17 a 21 de maio de 2010

Comércio Exterior

Resultados
Negócios entre Brasil e Irã saltam mais de 75% neste ano

Investimentos

Brasil mantém 87ª posição em ranking de competitividade

Agronegócio

Crise grega chega ao açúcar e preços têm queda de 44,6%

Mercosul

Brasil tenta impulsionar pacto Europa-Mercosul em Madri

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Acordo é chance de destravar Doha

Plano Internacional

China sente impacto de euro desvalorizado na exportação
UE e América Central fecham acordo gradual para livre-comércio
Economia do Japão reage e reduz temores



Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações no País) acumula, no ano, até o dia 16 de maio, um superávit de US$ 3,644 bilhões. O saldo é 52,9% menor que o registrado em igual período do ano passado (US$ 7,733 bilhões), segundo os dados divulgados, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Apesar do resultado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) totaliza no período US$ 121,868 bilhões, o que significa um aumento de 33,7% em relação ao verificado no mesmo período de 2009 (US$ 91,163 bilhões).

As exportações brasileiras somam, no ano, US$ 62,756 bilhões, com média diária de US$ 689,6 milhões, valor 26,9% superior à média diária registrada no mesmo período de 2009 (US$ 543,4 milhões). As importações totalizam US$ 59,112 bilhões, com média diária de US$ 649,6 milhões, um aumento de 41,7% na comparação com igual período do ano passado (US$ 458,4 milhões).

Na segunda semana de maio de 2010, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 952 milhões, segundo dados do Mdic. Em cinco dias úteis, as exportações somaram US$ 4,363 bilhões (média diária de US$ 872,6 milhões) e as importações, US$ 3,411 bilhões (média diária de 682,2 milhões).

Com o resultado da semana, no mês de maio, a balança comercial acumula superávit de US$ 1,469 bilhão. As exportações somam, no mês, US$ 8,366 bilhões, com média diária de US$ 836,6 milhões, o que representa um crescimento de 39,6% ante a média diária registrada em maio do ano passado (US$ 599,2 milhões) e de 10,4% em relação a abril último (US$ 758,1 milhões).

As importações totalizam, no mês, US$ 6,897 bilhões, com média diária de US$ 689,7 milhões, o que significa um incremento de 47,4% em relação à média verificada no mesmo mês de 2009 (US$ 468,1 milhões) e uma queda de 0,6% em relação ao desempenho médio das importações de abril (US$ 693,9 milhões).

Segundo relatório Focus, divulgado ontem, o mercado estima superávit de US$ 13,75 bilhões para 2010.


b) Negócios entre Brasil e Irã saltam mais de 75% neste ano

Depois de anunciar o financiamento de 1 bilhão de euros para a exportação de alimentos para o Irã em cinco anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o acordo visa facilitar os negócios entre os dois países. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) a relação bilateral cresceu 75,20% na comparação da corrente comercial dos primeiros quatro meses deste ano, com o mesmo período do ano passado. Não faz sentido que os negócios entre empresas iranianas e brasileiras dependam do crédito e da boa vontade de bancos estrangeiros, disse Lula.

Um dos principais desafios dos exportadores brasileiros é justamente a obtenção de crédito para vender ao Irã, pois os grandes bancos privados que têm negócios nos Estados Unidos temem retaliações do governo norte-americano se facilitarem a venda de produtos ao Irã.

As exportações nos primeiros quatro meses de 2010 já atingiram US$ 513 milhões, valor 62% superior aos US$ 316 milhões exportados pelo Brasil no mesmo período de 2009.

Para o professor da Faculdade Integradas Rio Branco, Alexandre Uehara, o acordo não irá modificar o comércio, uma vez que a colaboração é muito baixa.

