21 a 25 de junho de 2010

Comércio Exterior

Resultados
Obras de infraestrutura em ZPE ganham prioridade na LDO

Investimentos

Alto custo de energia inibe investimentos

Agronegócio

Santa Catarina abre a porta para exportações de suínos
Malásia e Indonésia são novos destinos do frango brasileiro
Milho e soja elevarão em 3,7% a produção paulista de grãos

Mercosul

Brasil e Argentina se reúnem para ajustar comércio bilateral
Diplomata argentino denuncia propina

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Obama quer Rússia na OMC

Plano Internacional

China: câmbio flexível pode reduzir temor de guerra comercial com EUA
Europa vai pedir rápida retirada de estímulos
Comissão Europeia apresenta proposta de supervisão financeira
China e Taiwan fazem acordo comercial amplo



Comércio Exterior

a) Resultados

Na terceira semana do mês, a balança comercial registrou superávit de US$ 806 milhões, com média diária de US$ 161,2 milhões. No período, as exportações somaram US$ 4,075 bilhões (média diária de US$ 815 milhões) e as importações US$ 3,269 bilhões (média diária de US$ 653,8 milhões). A corrente de comércio chegou a US$ 7,344 bilhões (média diária de US$ 1,468 bilhão).

As exportações foram 6,4% menor que a observada até a segunda semana do mês. A retração foi justificada pela queda dos embarques de produtos básicos (-13,3%) e bens manufaturados (-5,5%), enquanto os semimanufaturados cresceram 17,6%.

Na mesma comparação, as importações recuaram 12,7%.

Nas três primeiras semanas do mês, as exportações totalizaram US$ 11,044 bilhões. Esse desempenho foi 23,3% maior que o registrado em todo mês de junho de 2009 (US$ 689 milhões).

Na comparação com maio deste ano - quando a média diária foi de US$ 843 milhões - as exportações, nas três primeiras semanas de junho, cresceram 0,8%.

As importações acumularam US$ 9,259 bilhões (média diária de US$ 712,2 milhões), valor que foi 51,6% superior ao verificado em junho do ano passado. Na comparação com maio deste ano, cuja média diária das importações foi de US$ 679 milhões, houve crescimento de 4,9%.

O superávit comercial acumulado no mês foi de US$ 1,785 bilhão. Em todo o mês de junho do ano passado, foi registrado saldo comercial de US$ 4,604 bilhões. Por esse critério, o superávit decresceu 37,4%. Na comparação com maio deste ano a retração foi de 16,3%.

No acumulado do ano as exportações chegaram a US$ 83,138 bilhões, com média diária de US$ 722,9 milhões. Esse desempenho foi 28% superior ao registrado no mesmo período de 2009.

As importações, no mesmo período, somaram US$ 75,744 bilhões, valor 44,1% maior que o verificado na mesma análise. O saldo comercial, no acumulado do ano, chegou a US$ 7,394 bilhões, com média diária de US$ 64,3 milhões, cifra 40,3% menor que a média diária observada no mesmo período de 2009 (US$ 107,6 milhões).

Com uma queda de 12% nas importações e de 6,4% nas exportações, a balança comercial brasileira fechou a terceira semana de junho com um superávit de US$ 806 milhões.


b) Obras de infraestrutura em ZPE ganham prioridade na LDO

A instalação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) no Brasil vai ganhar um novo apoio do governo federal, se for aprovada a proposta apresentada pelo senador Tião Viana (PT-AC) no relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2011.

De acordo com o texto, foram incluídas como prioritárias as ações relativas ao apoio à infraestrutura das áreas externas das ZPEs. Isso deverá envolver a instalação de vias de transporte para acesso, fornecimento de água e luz, provimento de saneamento básico e de rede de fibra ótica.

O reforço anunciado vem em boa hora, porque, 22 anos depois de ter sido criada a legislação a respeito, nenhuma ZPE até hoje saiu do papel. Além disso, no próximo dia 1º, a autorização de 9 ZPEs poderá caducar por falta de montagem de infraestrutura para os empreendimentos.

O ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), vai avaliar com cuidado a proposta do relator da LDO em razão de o governo federal já prever a concessão de fortes incentivos fiscais para os empreendimentos. A infraestrutura das ZPEs é responsabilidade dos governos estaduais, apontou um servidor do MDIC que atua no Conselho Nacional das ZPEs, órgão do ministério, discordando da inclusão dessa prioridade no relatório da LDO.

Esse órgão já aprovou a criação de seis novas ZPEs no País, após a regulamentação da matéria no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras 17 haviam sido criadas entre os anos de 1988 e 1994. Apenas quatro estão em condições de funcionar no País - Rio Grande (RS), Araguaína (TO), Teófilo Otoni (MG) e Imbituba (SC).

