20 a 24 de abril de 2009

Comércio Exterior

Resultados
China pode passar EUA como parceira comercial do Brasil
Brasil estuda financiar exportações para Teerã
Brasileiro reduz investimentos no exterior
Exportações fracas farão produção industrial cair 4,5% este ano, diz Ipea
Fiesp vê queda de 38% em exportação até junho

Agronegócio

Brasil propõe barganha de carnes por trigo à Rússia
Cotações agrícolas seguem o petróleo e recuam no exterior
Exportação de gado
China cobra melhor qualidade do Brasil
Chile volta a comprar carne do Brasil
Embarques em alta
Produção de grãos deve cair 10,4% este ano

Mercosul

Cai fatia argentina no mercado de grãos
Polo tecnológico de MG busca mercado uruguaio
Barreiras comerciais da Argentina não preocupam, diz Lula

Plano Internacional

Só Trinidad e Tobago assina declaração final
PIB do Brasil cairá 1,3% neste ano, prevê FMI
Japão tem o 1º déficit na balança em 28 anos



Comércio Exterior

a) Resultados

O superávit da balança comercial deve superar US$ 2 bilhões no fechamento de abril. Esse seria o melhor resultado mensal deste ano. Especialistas já notam uma retomada da corrente de comércio mundial e acreditam que o saldo comercial deste mês deve superar a cifra obtida em abril do ano passado, de US$ 1,738 bilhão, quando foi prejudicada pela greve dos auditores fiscais da Receita Federal.

O início da safra da soja e a redução das importações, em relação às exportações, devem contribuir para alavancar o superávit da balança comercial deste mês, acredita o vice presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. No mês passado, o saldo havia ficado superavitário em US$ 1,771 bilhão.

No acumulado de abril, até a terceira semana, o superávit da balança comercial somou US$ 1,665 bilhão, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Apenas na terceira semana, entre os dias 13 e 19, o saldo comercial ficou superavitário em US$ 328 milhões, resultado das exportações de US$ 2,756 bilhões e importações de US$ 2,428 bilhões.

No acumulado de abril, as exportações somam US$ 7 bilhões e as importações, US$ 5,336 bilhões. Tal resultado representa uma corrente de comércio de US$ 12,337 bilhões. Em razão da crise mundial, a previsão do governo é de que as exportações brasileiras neste ano alcancem US$ 160 bilhões, valor 20% menor que o registrado no ano passado.

O economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria, vê uma retomada modesta da corrente de comércio mundial. Calcula um saldo comercial de US$ 2,1 bilhões para o fechamento deste mês. Pelas estimativas do economista, as exportações devem somar US$ 11,2 bilhões e as importações, US$ 9,10 bilhões. Em abril do ano passado, as vendas tinham somado US$ 14,1 bilhões e as compras, US$ 12,3 bilhões, o que resultou em superávit acima de US$ 1,7 bilhão.

Roberto Troster, economista da Consultoria Integral, concorda que a economia mundial mostra pequenos sinais de recuperação, mas prefere esperar mais tempo para confirmar a tese.

Tanto no Brasil como no exterior já existem indicadores com dados positivos disse Troster.

b) China pode passar EUA como parceira comercial do Brasil

Com o crescimento das exportações para a China, o país asiático pode tomar dos Estados Unidos o lugar de principal parceiro comercial do Brasil. O fechamento das portas comerciais norte-americanas levou o governo e os empresários brasileiros a encarar o consumo chinês como uma oportunidade de reduzir os danos da queda do intercâmbio global de produtos e serviços.

No primeiro trimestre deste ano, a corrente de comércio (exportações mais importações) com a China somou US$ 7,011 bilhões, um crescimento de 12,5% em comparação com os três primeiros meses de 2008. Esse aumento foi todo puxado pelas exportações, que subiram 63% no período, enquanto as importações registraram queda.

Com os Estados Unidos, o movimento foi oposto. A corrente de comércio caiu 19% no primeiro trimestre, para US$ 8,9 bilhões. No mesmo período do ano passado, o comércio Brasil-EUA era quase o dobro do comércio Brasil-China. Também no primeiro trimestre, as exportações para os americanos caíram 38%, embora as importações tenham registrado ligeira alta.