Atualmente a relação econômica entre os países é muito pequena. Os produtos exportados são primários. Com o acordo, nós teríamos uma duplicação do valor das exportações em 5 anos, mas esse valor é um incremento pouco significativo. As vendas regulares ao Irã correspondem a US$ 1 bilhão anualmente. São somente 20% de acréscimos por ano, não haverá um incremento real significativo. O Brasil tem que procurar renovar a pauta de exportações, ampliar as relações de forma mais intensiva e agressiva, pontuou Uehara.


Investimentos

a) Brasil mantém 87ª posição em ranking de competitividade

O Fórum Econômico Mundial classifica o Brasil como um dos países mais fechados do mundo para o comércio internacional. Segundo o Fórum, o País ocupa pelo segundo ano consecutivo a 87ª posição no ranking de viabilidade comercial, divulgado em Genebra. O documento, no Brasil, foi elaborado em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), e traz a visão de empresários com relação às práticas de comércio internacional adotadas em 125 países durante 2009.

O Brasil conseguiu bom resultado ao manter a posição no ranking. Isso evidencia a força da economia brasileira, que não apenas recuperou-se muito rapidamente da maior crise internacional desde 1929, como também o fez sem necessitar de quaisquer medidas protecionistas sobre nossas atividades de comércio exterior, afirma Erik Camarano, diretor presidente do Movimento Brasil Competitivo.

De acordo com os resultados obtidos, as economias asiáticas (Cingapura e Hong Kong) continuam a ocupar as primeiras posições, seguidas pela Dinamarca, Suécia e Suíça. A Nova Zelândia sobe cinco posições, para o sexto lugar. Noruega, Canadá, Luxemburgo e Holanda completam a lista dos 10 países mais bem colocados. A Islândia entra pela primeira vez para o ranking, na 11ª posição, e a Finlândia cai para a 12ª posição. Nas últimas cinco posições, ficaram Venezuela, Zimbabue, Costa do Marfim, Chade e Burundi.

Do grupo das maiores economias mundiais, a Alemanha apresenta o melhor desempenho, na 13ª posição, à frente dos Estados Unidos, que caíram três posições, para 19º lugar. Entre o BRIC, o Brasil também perde para a China (48ª) e a Índia (84ª), mas fica à frente da Rússia (114ª).

Pesaram contra a avaliação do Brasil aspectos como a existência de barreiras tarifárias, os elevados encargos alfandegários, a má qualidade das estradas, a corrupção e a ineficiência do governo. Já as melhores notas foram obtidas pela rede de telecomunicações e serviços relacionados ao embarque de mercadorias, a importância no comércio de agronegócios, como a competência logística.

Camarano disse ainda que o fato de estar em 87º lugar não deve ser visto como um negativo. Isso demonstra, segundo ele, que o Brasil também é uma economia voltada ao mercado interno, que tem crescido de forma sistemática. Não faz sentido a comparação da posição brasileira com países extremamente pequenos, como Cingapura e Hong Kong, nos quais o fluxo de comércio supera em muitas vezes o Produto Interno Bruto destas regiões.

O dado positivo da manutenção do Brasil no ranking fica evidente quando verificamos que outros países emergentes, não só na América Latina, perderam posições. É o caso de Venezuela, Bolívia, Guatemala, Índia e África do Sul, completou o executivo.

Os resultados mostram a política de abertura de Hong Kong e Cingapura ao comércio e o investimento internacional como parte de suas estratégias bem sucedidas de desenvolvimento econômico, avalia o Fórum.

Os diversos pacotes de estímulo econômico adotados pelos governos mundo afora podem acabar levando ao protecionismo, alerta o Fórum. Com o crescente envolvimento do dinheiro público, se torna mais difícil agir de forma não discriminatória em relação às empresas e produtos estrangeiros, diz a entidade, em relatório. Segundo o Fórum, acaba parecendo natural, por exemplo, a busca por garantias de benefícios locais, já que o dinheiro dos contribuintes está sendo gasto. No entanto, essa postura prejudica os estrangeiros quem dependem de mercados abertos para seu sustento.

