09 a 13 de novembro de 2009

Comércio Exterior

Resultados
Saldo da balança comercial pende para os europeus
Nova missão quer fechar acordos com Angola
Itália quer acelerar acordo bilateral entre Brasil e UE

Agronegócio

Indústrias exportam usina chave na mão
Embarque de café sobe no ano, mas receita cai
Cargill e Dreyfus pagam R$ 288 mi por terminal
LD e Amaggi formam joint venture no mercado de grãos
Exportação brasileira de soja segue apetite chinês e tomba em outubro

Mercosul

União Europeia e Mercosul voltam a negociar acordo no início de 2010
Presidentes do Brasil e Argentina vão negociar fim de barreiras comerciais

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Camex divulga lista de 222 produtos dos EUA que podem sofrer retaliação

Plano Internacional

Venda de mísseis brasileiros ao Paquistão pode irritar Índia



Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 147 milhões na primeira semana de novembro, período entre os dias 1º a 8, o que significa que o Brasil importou mais do que exportou no período. A média diária foi negativa em US$ 36,8 milhões. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no ano, o superávit comercial acumulado é de US$ 22,45 bilhões.

Os valores da primeira semana de novembro ficaram abaixo do registrado na última semana de outubro, que teve superávit de US$ 89 milhões e média diária de US$ 72,2 milhões. Durante todo o mês de outubro, a média diária foi de US$ 63,2 milhões.

De acordo com os dados da balança comercial, as importações somaram US$ 2,75 bilhões, com média diária de US$ 688,3 milhões. Já as exportações ficaram em US$ 2,6 bilhões nesse período, correspondendo a uma média diária de US$ 651,5 milhões em compras.

No acumulado do ano, até a primeira semana de novembro, a balança comercial apresenta superávit de US$ 22,45 bilhões, valor que é 6,4% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, que apresentou uma média diária de US$ 105,9 milhões.

As exportações no ano já atingiram US$ 128, 48 bilhões, o que dá uma média diária de US$ 606,1 milhões, e as importações chegaram a US$ 106,03 bilhões, com média diária de US$ 500,2 milhões.

b) Saldo da balança comercial pende para os europeus

Embora o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) tenha apontado saldo positivo de € 3,3 bilhões para o Brasil no comércio com a UE, considerando os seis primeiros meses de 2009, dados relativos às relações comerciais franco-brasileiras mostram que até julho deste ano, o déficit comercial entre Brasil e França estava em US$ 310 milhões. Em 2008, o Brasil importou US$ 553 milhões a mais do que vendeu à França. Isso em um ano em que os dois países bateram recorde em transações comerciais, atingindo a marca dos US$ 8,8 bilhões.
A vantagem francesa fica mais nítida quando se compara o avanço das exportações globais do governo de Nicolas Sarcozy no ano passado, de 1,8%, com o crescimento das vendas para o Brasil, de 13,6%. As exportações do Brasil para a França ainda avançam lentamente porque nossa pauta está restrita ao predomínio das commodities, afirma Chyara Sales Pereira, professora do Departamento de Sociologia da PUC-MG e superintendente de Relações Internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Cerca de 65% das vendas brasileiras para a França são constituídas de produtos básicos. Inversamente, importamos da França principalmente produtos da construção aeronáutica e espacial, equipamentos para automóveis e produtos farmacêuticos. A França é reconhecida mundialmente no setor aéreo, com empresas de todos os portes e categorias, o que configura a formação de um extenso polo tecnológico e uma cadeia produtiva completa, justifica Hervé Coulomb, gerente do Setor de Aeronáutica e Aviação Civil da Ubifrance, em São Paulo.

A preocupação do governo brasileiro, no entanto, é que o acordo de cooperação bélica fechado com a França no início deste ano para a compra de helicópteros (€ 1,76 bilhão, entre 2010 e 2016) e submarinos (€ 4,32 bilhões, até 2021) agrave ainda mais a balança comercial, mesmo que a montagem de boa parte dos equipamentos aconteça aqui. A França é um parceiro estratégico pois é o quinto maior importador mundial e mercado de quase 2,4 mil exportadores brasileiros que usam o país como porta de entrada na Europa, uma vez que quando a mercadoria é colocada em livre circulação na França, ela pode ser negociada sem burocracia para o resto da UE.

Cerca 40% das exportações francesas para o Brasil são provenientes das matrizes e destinam-se diretamente às suas filiais instaladas aqui. Para o presidente da Câmara de Comércio França-Brasil, Louis Bazire e do banco BNP Paribas, os brasileiros ainda estão tímidos no interesse pelas negociações. O número de consultas feitas à Câmara sobre possibilidades comerciais entre os dois países cresceu substancialmente nos últimos anos, mas, sobretudo os franceses são maioria dos que nos procuram.

c) Nova missão quer fechar acordos com Angola

Em defesa do aumento das relações comerciais entre Brasil e os países do sul da África, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, está em em Luanda com 98 empresários de vários setores. Ele tem reuniões previstas com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e seis ministros.

A expectativa é muito boa. Nessas missões, a maioria dos empresários tem feito bons negócios e tem obtido bons resultados. Temos uma história de bons negócios com a África, disse o ministro. Somos mais próximos dos angolanos do que os chineses e americanos Temos um histórico de cooperação, isso é uma vantagem competitiva.