O Brasil tem conseguido aumentar as exportações para a China em um período em que as importações do país asiático apresentam queda. Em março, segundo dados divulgados pelo governo chinês, as importações do país caíram 25,1% em comparação com março de 2008. Os principais produtos exportados para a China ainda são commodities (minérios, grãos, aço). As vendas desses produtos para o país asiático cresceram mais de 100%. Já para os EUA, os principais produtos exportados são de maior valor agregado, como máquinas e aviões, mas as quedas de vendas giram entre 75% e 26%.

O diretor da Câmara de Comércio Brasil-China e consultor da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), Márcio Sette Fortes, lembra que o país asiático tem uma classe média consumidora de 400 milhões de pessoas, mais que o dobro de toda a população brasileira. Por isso, é importante o Brasil investir na promoção comercial e na diversificação de produtos exportados. A China vai se recuperar antes dos Estados Unidos dessa crise, diz Fortes.

O Brasil está mais interessado em investir nas negociações com a China do que em tentar convencer o governo norte-americano a reduzir mecanismos protecionistas.

Entre 17 e 22 de maio, o presidente Lula fará uma visita ao país do presidente Hu Jintao. Terá a companhia de um grupo de empresários e do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. A visita terá forte cunho comercial.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) está organizando um grupo que pretende acompanhar Lula à China. O diretor da área internacional da federação, Roberto Giannetti da Fonseca, lembra que a China é um dos poucos países do mundo que não entraram em recessão, embora tenha reduzido o crescimento. Por isso, o interesse do empresariado brasileiro em fortalecer os laços comerciais com o país.

Não é impossível que, em breve, a China esteja em primeiro como principal parceiro comercial do Brasil, afirma Giannetti da Fonseca.

Para ele, o Brasil poderá oferecer mais produtos alimentícios e da área de energia, duas grandes demandas da China atualmente. O Brasil tem condições de exportar energia renovável, álcool e petróleo, produtos de que a China tem uma demanda explosiva, diz.

c) Brasil estuda financiar exportações para Teerã

O Brasil e o Irã pretendem montar um mecanismo de financiamento direto do comércio bilateral, para reverter a queda de 38,3% nas exportações brasileiras para esse país em 2008. O objetivo é vencer a resistência dos bancos em dar crédito para exportadores, motivada pelas sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã.

A proposta será analisada na primeira visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, no dia 6. Cercada de cuidados pelo Itamaraty - especialmente depois que Ahmadinejad afirmou, na Conferência da ONU sobre Racismo, na segunda-feira, que Israel é governado por um regime racista -, a visita colocará o Brasil numa saia justa.

O novo mecanismo de financiamento não poderá ser usado para o comércio de bens e serviços que possam contribuir com o programa nuclear do Irã. Segundo diplomatas, nos últimos dois anos, o Brasil detectou uma cautela exagerada dos bancos na concessão de crédito para a exportação de mercadorias e de serviços do País para o Irã - mesmo as vinculadas a projetos de investimento.

Essa prudência seria causada por pressões externas ou dúvidas na interpretação das sanções. Em geral, pedidos de financiamento são negados antes mesmo da análise dos produtos e importadores envolvidos.

Dos dez principais produtos embarcados pelo Brasil ao Irã em 2008, oito tiveram queda acentuada - óleo de soja, açúcar, milho, bagaço de soja, chassis com motor, soja em grãos, outros tipos de açúcar, aviões. Só dois itens - minério de ferro e carne bovina - apresentaram aumento nas vendas. No primeiro trimestre deste ano, as exportações brasileiras para o Irã somaram US$ 196 milhões - queda de 6,8% em relação a igual período de 2008. O Irã é o quinto maior destino das exportações agrícolas do País.

Temos de corrigir essa situação, afirmou uma fonte diplomática. Mas também não vamos deixar de tocar em temas sensíveis para os iranianos que nos preocupam, completou, referindo-se ao programa nuclear de Teerã e a sua posição de confrontação com Israel.