A entidade aponta que, mesmo tendo se comprometido em não repetir os erros de protecionismo do passado, 17 países do G-20 adotaram medidas para inibir o comércio, conforme levantamento do Banco Mundial. Entre elas, está a cláusula Buy American existente no pacote de estímulo dos EUA. Em contrapartida, o Fórum vê situações onde o protecionismo foi evitado ou até mesmo rejeitado. Autoridades no Brasil, por exemplo, não adotaram programas de licenças para importações antiquados.


Agronegócio

a) Crise grega chega ao açúcar e preços têm queda de 44,6%

O efeito da crise européia já chega às commodities agrícolas e o primeiro a sentir seus impactos negativos é o açúcar, que desde o início do colapso na Grécia apresentou queda de 44,6% nos preços. A Bolsa de Nova York aponta que em meados de abril o açúcar estava em 16 centavos de dólar por libra-peso até cair para os atuais 13,82 centavos de dólar por libra-peso. É uma queda significativa. O resultado é negativo porque a commodity geralmente compensa a valorização do dólar, disse Miguel Biegai Júnior, analista da Safras&Mercado.

De acordo com Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos da Archer & Consulting e especialista em derivativos agrícolas, o panorama de hoje deve ser somado à percepção do mercado em relação ao aumento da produção no Brasil e na Índia. Desde o início de fevereiro, a perda acumulada nos preços do açúcar é de 53%. E a última vez que assistimos o mercado desmoronar dessa forma foi em junho de 1975, explica Luiz Corrêa.

Ao fim de fevereiro, o contrato de julho estava cotado em 25 centavos de dólar por libra-peso, considerado preço topo e histórico do contrato, conforme afirmou Biegai. A oferta mundial, com destaque para Brasil e Índia, estava crescendo e o mercado percebeu até derrubar o preço. Em abril, a queda parou na casa dos 16 centavos de dólar por libra-peso por fatores intrínsecos do mercado global e justo para a comercialização, contou o especialista da Safras.

Biegai garante que, para agora, a crise não poderá impactar na comercialização brasileira, uma vez que o País vendeu açúcar a preços mais altos - cerca de 22 centavos de dólar por libra-peso - entre setembro e outubro do ano passado. Os produtores brasileiros atingiram bons patamares e, agora, estão tranquilos. Os efeitos da crise vão causar problemas na comercialização no fim deste ano e no início de 2011, projetou. E completa: Os principais compradores do Brasil são a Ásia e o Oriente Médio, que até agora estão comprando em um ritmo normal.

Questionado pelo DCI se o problema era exclusivo do açúcar, Biegai disse que a soja, o milho e outras commodities também apresentam baixas.

Steve Cachia, analista de commodities da Cerealpar, contou que: O pessoal está com um pé atrás, falou. Apesar do cenário assombroso, Cachia está otimista e afirmou que um dos ramos que mais vai receber injeção financeira será o setor agrícola, quando a crise passar. Acredito que no segundo semestre o pior já terá passado, e os investimentos já voltam com tudo, disse.

O especialista, que vive na Europa, elogiou o potencial brasileiro. Entre os países emergentes, o Brasil é um país bem visto aqui na Europa e passa por um crescimento interno, além de ser um bom fornecedor de matéria prima, pontuou Cachia.

Para Eduardo Leão de Sousa, diretor executivo da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), o impacto da crise gerou problemas no mercado de açúcar, de maneira geral, e com todas as outras commodities. É um movimento causado com certo pânico dos fundos. Foi uma surpresa muito grande, principalmente com a saída dos especuladores do mercado, afirmou o executivo.

Além disso, o que deve prevalecer no médio prazo são os fundamentos. Agora, a curto prazo, é fase de especulação, disse.

Na opinião de Leão de Sousa, o mercado de açúcar está sensível. Ainda não está refletindo. Vai depender mais da situação da Índia para o ritmo brasileiro ser ditado. A safra indiana se inicia mais para frente, em setembro, no norte do país, onde a produção é maior.

