16 a 20 de outubro de 2006

Comércio Exterior

Resultados
Alta na importação de bens de consumo duráveis
Investimentos externos em queda

Agronegócio


Etanol nos planos de importação da UE
Ameaça à carne bovina brasileira na EU
Nova tentativa para a carne
Retração no embarque de frango

Mercosul


Bird libera construção de papeleiras
Agricultor europeu resiste ao Mercosul
EUA acham difícil acordo parcial com o Uruguai

OMC

União Européia quer evitar adiamento de Doha
Fracasso de Doha assusta

Plano Internacional

Eleições no Equador
Venezuela e Guatemala no Conselho de Segurança da ONU
Expansão do PIB chinês
Argentina e Bolívia fecham acordo sobre gás




Comércio Exterior

a) Resultados


Na segunda semana de outubro, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 1,002 bilhão, rendimento inferior aos US$ 1,129 bilhão alcançado na semana anterior. As exportações somaram US$ 2,409 bilhões enquanto que as compras no mercado externo ficaram em US$ 1,407 bilhão.

Considerando o acumulado do mês, o saldo positivo está em US$ 2,131 bilhões, a diferença entre embarques que renderam US$ 5,523 bilhões e importações que atingiram US$ 3,392 bilhões. Considerando os resultados desde o início de 2006, a balança comercial registra US$ 36,132 bilhões, alta de 5,2% sobre os US$ 34,132 bilhões alcançados pelo mesmo dado no ano passado. As exportações somam US$ 106,235 bilhões, o que representa um aumento de 15,9%, e as compras já chegam aos US$ 70,103 bilhões, alta de 22,3% sobre o mesmo período de 2005.

b) Alta na importação de bens de consumo duráveis 

A alta do real frente o dólar tem refletido no aumento das importações de bens duráveis. Produtos como automóveis, eletroeletrônicos, eletrodomésticos e móveis registraram aumento nas importações nos últimos meses: considerando os últimos 12 meses, a compra de bens duráveis estrangeiros cresceu 74% nos 12 meses acumulados até setembro em relação ao dado anterior. No terceiro semestre, o mesmo dado registrou salto de 93%.

As exportações destes produtos, no entanto, recuaram 6% durante os mesmos 12 meses e 12% só no terceiro trimestre.


c) Investimentos externos em queda

Em relatório divulgado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimentos (Unctad), o Brasil aparece em queda no ranking dos países que mais receberam investimentos externos em 2005. A queda do 10º para o 14º lugar representa uma perda de 17% na comparação com o levantamento de 2004 e corresponde a um montante de US$ 15 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) ao longo do ano.

Os dados de 2005 mostram que 1,6% dos investimentos estrangeiros globais e 4% dos recursos injetados em países emergentes tinham como destino o Brasil – em 2004, os mesmos dados eram 2,6% e 5,8% respectivamente. A redução ocorre justamente em um ano em que os fluxos mundiais de IED saltaram 29%, para US$ 916 bilhões. O documento aponta a valorização do real como um dos fatores para os efeitos negativos e atenta para a base de comparação peculiar de 2004, ano em que os investimentos estrangeiros no Brasil tiveram um adicional de US$ 4 bilhões devido à compra da cervejaria Ambev pela belga Interbrew.

De acordo com André Costa Carvalho, diretor-técnico da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), entre janeiro e agosto de 2006 houve o ingresso de US$ 22 bilhões no Brasil, enquanto que outros US$ 8 bilhões foram remetidos para o exterior, um saldo líquido de US$ 14 bilhões. A previsão para este ano é de US$ 16 bilhões e IEDs destinados ao Brasil.

Agronegócio

a) Etanol nos planos de importação da UE

Mariann Fischer Boel, comissária de agricultura da União Européia anunciou que está agendada para dezembro uma visita ao Brasil para o conhecimento das unidades produtivas de etanol no país. Sendo o objetivo da UE alcançar uma mistura de 5,75% de etanol na gasolina até 2010, a demanda pelo produto exigiria a ocupação de 18 milhões dos 104 milhões de hectares europeus dedicados à agricultura. Boel considera esta parcela de terras excessiva e admite a necessidade de importações, inclusive do Brasil. Ao mesmo tempo foi anunciado um orçamento de € 2,2 bilhões para pesquisas na área energética.