Assessores do senador Tião Viana apontaram de que a inclusão desse item na LDO deve-se em parte ao fato de que são necessários investimentos complementares em infraestrutura para assegurar o escoamento dos produtos com destinação para o exterior. As ZPEs concedem incentivos fiscais por 20 anos, mas exige-se que 80% da produção sejam destinados ao mercado externo.

Segundo ele, a instalação das ZPEs contribuirá fortemente para que o País aumente a sua participação no total das Exportações mundiais. O aumento das Exportações é fundamental para o aumento do emprego e da renda no Brasil, assim como para evitar que volte a vulnerabilidade externa, que, no passado, era o grande obstáculo ao crescimento econômico sustentado, argumentou Viana, em seu relatório.

No relatório da LDO, as prioridades e metas da administração federal terão precedência na alocação dos recursos no Projeto e na Lei Orçamentária de 2011, não se constituindo, todavia, em limite à programação da despesa.

A legislação da ZPE é inspirada na experiência da China, que conta com 166 ZPEs que representam um grande indutor de desenvolvimento. Com a inclusão na LDO, o Orçamento de 2011 pode priorizar infraestrutura externa às ZPEs para facilitar principalmente o acesso aos empreendimentos.

Na próxima segunda-feira, o Conselho Nacional das ZPEs mantém reunião em São Paulo. Serão discutidos os critérios para declarar a caducidade das ZPEs que não montaram a infraestrutura necessária, a liberação dos incentivos fiscais para as que estão em condições de receber empreendimentos e ainda a criação de novas ZPEs.

No mês passado, o Conselho havia aprovado e enviado ao presidente Lula as propostas das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) de Boa Vista (RR), Pecém (CE), Macaíba (RN), Parnaíba (PI), Bataguassu (MS) e Fernandópolis (SP).

As propostas ainda serão apreciadas pelo presidente da República. Se aprovadas por decreto presidencial, terá início o prazo de 90 dias, a partir da data de publicação no Diário Oficial, para que sejam constituídas as empresas que administrarão as ZPEs. Só depois deste prazo devem começar as obras de infraestrutura.

Outra novidade na LDO para 2011 é um reforço de recursos inédito na área de saúde. Como complemento para o orçamento do setor, um dos mais dispendiosos do governo, a União deve começar a cobrar das indústrias brasileiras de cigarro a conta pela alta incidência de câncer e de doenças cardiovasculares entre fumantes.

Segundo o relatório final da LDO, o governo federal passaria a acionar na Justiça as indústrias do tabaco, com o objetivo de ressarcir o Sistema Único de Saúde (SUS) pelos gastos com fumantes doentes em razão do cigarro. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, desconhecia até a novidade, mas concordou com a iniciativa do legislativo.

Foram incluídas como prioritárias na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011 as ações relativas ao apoio à infraestrutura das áreas externas das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs).


Investimentos

a) Alto custo de energia inibe investimentos

O alto custo da energia no Brasil, um dos mais elevados do mundo, inibe não apenas investimentos em pesquisas por novas áreas de mineração, mas afeta o setor produtivo nacional como um todo. As indústrias esbarram na conta de energia ao buscarem mais competitividade, o que lhes permitiriam oferecer produtos baratos e de boa qualidade. Esse cenário preocupa o governo, especialmente os técnicos das áreas econômica e desenvolvimentista. Entre os setores mais afetados, confirma uma fonte, está o de alumínio, onde 75% dos custos são com energia.

— Daqui a pouco deixaremos de vender alumínio (um produto industrializado, de maior valor agregado) e passaremos a exportar bauxita (produto básico) — disse a fonte.

Uma ideia que começa a ser avaliada diz respeito à redução de tributos para altos consumidores. Em troca — e para não ser acusado de dar subsídios na Organização Mundial do Comércio (OMC) — o governo exigiria não exportações ou investimentos, mas a apresentação de projetos da área ambiental.

Um documento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a tarifa de energia elétrica subiu 150% no Brasil, ante uma inflação de 74% de 2002 a 2009, pelo IGP da FGV. Segundo a entidade, o custo de energia é, junto com a carga tributária, o obstáculo ao desenvolvimento sustentado.

Uma projeção feita pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) aponta que o Encargo de Serviços do Sistema (ESS) teria atingido cerca de R$ 490 milhões entre janeiro e maio deste ano.

Caso a estimativa se confirme, o valor representa um acréscimo de 70% em relação ao total arrecadado no mesmo período de 2009, de R$ 287 milhões. O ESS cobre os custos incorridos para a manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema para o atendimento do consumo.

— É fundamental, entre outras medidas, desonerar todos os investimentos. O problema no Brasil é que, mesmo antes de um empreendimento entrar em operação, já existe parcela significativa de tributos sobre o investimento — disse o diretor de Energia Elétrica da Abrace, Fernando Humbria.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) esclareceu que não interfere na formação do preço da energia negociada no mercado livre.