Em tom cordial, o Irã foi advertido que o Brasil não é o espaço adequado para Ahmadinejad fazer declarações agressivas contra Estados amigos, como Israel.

O governo brasileiro quer fazer uma separação entre os aspectos políticos da viagem e as questões comerciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende visitar o Irã ainda este ano. Foi Lula quem pediu ao Itamaraty que convidasse Ahmadinejad para uma visita oficial ao País.

A Confederação Israelita do Brasil divulgou nota de repúdio ao discurso de segunda-feira de Ahmadinejad, na ONU, quando ele chamou Israel de regime racista. Ele evidenciou mais uma vez a face de um regime notório pelas ações de desestabilização do Oriente Médio e pela sistemática violação de direitos humanos, diz o texto.

d) Brasileiro reduz investimentos no exterior

A crise econômica internacional retraiu o ânimo dos investidores brasileiros no exterior. O envio de dólares para fora do Brasil a título de aquisição de empresas ou empréstimos para filiais despencou de US$ 7,3 bilhões no primeiro trimestre de 2008 para US$ 2,4 bilhões em 2009.

No ano passado, as empresas brasileiras chegaram a aplicar US$ 18 bilhões na aquisição de ativos no exterior e enviar mais US$ 15,5 bilhões de empréstimos para suas filiais espalhadas pelo mundo. Em 2009, pelos dados até março, essas duas rubricas caíram para US$ 1,068 bilhão e US$ 1,074 bilhão, respectivamente.

Além de interromper o envio de dólares, as empresas brasileiras também ampliaram os resgates de valores. Ou seja, trouxeram US$ 2,8 bilhões de volta ao País nos três primeiros meses.

Na prática, esse foi o comportamento padrão das empresas em todo mundo após o agravamento da crise: repatriar os capitais para reforçar o caixa das matrizes.

No âmbito comercial, o fluxo de exportações e importações também caiu. No Brasil, por exemplo, as exportações encolheram 19,4% entre 2008 e 2009, enquanto as importações caíram 21,6%. Como a queda das importações é um pouco maior do que as exportações, o superávit da balança comercial está levemente mais alto este ano, totalizando US$ 3 bilhões até o mês de março.

Para o fim do ano, o Banco Central continua projetando um saldo comercial de US$ 17 bilhões, mais um déficit de US$ 16 bilhões no conjunto das transações correntes, que inclui a conta de serviços e viagens internacionais.

No caso das viagens internacionais, por exemplo, o País ainda acumula um superávit de US$ 495 milhões neste ano, mas esse valor é mais de duas vezes menor do que o do primeiro trimestre do ano passado.

A projeção do Banco Central é que a diferença entre o que os brasileiros gastam com viagens ao exterior e o que o Brasil arrecada com os turistas estrangeiros em visita ao País caia de um saldo negativo de US$ 5,1 bilhões no ano passado para US$ 2,5 bilhões este ano.

e) Exportações fracas farão produção industrial cair 4,5% este ano, diz Ipea

Os setores de madeira, couro e calçados, petróleo e combustíveis e máquinas e equipamentos terão a maior perda na produção por causa do impacto direto da retração das exportações, com a crise mundial. Ao lançar, ontem, seu Radar - Produção, Tecnologia e Comércio Exterior, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou estimativas do impacto direto da queda de exportações sobre a produção industrial brasileira: em média, a retração no comércio externo deve provocar diretamente uma queda em torno de 4,5% na produção. Nos setores mais afetados, a queda quase alcança ou até ultrapassa 10%

Estamos levando em conta o impacto direto na produção, que pode estar um pouco subestimado, alertou a coordenadora de Política Industrial do Ipea, Fernanda de Negri. Se levamos em conta os encadeamentos da indústria, o impacto pode ser maior, comentou, lembrando o exemplo da indústria automobilística, da qual dependem vários outros setores industriais, como o de couro, usado nos estofamentos dos veículos.

