, onde se reuniu com os líderes da indústria no país.

"A receptividade lá é enorme, eles estão buscando soluções, em matéria de vendas, joint ventures, fontes de financiamento", disse. "Nosso entrosamento foi muito grande, estamos vendo essa viagem com entusiasmo." A Fiesp mobilizou uma operação de telemarketing para convidar empresários brasileiros para a missão que acompanha Lula: enviou mensagens por e-mail para 15 mil sócios e mais 9 mil associados do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), além de contatos diretos com empresas de grande porte e forte interesse na Argentina. Até agora, cerca de 50 se inscreveram por e-mail, e esses se somam a outros 45 grandes empresários que já confirmaram participação.

Nos contatos de governo feitos pelo Itamaraty com a equipe de Cristina Kirchner, os argentinos apontaram setores como os de autopeças, software, eletroeletrônico, metalúrgico e a agroindústria, como "carentes de investimento" em que o governo local teria interesse em apoiar a instalação e ampliação de fábricas e instalações. Em 2007, 60% dos investimentos brasileiros na Argentina foram dirigidos à aquisição ou ampliação de empresas já existentes, quase 32%, porém, foram para novos empreendimentos. O restante destinou-se a associações ou terceirização de atividades.

Martins afirma que a Fiesp está apostando em "qualidade, mais que quantidade" para compor a missão que acompanhará a visita de Lula. O Itamaraty planeja levar à Argentina representantes de 10 a 12 setores, entre eles o de têxtil e calçados, bens de capital, indústria naval, alimentos e bebidas, turismo madeira e móveis e software. O governo e empresários querem levar também setores que encontram dificuldades com a concorrência na Argentina, como o de eletrodomésticos de linha branca, que enfrentam barreiras nas vendas ao mercado vizinho.

"Queremos mostrar que não estamos indo para comprar o que resta, como alguns temem", diz Martins, que tem sócio argentino em um empreendimento metalúrgico, e viu, principalmente na mídia Argentina, comentários preocupados sobre a voracidade dos investimentos brasileiros.

A Fiesp, que vê a viagem com Lula como uma missão precursora para uma nova missão empresarial à Argentina, em outubro, pretende pôr lado a lado empresas e associações do mesmo setor nos dois países, para avaliar possibilidades de atuação conjunta.

Dificilmente, porém, governo e empresários conseguirão reunir mais que 200 executivos para uma viagem em pleno período de férias, em meio às incertezas sobre o futuro da política econômica argentina, agravadas com as denúncias de manipulação dos índices de inflação e pelos desentendimentos entre a Casa Rosada e o setor produtivo. Para a diplomacia brasileira, porém, a viagem poderá servir para estreitar os laços entre os empresários e, numa perspectiva otimista, até usar os laços políticos entre os governos para encontrar uma fórmula de conciliação dentro da própria argentina.

Organização Mundial do Comércio (OMC)

a) Nova proposta dos EUA é "insuficiente"

Em 2006, no Rio de Janeiro, o então representante comercial dos Estados Unidos, Rob Portman, acenou limitar a US$ 13,5 bilhões os subsídios domésticos agrícolas americanos que mais distorcem o comércio num acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) dentro da Rodada Doha. Sob pressão, a representante comercial americana Susan Schwab formalizou uma nova oferta, aceitando limitar os subsídios a US$ 15 bilhões, na primeira sessão ministerial para tentar um acordo esta semana.

A proposta fica US$ 2 bilhões acima do mínimo proposto pelo mediador da negociação agrícola na OMC e é quase o dobro dos US$ 8 bilhões que o país efetivamente gastou no ano passado ajudando seus agricultores. Mesmo assim Schwab insistiu que a oferta é condicionada a que as economias emergentes, as que mais crescem no mundo, reduzam efetivamente suas tarifas industriais e agrícolas.

Sem surpresa, o Brasil e outros parceiros consideraram a cifra insuficiente para fechar um acordo na Rodada Doha nos próximos dias. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, é a área de subsídios que determina o nível de ambição de um acordo global. "Estamos ainda em negociação, espero que não seja a [oferta] final, porque é um nível de ambição baixo e teremos de responder igualmente."

A proposta do mediador da negociação agrícola, Crawford Falconer, é que a ajuda americana a seus agricultores seja limitada a algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões. Os EUA querem ficar com o limite mais alto, alegando que já vão fazer um grande esforço, porque o volume de subsídios excedeu US$ 15 bilhões em sete dos últimos dez anos.

Cálculos do Brasil indicam que só haverá corte efetivo nos EUA com limite de US$ 13 bilhões, a média dos últimos anos. É essa diferença que pode pesar na barganha nos próximos dias. A exemplo do Brasil, as reações foram mistas em geral, com boa parte dos negociadores considerando importante o movimento, mas insistindo que os EUA podem fazer mais se quiserem concessões e acordo. A Noruega, o país mais protecionista do mundo, foi o que se mostrou mais entusiasmado pela oferta americana.

O ministro argentino Jorge Taiana foi bem menos receptivo, declarando que a oferta é uma "decepção". O ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, diz que aceita na hora fechar um acordo, se uma oferta americana significar corte real de US$ 0,50 em termos reais - ou seja, limite abaixo de US$ 8 bilhões.

Susan Schwab excluiu a possibilidade de os EUA aceitarem baixar os subsídios para menos dos US$ 13 bilhões propostos pelo mediador. "Quem estiver sugerindo numero diferente (dos US$ 13 bilhões-US$ 16,5 bilhões) não está empenhado seriamente na conclusão da Rodada Doha", reagiu ela. A representante americana também insistiu que os EUA precisam de margem para a eventualidade de mudança nos preços globais das commodities, e que a situação dos preços altos hoje não podem ser tomada para sempre.