Durante reunião com os empresários, o embaixador do Brasil em Angola, Afonso Cardoso, apelou para que eles não concorram com os chineses nem os americanos em determinados nichos comerciais, mas busquem opções. O diplomata afirmou ainda que o mercado angolano é atraente e aberto, mas que o ideal é buscar aperfeiçoar a mão de obra e respeitar os costumes locais.

Cardoso disse que os angolanos têm muito orgulho da nação e destacou que, diferentemente de outros países da África, em Angola não há disputas étnicas. Apenas 4% da população angolana é formada de mestiços e brancos, o restante da população é negra.

Depois de 41 anos de luta, Angola desfruta da paz e da estabilidade, afirmou o embaixador. Mas por que os angolanos se acham diferentes? Em primeiro lugar, eles têm a riqueza de que nem todos os países africanos dispõem. E é um país que não tem disputas étnicas. O angolano é profundamente nacionalista.

Com uma economia dominada pela produção de petróleo e diamantes, o governo de Angola tem se dedicado a diversificá-la, estimulando a criação de um fundo de US$ 600 milhões. Segundo o embaixador, a produção de petróleo no país é de cerca de 2 milhões de barris por dia e de mais 10 milhões de quilates por ano de diamantes.

Esse é um país que tem um projeto de reconstrução nacional, que é ambicioso, e implica fazer muitos investimentos em infraestrutura física e também social, disse Cardoso. É necessário capacitar gente. Angola tem créditos brasileiros, de 1997 a 2008 há cerca de US$ 3 bilhões concedidos, mas a China já nos ultrapassou.

d) Itália quer acelerar acordo bilateral entre Brasil e UE

A Itália não está disposta a esperar os países-membros do Mercosul para construir um acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia (UE). Diante da indefinição dos parceiros dos brasileiros, e do horizonte de sucesso cada vez mais distante da Rodada Doha, o subsecretário italiano de comércio exterior, Adolfo Urso, afirmou ontem que vai pressionar a UE para entrar em entendimento bilateral diretamente com o Brasil, pulando a etapa de negociação entre os dois blocos, assim como os países europeus fizeram com o Chile, no ano passado, e buscam fazer com Coreia do Sul e Índia.
Segundo Urso, a proposta de acordo de livre comércio entre UE e Brasil será apresentada ao Conselho Europeu de Comércio pelo governo italiano no próximo dia 30 e tem boas chances de avançar. A Itália sempre sustentou posição de relançamento de um acordo comercial de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, que é vantajoso para a Europa e a área do Mercosul. Mas hoje isso está parado e é difícil relançar, por isso conversamos com o ministro Guido Mantega Fazenda e com o ministro-interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho o titular Miguel Jorge está em missão empresarial na África, sobre a hipótese de o Brasil entrar em uma negociação mais concreta, mais factível, mais fácil de fechar: um acordo bilateral entre UE e Brasil, disse Urso, que participou do Fórum Empresarial Brasil-Itália, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Presente ao evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à iniciativa ao elogiar a cooperação e o esforço de governos e empresas dos dois países para até triplicar nos próximos anos o atual fluxo comercial, de US$ 10 bilhões - apenas 1% do total de importações e exportações de Brasil e Itália. O presidente disse também que está otimista com a mudança de presidência da UE, que será assumida pela Espanha em 2010. É um país extremamente favorável para resolver as questões bilaterais.

O representante do governo italiano minimizou polêmica com Argentina e outros países do Mercosul por causa da costura de um acordo diretamente com o Brasil e não adiantou temas como redução de tarifas e queda de barreiras a produtos brasileiros na Europa. Os acordos entre países podem ser feitos sem afetar as negociações multilaterais. Na reunião do G-8 na Itália, em 2008, o Brasil demonstrou comprometimento para alcançar um acordo bilateral em 2010.

Já Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, acha que furar fila pode trazer complicações para o já complicado processo de negociação do Mercosul. Vai causar alguma polêmica, que o Brasil terá que enfrentar. E ninguém ainda mediu o efeito da entrada da Venezuela nas negociações multilaterais. Será um estranho num ninho já tumultuado, avalia Giannetti, acrescentando que o governo Chávez precisa superar várias dificuldades.

A Venezuela nunca negociou tarifa externa comum (TEC) dentro do bloco, imagina fora. É um país desalinhado do mundo em relação a cambio e tarifas aduaneiras, diz Giannetti. Segundo ele, o Brasil precisa se liberar das amarras do Mercosul, uma vez que as negociações em bloco estão cada vez mais difíceis de serem fechadas.

Sem revelar detalhes, Urso também sugeriu a adoção de negociação bilateral setorial entre UE e Brasil, caso o acordo comercial tenha dificuldade de ser implementado. A Fiat, que também é uma empresa brasileira, sugeriu trabalhar imediatamente por um acordo setorial para a indústria automotiva e toda sua cadeia da atividade, revelou. Na opinião de Giannetti, para um entendimento deste tipo ter relevância é preciso envolver várias áreas. O Brasil não vai querer abrir seu mercado automotivo se não conseguir espaço para elevar as exportaçõesde carne, frango e açúcar, produtos que enfrentam barreiras na Europa.