Na safra 2009/2010, a exportação de etanol ficou em: 3,1 bilhões de litros. Já a safra 2010/2011, segundo a Unica, será de aproximadamente 2 bilhões de litros. Será menor porque a demanda doméstica continua bem aquecida. Outro fato é que o preço de milho americano vai alcançar bons patamares, falou.

Leão de Souza disse que no momento atual é complicado dar estimativas, mas assegurou que: Embora seja cedo para falar em produção futura, o ritmo de crescimento que estávamos acostumados deve diminuir. No entanto, vai continuar em um ritmo mais vagaroso, comentou.

O efeito da crise européia já chega às commodities agrícolas, e o primeiro a sentir seus impactos negativos é o açúcar, cujos preços, desde o início do colapso na Grécia, apresentaram queda de 44,6%. É uma queda significativa. O resultado é negativo porque a commodity geralmente compensa a valorização do dólar, disse Miguel Biegai Júnior, analista da Safras&Mercado.

De acordo com Arnaldo Luiz Corrêa, gestor de riscos da Archer & Consulting e especialista em derivativos agrícolas, o panorama de hoje deve ser somado à percepção que o mercado tem do aumento da produção no Brasil e na Índia. Desde o início de fevereiro, a perda acumulada do preços do açúcar é de 53%. A última vez em que assistimos o mercado desmoronar dessa forma foi em junho de 1975, explica Luiz Corrêa.


Mercosul

a) Brasil tenta impulsionar pacto Europa-Mercosul em Madri

O principal interesse brasileiro na cúpula América Latina e Caribe - União Europeia (ALC-EU), é o relançamento das negociações para um acordo comercial entre Mercosul e UE. No entanto, as expectativas de um acordo de livre-comércio entre os blocos esbarram em barreiras colocadas por argentinos e por franceses.

As exportações européias para o bloco formado por Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai cresceram mais de 15% ao ano ao longo dos últimos quatro anos. No entanto, alegando que está em jogo os interesses agrícolas, nove países europeus - Irlanda, Grécia, Hungria, Áustria, Luxemburgo, Polônia, Finlândia, Romênia e Chipre - se uniram a Paris para protestar contra a decisão da UE de retomar as negociações com o Mercosul.

Em decorrência disso, os dez países pretendem abordar a questão durante uma reunião de ministros europeus da Agricultura em Bruxelas.

Apesar de ser uma decisão que corresponde à Comissão Europeia, lamentamos que esta tenha sido tomada sem um debate político prévio entre os países-membros da UE, afirmam os países no documento apresentado na semana passada. De acordo com a revista britânica The Economist, a esperança da Espanha - que atualmente ocupa a presidência rotativa da União Europeia - de que o encontro seja marcado por um relançamento das relações entre o bloco e a América Latina deve continuar a ser uma possibilidade distante, assim como o foi nas cúpulas anteriores. Segundo a revista, entre os principais motivos para isso estão as divisões internas da América Latina e a crise econômica que abala a Europa.

A falta de unidade dos latino-americanos já comprometeu o sucesso dos outros encontros, lembra a Economist. A publicação acrescenta que o fato de os países europeus ainda estarem mais preocupados em sair da crise econômica é outro fator que deve dificultar o estreitamento das relações.

Ao comparar este encontro com os anteriores, a revista ainda afirma que muita coisa mudou: Antes a Europa estava se expandindo, e a América Latina, em recessão. Agora acontece o contrário, informa a publicação.

A Economist ressalta que enquanto a relação comercial do bloco latino-americano com a China vem crescendo rapidamente, as trocas entre Europa e o continente vêm se dando num ritmo mais lento. Além disso, o balanço do poder global está começando a se mover para países como o Brasil.

