04 a 08 de outubro de 2010

Comércio Exterior

Resultados
Procedimento especial agiliza comércio exterior

Ministro afirma que Exim Bank começará a operar este ano
Russos oferecem helicópteros e buscam fábrica da Embraer
Polo industrial de Manaus tem vendas superiores a US$ 21 bi

Agronegócio

Cotações do arroz seguem na contramão e têm viés baixista
Vendas externas de milho e açúcar batem novo recorde
Receita com embarque de frango cresce 26,7%
Exportações brasileiras de couros somam US$ 127,7 mi
Preços agrícolas fecham setembro com aumento de 5,43%
Malásia e Indonésia são os novos mercados-alvo do País
Receita com embarque de café cresce 48,7%

Mercosul

Governo argentino denuncia Bunge por sonegação de imposto

Plano Internacional

Europeus aumentam pressão para China valorizar moeda
FMI afirma que o mundo precisa que taxas de câmbio variem




Comércio Exterior

a) Resultados

As encomendas para o Natal e os investimentos produtivos no País aceleraram o aumento das importações em setembro, cujo resultado de US$ 17,740 bilhões bateu o recorde histórico para o mês. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a média diária das compras internacionais no mês foi 41,3% superior à registrada no mesmo período do ano passado. "Houve aumento das importações de todos os itens, mas as compras de bens de capital continuam fortes, com crescimento impressionante de 50,5% no mês", avaliou o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral.

Além disso, segundo Barral, a composição dos estoques de Natal geralmente se concentra nos meses de agosto e setembro, a impulsionar as importações nesse período. No mês, as compras de vestuário, por exemplo, aumentaram 67%. O resultado também se reflete na alta de 73% nas compras de mercadorias chinesas em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2009, principalmente de eletroeletrônicos, mas também de aço e máquinas.

O real valorizado também estimula as compras no exterior. As importações de automóveis, por exemplo, ficaram 47,2% maiores do que as de setembro de 2009, principalmente com aumento na aquisição de veículos da Argentina, México, Alemanha e Coreia do Sul. A conta ainda é inflada pelo aumento do consumo de insumos importados na indústria nacional, que representam quase metade dos desembarques no País. "A indústria brasileira começa a trocar insumos nacionais por importados para continuar competitiva. Esse é o maior impacto do câmbio", disse Barral.

A questão cambial, revelou o secretário, tem gerado constantes reclamações no setor produtivo, que sofre em diversas escalas de impacto. Isso porque além da concorrência com importados no mercado doméstico, os empresários brasileiros têm cada vez mais dificuldade em concorrer com produtos chineses e coreanos em terceiros mercados, como os países da América Latina. "Existem países que controlam artificialmente o câmbio, competindo com exportações brasileiras, tanto que o ministro Guido Mantega [Fazenda] tem falado em guerra cambial", disse. "A manipulação do câmbio como ocorre, distorce vantagens comparativas no comércio internacional", completou, adiantando que o governo brasileiro levará a questão à próxima reunião do G-20, a ser realizada na Coreia do Sul.
Sobre as exportações, que alcançaram US$ 18,833 bilhões em setembro, o secretário destacou o aumento de 61,9% nas vendas de básicos na comparação com o mesmo mês de 2009, efeito ampliado pela alta de preços de importantes commodities da pauta brasileira, como minério de ferro.

O resultado refletiu em um crescimento no mês de 74,2% nas exportações para a China, grande compradora de produtos básicos. "Ou seja, vendemos minério de ferro e importamos aço dos chineses", comentou Barral. Outro destaque em setembro foi o aumento de 60,5% nas vendas para a Argentina. "Aumentaram muito os embarques para alguns mercados tradicionais como Argentina e América Latina, e houve elevação de preços de commodities para mercado chinês."

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,093 bilhão em setembro. E no ano acumula superávit de US$ 12,777 bilhões em 2010.

b) Procedimento especial agiliza comércio exterior

O Despacho Aduaneiro Expresso - Linha Azul é um procedimento especial de facilitação aduaneira, criado pela Receita Federal do Brasil que consiste no tratamento de despacho aduaneiro expresso nas operações de importação, exportação e trânsito aduaneiro, mediante habilitação prévia da empresa interessada junto à Receita.

A habilitação é concedida a empresa que possua os requisitos e condições estabelecidos nas normas da Receita Federal do Brasil, que adote os procedimentos que demonstrem a qualidade de seus controles internos que visam o cumprimento das obrigações tributárias e aduaneiras e permitam o monitoramento permanente pela fiscalização aduaneira.