Acompanhando a comissária no Congresso dos Agricultores Europeus, em Estrasburgo, estava Thomas Cshlick, representante da indústria automobilística da Alemanha. Schlick pediu aos agricultores que se empenhem na produção do etanol pois o aumento da demanda é garantida. O setor alemão de automóveis já projeta motores mais adaptáveis ao diesel e ao biogás, além de automóveis híbridos. A atual oferta de etanol na Europa é de 1 bilhão de litros, capacidade que deve ser elevada nos próximos anos para se aproximar dos 6 bilhões produzidos pelo Brasil.


b) Ameaça à carne bovina brasileira na EU

O irlandês Padraig Walshe permanece exigindo que a Comissão européia suspensa toda a impostação de carne brasileira argumentando sobre o controle inadequado de focos de febre aftosa, a falta de rastreabilidade dos animais e os danos ambientais e sociais causados por produtores brasileiros. Ainda que as autoridades ainda não tenha lhe dado ouvidos, Walshe inciará campanha junto aos consumidores britânicos para boicotarem a carne brasileira alegando que eles devem comprar “carne segura”.

A Irlanda exporta 90% da carne bovina que produz – o país possui 4 milhões de habitantes e 2 milhões de vacas. Ainda que a proibição da carne brasileira no mercado europeu elevasse o faturamento irlandês no setor, que hoje é de € 2 bilhões, seus produtores não conseguiriam dar conta da procura resultante do bloqueio à carne brasileira. Alguns líderes do setor presentes no Congresso dos Agricultores Europeus, em Estrasburgo, pediram a Bruxelas para que barre as importações de produtos sem o mesmo padrão sanitário e ambiental europeu, do contrário será preciso reduzir as exigências locais uma vez que o custo crescente e a burocracia diminuem a competitividade dos produtos europeus.


c) Nova tentativa para a carne

O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, agendou para o início de novembro uma viagem para Santiago, capital chilena, para negociar a suspensão do embargo daquele país à carne bovina dos estados de Rondônia e Acre. Desde junho, quando o governo do Chile permitiu compras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Brasília tenta liberar os outros estados.

A Rússia é outro alvo das missões do ministro, que tentará estender a recente abertura à carne bovina paulista e goiana aos gêneros suínos, ainda bloqueados por Moscou. A última resposta russa continha uma oferta de cota para 300 mil toneladas de carne suína brasileira, imediatamente recusada pelo setor brasileiro. Japão e Coeria do Sul, países mais protecionistas, receberão uma missão técnica brasileira no início da próxima semana que deve preparar o terreno para a visita de Guedes Pinto a países asiáticos, também em novembro.


d) Retração no embarque de frango

Após uma leve retomada no crescimento durante o mês de agosto, as exportações de carne de frango voltaram a registrar queda em setembro. Segundo dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), o total embarcado foi de 209,56 mil toneladas, queda de 17,83% em relação a setembro de 2005, e a receita resultante deste comércio foi de US$ 251,5 milhões, recuo de 24,15% na mesma comparação. A gripe aviária continua sendo apontada como principal causa para a redução na demanda pelo produto.

Considerando o período de janeiro a setembro, os embarques somaram 2,133 milhões de toneladas, queda de 9,29% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. A receita referente a tais vendas atingiu US$ 2,261 bilhões, retração de 9,92%. A Abef estima que 2006 fechará com um recuo de 9,3% no volume exportado e 14,1% na receita.

Mercosul

a) Bird libera construção de papeleiras

Foi recomendada ao conselho diretor do Banco Mundial (Bird) a liberação de empréstimo no valor de US$ 170 milhões à construção da Orion, fábrica de papel e celulose da finlandesa Botna.

As agências de crédito ao setor privado Corporação Financeira Internacional e a seguradora de riscos Miga concluíram que a planta a ser construída em Fray Bentos, às margens do Rio Uruguai, não apresenta riscos ambientais e portanto não viola o regulamento ambiental do Bird. A avaliação também permitiu a construção da fábrica projetada pela espanhola Ence, mas a empresa já anunciou que optou por outra cidade uruguaia para a papeleira.

b) Agricultor europeu resiste ao Mercosul

Já na abertura do Congresso dos Agricultores Europeus, foi rejeitado o processo de negociação entre União Européia e Mercosul. O setor também se manifestou pela retirada das ofertas da já paralisada Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). As resistências à abertura entre ambos argumentam que só o Brasil seria beneficiado por uma futura liberalização agrícola .

As lideranças agrícolas reunidas também fizeram duras críticas ao comissário europeu, Peter Mandelson, que flexibilizou recentemente a proposta européia de cortes alfandegários admitindo uma redução média de 50% nas tarifas – a idéia inicial era de 39%.

c) EUA acham difícil acordo parcial com o Uruguai

Apesar da permissão concedida pelo Mercosul para que o Uruguai negocie um acordo comercial parcial com os Estados Unidos, Washington parece não aceitar a nova proposta. O governo americano já definiu tratados de livre comércio com outros países latino-americanos como México e Chile – Colômbia e Peru aguardam ratificação do Congresso.

