27 a 01 de setembro de 2010

Comércio Exterior

Estoque e importação obrigam siderurgia a manter preços do aço
Imposto é o maior entrave ao micro e pequeno exportador

Abimaq pressiona o governo a taxar importados a 35%

Investimentos

Made in Brazil cresce em terras estrangeiras
Bombardier vai investir em fábrica no Brasil

Agronegócio

Europa reduz em 50% os subsídios na venda de carne
País se aproxima de recorde das exportações de milho
Barreira ao frango dos Estados Unidos pode ajudar Brasil na China
Safra de café será a maior em 4 anos
Missão árabe vem ao Brasil à procura de mais alimentos

OMC

China vence EUA em disputa comercial sobre frango na OMC
Brasil, China e UE exigem empenho dos EUA em Doha
Pequim afirma que pressões sobre yuan prejudicarão o comércio

Plano Internacional

Brasil é 15º país menos vulnerável à alta dos alimentos, diz estudo




Comércio Exterior

a) Estoque e importação obrigam siderurgia a manter preços do aço

Estoques internos elevados e importações crescentes obrigam siderúrgicas brasileiras a segurar a mão na definição de seus preços até o fim do ano, o que, na avaliação de analistas pode gerar problemas de lucratividade para as usinas.

O setor, principalmente o segmento de aços planos, vive a curiosa situação de consumo aquecido no País, desde máquinas e equipamentos a veículos e construção civil, sem poder impor aumentos de preços consideráveis em um ano marcado por brutais reajustes nos preços de insumos como minério de ferro e carvão.

Até o final do ano, a previsão dos especialistas é de que os preços de aço no mercado interno se manterão contidos frente a reajustes de mais de 10% no primeiro semestre. "O mercado busca seu ponto de equilíbrio. Estamos em um momento em que ele vai ficar se testando para ver até que ponto a demanda interna assimila mais produção, por exemplo", disse o analista de siderurgia Antonio Ruiz, do Banco do Brasil.

Ele, inclusive, vê algum espaço para quedas de preços de alguns produtos de aço no País até o final do ano diante das expectativas de recuo no preço do minério de ferro, o que pode dar argumento de barganha para a parte compradora da equação. "Passamos por uma curva rápida de recuperação de preços no primeiro semestre, mas agora o mercado está mais devagar. O cenário é de oferta sustentando preços interessantes", afirmou.

A analista Cristiane Mancini, da consultoria Lafis, também enxerga siderúrgicas do País pouco à vontade em termos de preço. Ela calcula que o preço médio do quilo do aço carbono usado em produtos planos utilizados em veículos, eletrodomésticos e indústria naval está em R$ 3,23 no atual trimestre e deve avançar para R$ 3,28 nos três últimos meses do ano, um incremento modesto de 1,5%. "Poderia ser de até R$ 3,40, mas há uma série de pressões", disse, ao se referir ao grande volume de importações chegam ao País.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr) na semana passada, as importações de aço pelo País em agosto somaram 562,4 mil toneladas, a acumular nos oito primeiros meses do ano 3,8 milhões de toneladas, salto de 156% sobre igual período de 2009.


O volume de aço plano estocado na cadeia distribuidora encerrou agosto em 1,26 milhão de toneladas, equivalente a 3,9 meses de vendas. Essa relação ficou pouco abaixo dos 4 meses de julho, mas bem acima da média histórica de 2,6 meses, segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

b) Imposto é o maior entrave ao micro e pequeno exportador

A legislação federal avançou, mas os micro e pequenos ainda enfrentam burocracia, impostos e taxas estaduais para exportar. "Lamentavelmente, ainda exportamos ICMS, algo entre 12% e 22% do valor do produto. Os governos estaduais não avançaram nessa questão", lamentou o coordenador do setor privado no Fórum Permanente do Comitê de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento e Indústria (Mdic), Valdemar Thomsen.

O representante das micro e pequenas exportadoras explicou que a portaria 467/2010 do Mdic desonerou todos os tributos federais que incidiam sobre as exportações. "Antes, se pagava entre 20% e 40% de impostos para exportar", contextualiza Thomsen.