A Linha Azul baseia-se na exigência da empresa demonstrar a qualidade na gestão das suas atividades de comércio exterior, com auditorias internas, além de possuir controle corporativo informatizado, integrado à contabilidade, para controle dos estoques de mercadorias nacionais, de procedência estrangeira e as destinadas à exportação. Já o beneficiário da Linha Azul obtém da Receita Federal a aplicação de "Despacho Aduaneiro Expresso": adoção de procedimentos especiais que facilitam e agilizam os trâmites relacionados às suas operações de comércio exterior reduzindo os custos do processo alfandegário e simplificando a gestão logística de armazenamento.

c) Ministro afirma que Exim Bank começará a operar este ano

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Desenvolvimento e comércio exterior (Mdic), Miguel Jorge, declarou que o banco voltado para exportações, o Ex-Im Bank Brasil começa a funcionar no máximo até o fim do ano.

"O Ex-Im Bank está em fase final de elaboração. Espero que dentro de um mês, no máximo, possamos ter o Ex-Im Bank funcionando", previu o ministro ao DCI, após recepcionar a missão comercial árabe em visita à São Paulo ontem (4).

Miguel Jorge confirmou que o governo está estudando várias medidas para estimular as exportações. "O que temos de mais adiantado é o Ex-Im Bank. Estamos aguardando um sinal do BNDES para colocar em operação", afirmou o ministro. "O objetivo é que se possa fazer um estímulo forte para as exportações e para o seguro das exportações", disse Miguel Jorge.

Ele também avaliou o interesse do comércio exterior pelos dois candidatos presidenciais que se enfrentaram no segundo turno eleitoral. "Eu tenho visto os candidatos falarem sobre comércio exterior em entrevistas. Mas não percebi nos debates uma preocupação específica com o comércio exterior. Mas deveria ser", observou Miguel Jorge.

Em relação aos resultados da missão comercial saudita em visita ao Brasil, o ministro destacou a importância do intercâmbio. "Pelo interesse manifestado pelos investidores sauditas, acredito que deva sair acordos no setor de agronegócio, sim", diz.

Durante o encontro com os empresários sauditas, Miguel Jorge deixou claro que o governo brasileiro quer priorizar a venda de produtos alimentícios manufaturados à Arábia Saudita. "O Brasil pode contribuir com oportunidades em suco de laranja, produtos de café, carnes, máquinas de terraplanagem, veículos de carga, tratores e aviões", declarou aos participantes do encontro.

O ministro da Agricultura saudita, Fahad Abduralhaman Bal Ghunaim, explicitou o interesse da missão comercial. "O rei Abdullah determinou o incentivo aos empresários sauditas a investirem em terras férteis em países com fartura de água para a Agricultura", declarou Ghunaim.

O ministro saudita explicou que a Arábia vive sério problema de recursos hídricos e que precisa garantir a segurança alimentar com projetos de produção em outros países.

"Temos metas para investir com prioridade no Brasil, depois Turquia, Indonésia, Malásia, e em segundo plano na Tanzânia e na Etiópia, na África", afirmou Ghunaim.

De acordo com dados do governo saudita, eles importam 21% do açúcar consumido no país do Brasil e têm interesse em alimentos como milho, trigo, carnes e óleo vegetal. "Precisamos garantir o abastecimento e preservar os preços. Dessa forma, combater a pobreza e garantir alimentos para a Arábia Saudita", disse.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) alertou os empresários sauditas sobre a compra de terras na Amazônia. "Essa é uma região que devemos manter intacta", considerou o secretário do Mapa, Célio Porto.

Porto desaconselhou a compra de terras no Amapá ou em qualquer outra região de fronteira ou da Amazônia."Oferecemos segurança jurídica para investimentos no centro-oeste, na região central do Brasil", destacou.

O secretário do Mapa enfatizou as restrições legais de terras para estrangeiros. "Não há necessidade de compras de terras para conseguir a garantia dos produtos alimentícios para exportação. O Brasil não faz restrição a exportação de alimentos", garantiu.

Aos participantes, o secretário do Mapa ofereceu o serviço de orientação do Banco do Brasil. "Temos um modelo de contrato de compra antecipada que permite que o pagamento seja feito com o valor em produtos que podem ser livremente exportados", explicou aos sauditas.

O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, afirmou ao DCI que os investidores sauditas receberão todas as informações para a realização de negócios no Brasil. "Temos que obedecer a legislação brasileira", garantiu Schahin.

O presidente destacou que o Brasil está no radar dos países árabes. "Com as missões que o Brasil passou a fazer, as transações comerciais com os países árabes devem terminar o ano em US$ 20 bilhões de dólares", disse.

"A missão saudita veio estruturada, com vontade de investir. E tenho certeza que depois dessa missão, muitos negócios vão ficar. Nossos esforços vão frutificar em apoiar todo o contato entre empresários brasileiros e sauditas", concluiu Schahin ao falar do apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

O ministro Miguel Jorge mencionou as medidas práticas no curto prazo para incentivar a corrente comercial. "Nós iremos agora na Arábia Saudita, no início de dezembro, com 100 empresários brasileiros", mencionou.