Ela disse que, se a oferta for aceita, deve provocar mudanças na nova lei agrícola americana (Farm Bill), para ajustar os programas com os novos compromissos na OMC. Pela nova lei, os Estados Unidos poderão gastar US$ 289 bilhões em ajuda aos agricultores nos próximos cinco anos. Schwab disse que discutiu com membros do Congresso, semana passada, para fazer a nova oferta.

Mais complicado foi a demanda dos EUA para ter a segurança de que os países não vão denunciar os programas de subsídios americanos no futuro, desde que Washington respeite o novo acordo. O Brasil ganhou na OMC disputa contra subsídios americanos ao algodão e está junto com o Canadá contestando mais de 80 outros programas de ajuda americana. A representante dos EUA argumentou ser "impossível" explicar aos agricultores americanos que eles terão menos possibilidade de subsídios e, ao mesmo tempo, poderão ser alvo de denúncias na OMC.

b) MST e Contag prometem reagir a acordo na OMC

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e demais movimentos sociais alertam ao governo que vão "ocupar estradas, prédios públicos e fazendas" se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Itamaraty garante que vai manter altas as tarifas para nove produtos agrícolas como forma de acalmar os produtores familiares, entre eles trigo, milho, arroz e feijão. Mas os representantes dos movimentos sociais garantem não aceitar nenhum acordo. "Por enquanto, estamos dialogando. Mas vamos passar à briga se o governo insistir no acordo", disse o coordenador nacional de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Gilmar Pastorio.

O agricultor foi um dos seis representantes de entidades sociais do setor rural que foram a Genebra acompanhar as negociações da Rodada Doha. "Estamos aqui para atrapalhar e evitar a qualquer custo que haja um acordo", afirmou Pastorio.

Nesta semana, o representante viajará a Dourados (MS) para falar a 5 mil colonos sobre os impactos da Rodada Doha. "Se o governo não nos ouvir, vamos usar nossas táticas, que todos conhecem. Temos de ter o direito de nos proteger e garantir a segurança alimentar do Brasil." A Fetraf representa 4 milhões de pequenos produtores. "Mas o governo Lula prefere sair em defesa do agronegócio e de meia dúzia de milionários da soja."

Segundo ele, o Brasil destruiu a produção de trigo e outros produtos nos anos 90 com a criação do Mercosul. "Éramos auto-suficientes em trigo nos anos 80 e isso foi trocado por benefícios na indústria", disse Pastorio.

Ele diz que o governo agora precisa fazer manobras para conseguir pagar as dívidas dos pequenos agricultores. Ele alerta que 50% das exportações agrícolas brasileiras vêm da produção familiar. "De onde Perdigão e Sadia compram seus produtos? Quem é que acorda às 5 da manhã para dar alimentos aos porcos?", questiona.

O Brasil vai propor na OMC a manutenção de barreiras à produção do trigo, milho e leite para tentar conter as importações e defender os interesses de pequenos produtores. Hoje, o País produz apenas 37% do trigo consumido. O restante é importado, principalmente da Argentina. Cebola, tomate, mandioca, arroz e alho também serão mantidos com tarifas altas.

Plano Internacional

a) Argentina e Venezuela resistem a concessões

As tarifas de importação de automóveis, calçados e têxteis no Brasil podem cair de 35% para 23,6% no cenário de liberalização mais ambiciosa na negociação industrial da Rodada Doha esta semana, de acordo com cálculos de negociadores. No entanto, os países industrializados consideram o percentual insuficiente, enquanto a Argentina acha que é alto demais e que o Mercosul não tem como aceitar esse tipo de concessão.

Mais uma vez a Argentina e a Venezuela deixaram claro a resistência a se mover na área industrial, enquanto o Brasil, África do Sul e outros emergentes mostram-se mais moderados na tentativa de acordo em Doha. A posição da Argentina e da Venezuela não prevaleceu ontem quando o chamado grupo Nama-11, de 11 países em desenvolvimento, procurou delinear a estratégia para a negociação que começa hoje. Os dois ficaram isolados, segundo negociadores.

O ministro argentino, Jorge Taiana, foi o primeiro a se manifestar ontem, exigindo posição dura do Nama 11, apontando enorme desequilíbrio entre o que os desenvolvidos querem dos emergentes e oferecem, por sua vez.

O ministro de Comércio da Venezuela, William Contreras, reforçou a posição argentina. Brasil, África do Sul e outros moderaram o tom e o comunicado que deveria ser divulgado foi "aguado". A Índia ficou calada, em meio a suspeitas de que realmente não tem interesse em fechar a rodada.

Os representantes argentinos negam oficialmente divergências com o Brasil. Argumentam que foi Brasília que apresentou formalmente proposta na Rodada Doha para que o Mercosul tenha flexibilidade adicional para proteger 16% das linhas tarifárias. "O que vale é o que está escrito", disse o subsecretário de Comércio Internacional, Nestor Stancanelli. Negociadores de países industrializados acham que essa demanda é exagerada. Outros acham que a Argentina sobe o tom para obter concessões do Brasil na lista dos setores industriais sensíveis que terão proteção.

Para analistas, a questão é até que ponto Buenos Aires manterá a firmeza em Genebra. Em certo momento, dependendo do rumo das negociações, a presidente Cristina Kirchner será acionada para tomar uma decisão de flexibilizar ou quebrar a rodada. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a proposta do Mercosul corta em 35% as tarifas aplicadas nos produtos industriais mais sensíveis.

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