Afirmando que as únicas certezas durante a cúpula é a assinatura de acordos comerciais entre UE, Peru e Colômbia, a Economist afirma que, no entanto, as discussões entre o bloco e o Mercosul não devem chegar a lugar algum, principalmente devido à resistência da França e da Argentina.

A Espanha espera uma presença em massa de líderes latino-americanos na cúpula. Confiamos na presença em massa e sustentamos que alguns dos presidentes que não confirmaram sua vinda estão organizando atos paralelos em Madri, diz Juan Pablo de Laiglesia, secretário de Estado ibero-americano.

A Espanha, que com a presidência rotativa da UE exerce o papel de anfitriã da reunião, quer que a cúpula represente um salto qualitativo das relações entre os dois grandes blocos em direção a uma associação estratégica.

Quatro países da União de Nações Sul-americanas (Unasul), Brasil, Equador, Venezuela e Bolívia, ameaçaram não ir à cúpula se Porfirio Lobo, presidente de Honduras, fosse. Estes países, da mesma forma que outros da América Latina, não reconhecem o presidente eleito a partir do pleito de novembro, depois do golpe que derrubou Manuel Zelaya. Lobo decidiu que não irá à cúpula, à qual tinha sido convidado, e limitará sua presença em Madri à reunião que a UE realizará com os líderes da América Central, na qual previsivelmente assinarão um acordo de associação.

O príncipe Felipe de Borbón, herdeiro da coroa espanhola, presidirá, no lugar do rei, Juan Carlos, o jantar dos chefes de Estado e de Governo participantes da reunião. Estava previsto o rei Juan Carlos ser o anfitrião no jantar, mas como ele se recupera de cirurgia, o príncipe fará as honras.


Organização Mundial do Comércio (OMC)

a) Acordo é chance de destravar Doha

A reunião de cúpula entre os líderes da União Europeia (UE) e da América Latina e Caribe (ALC), realizada em Madri, não teve resultados concretos para os dois grandes grupos regionais. Mas o encontro serviu de pano de fundo para que o Mercosul reabrisse as negociações com a UE e para que a ALC e países sul-americanos — como Colômbia e Peru — fechassem acordos de livre comércio com os europeus. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão da UE e do Mercosul de retomarem as negociações “pode ser um estímulo” para reabilitar a Rodada de Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Ali, o desafio é ainda maior e mais importante. Com um acordo bem sucedido e equilibrado, teremos uma ferramenta importante para combater a desigualdade”, disse Lula.

O brasileiro celebrou a retomada das negociações com a UE. “Espero que prevaleça o interesse maior e compartilhado de construir riqueza e prosperidade, de gerar mais comércio e investimentos, mais trabalho para os europeus e para cidadãos do Mercosul”, declarou. As negociações para um acordo de livre comércio entre os blocos começaram há 10 anos e estavam paradas há seis.

Franklin Trein, coordenador do Programa de Estudos Europeus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), crê que a reunião UE-ALC foi importante, “uma vez que Lula estava voltando de uma iniciativa de altíssimo risco político e da qual, mesmo não tendo colhido todos os frutos esperados, saiu-se bem”. “A oportunidade do encontro com líderes europeus e com nossos vizinhos permitiu-lhe transmitir detalhes do encontro em Teerã e passar o sentimento de que houve um avanço”, comentou Trein, em entrevista ao Correio, por e-mail. “O Brasil marcou pontos importantes com sua política de diálogo, de não intervenção, de respeito à soberania.”

Os centro-americanos assinaram com os europeus o primeiro acordo de livre comércio extra-regional da UE. No entanto, a próxima rodada de negociações com o Mercosul ficou para julho. “A dificuldade de se chegar a um acordo com o Mercosul se deve ao fato de que há conflitos de interesse muito maiores entre a UE e os países da parte sul das Américas. Nós concorremos com os europeus na produção agrícola, uma vez que nossos preços são inferiores e nossa capacidade de produção já chegou a volumes consideráveis”, destaca Trein.