"Também com a missão de atrair investimentos para área de petróleo, infraestrutura, portos, aeroportos. Com a intenção que esses investidores possam aplicar nesses projetos", detalhou o ministro Miguel Jorge.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, declarou que o banco voltado para exportações, o Ex-Im Bank Brasil, começa a funcionar no máximo até o fim do ano.

d) Russos oferecem helicópteros e buscam fábrica da Embraer

A missão comercial russa em visita à cidade de São Paulo intensificou seus esforços para oferecer helicópteros de cargas e de passageiros para uso civil nas empresas brasileiras de petróleo e energia.

"A Petrobras está com grande interesse em avaliar alguns desses modelos para operar com o transporte de cargas e funcionários entre o continente e as plataformas do pré-sal", declarou o coordenador internacional da Agência Brasileira de Promoção de exportações (Apex Brasil), Gilberto Lima, na missão.

A fabricante Russian Helicopters é a mesma que vendeu 12 helicópteros de combate Mi-35m para a Força Áerea Brasileira (FAB) por US$ 370 milhões.

"A empresa já entregou 3 das 12 aeronaves à FAB, que estão na base de Porto Velho, em Rondônia", informou o embaixador do Brasil na Federação Russa, Carlos Antonio da Rocha Paranhos.

Mas o interesse dos russos vai além da área militar e eles ofereceram os modelos para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. "Não há a necessidade de destruir a Amazônia com estradas para levar o material. O modelo de carga com guindaste leva mais de 20 toneladas com ampla autonomia de voo", sugeriu o diretor de Negócios da Russian Helicopters, Konstantin Yuritsyn.

O representante da missão russa e do banco Vnesheconombank - o banco estatal russo de desenvolvimento e fomento econômico - Sergey Vasilyev confirmou ao DCI que a Rússia está interessada nas áreas aeroespacial e de energia. "Convidamos a Embraer para abrir uma fábrica de jatos regionais e de aviões de médio porte com grande demanda na Rússia e as negociações seguem em discussão", declarou. Vasilyev detalhou que a cidade escolhida será a de Ulianovsk, a 400 quilômetros a leste de Moscou, a capital da Rússia.
Ele explicou que a Embraer tem a opção de utilizar lá fábricas inativas de aviões com linhas de montagens completas ou com linhas novas para produção.

A diretora para Américas do Ministério de Economia da Rússia, Elena Danilova, destacou a capacidade da indústria pesada de seu país. "Teremos sucesso na área de aeronaves, hidroenergéticas e eletroenergicas. Temos fornecedores desses equipamentos dentro dos limites de financiamento do governo russo", disparou Danilova. O embaixador brasileiro fez questão de deixar claro que o Brasil não irá apenas comprar equipamentos. "Queremos desenvolver produtos e tecnologia com a Rússia", ressaltou Paranhos.

Em resposta, Sergey Vasilyev informou que a Rússia está enviando universitários de ciências técnicas para estudar no Brasil. "É um projeto piloto imediato e colheremos frutos em 10 anos", frisou o representante da missão.

Danilova mencionou que o governo russo tem amplo conhecimento em tecnologia de comunicação espacial, informática e energia nuclear.

O embaixador brasileiro também citou a contraparte. "Temos que pensar em parcerias de investimentos em nanotecnologia e biotecnologia, e os russos são competitivos em indústria pesada e militar", disse Paranhos.

Vasilyev lembrou que ambos os países buscam a meta de US$ 10 bilhões na corrente comercial. "Foi uma determinação entre os presidentes Dmitry Medvedev e Lula que temos que cumprir", observou o representante russo.

O responsável pela Seção Brasileira e ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes disse que para cumprir a meta, a pauta terá que ser diversificada. "Temos que sair do óbvio. O Brasil exporta prioritariamente açúcar e carne para a Rússia e importamos fertilizantes", avaliou Pratini de Moraes.

Para diversificar a pauta, Gilberto Lima, da Apex Brasil, exibiu a iniciativa brasileira. "Abrimos o escritório da Apex em Moscou para dar suporte aos empresários brasileiros na Rússia", citou Lima.

O coordenador citou que a Gazprom, um das principais empresas de petróleo da Rússia, mostrou interesse em investir na exploração do pré-sal no Brasil. "Fornecemos todas as informações aos investidores", concluiu.

Durante a missão, mesas de trabalho russas vão tentar entender o sistema financeiro brasileiro e avaliar softwares de tecnologia bancária, expertise nacional, e o BNDES e o Vnesheconombank vão avaliar os financiamentos.

A corrente comercial com a Rússia deve fechar 2010 longe da meta de US$ 10 bilhões e registrou US$ 4 bilhões em 8 meses.