Agronegócio

a) Santa Catarina abre a porta para exportações de suínos

Santa Catarina está próxima de exportar carne suína para os Estados Unidos. Com a abertura do mercado para os norte-americanos, União Europeia (UE), Japão, Coreia do Sul, Canadá e até o México podem se tornar novos compradores. Para isso, a consulta pública (norte-americana) referente ao certificado de zona livre de aftosa sem vacinação de Santa Catarina precisa ser bem-sucedida. A partir daí, o estado terá o reconhecimento sanitário desses países para vendas futuras.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne suína (Abipecs), cerca de 10 mil toneladas podem ser negociadas para os Estados Unidos.

Além de União Europeia e Japão, o México - que é um grande comprador de carne suína dos Estados Unidos - pode ser outro cliente brasileiro. Como os mexicanos compram muita carne dos Estados Unidos, Paulo Molinari, especialista da Safras & Mercado, acredita que, se Santa Catarina obtiver o certificado, o mercado brasileiro poderá ser ampliado para aquele país.

No entanto, Molinari faz uma ressalva: Santa Catarina não dispõe de carne suína o suficiente para comercializar com os EUA. Se não houver disponibilidade, as fábricas da região vão redirecionar seus embarques a partir do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, para atenderem os grandes compradores, como Rússia e Hong Kong, disse. Com uma opinião diferente da Abipecs, Molinari crê que os Estados Unidos poderão importar de Santa Catarina entre 30 mil e 40 mil toneladas da produção brasileira de suínos.

Segundo Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs, a consulta pública norte-americana - do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos EUA (Aphis, em inglês) e Serviço de Inspeção e Segurança alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (FSIS, em inglês) -, órgãos que recebem opiniões da população sobre os novos gastos - se encerrou na última terça-feira (15). Agora, cabe ao país dar respostas às consultas públicas, afirmou. Neto, que também se pronunciou por meio de um site (http://www.regulations.gov/dmspublic/), constatou que as entidades agropecuárias norte-americanas apresentaram reclamações.

Por ano, o Brasil exporta cerca de 600 mil toneladas de carne suína. Rio Grande do Sul é o que mais embarca - média de 227 mil toneladas -, enquanto Santa Catarina vende 165 mil toneladas.

Santa Catarina conta com o certificado da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) há três anos. Ainda assim, os EUA enviaram uma missão técnica para inspecionar a sanidade catarinense. A Coreia do Sul também visitou o estado em 2009 e a expectativa é que ainda em 2010 o país possa comprar suínos brasileiros.

Losivanio de Lorenzi, vice-presidente da Associação Catarinense de Criadores suínos (Accs), contou que há boas chances de os negócios entre norte-americanos e catarinenses se concretizarem logo. Lorenzi esteve reunido com Enori Barbieri, secretário da Agricultura de Santa Catarina, e outros produtores para falar do assunto. Eu acredito que logo os Estados Unidos darão o aval para as compras, disse.

Otimista em relação à Safras & Mercado e Abipecs, André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), espera que os EUA possam embarcar média de 300 mil toneladas de suínos. Os norte-americanos aceitaram regionalizar o Brasil, e Santa Catarina não apresenta problemas sanitários, como a febre aftosa, falou. Para Nassar, o importante é acelerar a conquista do certificado para atrair o Japão para o estado. O Japão, segundo Nassar, importa, anualmente, 1 milhão de toneladas de carne suína e, por isso, o Brasil, no geral, pode ter ganhos nas exportações.

No ano passado, a União Europeia visitou Santa Catarina e exigiu algumas adequações sanitárias. Agora, o estado aguarda resposta da UE sobre as solicitações. De acordo com a Secretaria da Agricultura de Santa Catarina, os problemas foram solucionados. Foram contratados 120 veterinários e feito o cadastramento de 600 produtores que fornecem suínos sem a utilização de ractopamina (promotor de crescimento nos animais).


b) Malásia e Indonésia são novos destinos do frango brasileiro

A carne de frango brasileira está prestes a ganhar as fronteiras da Malásia. Com os embarques para a China em crescimento, o Brasil está focado também em ampliar comércio com outros países asiáticos, como a Indonésia.

Para Francisco Turra, presidente executivo da União Brasileira de avicultura (Ubabef), embarcar frango para a Malásia é o mesmo que conquistar todo o mercado da União Europeia, pelo alto nível de exigência dos malaios. Representa uma grife para a nossa carne de frango no mundo do halal abate de acordo com os rituais islâmicos, afirma.

Segundo Turra, este ano, o Brasil deve enviar direto para a China 80 mil toneladas de frango. Até maio de 2010, as exportações para a China já atingiram 39,257 mil toneladas.

Estatística da Ubabef aponta que durante todo o ano de 2009, o Brasil enviou para os chineses apenas 23,9 mil toneladas. Em 2008, o volume foi significativamente menor, 980 toneladas.