Segundo o coordenador, agora as micro e pequenas empresas podem se habilitar à Modalidade Simplificada de Pequena Monta no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para desonerar o Simples, ou outros impostos federais como IPI, PIS e Cofins de suas exportações.

De acordo com dados da Receita Federal, o limite para essa habilitação é de US$ 150 mil por operação exportadora e de US$ 300 mil em importações.

Mas a realidade das micro e pequenas exportadoras é bastante tímida. "O ticket médio por exportação está em torno de US$ 22,4 mil, de um total de US$ 152 milhões exportados em 2009", revelou.

Para impulsionar o valor médio por operação para US$ 50 mil, o coordenador pede junto ao Mdic e a Receita Federal a possibilidade da exportação simplificada via marítima. "Solicitamos que a exportação via marítima possa ser feita sem limite de peso ou de volume mínimo", sugere Valdemar Thomsen.
Ele detalhou qual é o entrave atual no comércio marítimo. "A Receita alega que não tem condições logísticas de verificar todas as mercadorias embarcadas por micro e pequenas empresas", apontou o coordenador.

Na prática, as micro e pequenas empresas só conseguem exportar via caminhão para o Mercosul ou por avião para outros países. "O custo de alugar um contêiner é muito caro para o pequeno exportador", denuncia o presidente da Confederação Nacional da Micro e Pequena Indústria (Conampi), Ercílio Santinoni.

Santinoni conta que apenas 2,4 mil empresas se enquadraram no Simples para exportar, de um universo de 250 mil micro e pequenas que possuem potencial exportador.

"Respondemos por apenas 1,2% das exportações brasileiras, nossa meta até 2012 é chegar a 2% do total exportado", prevê Santinoni.

O presidente do Conampi citou o exemplo italiano, onde as micro e pequenas empresas respondem por 30% das exportações daquele país.

"Falta informação e cultura exportadora, o pequeno acha muito difícil exportar. Estão voltados para o mercado interno", afirma Santinoni.

"A micro e a pequena empresa nem sabe direito onde colocar seus produtos em outros países. E as feiras e missões comerciais são muito caras", aponta Santinoni.

O presidente do Conampi também apontou outros gargalos do setor. "Também temos a dificuldade de conseguir crédito de longo prazo. Só os médios e grandes têm acesso às linhas de ACC e ACE do Banco do Brasil", afirmou.

Santinoni apontou como o setor pode atingir a meta de 2% do total das exportações brasileiras. "Para resolver o grande problema de falta de escala estamos incentivando o desenvolvimento de SPEs [Sociedades de Propósito Específico] que vão atuar em parceria para exportar seus excedentes de um mesmo produto", citou a primeira alternativa.

"Estamos divulgando o programa Primeira exportação e as exportações simplificadas através dos Correios", citou a segunda alternativa de fomento.

"Outra parte depende do governo como diminuir a burocracia, fomentar o crédito e resolver a desoneração tributária", sugeriu o presidente do Conampi.
O professor de Gestão Internacional da ESPM, Felipe Mendes Bonini, também apontou a falta de cultura exportadora.

"A maior dificuldade é a burocracia. Há um grande problema até para entender os formulários exigidos. Às vezes é preciso ter um profissional formado e treinado para saber as regras de legislação brasileira e de outros países", contextualiza o professor da ESPM.

"No gargalo da infraestrutura há até falta de contêiner. E a questão da falta de serviço pós-venda por conta das vendas esporádicas em feiras internacionais. É preciso manter a prospecção de mercado permanente", conclui.

As micro e pequenas exportadoras têm até o próximo dia 30 de setembro, quinta-feira, para responder ao Mdic, o questionário "Sondagem de Gargalos para as exportações das Micro e Pequenas Empresas".

Com uma taxa de 12% a 20% de ICMS sobre o valor de venda, as micro e pequenas empresas ficam longe do mercado exportador, e têm participação de 1,2% no volume financeiro total das exportações brasileiras.

c) Abimaq pressiona o governo a taxar importados a 35%

Com o objetivo de evitar um déficit setorial que pode chegar a R$ 12 bilhões na balança comercial, o presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, deve se reunir com o ministro da Economia, Guido Mantega, na próxima semana para apresentar dados sobre a defasagem da indústria nacional em relação aos produtos importados.

