16 a 20 de julho de 2007

Comércio Exterior

Resultados
GM destinará US$ 500 milhões para Brasil e Argentina
Exportação emperra na burocracia
Honda investirá US$ 100 milhões para produzir carros na Argentina


Agronegócio

Parlamentar inglês deve propor embargo à carne
Sobretaxa americana ao etanol veio para ficar, diz representante do país

Valor da safra agrícola de 2006 teve queda de 15,1%

Mercosul

Chávez não quer mercosul
Mercosul aprova elevação de tarifa de calçados da China


OMC

País recusa proposta da OMC para corte de tarifas industriais
Acordo que unifica regras para venda de aviões pode sair logo

Plano Internacional

Chuvas derrubam preços dos grãos em Chicago
Índice de preços ao consumidor nos EUA tem alta de 0,2% em junho




Comércio Exterior

a) Resultados

Com um forte ritmo de crescimento das importações, o saldo da balança comercial apresenta uma ligeira queda no acumulado do ano. Até a segunda semana de julho, o superávit (exportações menos as importações) está em US$ 22,368 bilhões, uma queda de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 22,458 bilhões).
 No período, as exportações totalizam US$ 79,537 bilhões, valor 17,1% superior ao registrado entre janeiro e a segunda semana de julho no ano passado. Já as importações crescem em ritmo mais forte, 25,8%, e somam US$ 57,169 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento.

        A Confederação Nacional da Indústria (CNI) quer que o governo tome novas medidas que ajudem as empresas brasileiras a compensarem a valorização do real frente ao dólar. Para a entidade, embora esse seja um fenômeno enfrentado também por outros países, no Brasil não foi feita nenhuma reforma que ajude a compensar a baixa cotação da moeda americana, que prejudica as exportações.

b) GM destinará US$ 500 milhões para Brasil e Argentina

A maior montadora do mundo, a americana General Motors (GM), resolveu pisar no acelerador na América do Sul. Em meio a um cenário favorável na região, com vendas em alta tanto no Brasil, como na Argentina, a companhia anuncia investimentos de US$ 500 milhões, que serão usados no desenvolvimento e na fabricação de uma nova família de automóveis pequenos. As vendas no primeiro semestre deste ano da GM cresceram 18% no país e 16% na Argentina, comparadas a igual período de 2006.

Ray Young, o presidente da GM no Brasil, explica que ainda é cedo para falar sobre o destino dos recursos. Mas adianta que, além de o projeto consumir entre dois e três anos para virar realidade, metade do investimento deverá seguir para Argentina e a outra metade irá para o Brasil. "Mas isso dependerá das negociações que temos com os governos desses países", diz Young, acrescentando que a produção também deverá obedecer a mesma lógica de divisão, ou seja, 50% a 50%.

c) Exportação emperra na burocracia

O Brasil poderia incrementar imediatamente suas exportações em US$ 530 milhões por ano apenas com a redução da burocracia e melhoria dos serviços de comércio exterior. No médio prazo, toda a América Latina poderia aumentar em 20% suas vendas se uma ampla reforma nas aduanas e na infra-estrutura fosse realizada, segundo estudo do Banco Mundial. Isso sem que nenhuma tarifa ou barreira nos países ricos fosse retirada.

Enquanto os governos se enfrentam na Organização Mundial do Comércio (OMC) para determinar as futuras tarifas que cada produto irá receber, o Banco Mundial aponta que uma outra negociação, que ocorre com objetivo de facilitar as trocas comerciais, poderia gerar ganhos para a economia mundial de US$ 377 bilhões com melhorias nas aduanas, portos, leis e infra-estrutura no setor de serviços relacionados a comércio exterior. A partir de hoje, a OMC volta a debater as mais de 40 propostas apresentadas por diferentes países para negociar essas reformas.

O Banco Mundial estima que o comércio mundial aumentaria em US$ 107 bilhões apenas com a melhora dos portos, além de outros US$ 33 bilhões com maior eficiência das aduanas. Simplificação das leis para exportadores e importadores geraria outros US$ 83 bilhões. Mas os maiores ganhos viriam de uma reforma na infra-estrutura no setor de serviços relacionados a comércio exterior: US$ 154 bilhões.

d) Honda investirá US$ 100 milhões para produzir carros na Argentina

A empresa japonesa Honda investirá US$ 100 milhões para fabricar veículos na Argentina. A intenção é iniciar a produção de um modelo compacto, voltado tanto para a exportação como para o mercado interno, na segunda metade de 2009.

Antes de anunciar os planos publicamente, os diretores da Honda apresentaram as iniciativas ontem para o presidente argentino Néstor Kirchner. Também estavam presentes na reunião o chefe de Gabinete argentino, Alberto Fernández, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, e o novo ministro da Economia, Miguel Peirano.