A China é um mercado promissor, pois a carne de frango atende todas as classes sociais, inclusive os cerca de um bilhão de chineses mais pobres, disse João Carlos de Angelo, gerente de Formulação e Produtos da Guabi.

O maior volume da carne brasileira até então absorvida pela China entrava no país via Hong Kong. Em 2009, Hong Kong comprou 428,3 mil toneladas de carne de frango do Brasil.

Para Turra, quando o governo federal iniciou as conversas para abertura de mercado com os chineses, em 2009, a sacada de ouro foi notar que os países importadores teriam problemas em ampliar produção. Eles países importadores têm dificuldade de produzir insumos, como, soja, milho e farelo de trigo, diz.

Por outro lado, segundo o presidente da Ubabef, os problemas comerciais entre a China e os Estados Unidos acabaram refletidos no Brasil. A guerra política começou com os Estados Unidos barrando os pneus chineses. Como resposta a China recuou as importações norte-americanas e cortou cotas, o que abriu portas para o Brasil, comenta.

Dados da Ubabef mostram que o País deve produzir em 2010, 11,5 milhões de toneladas de frango. Deste montante, 3,7 milhões de toneladas devem ser exportadas. Se os índices de ligeiro recuo na produção chinesa se confirmarem devemos nos aproximar da produção da China, diz Francisco Turra. Segundo o executivo, a China prevê uma produção de 12 milhões de toneladas de frango este ano.

Para Angelo, as exportações são essenciais para a manutenção dos preços no mercado interno. O consumo interno também é crescente. Acredito que o consumo brasileiro vai atingir 41 quilos per capita por ano, diz o executivo da Guabi. Hoje, cada brasileiro consome anualmente 40 quilos de carne de frango.

Números do gerente mostram que em maio deste ano, o Brasil embarcou 322 mil toneladas da carne, o que representa um faturamento de US$ 563,6 milhões. Um incremento de 6%, se comparado ao mesmo período em 2009. Ante abril, foi 4%, diz.

Segundo Angelo, a maior receita da exportação nacional é puxada pela venda de cortes de frango. Em seguida, aparece o comércio de frango inteiro, o produto industrializado e a carne salgada.

Para o gerente, o crescimento no volume de embarques e no consumo interno deve puxar a produção nacional. O mercado está bom, com perspectiva de ampliação de produção, com a previsão de aumento de alojamento de pintos, afirma Angelo. O setor estima avançar 5% nos próximos anos.

No primeiro semestre deste ano, de acordo com Angelo, o País registrou 2,9 bilhões de pintos alojados, um avanço de 10,5% se comparado ao ano anterior.

Turra considera que as crises mundiais são as principais responsáveis pelo recuo de avanço do setor, como ocorria nos anos que precederam a crise econômica dos Estados Unidos. O ritmo de avanço da avicultura nacional até 2008 era de 12%. Enquanto as crises norte-americana e europeia não acabarem o crescimento será pouco expressivo.

Alex Lopes da Silva, analista da Scot Consultoria, concorda que o setor no Brasil tem potencial de crescimento, e o consumo interno do País também deve contribuir para o avanço.


c) Milho e soja elevarão em 3,7% a produção paulista de grãos

O desempenho do agronegócio paulista, que atravessa um momento positivo e crescente, ajudou a segurar o déficit do estado, que subiu para 109,7%, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA). As exportações do setor nos cinco primeiros meses de 2010 cresceram 23,4% em relação a igual período de 2009 e atingiram US$ 6,90 bilhões.

A cana-de-açúcar, a pecuária e a citricultura estão entre as principais culturas de São Paulo. No entanto, a região também investe em grãos e, com isso, a colheita nesta safra deve crescer 3,7%.

A balança comercial de São Paulo depende estritamente da agricultura, que amenizou o tamanho do buraco na economia, afirmou José Sidnei Gonçalves, pesquisador do IEA.

O saldo comercial do agronegócio paulista saltou de US$ 3,37 bilhões para US$ 3,93 bilhões, no fechamento de janeiro a maio. No Brasil, o superávit do setor Agrícola estava em US$ 18,66 bilhões e foi para US$ 20,91 bilhões, 12,1% superior a 2009.

Gonçalves contou que 80% da exportação de São Paulo é de produto Agrícola processado, enquanto 20% é de cultivo básico. Na média nacional o cenário é inverso: 54% das embarcações são de produção básica, contra 46% de produtos processados. São Paulo é um exportador agroindustrial e o Brasil é um exportador primário, explicou.

A Secretaria de agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, junto com o IEA e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), realizou, em abril deste ano, a quarta previsão e estimativa da safra Agrícola para as principais culturas do Estado de São Paulo. Nesta safra, a colheita de grãos deve somar 6,5 milhões de toneladas, alta de 3,7% em relação a 2009. Os maiores volumes são para soja safrinha (360,1%) e milho safrinha (27,8%).