Nesse período, o Brasil exportou açúcar (US$ 1,08 bilhão); carne bovina (US$ 656 milhões); carne suína (US$ 391 milhões) e carne de frango (US$ 150 milhões) e soja com US$ 114 milhões.


E importamos da Rússia fertilizantes, aço, bombas, granadas, lança-foguetes e munições.

e) Polo industrial de Manaus tem vendas superiores a US$ 21 bi

O Polo Industrial de Manaus (PIM) atingiu, nos oito primeiros meses deste ano, faturamento de US$ 21,653 bilhões, valor 44,84% superior ao do mesmo período de 2009. No mês de agosto, o montante foi de US$ 2,9 bilhões, crescimento de 21,77% ante agosto do ano passado e o terceiro melhor valor mensal do PIM em sua história. As exportações registraram volume de US$ 723,340 milhões, crescimento de 41,88% na comparação com o mesmo período de 2009. Com receita de US$ 9,675 bilhões até agosto, os eletroeletrônicos foram o maior destaque, com crescimento de 51,45% em relação ao mesmo período de 2009.

Agronegócios

a) Cotações do arroz seguem na contramão e têm viés baixista

Ao contrário do cenário de perdas, devido a interferências climáticas, registrado em outras culturas, a expectativa do mercado para o plantio e colheita de arroz no Brasil para 2010/2011 segue promissora. No entanto, enquanto a maioria dos outros grãos está valorizada, as cotações do cereal, mesmo com a pouca oferta no mercado interno, andam na contramão, com tendência baixista.

Segundo Maurício Fisher, presidente do Instituto Rio Grandense do arroz (Irga), a sobrevalorização do real compromete a sustentação dos preços no País.

De acordo com o presidente, o setor espera um avanço no dólar, de pelo menos 8%, passando de R$ 1,68 para R$ 1,82. Caso isso não ocorra, segundo Fisher, o segmento vai tentar desonerar a cadeia junto ao governo federal.

O recuo do dólar para R$ 1,68, registrado nesta última sexta-feira, com dados da Safras & Mercado, representa queda de 4% em relação ao mês passado.

O presidente do Irga aposta ainda, agora pós-eleição, que os preços tendem a se recuperar, mas mesmo assim não vê possibilidade de valorização da saca de 50 quilos acima da casa dos R$ 30.

No Rio Grande do Sul, cujo cultivo de arroz para a temporada 2010/2011 está em 5,5% da área destinada ao cereal, segundo Fisher, a saca está cotada a R$ 26, enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 29. "Sem contar o mínimo de R$ 25,80 que também está abaixo do custo", diz.

Levantamento do Irga, aponta uma produção de arroz no Rio Grande do Sul para o ciclo 2010/2011 de 8 milhões de toneladas. O Brasil, de acordo com estatística da Safras deve colher 13,07 milhões de toneladas. Em 2009, os gaúchos responderam por uma produção de 6,88 milhões de toneladas de arroz, queda de 13% ante a safra 2008/2009.

Para Élcio Bento, analista da Safras, a fraqueza nos preços do arroz no mercado brasileiro ocorre também em função de um abastecimento global tranquilo.

Com o real mais forte, segundo o analista, as importações são favorecidas e obrigam os preços no Brasil a recuar ainda mais.

O arroz uruguaio, por exemplo, no grão em casca, hoje entra na fronteira do Brasil por cerca de R$ 25 a saca. "As cotações nos principais exportadores permanecem acima da realidade de preços praticados no Brasil e no Mercosul."

A situação do beneficiado, de acordo com Bento, é parecida. Enquanto o fardo de 30 quilos do produto nacional é cotado entre R$ 38 e R$ 44 em São Paulo, o uruguaio é indicado a R$ 37,18.

Nos Estados Unidos, ainda segundo o analista, a tonelada do arroz beneficiado com 4-5% de quebrados é cotada a US$ 475. Nos fornecedores do bloco comum do Sul, a tonelada do produto está acima de US$ 500.

Com isso, segundo Bento, a importação do arroz norte-americano, especialmente para o norte e nordeste brasileiro continua sendo uma possibilidade. "Cada vez mais o mercado brasileiro fica refém de uma alta internacional consistente para voltar a operar com mais firmeza."
A Argentina, o Uruguai e o Paraguai, que estão com dificuldades para entrar em terceiros mercados, ainda de acordo com o analista, aproveitam as vantagens concedidas para negociações intrabloco e concentram suas vendas no Brasil.

O gargalo da capacidade competitiva do arroz brasileiro no mercado externo, além da questão cambial, para Fisher está no custo de produção nacional ante o de outros países produtores.