Segundo levantamento feito pela Abimaq, cerca de 250 itens usados na fabricação de máquinas e equipamentos estão sendo comprados de empresas da China por preços até dez vezes mais baixos que os produzidos no Brasil. A entidade diz ainda que grande parte das importações é feita por empresas afiliadas à Abimaq.

A proposta da entidade ao governo é aumentar o imposto de importação de 250 itens usados pela indústria, de 14% para 35%.

"Nosso mercado está sendo invadido por máquinas e equipamentos importados e o Brasil não está fazendo nada", afirma o presidente da Abimaq. As importações do setor no primeiro trimestre deste ano cresceram 27,7% sobre o mesmo período no ano passado.
"Fiz um levantamento entre os associados e, de 500 empresas consultadas, apenas três se colocaram a favor da taxa. Podemos concluir que os associados estão importando também", afirma Aubert Neto. Segundo ele, o alto nível de importações contribui para a desindustrialização do setor, uma vez que produzir se torna menos viável do que importar.

Um comparativo feito pela entidade mostra que um mesmo item usado na indústria que é importado da Alemanha e tem valor equivalente ao produzido local custa quatro vezes o preço do produto chinês.

Investimentos

a) Made in Brazil cresce em terras estrangeiras

A recente compra da rede americana de hambúrgueres Burger King pelo fundo brasileiro 3G foi apenas uma das pontas mais visíveis de um movimento em evolução. De janeiro a agosto deste ano, empresas, fundos e investidores brasileiros adquiriram 52 empresas no exterior.

É o dobro do que foi negociado em termos e período semelhante do ano passado.

Quando somados todos os negócios de fusões e aquisições feitas por empresas brasileiras, a internacionalização, que era de 6% do total, hoje é de 11%. Os investimentos brasileiros em compras feitas na Europa equivalem a 77% do total gasto pelo país.

As raízes desse movimento que começou há cerca de um ano tendem a ser quase sempre as mesmas.

Com o dólar depreciado e em consequência o real valorizado, os exportadores perdem mercado. Entrar diretamente em empresas estrangeiras, então, torna-se uma opção para expandir os negócios e serem mais competitivos.

Problemas com transporte no Brasil também podem levar ao mesmo resultado. Além disso, com o dólar em queda, muitas empresas percebem que a hora de se expandir para além-mar é agora.

O universo desses compradores internacionais não inclui somente potências como Vale, Petrobras e mesmo o fundo 3G. Companhias de todos os portes estão aproveitando as oportunidades.
Para transformar sonhos de aquisições e fusões em realidade, o Brasil conta com um clube seleto de cerca de 100 executivos de alto escalão com habilidades específicas para a tarefa.

Com boa formação e uma dose de agressividade e visão, sabem como conduzir os negócios, desde encontrá-los até financiá-los. Seus salários podem seguir o tamanho das aquisições. De US$ 10 milhões, eles podem chegar a ganhar US$ 50 milhões.

b) Bombardier vai investir em fábrica no Brasil

O investimento permitirá a construção no país de monotrilhos, veículo semelhante ao metrô, mas que corre suspenso em vigas de concreto.

A iniciativa foi viabilizada pela conquista do contrato de construção da linha Expresso Tirandentes, na capital paulista, orçada em R$ 2,64 bilhões. Cerca de R$ 1,4 bilhão do total irá para a compra de 54 trens monotrilho, sinalização e sistemas elétricos.

De acordo com André Guyvarch, presidente da companhia no Brasil, com o investimento Hortolândia se tornará um dos centros de competência em monotrilhos da companhia no mundo, e poderá servir como base de exportação.

O valor do aporte não foi divulgado. Mas, de acordo com Luís Ramos, diretor de comunicação e relações institucionais da companhia, é inferior ao de uma fábrica recentemente anunciada na Índia, orçada em cerca de € 33 milhões.

Segundo Guyvarch, a implantação da fábrica de monotrilhos no interior de São Paulo dará maior competitividade à Bombardier também na licitação para outros tipos de produtos, como Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e mesmo o TAV. O motivo é a consolidação de uma cadeia de fornecedores e a existência prévia de estruturas de engenharia e projeto.