Diante de mais de 400 empresários brasileiros e italianos, a presidente da confederação italiana das indústrias, Emma Marcegaglia, disse que vai abrir uma sede da entidade em São Paulo para ajudar empresas a aproveitar oportunidades de negócio no país, principalmente nos campos de petróleo, energia, infraestrutura e projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada Rio 2016. O ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Claudio Scajola, declarou que o Fincantieri, maior estaleiro do país, está interessado em participar da renovação da frota de navios militares brasileiros. Ele acrescentou que espera que a carga de impostos sobre importações e exportações dos dois países seja minimizada.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participou do evento, afirmou, em discurso , que a revalorização do real em relação ao euro, calculada por ele em 23%, é vantajosa para os italianos. O real se valorizou mais que o euro, o que elimina prejuízos com tarifas de importação, que não são elevadas, afirmou. Segundo Mantega, as tarifas de importação brasileiras acabam sendo neutralizadas pela valorização do real. O ministro disse que prevê crescimento entre 6% e 8% para a economia brasileira no terceiro trimestre deste ano.

Agronegócio

a) Indústrias exportam usina chave na mão

As indústrias de base voltadas para a produção de equipamentos para o setor sucroalcooleiro estão ampliando as exportações de usinas prontas (chave na mão) para driblar a baixa demanda por novos projetos greenfield (construção a partir do zero) no Brasil atualmente.

A crise financeira pela qual as usinas passam levou empresas tradicionais, como a Dedini Indústria de Base, de Piracicaba (SP), e a Sermatec, de Sertãozinho (SP), a buscar clientes no mercado externo. Essas empresas estão fornecendo usinas para países da América do Sul e da África, que deram início a programas de biocombustíveis.

A Dedini acabou de entregar uma usina de álcool para o grupo Alur, no Uruguai, que só produzia açúcar, afirmou ao Valor Sérgio Leme, CEO do grupo. Segundo Leme, a queda das vendas no mercado interno forçou a empresa a buscar oportunidades no exterior. A empresa também firmou um contrato para fornecimento de uma refinaria de açúcar para a Nigéria.

A companhia recebeu recentemente três consultas para a construção de unidades produtoras fora do país. No mercado interno, há poucos negócios para projetos greenfield. Os pedidos ainda estão restritos à ampliação da capacidade de produção de açúcar das unidades já existentes, por conta dos bons preços da commodity no mercado internacional. Temos trabalhado apenas com os pedidos em carteira de 2007 e 2008, afirmou Leme.

Segundo o executivo, a empresa também participou de parte dos projetos de implantação de usinas de álcool na Venezuela, que está sendo tocado pela estatal petrolífera PDVSA, e trabalhou na implantação de destilarias em países da África. As exportações da Dedini já representam 10% do faturamento da companhia e deverão aumentar para 15%, considerando o aumento das vendas fora do país.

Também atingida pela crise das usinas sucroalcooleiras do país, a Sermatec está participando da construção da usina de álcool que a Odebrecht está erguendo em Angola com parceiros locais, afirmou Antônio Carlos Christiano, presidente da companhia. A empresa está fornecendo um difusor e moendas de cana.

A empresa, com sede em Sertãozinho, embarcou uma caldeira para cogeração de energia para uma usina mexicana, e também para uma unidade na Argentina, de acordo com Christiano. O executivo afirmou que nos últimos meses as exportações da companhia têm respondido por entre 45% e 50% do faturamento total da companhia. Antes, as vendas externas representavam entre 15% e 20%, no máximo.

Neste segundo semestre, as indústrias de base voltadas para o setor tiveram pedidos somente para ampliar a capacidade de usinas já em operação. Segundo Christiano, os pedidos para a construção de novos projetos só deverão ocorrer a partir do segundo trimestre de 2010, quando as usinas do Centro-Sul começam a moagem e terão dimensão dos possíveis investimentos.

Entre 2005 e 2008, foram anunciados cerca de 200 projetos de novas usinas no país. No entanto, somente metade deles realmente saiu do papel.

b) Embarque de café sobe no ano, mas receita cai

As exportações brasileiras de café verde e solúvel seguem firmes em volume neste ano, mas a receita com os embarques tem deixado a muito desejar, segundo levantamento mensal do Cecafé (Conselho dos Exportadores de café do Brasil).

No acumulado do ano até outubro, os embarques do grão atingiram 25,152 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento de 8% sobre igual período do ano anterior. A receita totalizou US$ 3,482 bilhões no mesmo período, com recuo de 8%. Em outubro, as exportações ficaram em 2,788 milhões de sacas, um recuo de 9,3%, com receita de US$ 414,9 milhões, baixa de 17,4%. O dólar em queda e os preços do grão no mercado internacional afetaram a receita, afirmou Guilherme Braga, diretor-executivo do Cecafé.

As vendas externas de café devem alcançar cerca de 30 milhões de sacas neste ano. A receita deve ficar entre US$ 4,3 bilhões e US$ 4,4 bilhões, afirmou. Segundo Braga, as exportações brasileiras de café têm se consolidado nos últimos anos entre 28 milhões e 30 milhões de sacas.

A expectativa para 2010 é de que os embarques não repitam o mesmo desempenho deste ano, uma vez que a colheita 2009/10 será menor, por conta da bianualidade da safra (produtividade baixa a cada dois anos). A produção está estimada em 39 milhões de sacas, segundo a Conab

c) Açúcar já paga 68% a mais que álcool hidratado no país

Os preços futuros do açúcar fecharam com forte alta, nas bolsas internacionais, sustentados pelas indefinições sobre o clima nas regiões produtoras de cana da Índia, segundo maior produtor mundial, atrás do Brasil. As incertezas sobre o período de monções naquele país colocam em dúvida se a colheita da próxima safra indiana poderá ser muito maior que a do ano anterior, segundo analistas de mercado.