Segundo o presidente, os Estados Unidos cultiva arroz com custo de US$ 1,3 mil por hectare. A Argentina consegue plantar o cereal com US$ 1,7 mil por hectare, e o Uruguai, com US$ 1,6 mil. No Brasil, o agricultor precisa investir US$ 2,3 mil por hectare.

Mesmo assim, o Irga espera alcançar a meta de embarcar 10% da produção do Rio Grande do Sul. Embora, se levar em consideração os últimos quatro anos, apenas em 2009 esse índice foi atingido, quando o Brasil exportou quase 900 mil toneladas do arroz gaúcho.


De acordo com Fisher, este ano o País deve embarcar 300 mil toneladas. Para 2011 a estimativa é de uma aproximação da meta, com uma exportação de 600 mil toneladas de arroz. "Precisamos de ações políticas para crescer", afirma o presidente do Irga.

b) Vendas externas de milho e açúcar batem novo recorde

As exportações de milho do Brasil somaram 1,93 milhão de toneladas em setembro, um novo recorde mensal, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (Secex) divulgados na última sexta-feira. A melhor marca mensal para as vendas externas do cereal havia sido registrada em outubro de 2007. Na ocasião, o Brasil exportou 1,8 milhão de toneladas do grão. No mesmo dia, a Secex também divulgou número de embarques para o açúcar. Segundo a entidade, as exportações do bruto e do refinado também atingiram um recorde no mês passado, somando 3,3 milhões de toneladas, contra 3,2 milhões de toneladas do recorde anterior registrado em agosto.

c) Receita com embarque de frango cresce 26,7%

A carne de frango in natura foi o destaque das exportações brasileiras de carne em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2009. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a receita das exportações de frango in natura somou US$ 519,4 milhões no mês passado, alta de 26,7% na comparação com setembro do ano passado. O resultado foi impulsionado pela alta de 6% no preço médio da tonelada embarcada, de US$ 1.665. Em volume, as vendas no exterior da proteína somaram 311,9 mil toneladas, alta de 19,5%.


Já as exportações de carne bovina in natura cresceram 15,9% em receita em setembro, para US$ 320,5 milhões, com aumento de 16,7% nos preços médios da tonelada (US$ 4.168). Porém, em volume, houve queda de 0,6%, com embarques de 76,9 mil toneladas de bovinos in natura. O mesmo movimento aconteceu com as exportações de suínos. A receita apresentou alta de 8,6%, para US$ 114,2 milhões, sendo a carne vendida a US$ 2.560 por tonelada - alta de 25,8% -, mas queda de 13,7% em volume, somando 44,6 mil toneladas.

d) Exportações brasileiras de couros somam US$ 127,7 mi

As exportações brasileiras de couros em setembro somaram US$ 127,7 milhões, segundo a Scot Consultoria, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O resultado é 17,5% menor que em agosto. Em relação a setembro de 2009, a receita foi 20,6% maior. Em volume, foram embarcadas 23,6 mil toneladas, 16% menos que em agosto, quando foram exportadas 28,1 mil toneladas. O volume embarcado em setembro é 19,2% inferior ao mesmo período de 2009 (29,2 mil toneladas). Este aumento da receita, mas não do volume, em relação a 2009, ocorreu devido à recuperação do preço médio do couro exportado.

e) Preços agrícolas fecham setembro com aumento de 5,43%

O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR) fechou setembro com alta de 5,43%, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O índice de preços dos produtos de origem animal subiu 6,88%, enquanto o índice de preços dos produtos de origem vegetal apresentou elevação de 4,84%.

As altas mais expressivas ocorreram nos preços do feijão (54,74%); da laranja para mesa (26,02%); do algodão (23,11%); do milho (20,32%); da carne de frango (19,11%) e do trigo (18,52%). "A estiagem prolongada levou a perdas na produção e atrasou o plantio e a entrada do feijão novo (em especial nas principais regiões produtoras do Sul-Sudeste)", dizem os pesquisadores José Alberto Angelo, José Sidnei Gonçalves, Luis Henrique Perez, Danton Leonel de Camargo Bini e Eder Pinatti.

"Apesar de se notar certa resistência no atacado aos movimentos exacerbados de elevação, o efeito conjuntural do atraso do plantio pela seca somente será dissipado em novembro com as primeiras colheitas da safra de verão."
Na laranja de mesa, a demanda da agroindústria citrícola, no mercado livre da fruta in natura, pressionou as cotações, em uma conjuntura de produção menor na presente safra, associada à elevação do consumo com os primeiros dias mais quentes deste segundo semestre. Mas, "até o momento, pode-se caracterizar movimento de recuperação, uma vez que [os preços] estão pouco acima dos custos de produção praticados", dizem os analistas do IEA.