Agronegócios

a) Europa reduz em 50% os subsídios na venda de carne

O grupo Minerva divulgou comunicado ao mercado na sexta-feira informando que a União Europeia (UE) reduziu em 50% os subsídios destinados às exportações de carne bovina de todo o bloco. Segundo o grupo, esta medida beneficiará o Brasil e especialmente o Minerva, que por meio "de seus canais de vendas externas deverá acelerar o aumento de participação nos principais mercados hoje atendidos pela União Europeia.

O Minerva é um dos líderes no Brasil na produção e comercialização de carne bovina, couro e exportação de boi vivo e está entre os três maiores exportadores brasileiros do setor em termos de receita bruta de vendas, comercializando seus produtos para cerca de 100 países.

O JBS-Friboi e Marfrig informaram que estão cientes da decisão da UE, mas até o fechamento desta edição não se manifestaram a respeito da questão.

A assessoria de imprensa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que, em assembleia realizada na sexta-feira em São Paulo, foi aprovada a nomeação do diretor de Estratégia do grupo JBS, Antonio Jorge Camardelli, para assumir a presidência da entidade A notícia de que Camardelli seria o escolhido para o cargo foi veiculada no dia 6 deste mês.

A presidência da Abiec está sendo ocupada interinamente pelo diretor executivo da entidade, Otávio Cançado, desde a saída do economista Roberto Giannetti da Fonseca, que deixou a entidade em 17 agosto para "tocar outros projetos". Uma nova reunião do conselho acontecerá no dia 4, quando o nome de Camardelli será oficializado.

b) País se aproxima de recorde das exportações de milho

As exportações de milho do Brasil podem superar os 11 milhões de toneladas e bater recorde em 2010. Se o setor tomar por base o volume embarcado em setembro, o País tem potencial para ultrapassar a casa dos 10,88 milhões de toneladas comercializadas no mercado externo em 2007.

A expectativa é de João Carlos Werlang, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de milho (Abramilho), e os cálculos são de Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria.

O montante embarcado em setembro, até agora, de 1,19 milhão de toneladas, representa recorde mensal do ano. "Até o fim do mês pode chegar a 2 milhões", diz Lima Filho.

No entanto, de acordo com o analista, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que as exportações brasileiras do cereal, em 2010, serão de 9,5 milhões de toneladas. Levantamento da Scot mostra que em 2009 o Brasil embarcou 7,8 milhões de toneladas.
De acordo com dados do segmento, 90% do cereal comercializado via Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) são destinados ao mercado internacional. Apenas em Mato Grosso, 7,32 milhões de toneladas do grão deixaram o estado após os leilões. Mato Grosso teria ainda 1,3 milhão de toneladas para venda e a Conab teria em estoque de 2,7 milhões de toneladas de milho. "O estoque de passagem previsto de 2010 para 2011 deve ficar entre 11 e 12 milhões de toneladas", diz.

Segundo o analista, o Paraná, que está praticamente com todo o milho safrinha colhido, possui 80% do montante a ser comercializado. "Segundo dados da Conab, o estado deve produzir na safrinha 6,3 milhões de toneladas", afirma Lima Filho.

Para a temporada 2010/2011, devido ao La Niña, a previsão não é nada promissora para o cenário do milho no País. Segundo Lima Filho, o plantio do cereal no Paraná, atrasado por falta de chuva, deve ser colhido mais tarde, o que pode coincidir com períodos de mais intensidade de chuva. "O que pode comprometer a produtividade", diz.

Para o presidente da Abramilho, no ano passado, o Paraná teve problemas com grão ardido, e se ocorrer a colheita com excesso de chuva, o mesmo pode se repetir. "Neste caso, o grão pesa menos que o normal", explica Werlang.

Estudo da Scot mostra ainda que até setembro, o plantio para a safra 2010/2011 de milho no Paraná atingiu apenas 3% da área a ser cultivada. No mesmo período em 2009, o estado já havia plantado 30% da área. "A estimativa é de cultivar 761,5 mil hectares na safra 2010/2011, ante 900,4 mil hectares em 2009/2010", diz.