Uma vez que as normas no Mercosul impedem a negociação individual de tratados de livre comércio por seus membros, o bloco cede às insistências de Montevidéu e permitiram conversas com os americanos sobre uma acordo que não contrarie sua tarifa externa comum (TEC). Segundao Everett Eissenstat, assistente comercial dos Estados Unidos para as Américas, Washington possui uma receita padrão para acordos comerciais que não permite muita distância dos acordos de livre comércio.

OMC

a) União Européia quer evitar adiamento de Doha

A comissária européia para Agricultura, Mariann Fischer Boel, afirmou que a intenção da União Européia é retomar as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) no início de 2007 a fim de evitar seu adiamento para 2009. Ela considera que os trabalhos não avançarão até novembro, quando ocorrerão eleições para o legislativo americano; se então, não for possível o reinício no começo do ano que vem, só nas eleições para o executivo, em 2009.

Presente no Congresso de Agricultores europeus, Boel foi fortemente pressionada pelo setor, que cobrou maior firmeza no debate das propostas de Peter Mandelson, comissário para o comércio da UE, que não tem agradado os produtores do bloco. Muitos representantes exigiram o recuo na proposta de tarifas de importação, uma vez que a redução original de 39% causaria perdas de aproximadamente € 20 bilhões aos agricultores europeus.

b) Fracasso de Doha assusta

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, discursou perante o parlamento Europeu e novamente alertou para o retrocesso que representaria o fracasso da Rodada Doha, suspensa em julho passado. “(O fracasso da Rodada Doha) não será um grande choque econômico que dará início a uma crise de mercado em particular (>>>) mas será como uma doença de lenta evolução que irá progressivamente minar a força do sistema de comércio multilateral construído ao longo dos últimos 50 anos”, declarou Lamy.

Ele já não acha mais possível qualquer avanço da Rodada Doha até o final de 2006 devido à forte oposição de interesses na área agrícola, principalmente entre Austrália, Brasil, índia, Japão, União Européia e Estados Unidos. A melhor opção a ser tomada a partir desse momento é, segundo o dirigente, interromper de forma generalizada as conversas para dar mais tempo aos negociadores para que sejam formuladas novas propostas. A data para a retomadas das negociações não foi definida ou sugerida.

Plano Internacional

a) Eleições no Equador

Foi definido para 26 de novembro, o segundo turno das eleições presidenciais equatorianas. Os candidatos mais votados no pleito do dia 15 de outubro foram o empresário de direita, Álvaro Noboa e o esquerdista Rafael Correa, aliado do venezuelano Hugo Chávez. Com 63% das urnas apuradas, Noboa contava com 26,7% dos votos para o Partido Renovador Institucional Ación Nacional (Prian), enquanto que Correa, do movimento Alianza País, somava 22,45%.

Os 9 milhões de eleitores equatorianos também votaram para 100 deputados do Congresso, cinco parlamentares andinos, 67 conselheiros provinciais e 674 representantes municipais. O Equador conheceu sete presidentes diferentes na última década, resultado de sucessivas ações do legislativo contra o executivo e de golpes de Estado referentes a revoltas sociais.

b) Venezuela e Guatemala no Conselho de Segurança da ONU

Após sucessivas rodadas de votação, os candidatos da América Latina à cadeira do Conselho de Segurança da ONU, Venezuela e Guatemala não conseguiram os dois terços de votos necessários para a definição do assento. A maior disputa não se deu entre os dois países candidatos, mas entre Estados Unidos e Venezuela, este último aliado ao grupo dos não-alinhados: Cuba, Irã e Coréia do Norte. O dirigente venezuelano, Hugo Chávez, pretende ser a “voz” dos pobres do mundo e tenta uma das 15 vagas do órgão máximo da ONU pela quinta vez.

c) Expansão do PIB chinês

A China registrou um crescimento de 10,4% em seu PIB referente ao terceiro trimestre de 2006 na comparação com o mesmo intervalo de 2005. Considerando o segundo trimestre destes ano, observou-se um recuo de 0,9%. O porta-voz do Departamento Nacional de Estatísticas chinês, Li Xiaochao disse que o país começa a limitar a antiga tendência de expansão descontrolada por meio de medidas de controle macroeconômico adotadas pelo governo e que começam a surtir efeito.

d) Argentina e Bolívia fecham acordo sobre gás

A assinatura de um contrato de US$ 17 bilhões entre Bolívia e Argentina prevê um aumento de três vezes na exportação de gás natural boliviano para o mercado argentino. O novo acordo vale por 20 anos e aumenta o fluxo do produto de 7,7 milhões para 27,7 milhões de metros cúbicos diários sobre os quais incidirá o preço de US$ 5 por milhão de BTU a partir de 2007.

O contrato atual entre Brasil e Bolívia prevê a venda de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás boliviano a US$ 4 por milhão de BTU, preço que deve aumentar até o final do ano.


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