Rodrigo Lima, gerente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), concorda. “O acordo do Mercosul é mais denso. Envolve propriedade intelectual e preocupação com o meio ambiente.” Para ele, europeus e sul-americanos devem convencer os setores nacionais relutantes. “É uma relação que pode se tornar ganha-ganha, mas precisa ser debatida a fundo.”

Um dos pontos mais difíceis da reunião UE-ALC foi o pedido dos presidentes latino-americanos aos colegas europeus para reconhecer os direitos dos imigrantes. “Vemos com muita preocupação o tratamento discriminatório aos imigrantes nos países desenvolvidos”, disse a presidenta argentina, Cristina Kirchner, que pediu ao bloco europeu para evitar “as leis discriminatórias” em relação à imigração.

A líder argentina ressaltou a tentação de culpar os trabalhadores estrangeiros pela crise econômica e lembrou que a maioria dos imigrantes ocupa postos de trabalho rejeitados pelos nacionais. Por sua vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pediu aos países da União Europeia (UE) que “deem um exemplo” na gestão da migração, com soluções justas e solidárias. “Como sociedades de imigrantes e emigrantes, muitos países que estão aqui precisam dar exemplo, encontrar soluções que atendam aos requisitos de justiça e solidariedade”, disse Lula, ao receber em Madri o prêmio Nova Economia Forum, em reconhecimento ao desenvolvimento econômico e à coesão social. O brasileiro destacou que a imigração é “um teste para a construção de nossas sociedades” e “um desafio para todos aqueles que acreditam no conceito da coesão social”.

Por sua vez, o premiê espanhol e presidente rotativo da UE, José Luis Rodríguez Zapatero, respondeu que "leva em conta" o impacto da crise sobre os imigrantes latino-americanos na Europa e disse que se "responsabiliza". A Espanha conta com 12% de população estrangeira e um quarto dela é formada por latino-americanos. O desemprego atinge 20% dos habitantes e 30% dos imigrantes.


Plano Internacional

a) China sente impacto de euro desvalorizado na exportação

O euro atingiu o valor mais baixo em relação ao dólar em quatro anos. No mesmo dia, o governo chinês informou que o enfraquecimento da moeda europeia tem impacto significativo para as exportações de Pequim.

O iuane subiu notavelmente em relação ao euro e esta apreciação vai prejudicar as exportações chinesas, disse Yao Jian, porta-voz do Ministério de Comércio chinês em entrevista coletiva.

O desapontamento sobre a crise de dívida da Europa levou os investidores a tirar dinheiro de ativos mais arriscados e colocá-lo em mercados mais seguros, como os de ouro e bônus asiáticos. O euro chegou a cair a 1,223 dólar, o menor nível desde abril de 2006.

O mercado entrou em modo de medo e estamos vendo linhas vermelhas em todo o cenário, disse Justin Smirk, economista-chefe do St George Bank. A moeda europeia já recuou mais de 7% contra o dólar neste mês, acumulando no ano recuo de 14%, a pior performance entre as principais moedas do mundo.

Segundo os dados emitidos pelo Banco Popular da China (PBOC, banco central chinês), a cotação oficial ficou nos 8,3815 iuanes por euro, inferior a 8,5351 registrados na sexta-feira, e que representa a relação mais baixa desde o final de 2002.

A União Europeia (UE) é o principal destino das exportações chinesas, à frente dos Estados Unidos e Japão, por isso que a evolução da moeda do bloco é um motivo de preocupação para o setor exterior do país asiático. Isto aumentará a pressão nos custos aos exportadores chineses e também terá um impacto negativo nas exportações da China aos países europeus, disse Yao.

Os principais mercados de ações da Europa fecharam em queda, mas próximos da estabilidade, devolvendo ganhos iniciais em meio à queda do euro com as preocupações referentes à crise da dívida na zona do euro.