Agronegócio

a) Parlamentar inglês deve propor embargo à carne

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, advertiu o comissário europeu de comércio, Peter Mandelson, para que a União Européia tenha cuidado com as pressões sem base cientifica que alvejam a importação de carne bovina brasileira. A comissária agrícola Mariann Fischer Boel não participou do jantar. Amorim se referia à demanda de pecuaristas irlandeses e britânicos, que, segunda-feira, defenderam, no Parlamento Europeu, o embargo à carne brasileira, alegando falha no controle sanitário.

Para o assessor do parlamentar, que prefere não ter o nome citado, o que vai acontecer é o aumento do número de deputados manifestando "preocupação" sobre a importação da carne brasileira. Enquanto isso, observadores que alertaram o governo e o setor privado sobre a crescente campanha contra a carne brasileira na Europa afirmam que nunca receberam nenhuma reação a essas informações.

b) Sobretaxa americana ao etanol veio para ficar, diz representante do país

Não vai adiantar muito os empresários e o governo brasileiro protestarem contra a sobretaxa de US$ 0,54 por galão de etanol (álcool) importado imposta pelo governo americano. Ela veio para ficar e, segundo o diretor de Comercialização e Despacho de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA, Brad Barton, em entrevista exclusiva ao Valor, o objetivo é evitar que o governo americano subsidie a produção estrangeira de etanol, uma vez que ele paga US$ 0,51 por galão do produto comprado por suas empresas.

O subsídio tem como finalidade estimular as empresas de petróleo a comprarem energia renovável de produção doméstica. Barton foi cuidadoso ao responder sobre o assunto, que não é especificamente da sua área. Quanto à longevidade da sobretaxa, disse que é um assunto para o Congresso americano ou para o futuro presidente do país. E não quis opinar sobre a possibilidade de danos trazidos pela sobretaxa aos objetivos definidos pelos governos do seu país e do Brasil de pesquisarem e produzirem conjuntamente etanol.

c) Valor da safra agrícola de 2006 teve queda de 15,1%

A valorização do real e a baixa cotação dos produtos agrícolas no mercado internacional levaram a uma queda nominal (sem descontar a inflação) de 15,1% no valor de produção da safra agrícola de 2006 em relação a 2005, o que representa uma redução de R$ 7,3 bilhões de um ano para o outro. A expectativa é que a variação de valor seja positiva em 2007.

Os dados foram divulgados ontem na Pesquisa Agrícola Municipal (PAM 2006), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O analista da área de produção agrícola do instituto, Carlos Alfredo Guedes, disse que a queda foi conseqüência especialmente da valorização do real ante o dólar e dos preços internacionais desfavoráveis no primeiro semestre do ano passado. 'Se essa comparação (do valor de produção) for feita em relação a 2004, a redução chega a 35,4%, ou a mais de R$ 22 bilhões.

A queda no valor da produção foi apresentada como uma das justificativas para a redução de 5,2% da área plantada da safra 2006 em relação a 2005, interrompendo a seqüência de crescimento desde 2001. Outro motivo apontado foi a falta de chuvas regulares. O recuo na área não impediu que a safra atingisse 117,3 milhões de toneladas no ano passado, 4,1% maior que a safra anterior.

MERCOSUL

a) Chávez não quer mercosul

O presidente Lula ainda tem dúvidas, mas diplomatas e empresários brasileiros que estiveram recentemente com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, concluíram que são perto de zero as chances de ele recuar em suas bravatas contra o Mercosul. O problema não são as manifestações do Senado brasileiro, como Chávez diz em público. Eles ouviram dele que o Mercosul não interessa nem a ele nem à nova classe de empresários venezuelanos. Chamada pejorativamente de boliburguesia (burguesia bolivariana), a turma perderia mercado com a queda das tarifas de importação de produtos do Brasil e da Argentina. “Queremos um acordo político, não comercial”, diz Chávez. A prioridade econômica do governo venezuelano é avançar as operações da estatal de petróleo PDVSA sobre a Bolívia e o Equador – o que, aliás, atinge a Petrobrás.

b) Mercosul aprova elevação de tarifa de calçados da China

O Brasil conseguiu ontem a aprovação de todos os sócios do Mercosul para elevar a tarifa de importação de calçados chineses. A alíquota vai subir de 20% para 35%. A vitória dos calçadistas nacionais -prejudicados pelo dólar baixo- foi obtida após reuniões de representantes brasileiros no Uruguai, único país do grupo que não havia aprovado a decisão.
A nova TEC (Tarifa Externa Comum do Mercosul) começa a valer após teleconferência com os ministros de relações exteriores de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento acreditam que isso pode ocorrer na próxima semana.