Diante do cenário de queda na produtividade do grão no País e nos EUA e de redução de área de até 20% no Brasil, as cotações do milho, que estão em alta, devem se manter firmes no médio prazo. "Tudo vai depender do que realmente vai impactar as interferências climáticas", diz Lima Filho.

Segundo o analista, em agosto, o preço médio da tonelada de milho em São Paulo saltou 8,4%, para R$ 335, se comparado a julho. No início do ano, a saca de 60 quilos era comercializada por R$ 20. Em meados de abril e maio, caiu para R$ 16. Em agosto, a saca em Campinas custava R$ 22. Hoje gira em torno de R$ 24 e R$ 25.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) elevou a estimativa para a produção mundial de trigo na safra 2010/2011 de 646 milhões para 650 milhões de toneladas, por causa da boa perspectiva de oferta no Hemisfério Sul. Segundo a entidade, o aumento da produção na Austrália vai compensar a quebra no Leste Europeu.

c) Barreira ao frango dos Estados Unidos pode ajudar Brasil na China

Francisco Turra, presidente da União Brasileira de avicultura (Ubabef), disse que o Brasil pode ganhar mercado na China após o país decidir sobretaxar o frango produzido nos Estados Unidos. Em Buenos Aires, onde se reuniu com representantes do setor do Mercosul, Turra disse que o Brasil deve ser beneficiado pela decisão do governo Chinês de adotar tarifas antidumping de 50,3% a 105,4% na importação de frango dos Estados Unidos.

"Não significa que esse anúncio de tarifa seja uma vitória para nós, mas com certeza é uma facilidade para o Brasil, que está entrando de forma muito tranquila no mercado chinês", afirmou. Em 2009, as vendas de frango brasileiro para a China somaram 28 mil toneladas. Para este ano, a previsão é de exportações de até 128 mil t. Segundo Turra, "desde a abertura do mercado chinês ao frango brasileiro, ocorrida em maio de 2009, nunca houve algum problema nas exportações".

A medida antidumping contra os EUA foi anunciada depois de o Congresso americano ter dado o primeiro passo para a aprovação de projeto de lei que permite a imposição de barreiras a produtos feitos na China por causa do nível de desvalorização do iuane em relação ao dólar. "Ao longo desse ano já tivemos uma mostra clara de que está havendo uma relação conturbada entre os Estados Unidos e a China, que está se afastando da dependência norte-americana de frangos", observou Turra.

Ao mesmo tempo, avaliou, os importadores estão procurando muito os exportadores brasileiros. "Os chineses não querem perder um mercado para ganhar outro. Eles querem segurança e estão conversando muito com o Brasil. Percebemos que há um movimento muito favorável à indústria brasileira."

A indústria avícola da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai decidiu ontem pedir aos governos de seus países atenção especial às demandas do setor nas negociações do Mercosul com a União Europeia. "Não estabelecemos ainda os números, mas decidimos pedir que a avicultura tenha uma pauta de negociação especial dentro do tema agrícola", disse Turra. 

Representantes da indústria aprovaram um documento no qual solicitam também que os negociadores trabalhem pela abertura do mercado europeu, estabelecendo uma tarifa média e sem o limite de cotas. "Esse é o pleito maior porque hoje estamos aprisionados pelo regime de cotas", ressaltou Turra, afirmando que a indústria quer acompanhar as negociações.

d) Safra de café será a maior em 4 anos

A atual safra de café deverá ser encerrada como uma das maiores dos últimos anos na região e se igualar à produção de 2006, quando houve o recorde da década.

Números da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), que reúne cerca de 2.000 produtores da microrregião de Franca e de Minas Gerais, apontam que a safra atual deve ser finalizada com a produção de 1,5 milhão de sacas de 60 kg.

O número iguala a produção de 2006 e é 50% maior que a safra do ano passado.
A previsão deste ano faz parte da "safra alta", período da bianualidade mais produtiva do café -há uma alternância entre temporadas mais e menos produtivas.

Na comparação com a última "safra alta", a de 2008, a previsão deste ano é de um aumento de 12%.

No caso do Estado, a estimativa de alta também deverá refletir em um incremento significativo da produção, mas em percentuais abaixo dos da região de Franca.

Segundo a estimativa divulgada pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola) neste mês, o Estado deve atingir uma produção de 4,6 milhões de sacas, alta de 35,3% em relação às 3,4 milhões de sacas da temporada 2009/10.