De Negri notou, porém, que a ligeira recuperação sentida por alguns setores industriais, inclusive o automobilístico, com medidas lançadas pelo governo, podem contribuir para reduzir o impacto da queda das exportações. Como afirmou o diretor de Estudos Setoriais do Ipea, Márcio Wohlers, o levantamento, ao apontar onde estão os maiores estragos feitos pela redução do mercado externo, deverá servir de guia para que o governo identifique o alcance e dimensão das medidas de estímulo a tomar para compensar as perdas no mercado interno.

Essas medidas terão de provocar, no mínimo, um aumento de 4,4% na demanda para que a produção industrial brasileira se mantenha nos níveis de 2008, comparou Wohlers, de forma simplificada. O efeito da retração é desigual, e o impacto depende do percentual da produção destinado ao mercado externo. Em alguns setores, a queda de exportações no primeiro trimestre foi dramática, como no caso da indústria de veículos (51%), a de madeira (48%), a de petróleo e derivados (41%) e a de couro e calçados (40%). Em outros, apesar de a queda não ser tão grande, o peso da exportações na produção faz com que o impacto seja maior, proporcionalmente, como é o caso de outros equipamentos de transporte (principalmente aviões).

O estudo do Ipea, segundo seus autores, é uma tentativa de medir os efeitos da crise com os dados disponíveis. Sem dados atualizados da chamada matriz insumo-produto, que identifica o peso de cada setor no Produto Interno Bruto, e ainda sem informações sobre a percentagem da produção destinada à exportação em 2008, os economistas do Ipea foram obrigados a fazer aproximações, estimando, por exemplo, o coeficiente de exportações de cada setor no ano passado com base nos dados do IBGE sobre o crescimento da indústria. A ausência da matriz insumo-produto atualizada impede o cálculo do impacto indireto da queda das exportações, sobre setores que vendem no mercado interno.

O setor de máquinas e equipamentos para a indústria é um dos mais prejudicados, lembra o Ipea. Indústrias como a de automóveis e a de couro e calçados podem buscar compensações no mercado interno, mas a retração dos investimentos no Brasil reduz também as encomendas às fábricas de máquinas e equipamentos. O estudo do Ipea mostra que se deve à queda de vendas no mercado interno a retração de mais de 10%, no último trimestre de 2008, de um dos principais indicadores de investimentos, a formação bruta de capital fixo (FBCF, que aponta os gastos em construção e na compra de máquinas e equipamentos, sendo um sinal de investimento).

Baseados nos dados sobre FBCF e na retração das consultas sobre empréstimos ao BNDES, também em queda desde outubro, o Ipea conclui que é certo prever uma queda na formação bruta de capital fixo em 2009. Como a redução nas taxas de juros só fará efeito em 2010, só outras medidas para manter o nível interno de atividade e consumo poderão evitar uma queda maior, diz o Radar.

f) Fiesp vê queda de 38% em exportação até junho

As exportações brasileiras de produtos industrializados devem cair 38,5% no primeiro semestre deste ano, segundo levantamento da Fiesp feito neste mês com 78 empresas selecionadas entre as 250 maiores exportadoras do país. A expectativa da federação das indústrias paulistas é que a tendência de retração no comércio externo se prolongue pelo restante deste ano. "Nossos dados não apontam para uma recuperação. A visão que temos é de uma queda que continuará nos próximos meses", afirma Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp.

A projeção da Fiesp é que as exportações de produtos industrializados do país atinjam US$ 39 bilhões neste semestre ante US$ 63,5 bilhões exportado nos seis meses anteriores. O recuo nas exportações esperado pela Fiesp para 2009 é de 30%, entre os industrializados, e de 20%, para o volume total exportado.

Segundo ele, a queda é puxada principalmente pela diminuição da demanda global por mercadorias. Outro fator que impactou no volume de faturamento é a redução do preço provocada pela crise.

Como cerca de 20% do volume produzido na indústria é exportado, o setor "deixa de ter o estímulo à exportação que puxou seu crescimento no ano passado", diz Francini. Segundo ele, esse desestímulo é que reduz o nível de emprego e de investimentos do setor.

Mesmo com as exportações em baixa, Francini projeta um saldo positivo de US$ 20 bilhões para toda a balança comercial brasileira em 2009 -pouco menos que os US$ 24,7 bilhões registrados em 2008.