O aumento da alíquota é uma resposta às reclamações da indústria calçadista, principalmente da região Sul, que sofre com a valorização cambial. Com o dólar baixo, as exportações brasileiras ficam mais caras, o que reduz o espaço das mercadorias produzidas no país e amplia o das chinesas.

OMC

a) País recusa proposta da OMC para corte de tarifas industriais

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avisou ontem que o Brasil "não está satisfeito" com uma proposta de cortes de 57% a 62% nas tarifas industriais do país, estimando ser mais ambiciosa do que na abertura agrícola, mas teve o cuidado de deixar a porta aberta para barganhas.

Amorim foi mais duro em relação aos Estados Unidos, ao saber que negociadores americanos teriam qualificado de "inaceitável" limitar em US$ 13 bilhões os subsídios domésticos agrícolas que mais distorcem o comércio. "Se os EUA, maior potência econômica do mundo, não querem um acordo, não vai ter acordo", afirmou. "Se for verdade, que assumam o ônus de sair da negociação."

Os mediadores das negociações agrícola e industrial na Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentaram textos em vista de compromisso entre os 150 países-membros. Na agricultura, o mediador sugere corte tarifário médio acima de 50% e redução dos subsídios americanos a algo entre US$ 13 bilhões ou 16,4 bilhões. Na área industrial, o mediador defendeu coeficientes 19 ou 23 para emergentes, o que dá corte na Rodada Doha. A tarifa máxima nos países ricos ficaria em 10%, abrindo o caminho para exportações de têxteis, confecções e calcados, hoje afetadas por altas taxas.

b) Acordo que unifica regras para venda de aviões pode sair logo

Um acordo global para evitar guerra de subsídios de bilhões de dólares no mercado de aeronaves poderá ser concluído no próximo dia 30 no Rio de Janeiro, após anos de negociações na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O subsecretário de assuntos econômicos do Itamaraty, ministro Roberto Azevedo, confirmou rumores do mercado, de que estão praticamente concluídas as negociações para os governos oferecerem condições de competitividade iguais no mercado internacional. A discussão envolveu principalmente o Brasil, Estados Unidos, União Européia e Canadá, principais produtores de aeronaves comerciais.

A atual negociação é específica para o setor de aeronaves, conduzida pelo Brasil, EUA, UE e Canadá, participação menor do Japão que tem vínculos com a Boeing, enquanto outros 12 países sobretudo acompanharam a discussão. O Brasil participa só do acordo de aeronaves civis, depois de sempre ter combatido as regras negociadas na OCDE sobre subsídios (na forma de financiamento, taxa de juro, doação, seguro e garantia de crédito a exportação) por considerá-las um cheque em branco para os industrializados. É que essas regras são automaticamente aplicadas a qualquer país, queira ou não, pois servem como referência para o Acordo de Subsídios da OMC.

As regras globais de financiamentos para exportações de aeronaves eram decididas por um restrito grupo de dez países na OCDE. Em 2004, o grupo chamou o Brasil, um dos quatro maiores produtores de aviões civis, para revisar o chamado "Arranjo Sobre Créditos à Exportação". Esse acordo existe há mais de 20 anos para as exportações de três setores, que têm "entendimentos" específicos: aeronaves civis, navios e usinas nucleares



Plano Internacional

a) Chuvas derrubam preços dos grãos em Chicago

Os preços dos grãos - soja, milho e trigo - despencaram ontem na bolsa de Chicago, por conta do clima chuvoso no Meio-Oeste americano. A soja teve o maior tombo. "As chuvas beneficiaram as regiões produtoras, sobretudo, no oeste do Meio-Oeste americano, durante o fim de semana. Há previsões de chuvas para os próximos dias ", afirmou Vinícius Ito, operado da Fimat Futures.

Em Chicago, os contratos da soja para setembro encerraram o dia a US$ 8,8125 o bushel, com recuo de 50 centavos. Os contratos de milho para dezembro fecharam a US$ 3,4850 o bushel, com baixa de 20 centavos. Os de trigo para dezembro fecharam a US$ 6,18 o bushel, com queda de 17,25 centavos. Na bolsa de Kansas, os contratos do trigo para dezembro foram negociados a US$ 6,09 o bushel, com recuo de 18,25 centavos.

a) Índice de preços ao consumidor nos EUA tem alta de 0,2% em junho

O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos aumentou 0,2% em junho depois de uma elevação de 0,7% um mês antes e de 0,4% em abril, mostrou há instantes o Departamento do Trabalho do país em nota em sua página eletrônica. Sem alimentos e energia, o indicador também subiu 0,2% em junho, sucedendo acréscimo de 0,1% em maio e de 0,2% em abril.

No mês passado, os preços da energia cederam 0,5% e os dos alimentos expandiram-se 0,5%. No quinto mês deste ano, viram crescimento de 5,4% e de 0,3%, respectivamente.

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