Na bolsa de Nova York, os contratos de açúcar para janeiro encerraram a 18,54 centavos de dólar por libra-peso, com aumento de 39 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para dezembro fecharam a US$ 482,30 a tonelada, com aumento de US$ 9,60.

A forte valorização do açúcar tem estimulado a maior produção da commodity no Centro-Sul do país. No mercado doméstico, o açúcar está remunerando 57% mais que o álcool anidro. Em relação ao hidratado, o açúcar tem pago 68% mais, segundo levantamento feito na semana passada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Já o açúcar exportado remunera 5% mais que o negociado no país.

Estimativa da consultoria FCStone mostra que o déficit global de açúcar deverá ser de 6,1 milhões de toneladas para a safra 2008/09, que se encerra em setembro. A previsão anterior era déficit de 4,7 milhões de toneladas. O consumo mundial deve ficar em 162 milhões de toneladas, aumento de 1,5% sobre o ciclo passado. A produção deverá ser de 155,9 milhões de toneladas, recuo de 8% sobre 2007/08.

Segundo Bruno Zaneti, analista de açúcar da FCStone, os preços da commodity no mercado futuro seguem sustentados pelas posições compradas dos fundos. Há, contudo, um descolamento dos futuros sobre o mercado spot (físico), considerando que o avanço da colheita no Centro-Sul do Brasil tira o suporte sobre as cotações.

Em São Paulo, a saca de 50 quilos fechou a R$ 41,23, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, a valorização atinge 3,73%.
Com os preços atraentes do açúcar, o Brasil deverá bater recorde exportação nesta safra, abocanhando cerca de 50% do mercado mundial, um salto de 10 pontos percentuais sobre o ciclo anterior. Neste primeiro semestre, os embarques de açúcar e de etanol, aumentaram 26,4% em receita sobre o mesmo período de 2008, atingindo US$ 3,8 bilhões. Em volume, os embarques de açúcar atingiram 10,4 milhões de toneladas, 37% mais que janeiro a junho de 2008. As exportações de álcool ficaram em 1,45 bilhão de litros, recuo de 25%, informou a Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar).

d) Cargill e Dreyfus pagam R$ 288 mi por terminal

O consórcio formado pelas multinacionais Cargill e Dreyfus, com o ágio de R$ 221 milhões, vai explorar o terminal de 48 mil m2 na margem esquerda do porto de Santos, destinado ao embarque de granéis vegetais sólidos, preferencialmente soja, em grão e farelada, e milho. Esse valor representa acréscimo de 230% ao mínimo exigido pela Codesp, de R$ 67 milhões, para entregar a área ao setor privado. Explorada unicamente pela Cargill durante 23 anos, o local representa uma das raras oportunidades para o desenvolvimento de logística diretamente ligada à água na região de Santos, cidade supervalorizada nos últimos anos pelo aumento do comercio exterior brasileiro e agora pelo potencial das operações do pré-sal.

Apesar dos mais de 30 editais vendidos pela Codesp, concorreram apenas quatro grandes grupos, todos com valores bem aquém do vencedor. O segundo postulante, o grupo suíço Volcafé, ofereceu R$ 98,3 milhões; o inglês Wilson, Sons Logística fez proposta de R$ 65 milhões; e Noble Brasil, com raízes na Ásia, R$ 63,8 milhões.

O projeto técnico da proposta vencedora, de 190 páginas, ficará à disposição dos concorrentes por cinco dias para eventuais tentativas de impugnação, caso encontrem alguma irregularidade no processo. O diretor Carlos Koppitke, da Codesp, acredita que, vencida essa etapa e a da habilitação, o contrato seja assinado ainda este ano. No total, Cargill e Dreyfus vão aportar aos cofres da Codesp cerca de R$ 288 milhões, dos quais os R$ 221 milhões serão à vista. O valor é o equivalente a cerca de 80% das receitas operacionais da estatal em um ano normal de atividades.

A união dos dois grupos, que atuam em commodities agrícolas mundialmente, faz parte da estratégia de consolidação e expansão das atividades no porto de Santos. Com um contrato de 25 anos, renovável por mais 25 anos, a Cargill retira qualquer desconfiança que poderia existir entre os clientes de continuar onde está, ao lado de outra área, de mais de 70 mil m2, explorada pelo Terminal de exportação de açúcar de Guarujá (Teag). As duas empresas participam do terminal de açúcar. Na composição acionária do Teag estão Cargill, Cristalsev, Hipercon e Plínio Nortari. A Dreyfus participa do Teag desde a aquisição da usina Santa Elisa Vale, principal acionista da Cristalsev. Ainda em Santos, a Dreyfus atua em um pool no corredor de exportação de granéis sólidos (soja e farelo), ao mesmo tempo em que iniciou a exportação de sucos cítricos concentrados e não-concentrados em outro terminal.