A área estimada com plantio de cana-de-açúcar, na atual safra Agrícola, ficou estável em 5,5 milhões de hectares.

O levantamento indica que, de 2009 para 2010, houve contenção na expansão da cultura no estado, e que alguns fatores influenciaram, como o preço do álcool no mercado internacional - que está abaixo do custo de produção - e tratos culturais errôneos que comprometem a entrada de novos players no mercado, bem como o rendimento dos canaviais já em produção.

Ainda de acordo com o estudo podem ocorrer pequenos decréscimos na produção da safra atual, se comparada à última temporada, de 1,2% para 418,0 milhões de toneladas produzidas e rendimento de 84,4 toneladas por hectare.

Para Miguel Biegai, consultor da Safras & Mercado, na safra 2009/2010 para 2010/2011, o estado ganhou aumento em 6% de área em cana. Logo atrás, ficou Minas Gerais que teve acréscimo de 10% em área, entre os mesmos períodos. De acordo com Canasat, na temporada 2008/2009, houve, em São Paulo, aumento em 12% da área plantada. A produção de cana saltou de 3,62 milhões de toneladas para 384,5 milhões de toneladas - aumento de 6% - de 2009/2010 a 2010/2011.

As exportações da pecuária do Brasil tiveram bom desempenho, durante os cinco primeiros meses de 2010, conforme explicou Hyberville Neto, analista da Scot Consultoria. Os embarques melhoraram porque o volume de carne in natura foi 7% maior em relação ao mesmo período do ano passado, disse.

Em 2009, segundo Neto, os abates em São Paulo ficaram em torno de 5 milhões, atrás apenas do Mato Grosso, com aproximadamente 5,3 milhões de abates em igual período. Mas não dá para calcular, em São Paulo, os abates de boi informais, disse.

Nos últimos 15 anos, a citricultura perde área para a cana, segundo afirmou Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus). Com a baixa remuneração ao produtor e prejuízos devido a doenças cítricas, o citricultor perde o estímulo. Viegas acredita que nos próximos anos a produção da citricultura continue em queda. Para este ano, o cultivo deve ficar entre 270 e 280 milhões de caixas (estimativa das indústrias), em São Paulo. O estado produz cerca de 80% da produção, enquanto Bahia e Paraná produzem de 3% a 4%.

O desempenho do agronegócio paulista ajudou a segurar o déficit do estado, que subiu para 109,7%, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA). As exportações do setor nos cinco primeiros meses de 2010 cresceram 23,4% em relação às de igual período de 2009, e atingiram US$ 6,90 bilhões. A cana-de-açúcar, a pecuária e a citricultura estão entre as principais culturas de São Paulo.

No entanto, a região também investe em grãos, e, com isso, a colheita nesta safra deve crescer 3,7%, e atingir 6,5 milhões de toneladas. A balança comercial de São Paulo depende da agricultura, que amenizou o tamanho do buraco na economia, diz José Sidnei Gonçalves, pesquisador do IEA. Gonçalves conta que 80% da exportação de São Paulo são de produtos agrícolas processados, enquanto 20% são de cultivo básico. Na média nacional o cenário é inverso: 54% das embarcações são de produção básica, contra 46% de produtos processados.


Mercosul

a) Brasil e Argentina se reúnem para ajustar comércio bilateral

A turbulência do mercado financeiro argentino, as conturbadas relações comerciais bilaterais e as últimas notícias sobre proibições de entrada de alimentos no mercado vizinho serão alguns dos temas abordados durante a reunião ministerial que está prevista para acontecer ainda nesta semana, em Buenos Aires.

O encontro ministerial anunciado por Débora Giorgi, ministra da Indústria e Turismo da Argentina, terá a participação do ministro argentino da Economia, Amado Boudou.

O último encontro entre representantes dos dois governos aconteceu entre os dias 7 e 10 de junho, quando os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, foram a Buenos Aires para discutir com o governo argentino o desenvolvimento de ferramentas que permitam equilibrar a balança comercial dos dois países. Segundo o Mdic, o Brasil possui superávit de US$ 920 milhões.

A atividade econômica na Argentina registrou crescimento de 6,4% no primeiro trimestre de 2010 e aumento de 9,2% no período de janeiro a abril. O crescimento industrial impulsiona a maior importação de bens de capital, partes e peças e insumos como ferro, que não é produzido no país, declarou a ministra Giorgi.

Outras pautas da nova reunião ministerial serão o sistema de pagamentos em moeda local para a área de importação e exportação, a integração das cadeias produtivas e o financiamento de exportações com fundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A questão agora é saber o posicionamento do novo ministro de Relações Exteriores da Argentina que já foi embaixador do país nos Estados Unidos.

De acordo com o professor do Mackenzie, Mário Sacchi, que é argentino, muitas mudanças devem ocorrer nos próximos dias e a reunião tende a ser mais positiva e ampliar as relações bilaterais que foram reduzidas após a crise internacional.