No país, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a alta deve ser de 19,6% -47 milhões de sacas nesta safra, ante 39,47 milhões na anterior.

Apesar dos altos níveis de produção, não haverá excedente de café, afirma o engenheiro agrônomo e diretor da Cocapec, Ricardo Lima.

Segundo ele, as 47 milhões de sacas já têm destino certo. Cerca de 30 milhões devem ser exportadas e o restante atenderá o mercado interno.

"A despeito de ser uma safra alta, ainda não vai ser algo que vá fazer com que sobre café, pelo contrário, os compromissos do país são mais altos", disse.
O engenheiro agrônomo Celso Luís Rodrigues Vegro, pesquisador científico do IEA, também acredita que a produção não é suficiente para recompor estoques.

Segundo Vegro, o Estado tem conseguido avançar na produção de café mesmo com a perda de áreas de plantio. Em dez anos, disse ele, o Estado perdeu 25 mil hectares de café, o que corresponde a 10% do total.

Porém, a produção cresceu graças ao avanço tecnológico, que fez subir a produtividade por hectare.

"A região de Franca, particularmente, teve uma média de 30 sacas por hectares [na safra atual], o que eu acredito que é um recorde mundial para uma região", disse.
Apesar do "encolhimento" da área de plantio no Estado, na região de Franca, segundo Lima, não houve perda de espaço. O avanço da cana foi sobre outras culturas, o que garantiu a manutenção dos espaços para os cafezais.

e) Missão árabe vem ao Brasil à procura de mais alimentos

Na próxima segunda-feira (4), uma missão de 17 empresários da Arábia Saudita desembarca em São Paulo para prospectar negócios no setor de alimentos manufaturados. A delegação é chefiada pelo ministro da Agricultura Saudita, Fahad Abduralhaman Bal Ghunaim, que retribui convite do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Os empresários árabes visitarão o País entre os dias 3 e 5 de outubro e estão interessados nos segmentos de açúcar, café, ração animal, soja, milho e laticínios. "O objetivo é melhorar o crescente intercâmbio comercial nesses setores", declarou o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Michel Alaby.

Na previsão dele, a corrente comercial entre os dois países deve atingir US$ 5 bilhões em 2010 e crescer 10% em 2011.

"Além da estadia na capital, eles também devem visitar usinas de açúcar no interior paulista a convite da Unica [União da Indústria de Cana de açúcar], mas o interesse não é o etanol, mas sim o açúcar", destacou Alaby. De acordo com o secretário, a Arábia Saudita passa atualmente por forte processo de industrialização e busca no Brasil, a experiência, o conhecimento e as matérias primas para desenvolver a indústria de alimentos naquele país do Oriente Médio. "Os sauditas estão construindo dois complexos industriais lá, um deles em Jeddah", detalhou Alaby.
O secretário explicou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) também está incentivando missões comerciais aos países árabes. "No final de outubro teremos a Saudi Food, em Riad. E depois temos missões na Síria, Kwait, Qatar e Emirados Árabes ainda este ano", divulgou Alaby.

De acordo com o representante, os empresários brasileiros manifestaram interesse nos segmentos de alimentos (chocolate e sorvete), calçados, cosméticos, têxteis (juvenil e infantil), máquinas agrícolas, autopeças, móveis e decoração.

"Entre 17 e 21 de outubro estaremos em Erbil, na região do Curdistão, no Iraque, para acompanhar dois empresários do setor de móveis e decoração Fiasini e Vila Rica, e outro de equipamentos médicos, a Fanem", revelou Alaby.

Quanto ao evento em São Paulo na próxima segunda-feira, o encontro empresarial promovido pelo Mapa ocorrerá no Hotel Tívoli e contará com a presença do presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, e também do ministro do Mdic, Miguel Jorge, que palestrará sobre "O setor agrícola brasileiro e perspectivas para investimentos".

Na terça-feira (5), a Câmara Árabe oferecerá, em sua sede, um almoço para toda a delegação, seguido de um encontro de negócios. Este encontro facilitará o networking entre os participantes, além de fornecer informações das possibilidades de mercado entre árabes e brasileiros.