Para José Luiz Glaiser, diretor da Cargill, a possibilidade de continuar a explorar a área já dá a perspectiva de conseguir um recorde de embarques em 2010. Queremos chegar a quatro milhões de toneladas de grãos, diz o executivo. A melhor performance anterior foi em 2007, com 3,8 milhões de toneladas. O preço que colocamos embute uma visão de futuro. Foi também a maneira de nos posicionarmos ante a concorrência, queríamos evitar surpresas, assegura.

A possibilidade de uma futura junção com a área vizinha, do Teag, não é descartada por Glaiser, apesar da diferença nos prazos de vigência dos contratos de arrendamento das duas áreas. Em 2016 será concluído o prazo de 10 anos do contrato do Teag, que poderá ser renovado por mais dez. O terminal leiloado tem contrato de 25 anos. Faz mais sentido trabalharmos juntos do que separados.

A atual sinergia entre os terminais de Cargill e do Teag deverá sofrer alguma alteração com o novo arrendamento. O edital do processo determina que o vencedor faça obras que levem à independência operacional da área, com estimativa de custo de R$ 13 milhões. Durante essas obras, o terminal licitado sofrerá interrupção em suas operações.

Entre os argumentos destacados para a valorização da área licitada, segundo Carlos Kopittke, da Codesp, estão o fato de ser um terminal privativo, facilidades de acesso rodoviário e ferroviário e a proximidade de aumento do calado do porto, que deverá passar para a média de 15 metros, ante os 12 metros atuais. Esperávamos, sim, grande disputa pela área, dada a expectativa de crescimento das operações do porto, afirmou.

O consórcio vencedor, em razão dos investimentos imediatos que terá de fazer na área, ficará com um ano de carência para apresentar os resultados previamente exigidos pela Codesp. No segundo ano do contrato a movimentação mínima será de 1,25 milhão de toneladas, volume que cresce até o décimo quinto ano, com 3 milhões de toneladas, estabilizando-se em seguida. Por essa cláusula, mesmo que o terminal não consiga cumprir o estipulado terá de pagar à Codesp o correspondente ao volume acertado. As metas do consórcio são bem superiores.

e) LD e Amaggi formam joint venture no mercado de grãos

A multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities e a Amaggi, empresa do grupo brasileiro André Maggi, anunciaram a criação de uma joint venture - a Amaggi & LDCommodities - para explorar o mercado de grãos da região de cerrado dos Estados da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins, a já conhecida nova fronteira agrícola que mais vem crescendo no país nos últimos anos.

Em teleconferência com jornalistas, as parceiras afirmaram que a joint venture deverá faturar R$ 700 milhões e movimentar 1 milhão de toneladas de soja e milho em cinco anos. Ao Valor, Pedro Jacyr Bongiolo, presidente do André Maggi, explicou que a nova companhia não produzirá os grãos. O foco é a originação dos produtos, ponto forte do grupo com sede em Rondonópolis (MT), e a logística. Pelo menos inicialmente, os volumes previstos serão voltados ao mercado externo.

Para cumprir seus objetivos, a Amaggi & LDCommodities pretende investir US$ 100 milhões em armazéns e instalações portuárias em sua área de atuação. No primeiro ano, disse Bongiolo, os negócios ficarão concentrados na Bahia, até porque a joint venture já nasce com dois armazéns para 60 mil toneladas cada no Estado - em Luis Eduardo Magalhães e em Correntina. E como o foco estará na Bahia, a ideia é partir com exportações concentradas nos portos de Aratu (BA) e Tubarão (ES).

Mas por que dois grupos que há anos estão em franca expansão uniram forças para atuar em uma área de grande potencial e espaço para tacadas individuais, já comprovadas pela presença de outras grandes tradings multinacionais? Conforme Bongiolo, exatamente pelo fato de que ambas estavam apenas começando a operar por lá, e que as sinergias existentes nesse caso tendem a acelerar a expansão.
É uma região onde serão produzidas 6 milhões de toneladas no horizonte que falamos cinco anos, então representa um market share para a joint venture de 15%, afirmou Kenneth Geld, presidente da Louis Dreyfus Commodities do Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura, no ano que vem os quatro Estados, juntos, deverão colher 5 milhões de toneladas de soja. O volume de 1 milhão de toneladas previsto pelos sócios representa pouco mais de 10% do que as companhias já movimentam hoje no país.

Na safra que está sendo plantada agora (2009/10), a movimentação de grãos da nova companhia está projetada em 300 mil toneladas. A Amaggi & LDCommodities terá estruturas administrativa e comercial próprias, e cada parceira terá 50% de participação. O investimento de US$ 100 milhões previsto deverá fomentar a construção de dez estruturas de armazenagem. No futuro, as sócias admitiram que poderão ter esmagamento conjunto de grãos para produção e exportação de derivados.

Em 2009/10, tanto LD quanto Amaggi estimam elevar também os respectivos volumes de grãos movimentados individualmente, sem considerar a parceira. A LD, cujo avanço recente foi turbinado por negócios na área sucroalcooleira e que faturou US$ 4 bilhões em 2008, espera ampliar o volume de soja movimentado de 4,5 milhões para 5 milhões de toneladas, e o de milho de 1,5 milhão para 2 milhões de toneladas. Já a Amaggi, que deverá faturar US$ 2,5 bilhões em 2009, espera expandir a originação total de 4,5 milhões para 5,2 milhões de toneladas.