Os reduzidos estoques internacionais do algodão, associados à produção brasileira insuficiente para atender à demanda, decorrente da economia em crescimento, pressionam os preços internos da fibra para cima. Esta tendência, na opinião dos técnicos, persistirá até a entrada de produto em volumes substanciais no mercado internacional, possibilitando importações. "Se isso não ocorrer na colheita da próxima safra - nos primeiros meses de 2011 - haverá reequilíbrio no mercado."


Problemas climáticos de seca na Austrália, Rússia e Ucrânia e a nova estimativa norte-americana elevaram os preços de milho, trigo e soja no mercado internacional e criaram expectativas no mercado financeiro de aposta na alta dos alimentos no mercado futuro, observam os pesquisadores. A perspectiva de alta nas principais bolsas formadoras dos preços internacionais pode ajudar na superação da valorização cambial, aliviando no curto prazo a queda do poder de compra da moeda nacional.

f) Malásia e Indonésia são os novos mercados-alvo do País

Entre os dias 18 e 21 de outubro próximos, uma nova missão comercial brasileira vai à Malásia e à Indonésia, no sudeste asiático. "O intuito é aumentar os negócios e as exportações brasileiras para aquela região, que possui 265 milhões de consumidores e US$ 700 bilhões em PIB nos dois países, com crescimento acima da média brasileira", considerou o professor de relações internacionais da ESPM, Marcelo Zorovich.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as exportações à Indonésia cresceram 15% em 2010, e as exportações à Malásia avançaram 42% no mesmo período. Segundo informações fornecidas pelo Mdic ao DCI, 11 empresários brasileiros já confirmaram presença na missão.

"É uma oportunidade para esses empresários diversificarem seus mercados. Os dois países podem servir de plataforma para o produto brasileiro garantir um mercado consumidor de 565 milhões de pessoas em outros oito países do sudeste asiático", avaliou Marcelo Zorovich.

O professor da ESPM diz também que a região pode ser estratégica para acessar mercados potenciais como a China, a Coreia do Sul, a Índia e o Japão.

Segundo o ministério, os empresários pertencem a quatro setores econômicos. O primeiro é o de Alimentos e Bebidas, especialmente chocolate, balas, confeitos e sucos. Esse setor é importante para a corrente comercial, principalmente porque o Brasil importou US$ 53,8 milhões em chocolate bruto da Indonésia nos primeiros oito meses do ano. O país do sudeste asiático é um dos principais produtores mundiais de cacau e um dos fornecedores preferenciais do Brasil.

O segundo setor representado é o de Construção, especificamente produtos laminados de ferro e aço, móveis e madeira. A Malásia é um grande exportador mundial de madeira e produtos de madeira, e ambos os países, Malásia e Indonésia, registram forte crescimento de obras da construção civil.

O terceiro setor representado na missão é o de moda, essencialmente couro, produtos têxteis, gemas e joias. O Brasil importa grande quantidade de produtos têxteis da Indonésia: US$ 57,7 milhões em fios de fibras artificiais; fio texturizado de poliéster (US$ 38,8 milhões); fio de fibra de poliéster com fibras artificiais (US$ 29,9 milhões) e fibras simples (US$ 26 milhões) nos oito primeiros meses do ano.

Outro setor de interesse brasileiro no intercâmbio com os dois países do sudeste asiático é o de máquinas e equipamentos.

Em números gerais, as exportações brasileiras para a Malásia nesse ano somaram US$ 647 milhões, essencialmente minério de ferro (US$ 224 milhões), açúcar (US$ 174 milhões), milho (US$ 41,1 milhões), automóveis (US$ 36,6 milhões) e espingardas de caça (US$ 26,6 milhões), mas as importações avançaram 60% no mesmo período e alcançaram US$ 1,13 bilhão no período.

Com a Indonésia, as exportações atingiram US$ 779 milhões, sendo: soja (US$ 143 milhões); açúcar (US$ 135 milhões); semimanufaturados de aço (US$ 91 milhões); algodão (US$ 80 milhões) e minério de ferro com US$ 77 milhões em vendas.

No entanto, as importações cresceram 50% no mesmo período e somaram US$ 947 milhões, sendo principalmente: circuitos integrados (US$ 184 milhões); microprocessadores (US$ 115 milhões); circuitos monolíticos (US$ 48 milhões); circuitos eletrônicos (US$ 39,4 milhões) e unidades para discos eletrônicos e discos rígidos com US$ 28,7 milhões em oito meses de 2010.
Além de produtos de informática, importamos US$ 103,7 milhões em luvas de borracha vulcanizada e US$ 222,8 milhões em borracha natural ou granulada.