O motivo apontado por ele é que as importações totais do país devem cair na mesma proporção que as exportações -em cerca de 20%.

"O resultado é ruim, mas um saldo de US$ 20 bilhões não é catastrófico para o país", afirma Francini.

Agronegócio

a) Brasil propõe barganha de carnes por trigo à Rússia

O Brasil vai propor hoje à Rússia uma barganha envolvendo carnes e trigo, em meio a um cenário de queda na demanda e nos preços que sufoca produtores agrícolas globalmente.

Uma delegação brasileira acenará com importação de 500 mil toneladas do trigo russo, desde que exportadores do Brasil recebam de volta uma cota de 50 mil toneladas para a carne suína com tarifa mais baixa, este ano.

O Brasil quer recuperar também cota para exportar 60 mil toneladas de carne de frango, que a exemplo da de suínos foi retirada pela Rússia para beneficiar produtores americanos.

Para estimular a barganha, a delegação brasileira coloca na mesa hoje em Moscou também a promessa de aumentar a importação de fertilizantes da Rússia. A ideia é aproveitar o retorno dos navios fretados para o transporte de soja para o mercado russo.

Essa negociação entre o Brasil e a Rússia segue o que vários outros países estão fazendo, com o objetivo de recuperar ou manter as exportações em meio à dramática crise financeira e à queda livre do comércio internacional.

O encontro dos principais ministros de Agricultura, que se realiza na Itália, resultou em sucessivas reuniões bilaterais que focam basicamente comércio, em vez do tema de segurança alimentar, com cada um tentando garantir mercado para seus exportadores. É tudo cobrança direta por seus produtores, ninguém perde tempo, afirmou o ministro italiano, Luca Zaia.

A nova ministra russa da Agricultura, Elena Skrinnik, faz uma aparição discreta na reunião do G-8. Mas avisou em Moscou que pretende estimular a produção interna de carnes para reduzir a dependência das importações.

No caso do trigo, um quer vender e o outro precisa comprar. A Rússia pretende exportar 2 milhões de toneladas do estoque governamental. E o Brasil necessita importar 1,5 milhão de toneladas, já que a Argentina reduziu a oferta do produto.

Porém, o máximo que os brasileiros pensam comprar da Rússia será 500 mil toneladas. O preço é atrativo, mas a qualidade do trigo só permite que ele seja destinado à produção de biscoitos.

Em todo caso, apenas uma barganha entre trigo e carne suína envolve US$ 100 milhões de vendas para cada lado, pela cotação atual dos produtos. O Brasil concentra esforços no caso da carne suína, pelo impacto da crise e pela dependência em relação ao mercado russo, que representou 50% das exportações totais do setor em 2008.

No fim de 2008, a Rússia reduziu de 197 mil toneladas para 177 mil toneladas a cota destinada a outros países para carne suína, que era aproveitada pelo Brasil. Além disso, também acabou com a cota destinada a retalhos de carne suína, que era de 32 mil toneladas. Essa redução no acesso brasileiro serviu para aumentar em 50 mil toneladas a cota dos EUA.

O ministro de Agricultura da Argentina, Carlos Alberto Cheppi, também veio à reunião do G-8 agrícola, antes de afrontar esta semana o tema do trigo e do leite, que serão levantados na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Buenos Aires.

O governo brasileiro reclamará que a Argentina reduziu drasticamente a exportação do trigo e passou a subsidiar a produção interna de farinha, que entra no Brasil com preço baixo, provocando uma concorrência desleal, na visão de Brasília.

O Brasil pedirá ainda para a Argentina pôr fim ao dumping (venda com preço abaixo do valor da produção) na exportação de lácteos, que causa problema ao produtor brasileiro. O problema de lácteos está se tornando global. Na reunião do G-8, os italianos não cessam de reclamar de que a Alemanha está exportando leite barato demais procedente da Europa do Leste, desestabilizando assim o mercado. Recentemente, a União Europeia (UE) voltou a subsidiar a exportação de lácteos.