O grupo André Maggi começou há pouco tempo sua expansão internacional - abriu um escritório em Roterdã (Holanda) em 2008 e é parceira da norueguesa Denofa e da japonesa Marubeni -, e acredita que a associação com a LD também será importante para acelerar sua expansão no front externo.

No país, onde está em expansão com novos escritórios no Paraná e no Rio Grande do Sul, a Amaggi conta com três esmagadoras. Já a Dreyfus tem no Brasil quatro fábricas processadoras de oleaginosas, três de laranja e dois terminais portuários, além da divisão de açúcar e álcool, que recentemente incorporou a usina paulista Santelisa Vale.

Na terça-feira, a LD ganhou, em parceria com a americana Cargill, a concorrência para operar o terminal de grãos do Guarujá (SP), que era da Cargill antes de a concessão expirar.

f) Exportação brasileira de soja segue apetite chinês e tomba em outubro

Dois levantamentos divulgados mostram como o mercado chinês é importante para a soja brasileira. No Brasil, o Ministério da Agricultura divulgou os resultados da balança do campo em outubro e um dos grandes destaques negativos foi o forte recuo das exportações de soja em grão; na China, novos números de importações mostraram uma forte queda das compras do mesmo produto no exterior no mesmo mês.

Os embarques brasileiros do agronegócio alcançaram US$ 5,475 bilhões no mês passado, 17,3% menos que em outubro de 2008. No caso do complexo soja, que no mês perdeu a liderança das exportações do agronegócio para carnes e açúcar e álcool, o recuo foi de 33,8% na mesma comparação, para US$ 769,3 milhões. Superaquecida no primeiro semestre por causa da forte demanda chinesa, o recuo já era previsto por analistas.

E a demanda chinesa, seguindo uma estratégia bem definida e executada pelo governo do país, voltou a decepcionar. Em outubro, as importações do gigante recuaram pelo quarto mês consecutivo, para o menor patamar em um ano. foram 2,52 milhões de toneladas, pouco menos da metade do recorde mensal atingido em junho (4,7 milhões de toneladas. Mas agora que a entrada da safra (2009/10) dos Estados Unidos no mercado ganhou ritmo e os preços caíram - também por causa da redução das compras da China -, o gigante asiático deverá voltar às compras, conforme estimam analistas.

As cotações do grão recuperaram as perdas de terça-feira na bolsa de Chicago, em parte causadas por novas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a produção no país e no mundo em 2009/10, que serão recorde. Os contratos para janeiro fecharam a US$ 9,72 por bushel, alta de 4 centavos de dólar.

A produção mundial da oleaginosa deverá somar 250,23 milhões de toneladas, 1,7% mais que o estimado em outubro e 18,7% acima da safra 2008/09.

Mercosul

a) União Europeia e Mercosul voltam a negociar acordo no início de 2010

O Mercosul e a União Europeia (UE) vão fazer uma nova reunião no início do próximo ano para tentar relançar a negociação do acordo de livre comércio birregional, que poderia ampliar em alguns bilhões de dólares suas exportações. A ideia é de, uma vez retomada a barganha, fechar o acordo super-rapidamente.
Depois de três dias de reunião em Lisboa, encerrada na sexta-feira, negociadores dos dois blocos concluíram que ainda havia distância considerável de expectativas. Mas saíram com o acerto de nova reunião, estimando que vale a pena continuar tentando aproximar as posições, ainda mais que os setores econômicos, sobretudo da UE e do Brasil, querem concluir o acordo em 2010, bem mais do que no passado.

O setor automotivo europeu, por exemplo, indica que prefere muito mais um acordo com o Mercosul do que com a Coreia do Sul. A indústria europeia tenta convencer os Estados-membros a não dar aval para o acordo já negociado com os coreanos. A preferência ao bloco do Cone Sul favorece montadoras europeias, enquanto o acordo com os coreanos abre o mercado europeu para alguns de seus principais concorrentes, com preços bem mais baixos.

Os europeus se mostram mais flexíveis sobre os parâmetros para a retomada da negociação. Quando a negociação foi suspensa, há cinco anos, o Mercosul tinha recuado na área automotiva e reduzido a cobertura do acordo de 90% para 74% do comércio bilateral. Até recentemente, Bruxelas insistia que só voltava a conversar se a cobertura de 90% fosse restabelecida.

Agora, segundo fontes brasileiras, os europeus parecem dispostos a aceitar cobertura menor até porque o próprio conceito do que isso significa continua nebuloso. Afinal, argumenta o Mercosul, o percentual de 90% para liberalização poderia ser alcançado facilmente se Bruxelas abrisse mais o comércio agrícola, em vez de insistir em comércio administrado com o bloco através de cotas (limita a quantidade dos produtos que entram em seu mercado).

Ficou claro, e sem surpresas, em Lisboa, a persistente e grande diferença nas expectativas de ganhos na área agrícola, enquanto o setor industrial brasileiro sinaliza com novas ofertas de maior abertura do mercado.

Também parece evidente para negociadores que um acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul incluirá ofertas diferenciadas do bloco do Cone Sul. Ou seja, o Brasil fará mais concessões aos europeus do que a Argentina. Mas essa questão da diferenciação, e seu percentual, não vão aparecer na retomada da negociação, e sim no fechamento do acordo.