Podemos ver um quadro diferente no modo de atuação da Argentina por meio deste novo ministro. Claro que nada será de um dia para o outro, mas certamente as declarações e pressões comerciais como novas barreiras alfandegárias não devem acontecer. Este novo ministro tem visão de mercado e sabe que as barreiras e imposições do governo Cristina Kirchner prejudica mais do que ajuda os empresários locais, argumentou Sacchi que é natural do país vizinho.

O novo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, assumirá o cargo hoje. Ele disse que a prioridade é a relação com o Brasil. Timerman é o sucessor de Jorge Taiana que, na última sexta-feira, surpreendeu a chancelaria e o governo com sua renúncia, após discussão por telefone com a presidente Cristina Kirchner. De acordo com assessores da chancelaria, Taiana queixava-se de não obter o apoio da Casa Rosada na condução da política externa argentina.

Ainda em Washington, onde era embaixador desde dezembro de 2007, Timerman deu entrevista a um jornal de Buenos Aires afirmando que as relações da Argentina com o Brasil são prioritárias para o governo. Vamos continuar aprofundando essas relações, porque juntamente com o Brasil estamos construindo uma união baseada em forte coincidência de interesses, em posições comuns nos foros internacionais e na integração econômica do Mercosul, frisou.

O maior problema, para os especialistas, é o fato de o parceiro mais importante do Brasil na América do Sul viver mais do que apenas uma fase de maus resultados. Não é só resultado da crise, é uma situação permanente, diz o pesquisador Alberto Pfeifer da Universidade de São Paulo. Para ele, este ponto de vista argentino de dificuldades, corrobora para que o desenvolvimento da região econômica do bloco ultrapasse o seu real potencial.

As brigas no governo e a falta de credibilidade não são um problema direto para o Brasil. O Brasil é muito maior, e visto internacionalmente como um país bem estruturado, apesar dos contratempos. A questão, porém, é que os problemas argentinos diminuem a atração no Mercosul frente às outras nações, uma vez que o Brasil deixa de ser pautado por fazer parte de um bloco comum. Também fica manchada a relação bilateral entre brasileiros e argentinos, com tantos problemas.

O professor do Mackenzie ressalta que os dois países têm uma importante relação de parceria comercial, mas ela poderia ser mais bem explorada. O mercado argentino depende e pode ser visto como uma continuação da produção brasileira. Mas há falta de interesse do governo argentino em estabelecer um relacionamento estável, conclui.

Está prevista para esta semana uma reunião entre ministros de Brasil e Argentina para tentar acabar com as pendências comerciais provocadas pelas barreiras não oficiais levantadas pelo governo argentino a alimentos brasileiros. A ministra da indústria da Argentina, Debora Giorgi, ressalta a importância do Brasil para o desenvolvimento de seu país. Com o crescimento econômico, precisamos importar mais componentes de máquinas e equipamentos, que vêm principalmente do Brasil.

Especialistas e empresários acham difícil que haja um acordo definitivo nesta próxima reunião, mesmo com as mudanças na cúpula do governo argentino.


b) Diplomata argentino denuncia propina

O ex-embaixador argentino em Caracas Eduardo Sadous reafirmou em depoimento na Câmara dos Deputados, que seu país manteve uma diplomacia paralela com a Venezuela na gestão do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007).

Há dois meses, em depoimento à Justiça, ele já havia dito que funcionários do Executivo se encontravam por conta própria e realizavam acordos com o primeiro escalão do governo de Hugo Chávez ao longo de 2004.

Segundo denúncias de empresários relatadas por Sadous, os embaixadores paralelos eram homens de confiança de Kirchner e articulavam esquema que cobrava propinas de entre 15% e 20% de exportadores argentinos que vendiam maquinário agrícola à Venezuela.

O caso foi denunciado à Justiça pela oposição, que acusa de associação ilícita Kirchner e o ministro do Planejamento, Julio De Vido, que assumiu a pasta em 2003 e permanece no gabinete da presidente Cristina Kirchner.

Sadous atendeu ao convite de parlamentares oposicionistas e prestou esclarecimentos à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, onde falou por quatro horas, em sessão fechada.

O deputado oposicionista Alfredo Atanasof, que preside a comissão, disse que Sadous ratificou o depoimento à Justiça e que foi possível avançar em tudo o que gerava dúvidas.

O encontro do diplomata com os deputados estava marcado, em princípio, para a semana passada, mas foi adiado após uma forte pressão do governo, que tentou evitar que Sadous fosse ouvido pela oposição.

A sessão na Câmara também influenciou na renúncia do ex-chanceler Jorge Taiana, que deixou o governo após discutir com Cristina na última sexta-feira.

A presidente repreendeu Taiana, entre outros motivos, por ter autorizado Sadous, seu subordinado, a se apresentar na comissão.