A China enviou ao G-8 agrícola seu vice-ministro, Niu Dun. Os chineses estão conscientes de que na visita do presidente Lula a Pequim, dia 19 de maio, será feita a cobrança para Pequim enfim importar carne bovina brasileira. As guias de importação estão sendo dadas a conta-gotas por Pequim, decepcionando os brasileiros.

Além disso, Brasília autorizou a importação de tripas de ovinos e caprinos da China, mas Pequim não cumpriu sua parte na importação de frango. O governo chinês está mais preocupado em exportar. Na sexta-feira, a China abriu a primeira disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os EUA no governo Obama, para tentar derrubar barreira a suas vendas de frango no mercado americano.

b) Cotações agrícolas seguem o petróleo e recuam no exterior

O Departamento de Agricultura dos EUA divulgou relatório indicando que o plantio norte-americano de grãos deste ano está atrasado em relação ao de 2008. O mesmo ocorre com as condições das lavouras já semeadas, que são inferiores às de igual período de 2008.

Apesar dessas informações do Usda, as commodities agrícolas, acompanhando o petróleo -que recuou 8,8% em Nova York-, registraram forte desaceleração nas Bolsas de Chicago e de Nova York.

No mercado nova-iorquino, o açúcar interrompeu a alta de sexta-feira e voltou a ser negociado por valor inferior a 13 centavos de dólar por libra-peso.

Já em Chicago, o trigo liderou as quedas, com recuo de 3,5%, seguido da soja, que ficou 3,1% mais barata. O milho também não ficou imune às desacelerações do petróleo e do mercado financeiro, caindo 1,8%, ontem.

c) Exportação de gado

As exportações brasileiras de bovinos para a engorda somaram 61,2 mil cabeças em março passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). De acordo com a Scot, é o o segundo maior embarque do setor, atrás apenas de setembro de 2007, quando foram exportados 67,6 mil cabeças. Na comparação com fevereiro de 2009, houve alta de 186% e ante março de 2008, de quase 220%.

d) China cobra melhor qualidade do Brasil

O vice-ministro de Agricultura da China, Niu Dun, cobrou do Brasil que exporte carne bovina de melhor qualidade para o mercado chinês, se quiser aumentar as vendas ao país. O representante chinês refutou queixas do governo brasileiro e de produtores sobre a corrida de obstáculos imposta por Pequim para as carnes brasileiras, dando a conta gotas as licenças de importações do produto.

Uma delegação dos Ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e MDIC estiveram em Pequim para discutir os obstáculos, que esperam que sejam levantados durante visita do presidente Lula a Pequim no dia 19 de maio.

Mas para Niu Dun, que foi vice secretário do Partido Comunista na Universidade Agrícola de Pequim antes de chegar ao posto no ministério, o volume de exportação depende da competitividade da carne brasileira, e isso é decidido pelo mercado. Nós não impomos nenhuma restrição quantitativa de importação de carne bovina brasileira.

O vice-ministro disse que a chave para aumentar exportação é que a carne brasileira seja livre de doenças e não tenha resíduos químicos excessivos, sem elaborar se esse era o caso. Posso garantir que a China não está fazendo protecionismo. Espero que mais carne de alta qualidade do Brasil seja exportada para nosso país, afirmou.

Produtores brasileiros apontam um potencial grande, mas até agora frustrado, para exportação de cortes como patinho, paleta, coxão mole e cortes de dianteiro. Quanto aos cortes nobres, a demanda visada é de churrascarias e restaurantes ocidentais presentes nas grandes cidades chinesas.

e) Chile volta a comprar carne do Brasil

Depois de três anos e meio fechado, o Chile reabriu seu mercado à carne bovina brasileira. O Ministério da Agricultura foi comunicado, pelo Servicio Agrícola y Ganadero (SAG) do Chile, que 16 plantas de abate de bovinos brasileiras foram habilitadas a exportar carne in natura ao mercado chileno. As vendas estavam suspensas desde outubro de 2005, quando ocorreram casos de aftosa no Mato Grosso do Sul.

As 16 unidades estão localizadas em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. São três da Bertin, três da Marfrig, duas da JBS, uma do Minerva, uma do Frisa, uma do Frialto, uma da Sadia, duas do Independência, uma da Arantes Alimentos e uma do Mataboi.