Na sexta-feira, coincidindo com o fim da reunião UE-Mercosul em Lisboa, Bruxelas divulgou um estudo mostrando que os exportadores europeus enfrentam mais de 200 novas barreiras comerciais restritivas desde o começo da crise econômica global.

A Argentina é o segundo país com mais barreiras contra produtos europeus, num total de 35, comparado a cinco do lado brasileiro. Só a Rússia supera os argentinos e, número de barreiras, com 43 medidas.

b) Presidentes do Brasil e Argentina vão negociar fim de barreiras comerciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá só na semana que vem as propostas de seus ministérios para encerrar os atritos com a Argentina provocados pelas barreiras comerciais levantadas pelos dois países. Se optar pelas preferências do Ministério do Desenvolvimento, levará ao encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a exigência de um cronograma e medidas imediatas para eliminar obstáculos burocráticos criados para exportação de produtos brasileiros, como móveis.

Cristina Kirchner já indicou que considera violações do acordo do Mercosul as exigências de licença prévia a cerca de 35 produtos argentinos impostas pelo Brasil desde o mês passado. Laminados de madeira são um dos itens dessa lista de produtos com dificuldades de entrar no mercado brasileiro, e um exemplo de como as exigências brasileiras são uma retaliação aos entraves impostos pelos argentinos ás vendas brasileiras.

Desde o início do ano, os fabricantes de móveis do Brasil são obrigados a pedir vistos no consulado da Argentina para vender suas mercadorias no país vizinho, o que aumenta os custos e dificulta as operações de pequenos e médios comerciantes do Brasil. Os insistentes pedidos de Brasília para a eliminação dessa exigência ficaram sem resposta, e, por isso, laminados de madeira, usados pela indústria moveleira, foram submetidos a licenças prévias por parte do governo brasileiro, atrasando a entrada no Brasil.

Nesta segunda-feira, as equipes dos ministérios do Desenvolvimento e das Relações Exteriores se reunirão em Brasília para decidir que propostas levarão a Lula, para o encontro com Cristina. No começo da semana, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, reuniu-se no Rio com o ministro de Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, com quem discutiu a elaboração de uma proposta comum, a ser apreciada pelos presidentes. O governo brasileiro não havia chegado a uma decisão sobre o que apresentar aos argentinos.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, é favorável a um tratamento severo em relação aos argentinos, com o argumento de que o sistema de controle das licenças prévias no país vizinho, não informatizado, dificilmente permitirá liberação rápida das licenças aos brasileiros, o que gera insatisfação no setor privado e alimenta pressões no Brasil para medidas semelhantes de contenção de concorrentes argentinos. Os produtores de maçã, por exemplo, conseguiram incluir o produto entre os 35 listados pelo governo para submissão a licenças prévias, o que retém embarques na fronteira.

Amorim tem um problema adicional. Um de seus principais negociadores, o embaixador Ênio Cordeiro, está designado para a embaixada do Brasil em Buenos Aires, o que o deixa em situação delicada. Hábil negociador, um dos principais responsáveis pelo acordo que aliviou os atritos entre Brasil e Paraguai com as exigências paraguaias sobre a energia de Itaipu, Cordeiro terá seu trabalho prejudicado se provocar forte atrito com as autoridades argentina antes mesmo de ocupar seu posto na capital argentina.

Os argentinos já receberam queixa dos brasileiros sobre os efeitos políticos das barreiras contra as mercadorias do Brasil. Afetados por restrições do vizinho, setores industriais pedem proteção contra a concorrência argentina. A inclusão das autopeças na lista dos 35 produtos, por exemplo, é reação à administração lenta das liberações de exportações brasileiras do setor ao sócio no Mercosul. Essa medida, segundo avaliam analistas do governo brasileiro, pode trazer danos à estratégia argentina de industrialização, já que, na incerteza sobre o fornecimento de peças, a indústria automotiva pode preferir deslocar maior parte da produção ao Brasil, mercado maior da região.

O Itamaraty, embora disposto a aumentar o tom na discussão, insiste na necessidade de maior compreensão para as dificuldades políticas do governo Kirchner, com baixa popularidade e difícil relacionamento com o setor privado. O Ministério do Desenvolvimento vem argumentando que, se são permitidas licenças prévias no comércio entre os dois sócios, essa permissão deve valer para todos. Lula, irritado com as queixas frequentes dos empresários em seu gabinete, resolveu arbitrar em favor do endurecimento no trato com os argentinos.

Apesar da forte repercussão política nas complicações entre os dois lados, com repercussão em setores industriais de grande visibilidade, o impacto real das barreiras brasileiras é pequeno - na semana passada contabilizavam-se cerca de U$ 50 milhões em licenças de importação para produtos argentinos retidas nos gabinetes de Brasília, menos de 1% das importações brasileiras daquele país previstas para este ano.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC)

a) Camex divulga lista de 222 produtos dos EUA que podem sofrer retaliação

Está aberta, até 30 de novembro, a consulta pública sobre a lista com 222 itens tarifários importados dos Estados Unidos que podem ter tarifas elevadas em até 100 pontos percentuais no âmbito da retaliação contra produtos daquele país. A secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, informou que, depois de encerrada a consulta, um grupo de análise técnica vai levar suas sugestões aos ministros até 10 de dezembro. O objetivo é iniciar a retaliação em janeiro.