A Arábia Saudita é uma das economias mais fortes do mundo árabe, além de apresentar-se como grande parceiro comercial do Brasil. Em relação aos resultados comerciais, a balança comercial segue favorável para o Brasil pelo segundo ano consecutivo.

Em 2009, o saldo positivo com a Arábia Saudita foi de US$ 355,35 milhões e até o mês de agosto do ano corrente e alcançou US$ 593,25 milhões.

Em 2009, a Arábia Saudita importou US$ 1,95 bilhão de produtos brasileiros. Até agosto de 2010 as exportações brasileiras para o país árabe já acumulam US$ 1,87 bilhão, apresentando um crescimento de 42,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os principais produtos exportados são: minério de ferro, carne de frango, açúcar, carne bovina, soja e milho. As importações cresceram 36,95% até agosto e somaram US$ 1,27 bilhão, sendo 93% de petróleo bruto.

Objetivo da visita do ministro da Agricultura saudita, acompanhado de empresários, é buscar alternativas para comprar alimentos processados. Brasileiros querem ampliação da pauta de produtos.

OMC

a) China vence EUA em disputa comercial sobre frango na OMC

A China obteve uma rara vitória contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), depois que um painel de arbitragem considerou ilegais as restrições norte-americanas sobre as importações de aves chinesas.

Geralmente os painéis desse tipo pedem que a parte ofensiva suspenda a medida considerada ilegal, mas, neste caso, o grupo de análise afirmou que não faria nenhuma recomendação, pois as referidas restrições dos Estados Unidos já expiraram.

Pequim acusou Washington de descumprir normas de comércio internacional por meio de diversas medidas, inclusive por um projeto de lei que resultou numa efetiva punição sobre as importações de aves da China. Os chineses chamaram as medidas de "claro protecionismo discriminativo".

Em 2004, China e Estados Unidos interromperam as importações de frango entre si, em meio a temores relacionados à disseminação da gripe aviária. Embora os embarques tenham sido retomados paulatinamente, autoridades de Pequim reclamam que os americanos continuam controlando o comércio de aves chinesas.

Os Estados Unidos argumentaram que adotaram "uma reação objetiva e baseada na ciência", permitida pelas regras da OMC, enquanto as autoridades do país examinam se o sistema de segurança alimentar chinês vai ao encontro dos níveis de proteção exigidos.

No entanto, o painel da OMC afirmou que as medidas de Washington foram ilegais porque não tiveram evidências científicas suficientes e porque não foram baseadas numa avaliação de risco dos alimentos. Também entendeu que, embora os EUA tenham permitido as compras de aves de outros membros da OMC, "impôs a proibição da importação de produtos de frango da China".

No início da semana, Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), disse que o Brasil pode ganhar mercado na China após o país decidir sobretaxar o frango produzido nos Estados Unidos. Turra disse que o Brasil deve ser beneficiado pela decisão do governo Chinês de adotar tarifas antidumping de 50,3% a 105,4% no frango norte-americano.

"Não significa que esse anúncio de tarifa seja uma vitória para nós, mas com certeza é uma facilidade para o Brasil, que está entrando de forma muito tranquila no mercado chinês", afirmou.


No ano passado, as vendas de frango brasileiro para a China somaram 28 mil toneladas. Para este ano, a previsão é de exportações brasileiras para a China de até 128 mil toneladas.

b) Brasil, China e UE exigem empenho dos EUA em Doha

Brasil, China e União Europeia (UE) exigiram dos Estados Unidos um maior engajamento nas negociações para a conclusão da Rodada de Doha de liberalização do comércio global. "Muitos membros [da Organização Mundial do Comércio - OMC] observaram que, especialmente nos dois últimos anos, os Estados Unidos parecem ter renunciado a seu papel de liderança nas negociações", disse o embaixador chinês Sun Zhenyu, durante sessão na OMC em que as políticas comerciais dos EUA foram avaliadas, o que ocorre a cada dois anos.

Embora peçam que os países em desenvolvimento façam mais concessões para se chegar a um acordo global, os Estados Unidos "falham em dizer como pretende melhorar sua própria oferta em questões que preocupam as nações menos desenvolvidas", disse Sun, ecoando preocupações que também são do Brasil. A UE pediu que os EUA acelerem sua posição "inclusive dando mais contribuições próprias às negociações e sendo realista naquilo que pede de seus parceiros".