Em dezembro passado, o Chile enviou uma missão ao Brasil para inspecionar 18 frigoríficos - dois ainda não foram liberados por falta de documentação.

Otávio Cançado, diretor da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), disse que o Brasil tem potencial para exportar 100 mil toneladas (equivalente-carcaça) de carne in natura por ano ao mercado chileno. A Abiec chegou ao número considerando as vendas de 66 mil toneladas (equivalente-carcaça) entre janeiro e outubro de 2005 - depois o produto brasileiro foi embargado - mais uma taxa de crescimento de 25% vista em anos anteriores.

A demanda chilena vem sendo atendida por Uruguai e Paraguai, mas Cançado acredita que é possível recuperar a participação de 41% que o Brasil tinha antes do embargo chileno. Depois da restrição, que gerou uma série de reclamações do governo e dos exportadores brasileiros, a fatia caiu para apenas 1%, uma vez que só uma planta de carne bovina do Rio Grande do Sul podia exportar ao Chile.

"Temos condições de fornecer maiores volume e com preços melhores. Além disso, o Paraguai e o Uruguai estão fortes nos EUA e na União Europeia", disse, justificando a expectativa de recuperação. Cançado considera ainda ser possível alcançar a receita de US$ 140 milhões por ano com as exportações ao Chile, registrada em 2005.

Em fevereiro, o Chile já havia reconhecido, como livres de aftosa com vacinação, os Estados de Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Antes do embargo por causa da aftosa, 36 plantas exportavam ao Chile. Segundo o ministério brasileiro, "em breve", outros Estados deverão ser visitados por missões chilenas para possível habilitação desses Estados e de frigoríficos.

f) Embarques em alta

Os preços futuros do algodão fecharam com forte alta na quinta-feira nos EUA, atingindo o maior patamar dos últimos seis meses, após sinais de que as exportações americanas deverão dar uma arrancada neste mês, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para julho encerraram a 52,11 centavos de dólar por libra-peso, com aumento de 132 pontos. Na semana encerrada dia 16 de abril, os embarques semanais ficaram em 272,425 mil fardos, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). A China, maior consumidor global, tem dado suporte ao mercado, uma vez que deverá dobrar suas importações de 1,6 milhão para 3 milhões de fardos. Em São Paulo, o algodão fechou a R$ 1,1269 a libra-peso, segundo o índice Cepea/Esalq.

Os preços futuros da soja recuaram na quinta-feira nos EUA, depois de três pregões consecutivos em alta, pressionados por notícias de que o clima frio no Meio-Oeste americano poderá atrasar o plantio de milho, trigo e outras culturas, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Chicago, os contratos para julho encerraram o dia a US$ 10,32 o bushel, com baixa de 7 centavos de dólar. Analistas afirmam que o atraso no plantio de milho poderá elevar a área de soja. O plantio de soja deverá crescer 0,4%, atingindo um novo recorde, enquanto o de milho deverá cair 1,2%, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). No mercado paranaense, a saca de 60 quilos fechou a R$ 49,40, com alta de 0,12%, segundo o índice Cepea/Esalq.

Os preços futuros do milho fecharam em alta na quinta-feira no mercado futuro dos EUA, atingindo o maior patamar deste mês, estimulados pela boa demanda pelo grão americano, uma vez que as cotações estão em baixos patamares, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Chicago, os contratos para julho encerraram o dia a US$ 3,90 o bushel, com elevação de 7,50 centavos. Na semana encerrada no dia 16 de abril, os embarques semanais totalizaram 1,214 milhão de toneladas, 40% acima sobre a semana anterior, e 11% acima sobre a média das últimas quatro semanas, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou a R$ 21,52, com alta de 1,19%, segundo o índice Esalq/BM&FBovespa.