Em 31 de agosto, o Brasil foi autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) a retaliar produtos americanos porque foram julgados irregulares os subsídios do governo daquele país aos produtores de algodão. Considerando o valor dos bens, a lista divulgada ontem envolve 10,6% das importações de produtos americanos em 2008 e alcança US$ 2,7 bilhões.

De acordo com os limites da retaliação definidos pela OMC, o valor total é de aproximadamente US$ 900 milhões, sendo metade em bens e o restante em retaliação cruzada em serviços e propriedade intelectual. A Camex também determinou que o teto das tarifas extras é de até 100 pontos percentuais. Lytha revelou que a Camex ainda não decidiu se vai usar essa retaliação cruzada, o que exigiria a publicação de medida provisória.

Em dezembro, os sete ministros que integram a Camex receberão, portanto, uma proposta de lista reduzida para decidirem o início da retaliação de aproximadamente US$ 450 milhões em bens. A câmara é integrada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fazenda, Planejamento, Casa Civil, Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento Agrário.

A secretária-executiva da Camex explicou que, ao elaborar a lista preliminar de 222 itens, o objetivo do governo foi dar seguimento à decisão da OMC no caso dos subsídios americanos que prejudicaram os exportadores brasileiros de algodão. Ao mesmo tempo, procurou evitar perdas à produção e aos consumidores. Isso ocorreria se tornasse mais cara a entrada de máquinas e equipamentos e insumos para a produção industrial. Dessa maneira, dos 222 itens que integram essa versão preliminar da lista, 64% são produtos finais e os restantes são bens intermediários. Além de insumos e bens de capital, o governo procurou excluir da retaliação contra mercadorias americanas itens que não podem ser comprados no mercado interno ou em outros fornecedores.

De acordo com a balança comercial, as exportações para os EUA foram de US$ 12,92 bilhões de janeiro a outubro, o que representa queda de 45,9% sobre o valor do mesmo período em 2008. Nas importações, foram US$ 16,75 bilhões, o que representa redução de 22,7% sobre os mesmos dez meses de 2008.
A lista preliminar tem 222 itens porque a importação de produtos americanos relacionados ao algodão foi de aproximadamente US$ 60 milhões em 2008, valor insuficiente para a retaliação de US$ 900 milhões a que o Brasil tem direito.

Lytha ressaltou que a lista de 222 itens poderá ser aperfeiçoada, mas a versão preliminar divulgada ontem traz uma série de alimentos, medicamentos, cosméticos, plásticos, pneus, algodão, tecidos, vestuário, motores, congeladores, pilhas elétricas, fogões, microfones, alto-falantes, televisores, automóveis, motocicletas, barcos, lentes de contato, óculos de sol, materiais e aparelhos médicos, próteses, geradores de raio x, relógios de pulso, móveis de plástico etc.

Para a secretária-executiva da Camex, as empresas interessadas em sugerir alterações na lista de bens americanos que podem ter elevação da tarifa de importação, deverão dar preferência à manifestação por meio de suas entidades de representação.

Se a Camex aprovar a retaliação, medida esperada para dezembro, será a primeira vez que o Brasil usará esse tipo de reação autorizada pela OMC. Em duas outras oportunidades o país preferiu não retaliar. A primeira delas envolveu a disputa com o Canadá por subsídios à exportação de aeronaves. A segunda poderia ser uma reação à Emenda Byrd, norma que autorizava o governo americano a distribuir entre as empresas interessadas recursos decorrentes de direitos compensatórios e de antidumping.

Plano Internacional

a) Venda de mísseis brasileiros ao Paquistão pode irritar Índia

Avalizada em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a exportação de mísseis fabricados pela companhia brasileira Mectron ao Paquistão poderá se transformar em nova dor de cabeça para o governo. A empresa estaria em negociações com Islamabad para a venda de mais um lote desse armamento ao Paquistão, país que tem como inimigo e alvo a Índia, parceira estratégica do Brasil e sócia em dois foros emergentes.

Ainda não tenho notícias desse negócio. Não recebemos nenhum pedido de autorização. Mas, se aparecer, cada dia com a sua agonia, afirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, após confirmar a transação entre a Mectron e o Paquistão no ano passado. 

A venda de um lote de cem mísseis, em 2008, teria totalizado 85 milhões, segundo a Folha de S. Paulo. Mas os dados desse comércio foram omitidos das estatísticas oficiais brasileiras por se tratar de um bem altamente sensível, como explicou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Como se trata de uma exportação controlada pelo governo, o processo foi submetido à avaliação do Itamaraty, que desaconselhou o negócio por seu potencial de criar problemas bilaterais entre o Brasil e a Índia. 

O Ministério da Defesa, a outra área do governo que deve se manifestar sobre o Comércio Exterior de armas e munições, deu seu aval. Diante do impasse entre os dois ministérios, a questão foi levada ao presidente Lula, que liberou o embarque.

Jobim justificou que, como o contrato já havia sido firmado e submetido à Câmara de Comércio Exterior, teria de ser honrado. Na ocasião, as reclamações encaminhadas pela Índia ao Brasil acabaram contornadas com o argumento de que Nova Délhi também poderia se valer do Brasil como provedor de mísseis e os EUA fornecem armas para Índia e Paquistão. Em 2008, as reclamações não chegaram a repercutir no andamento dos projetos bilaterais nem no encaminhamento do Foro Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e do Foro Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), duas das frentes de convergência de economias em desenvolvimento.

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