Deputados opositores sustentam que o esquema de propinas na exportação é só uma amostra das relações ilícitas entre os governos dos dois países. Para os congressistas, o depoimento de Sadous ajudará a esclarecer também o episódio chamado de caso da mala.

Em agosto de 2007, o empresário venezuelano Antonini Wilson foi flagrado com US$ 800 mil não declarados em uma mala logo após desembarcar em Buenos Aires.

Ele vinha de Caracas num avião fretado por funcionários da Casa Rosada e da PDVSA, petroleira estatal da Venezuela. Opositores sustentam que o dinheiro seria destinado ao financiamento da campanha de Cristina, eleita dois meses depois.


Organização Mundial do Comércio (OMC)

a) Obama quer Rússia na OMC

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse durante uma entrevista coletiva na Casa Branca que a Rússia deveria fazer parte da Organização Mundial de Comércio (OMC). Ele estava acompanhado pelo presidente russo, Dmitry Medvedev. Obama disse também que a adesão da Rússia à OMC pode ser boa para os EUA, para a Rússia e para a economia mundial.


Plano Internacional

a) China: câmbio flexível pode reduzir temor de guerra comercial com EUA

O novo regime cambial do Banco Popular da China, que anunciou sábado a intenção de flexibilizar o yuan gradualmente, pode reduzir, segundo analistas, os temores de uma guerra comercial entre EUA e o país asiático e animar os mercados — ainda desconfiados se as promessas serão efetivamente implementadas.

Apesar da boa recepção de instituições e líderes de outros países, o BC chinês descartou qualquer possibilidade de uma mudança única, reafirmando que manterá o yuan em um nível estável e sugerindo que o regime será parecido com o utilizado até julho de 2008. Ou seja: a moeda provavelmente voltará ao mesmo caminho de ganhos graduais em relação ao dólar.

O banco prometeu implementar “uma administração dinâmica e ajustes”, que poderiam levar o yuan também a cair e não apenas a subir em relação ao dólar.

Para economistas chineses, a decisão visava a, principalmente, interesses políticos. — Essa declaração importante do governo chinês, logo antes do encontro do G-20, é uma grande concessão para evitar que o sistema de câmbio do yuan seja usado politicamente pelos países ocidentais — disse Gao Shanwen, economista da Essence Securities em Pequim.

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou que o anúncio é bem vindo.

Em comunicado, disse que a decisão “demonstra a disposição do governo da China de contribuir para um maior equilíbrio econômico global”. Mas acrescentou que será preciso aguardar os desdobramentos. O Banco Central Europeu (BCE) afirmou que a decisão é positiva e encorajou Pequim a permitir maior flexibilização da moeda.

Para especialistas, o novo regime pode não ter nenhum efeito sobre a balança comercial brasileira. Segundo eles, a valorização da moeda chinesa tende a ser inferior a 5% no ano.

José Augusto de Castro, vicepresidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), afirma que a flexibilização em nada mudará as exportações brasileiras para a China. Para ele, a medida tem maior relação com uma “política de boa vizinhança”, às vésperas do encontro do G-20, do que um foco propriamente econômico.

— Valorizar a moeda em 1% ou 2% não muda nada. Seria necessária uma mudança acima de 10% para sentirmos efeito nas exportações de minério de ferro, por exemplo — afirma.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o Brasil exportou para a China de janeiro a maio US$ 10,64 bilhões, ou 15% de toda as suas exportações. Os principais itens foram soja (US$ 3,8 bilhões) e minério de ferro (US$ 3,1 bilhões). Nas importações, o Brasil consumiu US$ 8,8 bilhões em produtos chineses — como aparelhos transmissões e receptores (US$ 525 milhões).

Brasil não deixará de importar máquinas da China Segundo Rodrigo Maciel, da consultoria Strategus, especializada no mercado asiático, a China volta ao modelo cambial anterior a julho de 2008. Isso significa que a valorização da moeda será em ritmo inferior a 5% ao ano, o que pouco muda nas relações comerciais com o país.

— O Brasil continuará importando máquinas e equipamentos da China. Mesmo mais caras, continuarão muito competitivas — disse o economista.

O Chile também não acredita que o anúncio vá influenciar as exportações de cobre do país, disse o ministro da Mineração chileno, Laurence Golborne. O principal comprador do cobre do Chile é a China.


b) Europa vai pedir rápida retirada de estímulos

A Europa vai pressionar uma rápida saída dos programas de estímulo fiscal e focar na consolidação de orçamento no encontro do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) na próxima semana, disse a chanceler alemã, Angela Merkel. Os líderes das nações se encontram em 26 e 27 de junho, em Toronto, Canadá.

– Participantes europeus são da opinião de que é urgente a necessidade de evitar que crises como essas aconteçam de novo no futuro – disse Merkel em seu podcast semanal.