Londres perdeu 0,01%, encerrando a 5.262,54 pontos. Paris caiu 0,47%, aos 3.543,55 pontos. O Dax subiu 0,17%, fechando em 6.066,92 pontos. O índice pan-europeu Stoxx 600, que subiu 4,8% no acumulado da semana passada, caiu 0,15%, encerrando o dia em 248,09 pontos. O fechamento também foi fraco nos mercados mais periféricos: Madri fechou em queda de 0,31%, a 9.286,10 pontos. Lisboa 0,10%, encerrando a sessão 7.018,64 pontos. Atenas caiu 1,43%, aos 1.634,61 pontos.

O mercado não parece estar convencido de que o pacote de 750 bilhões de euros em ajuda à zona do euro, aprovado na semana passada em Bruxelas, possa solucionar prontamente os enigmas da dívida, do déficit e da depressão, avaliaram estrategistas do ING.

O governo grego espera receber o primeiro aporte de 14,5 bilhões de euros do pacote de empréstimos concedido pela zona do euro para evitar a falência do país, segundo fontes do Ministério das Finanças grego.

Essa quantia é parte da ajuda de 30 bilhões de euros que o Eurogrupo fornecerá à Grécia neste ano, e que se soma aos 10 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 12 de maio, o FMI entregou pouco mais da metade de sua parte do pacote de resgate (5,574,8 bilhões de euros), com juros de 1,3% e 3,3%.

Com a ajuda externa, a Grécia terá condições de honrar o pagamento das obrigações de 9 bilhões de euros que vencem amanhã e quitar os salários e aposentadorias até junho, como garantiu o ministro das Finanças do país, Giorgos Papaconstantinou.

A imprensa grega informou que o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) abriram um escritório em Atenas a partir do qual vão supervisionar durante três anos os progressos do Executivo nas medidas de economia e a reforma econômica pactuadas como condição para entregar a ajuda.

A primeira inspeção deve ocorrer no início de junho. Na ocasião, serão examinados os cortes das maiores pensões, a reforma do mercado de trabalho, o melhor uso dos fundos europeus, as mudanças no sistema financeiro e a redução da despesa do sistema público de ferrovias.

Na próxima quinta-feira uma nova greve geral convocada pelos sindicatos será realizada no país para protestar contra as duras medidas de economia.

Especialmente, a greve dos trabalhadores portuários não permitirá a partida de navios das ilhas, o que afetará o importante setor turístico, que já sofreu mais de 30 mil cancelamentos em hotéis devido aos distúrbios vividos durante as manifestações.

A Grécia fixou o objetivo de reduzir o déficit fiscal em 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014, a partir 13,6% que foi registrado em todo o ano passado. Ontem, o governo grego disse que seu programa precisa de investimento para se desenvolver.


b) UE e América Central fecham acordo gradual para livre-comércio

Representantes de União Europeia (UE) e a América Central devem anunciar oficialmente pacto de livre-comércio entre as regiões. O acordo, considerado precedente histórico, foi assinado por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá e fecha um ciclo de negociações que começou em 2007.

A nota publicada no site do governo espanhol - anfitrião da cúpula América Latina e União Europeia realizada ontem em Madri - afirma que o acordo inédito resultará no livre-comércio entre a União Europeia e a América Central, apoiando a diversificação das exportações de bens, serviços e capitais. Segundo o documento, a participação de empresas espanholas nas novas oportunidades de negócios geradas pelo acordo potencializará o comércio bilateral como um importante motor de recuperação econômica.

O texto diz ainda que o acordo constitui um instrumento para o desenvolvimento social, econômico e político da América Central, lançando as bases para promover a integração do mercado centro-americano e a luta contra a pobreza. A União Européia, por sua parte, consolida os seus laços preferenciais por esta região, cuja posição geoestratégica a transforma em um sócio de inegável interesse, acrescenta o comunicado. A presidência espanhola conseguiu o acordo graças ao esforço, ao compromisso e à flexibilidade demonstrados pelas partes, fruto de uma vontade política compartilhada, ainda de acordo com o documento.