Segundo o chefe da delegação europeia em Genebra, John Clarke, "os EUA estiveram na vanguarda daqueles que reconhecem o valor de um comércio aberto, baseado em regras internacionais". Recentemente, contudo, "vemos alguns sinais de que esse compromisso e disposição para liderar pelo exemplo estão diminuindo. Isso é motivo de grande preocupação", disse Clark durante a reunião.

Além das negociações da Rodada de Doha, Washington também foi bastante criticado em outras frentes de sua política comercial.

c) Pequim afirma que pressões sobre yuan prejudicarão o comércio

As pressões para uma valorização do yuan prejudicarão o comércio China-EUA, advertiu Pequim, que também manifestou contrariedade com o projeto de lei que estabelece sanções aos produtos chineses nos Estados Unidos.

Na quarta-feira, a Câmara de Representantes americana aprovou por ampla maioria o projeto de lei que prevê direitos de importação punitivos contra os produtos chineses nos Estados Unidos, caso a China não valorize significativamente sua moeda.

O ministério chinês do Comércio afirmou que o projeto de lei americano não está de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O projeto é baseado em um critério da OMC que permite punir um país que administra a taxa cambial para subsidiar as exportações.

Mas Pequim divulgou um comunicado em que afirma que "iniciar investigações contra os subsídios com base nas taxas de câmbio não está de acordo com as regras da OMC".

Plano Internacional

a) Brasil é 15º país menos vulnerável à alta dos alimentos, diz estudo

Um relatório divulgado na sexta-feira pelo maior banco de investimentos da Ásia coloca o Brasil como o 15º país menos vulnerável a uma futura alta global dos preços de alimentos.

O estudo do banco Nomura também cita Brasil e Argentina, dois grandes exportadores de alimentos, como possíveis beneficiados pelo eventual aumento dos preços.

O ranking, que contempla 80 países, coloca a Nova Zelândia como país menos vulnerável ao aumento global dos preços dos alimentos, o Uruguai, em segundo lugar, e a Argentina aparece em terceiro. Na outra ponta, o relatório do banco Nomura mostra Bangladesh, Marrocos e Argélia como os três mais vulneráveis em um cenário de alta dos alimentos.

Para estabelecer a lista, o Nomura criou um Índice de Vulnerabilidade de Alimentos, que leva em conta fatores como Produto Interno Bruto (PIB) per capita nominal, a parcela ocupada pela alimentação no consumo das famílias e a participação da exportação de alimentos no PIB de cada país.
Ainda de acordo com o estudo, o Brasil está em 10º lugar na lista de países em que o preço dos alimentos menos afeta o Índice de Preços ao Consumidor. Dentro desse novo cenário avaliado, os Estados Unidos são o país com menor impacto, enquanto a Índia é o mais afetado.

O estudo do Nomura prevê uma alta nos preços dos alimentos nos próximos anos, considerando fatores como aumento da demanda global, mudanças climáticas, redução de áreas cultiváveis, diminuição nos ganhos da atividade agropecuária, especulação e protecionismo.

A solução proposta pelo relatório é elevar a oferta mundial de alimentos através de investimentos em Agricultura, da remoção de barreiras comerciais, da reforma de políticas agrárias e do acesso facilitado de serviços financeiros aos produtores.

Os temores de aumento dos preços dos alimentos levaram à convocação de uma reunião extraordinária da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na sexta-feira, em Roma, para discutir o assunto.

Entre os participantes da reunião, estão produtores de grãos da Rússia, país que suspendeu suas exportações de trigo e outros grãos devido à seca.

A notícia gerou temores de que uma nova alta generalizada nos preços de produtos agrícolas pudesse causar uma nova crise de alimentos, como a ocorrida em 2007/2008, que gerou revoltas populares em vários países, como Haiti, Indonésia, Egito e Camarões.

Relatório do maior banco de investimentos da Ásia coloca o Brasil como o 15º país menos vulnerável a uma alta global dos preços dos alimentos. Nova Zelândia lidera o ranking.

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