Cerca de 11 empresários brasileiros participarão de uma missão à Malásia e à Indonésia para ampliar os negócios com a Ásia.

g) Receita com embarque de café cresce 48,7%

As exportações brasileiras de café no mês de setembro alcançaram um volume de 3.218.212 sacas, para uma receita de US$ 580.804 milhões. Os dados, divulgados ontem pelo Cecafé, apontam variação positiva (19,7%) na quantidade do produto embarcado no mesmo mês em 2009 (2.688.160), com crescimento de 48,7% na receita (em setembro de 2009 foi de US$ 390.706 milhões).

Para Guilherme Braga, diretor geral da entidade, a receita cambial mostra o bom momento dos preços internacionais do café.

Segundo dados do Cecafé, no gráfico mensal de Participação por Qualidade, o arábica responde por 86% das vendas do país, enquanto o solúvel por 10%, e o robusta por 4% das exportações.

Nos acumulado dos últimos 12 meses, o Brasil exportou 30.842.097 sacas, para uma receita de US$ 4.897.050 bilhões.

Em relação aos mercados compradores, a Europa surge com 54% de participação da importação do produto brasileiro no período janeiro a setembro, enquanto América do Norte responde por 22%, a Ásia por 17%, e a América do Sul por 5%.

Na avaliação por países, os EUA lidera, com a aquisição de 4.491.766 sacas entre janeiro e setembro, seguido pela Alemanha, com 4.415.335, e a Itália, com 1.856.366. No quarto lugar está o Japão, com 1.575.293 sacas.

Nos principais portos de embarque o resultado foi: Santos, com 17.026.494 sacas no período janeiro/setembro (74,4% do total), seguido de Vitória, com 2.978.601 sacas (13%), e o Rio, com 2.187.336 sacas (9,6%).

Mercosul

a) Governo argentino denuncia Bunge por sonegação de imposto

A multinacional norte-americana Bunge, segunda maior exportadora de alimentos instalada na Argentina, foi denunciada pelo governo por sonegação de impostos. O diretor Ricardo Echegaray, da Administração Federal de Receitas Pública (Afip, pela sigla em espanhol), similar à Receita Federal brasileira, informou que outras 499 grandes empresas da Argentina também teriam sonegado imposto de renda em 2009. "A cifra representa 30% do total das maiores empresas do país, que faturam mais de 100 milhões de pesos [cerca de R$ 42,5 milhões] anuais mas, no entanto, declararam que tiveram rentabilidade zero em 2009", disse ele.

A denúncia faz parte de uma nova frente de conflito que a presidente Cristina Kirchner iniciou com as empresas, cujo pivô é a multinacional Bunge. Pelo Twitter, postado na Alemanha, onde se encontra participando da feira internacional de Frankfurt, Cristina escreveu que "quanto mais ganham, mais sonegam", citando o nome da Bunge na rede social na internet. O governo acusa a exportadora de realizar manobra de triangulação de exportações com o Uruguai para sonegar 1,2 bilhão de pesos (R$ 508,9 milhões) durante três anos.

"É incrível como atam as mãos do Estado e desatam as mãos dos que praticam calotes contra a sociedade, por meio da sonegação de impostos", disse a presidente argentina.

A companhia emitiu uma nota, na qual classificou as acusações oficiais de falácias e de tentar instalar na sociedade um prejulgamento contra a companhia. Na nota, a Bunge enfatizou que cumpre com todas as obrigações tributárias, alfandegárias e previdenciárias. Segundo a exportadora, em 2006 e 2007 pagou imposto de renda no valor de mais de 246 milhões de pesos (R$ 102 milhões).

O texto explica, ainda, que em 2008 a empresa "sofreu perdas, mas mesmo assim pagou 33 milhões de pesos (R$ 14 milhões)". A exportadora detalhou que, em virtude de "ilegítimas reclamações da Aduana ao setor agroexportador, a Bunge teve de constituir uma previsão de mais de 426 milhões de pesos [R$ 180,7 milhões], que lhe produziu uma perda em balanço tributário, pagando, mesmo assim, mais de 30 milhões de pesos [R$ 12,7 milhões] de imposto de renda".

Os números da Bunge contradizem os da Afip, que informou ter sido obrigada a pedir na justiça uma ordem de busca e apreensão nos escritórios da exportadora. A Bunge declarou que "a busca não aporta ao Estado elemento que ela [Bunge] não tivesse colocado à disposição das autoridades fiscais".

Plano Internacional

a) Europeus aumentam pressão para China valorizar moeda

Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, deve ser pressionado por autoridades de política monetária da Europa a valorizar o iuane. O premiê se reúne hoje com Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), com Jean-Claude Juncker, presidente dos ministros das Finanças da zona do euro, e com Olli Rehn. Wen estará acompanhado do ministro das Finanças da China e do presidente do banco central do país.

Antes do encontro, o premiê chinês mandou seu recado: disse que a China não está disposta a ceder às pressões do Ocidente para apreciar sua moeda.