É um acordo abrangente, que inclui uma extensa liberação e regras fortes para o comércio bilateral e investimentos entre a UE e a América Central, disse Karel de Gucht, comissário europeu de comércio, em uma coletiva de imprensa.

O acordo vai abrir os mercados para produtos industrializados, e os carros europeus vão ter acesso gratuito à América Central por dez anos, disse a comissão. As taxas de exportação da banana vão diminuir por um período de dez anos, enquanto as cotas para a carne bovina e o arroz vão aumentar.

O acordo, que vai ser formalizado hoje no final do encontro, deve ser ratificado este ano. A UE e a América Central começaram as negociações para um acordo de comércio em 2007. Mas as negociações sobre outros acordos têm se arrastado há muito mais tempo.

O encontro dos ministros da UE e da América Latina, que começou na segunda-feira e termina hoje, prevê ainda a assinatura de mais um acordo de livre comércio, desta vez com a Colômbia e o Peru.


c) Economia do Japão reage e reduz temores

A economia japonesa registrou crescimento relativamente robusto -de 1,2%- no primeiro trimestre deste ano.

Mas a recuperação plena da pior crise que o país sofreu no pós-Guerra continua a depender fortemente da demanda internacional e da recuperação no consumo interno, que pode estar começando a oscilar.

Os dados preliminares sobre o PIB japonês divulgados ontem equivalem a crescimento anualizado de 4,9% -abaixo das previsões dos economistas, mas ainda assim uma refutação dos temores surgidos em 2009 de que a recuperação do país poderia se estagnar em 2010, ou até mesmo se converter em uma dolorosa recessão de duplo mergulho.

Natoo Kan, ministro das Finanças, recebeu positivamente os dados, afirmando que eles refletem uma recuperação econômica sólida, mas que era cedo demais para relaxar. Pode ser perigoso interpretar de forma muito positiva a estimativa preliminar japonesa quanto ao PIB, já que essa estatística muitas vezes sofre pesadas revisões posteriores.

No terceiro trimestre do ano passado, por exemplo, a estimativa inicial foi de expansão econômica de 1,2%, mas posteriormente o número foi revisado para uma contração, e agora um novo cálculo aponta para expansão de 0,1%.

No entanto, a estimativa para o primeiro trimestre não deixa dúvida de que o Japão continua a depender da demanda externa para seu crescimento.

No período, as exportações líquidas de bens e serviços responderam por 0,7 ponto percentual do avanço de 1,2 ponto ante o trimestre anterior. O Japão não é o único país a se beneficiar das exportações.

Taiwan anunciou crescimento anualizado de 13,27% em seu PIB, alimentado em parte por exportações de produtos de alta tecnologia à China. Muitas indústrias de Taiwan já estão produzindo no limite de sua capacidade e começam a investir em novas fábricas; o investimento do setor privado cresceu 37,1% ante 2009 -o maior salto em 35 anos.

Mas a dependência do consumo estrangeiro significa que os países exportadores do Leste da Ásia estarão vulneráveis a qualquer desaceleração na China, nos EUA ou na Europa.

Os dados ofereceram alguns sinais de que a recuperação japonesa estava se alargando, com crescimento em todas as categorias de demanda pública, entre as quais o investimento residencial, que caiu acentuadamente em 2009.

Mas o ritmo de crescimento do consumo privado ante o trimestre anterior caiu consideravelmente, o que sugere que o efeito dos programas de estímulo do governo para ampliar as vendas de bens de consumo e veículos começam a se dissipar.

Embora a produção industrial e outros indicadores continuem abaixo dos níveis anteriores à crise, a relativa robustez da recuperação vai alimentar os apelos para que o Japão comece a pôr em ordem a sua casa fiscal, por meio do controle do deficit governamental e de aumento de impostos.


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