A postura de Merkel teve contraste com a do presidente americano, Barack Obama, que afirmou que os problemas de endividamento público devem ser tratados “no médio prazo”, uma indicação de que exigir cortes de orçamentos não pode ser feito às custas da recuperação. Os governantes da Europa têm lançado medidas de austeridade para evitar um contágio maior da crise que começou na Grécia.

Países em desenvolvimento O presidente francês, Nicolas Sarkozy, destaca que trabalhará com a Rússia para dar às nações emergentes um papel maior no debate sobre a regulação da economia mundial. Sarkozy disse que as instituições financeiras globais, tais como o Banco Nacional e o Fundo Monetário Internacional (FMI), são ultrapassadas e que a Organização das Nações Unidas (ONU) é “incrivelmente lenta“. A instituição também disse que o ajuste gradual é necessário para dar às empresas tempo para se adaptar.

O economista-chefe da Essence Securities em Pequim, disse que o anúncio da China, de flexibilizar a moeda, tem intenção de evitar debates mais acalorados sobre o assunto, durante o encontro.


c) Comissão Europeia apresenta proposta de supervisão financeira

A Comissão Europeia (CE, braço executivo da União Europeia) propôs um compromisso para a legislação que vai reformar a estrutura da supervisão sobre instituições financeiras na União Europeia (UE), em uma tentativa de acabar com um impasse sobre quanto poder as novas agências regulatórias do bloco devem ter sobre esse setor.

O Parlamento Europeu e o Conselho Europeu, que representam os governos nacionais da UE, aprovaram versões diferentes da legislação. O Parlamento quer dar às novas agências amplos poderes sobre os bancos, as instituições financeiras e companhias de seguros dos 27 países do bloco, enquanto o Conselho quer manter a maior parte dessa autoridade com os governos nacionais.

A proposta da Comissão, que é o braço executivo da UE, permitiria que as agências supervisionassem as empresas financeiras diretamente em situações de emergência, como proposto pelo Parlamento. Também permitiria uma supervisão direta em casos em que os reguladores nacionais discordem sobre a fiscalização de uma instituição com operações em vários países da UE.

Para satisfazer o Conselho, o compromisso preservaria uma cláusula de que nenhuma decisão dessas novas agências poderia intervir sobre as questões fiscais de um governo nacional, de nenhuma forma. O compromisso também permite que o Conselho determine quando existe uma situação de emergência, o que daria poderes de supervisão direta para as novas agências.

Ainda não está claro se os dois lados vão aceitar o compromisso. Líderes da UE recentemente pressionaram os negociadores, porque o impasse está ameaçando prejudicar os planos de ter as novas agências funcionando no começo de 2011.

O Japão decidiu expandir sua linha de crédito para a Grécia para 200 bilhões de ienes (cerca de 2,2 bilhões) para ajudar a estabilizar a economia global e evitar apreciação maior do iene, dias antes do encontro dos líderes do Grupo dos 20 (G-20, que reúne ricos e emergentes), informou o jornal Nikkei. Os recursos serão emprestados à Grécia por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI) até 2012.

O Japão pretende evitar que a crise europeia prejudique a economia japonesa e o mercado de bônus. O governo japonês quer proteger a competitividade internacional para as exportações japonesas, as quais têm sido ameaçadas pela apreciação do iene provocada pelos problemas na Europa.


d) China e Taiwan fazem acordo comercial amplo

O governo de Taiwan anunciou que o país assinará um acordo comercial com a China no próximo dia 29 de junho, em uma cerimônia na cidade chinesa de Chongqing. Os laços econômicos entre os dois países têm se intensificado nos últimos anos, depois de décadas de hostilidade, e o acordo vai remover muitas das barreiras que persistem para o comércio e os investimentos, de acordo com especialistas em política internacional.

De acordo com informações de Huang Chih-peng, diretor-geral do escritório de comércio exterior de Taiwan, cerca de 150 produtos entram em uma lista cuja taxação será reduzida. Entre esses itens, segundo o executivo, estão 69 tipos de produtos de maquinaria, 42 tipos de produtos petroquímicos, 22 tipos de têxteis e 17 tipos de autopeças que entram em Taiwan provenientes do mercado chinês terão suas tarifas rebaixadas após a assinatura do Acordo Básico de Cooperação Econômica (ECFA) na próxima semana.

Huang Chih-peng acrescentou que a China vai reduzir suas tarifas para 136 produtos têxteis, 107 produtos de maquinaria, 88 produtos petroquímicos, 50 tipos de autopeças e 18 produtos agrícolas produzidos em Taiwan. No entanto, produtos agrícolas chineses não são parte do acordo, o que já era esperado.

O acordo também prevê que a China dê tratamento preferencial para que bancos e empresas controladoras de hospitais de Taiwan passem a atuar no país. Os bancos de Taiwan poderão conceder empréstimos em iuane na China dois anos depois de abrirem agências no país - exceto na concessão de créditos para subsidiárias chinesas de empresas de Taiwan; neste caso, o prazo será de apenas um ano.

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