"Temos de trabalhar juntos para promover o crescimento econômico mundial", disse Wen, no início da oitava cúpula da Asem (Diálogo Ásia-Europa), que reunirá em dois dias 46 países que representam 60% da população e do comércio do planeta. "Deveríamos intensificar a coordenação macroeconômica, gerir com prudência o momento e a rapidez com a qual devem ser retirados os planos de estímulo" contra a última crise mundial e "manter as taxas de câmbio das principais moedas de reserva relativamente estáveis", acrescentou.

Desta forma, Wen deu a entender, mais uma vez, que Pequim não cederá às pressões dos Estados Unidos e da Europa para apreciar o iuane, pedido dos ocidentais, que suspeitam que a moeda chinesa seja mantida de forma artificial abaixo de seu valor real para impulsionar as exportações e o crescimento.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, reagiu às declarações do dirigente chinês, afirmando que "o iuane está totalmente desvalorizado e que sua evolução é pior frente ao euro do que frente ao dólar".

A fragilidade da moeda chinesa contribui para os desequilíbrios mundiais. "Queremos que a China assuma suas responsabilidades como potência planetária", declarou seu porta-voz.

A reunião da Asem, que ocorre a cada dois anos, reúne os 27 países-membros da UE, com os dez que integram a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Paquistão, Mongólia e os que estreiam este ano, Austrália, Nova Zelândia e Rússia.

Para a Europa, é uma oportunidade de estreitar laços diplomáticos e comerciais com uma região que, liderada pela China, olha cada vez mais para os Estados Unidos e parece ganhar o terreno que o Velho Continente está cedendo no cenário internacional.

"A UE necessita olhar para o Leste. Não apenas em palavras, mas em atos", afirmou o presidente do bloco, Heman Van Rompuy, dois dias antes de o bloco assinar com a Coreia do Sul seu primeiro tratado de livre comércio com um país asiático.

"A UE está decidida a ser um ator mais importante na cena mundial e um sócio mais forte para a Ásia", assegurou Van Rompuy.

A reunião de Bruxelas é destinada a tratar essencialmente de assuntos econômicos, como a esperada reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), pela qual os europeus estão abertos a ceder duas das nove cadeiras que dispõem em seu conselho de administração, para dar mais espaço aos emergentes.

A Coreia do Sul, que em 11 e 12 de novembro realizará, em sua capital, Seul, uma cúpula do G-20, estimou que a proposta dos europeus, divulgada sexta-feira, é um passo importante que poderá responder às aspirações dos emergentes e à exigência dos EUA de eliminar cadeiras europeias.

Changyong Rhee, chefe do comitê preparatório do encontro do G-20, disse que a proposta é um grande avanço: "Os europeus mostram flexibilidade e também oferecem soluções", afirmou. "Não sei se [a proposta] será 100% aceita pelos membros [do G-20]", acrescentou Rhee.

"Precisamos melhorar o processo de tomada de decisões e os mecanismos das instituições financeiras internacionais", disse Wen, acrescentando que existe a necessidade de "aumentar a representação e a voz dos países em desenvolvimento, encorajar uma maior participação e acomodar os interesses e as preocupações uns dos outros". "Mas acredito que o fato de os europeus mostrarem flexibilidade e desejo de negociar é um avanço importante e espero que outros países mostrem o mesmo tipo de flexibilidade, de modo que possamos ter uma solução unânime", disse.

b) FMI afirma que o mundo precisa que taxas de câmbio variem

O mundo "necessita" que as taxas de câmbio variem para permitir que a economia mundial volte a se equilibrar, afirmou nesta terça-feira (5/10) o diretor de mercados monetários e de capitais do Fundo Monetário Internacional (FMI), José Vinals.
"A volatilidade nos mercados de moedas sempre existiu. (...) O importante é que os mercados não registrem episódios de volatilidade excessiva ou de turbulências", afirmou Vinals em coletiva de imprensa em Washington.

Ao ser questionado sobre as consequências das recentes mudanças nas cotações das moedas mais negociadas no mundo, como a baixa do dólar, e o aumento do iene e do euro, completou: "por enquanto, não pensamos que seja algo que esteja preocupando muito em termos de estabilidade financeira".

"Mas o que penso ser ainda mais importante é que, no nível internacional, as taxas de câmbio variem de acordo com os fundamentos no médio prazo, sendo algo essencial para manter o equilíbrio internacional", estimou Vinals.

O grupo de países ricos e emergentes G20 encarregou o FMI de aconselhá-lo na tarefa de voltar a equilibrar a economia mundial e de avaliar os avanços.

O diretor-gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, lembrou em 28 de setembro que o FMI acredita que "a cotação das moedas deve ser fixada pelos mercados e não há motivos para intervir (nas taxas de câmbio) nem benefícios a esperar" dessas intervenções.

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