Os preços futuros do trigo fecharam em alta na quinta-feira, nas bolsas americanas, após notícias de que as inundações nas regiões produtoras do Norte das Grandes Planícies podem atrasar o plantio de trigo de primavera. As áreas produtoras de Dakota do Norte, a maior produtora de trigo de primavera, também estão sendo afetadas. Nessas regiões, a expectativa é de que o trigo afetado atinja cerca de 1 milhão de hectares, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Kansas, os contratos para julho encerraram a US$ 5,92 o bushel, alta de 13,50 centavos. Na bolsa de Chicago, os contratos para julho fecharam a US$ 5,4075 o bushel, aumento de 12,75 centavos. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos fechou a R$ 28,96, segundo o Deral.

g) Produção de grãos deve cair 10,4% este ano

A organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) informou que a produção de grãos no Brasil deve cair 10,4% em 2009, principalmente por causa da falta de chuvas. A produção passará de 79,5 milhões de toneladas em 2008 para 71,3 milhões neste ano. O maior tombo será registrado na produção de milho. Segundo a projeção publicada pela entidade, a produção brasileira de trigo passará de 6 milhões de toneladas em 2008 para 5,1 milhões neste ano. Já o arroz terá uma pequena alta, de 12,1 milhões para 12,5 milhões de toneladas.

A produção de milho ficará 15,7% abaixo dos níveis recordes de 2008, quando a produção chegou a 40 milhões de toneladas. As principais perdas serão registradas nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e no centro e oeste de Santa Catarina. Nesse locais, as chuvas de novembro e dezembro foram 50% abaixo do normal, alerta a FAO. A entidade lembra que, no Paraná, a seca durou 40 dias. A produção por hectare, portanto, despencou no Estado que produz 25% do milho do País.

A queda na safra de grãos em 2009 será generalizada em toda a América Latina. A região, que produziu 185 milhões de toneladas em 2008, terá um resultado de 169,1 milhões em 2009. Já a América do Sul verá uma queda de sua produção de 10,9%, uma das maiores do mundo. De 135 milhões de toneladas em 2008, a região passará a uma produção de 120,6 milhões de toneladas este ano.

Na Argentina, a situação do milho é ainda mais grave do que no Brasil, com queda substancial das exportações. A FAO prevê queda de 40% na safra argentina.

O sinal positivo vem do arroz. A América do Sul deve ter uma produção recorde de arroz em 2009, de 24,4 milhões de toneladas, 2% acima da safra de 2008. O Brasil será responsável por metade dessa produção.

O comércio mundial de cereais também terá queda em 2009, ficando 4% abaixo de 2008. A queda só não será maior porque as compras feitas por países emergentes continuarão a crescer. Já os países ricos registrarão queda nas importações.

De acordo com a FAO, 2009 verá um aumento de 23% no uso de cereais para a produção de biocombustíveis. Pelo menos 120 milhões de toneladas serão usados para produzir combustível, mais de 50% de todo o uso industrial de cereais. Só o uso do milho para o etanol americano aumentará em 22%, com 115 milhões de toneladas. Já a alta no consumo de milho como alimento será de apenas 2%, para cerca de 191 milhões de toneladas.

Mercosul

a) Cai fatia argentina no mercado de grãos

A Argentina caminha para registrar a pior colheita de grãos em dez anos, com uma queda de 30% da produção total na safra 2008/09, para cerca de 67 milhões de toneladas. Com isso, o país que já vinha perdendo mercado na carne, vai diminuir também sua fatia no mercado internacional de grãos. O motivo: queda dos investimentos do setor e restrições auto-impostas para exportações. A esses dois fatores, que se acumulam desde 2007, somou-se este ano a pior seca nas últimas cinco décadas.

Em seu relatório de oferta e demanda mundial divulgado no dia 9, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou que a safra de milho argentina será de 13,5 milhões de toneladas em 2008/09, com uma queda de 38,6% comparada à safra anterior. Para a produção de girassol, a previsão da Bolsa de Cereais de Buenos Aires é de uma queda de 35%, para 3 milhões de toneladas.

O cenário para trigo e soja é ainda mais dramático. O USDA confirma a queda de 50% da produção de trigo, de 16,3 milhões de toneladas para 8,4 milhões este ano, e de 18,8% para a soja. A estiagem que atingiu todas as principais regiões produtoras entre dezembro e janeiro, comprometeu a soja já semeada reduzindo seu rendimento de 2,8 toneladas por hectare para 2,3, explica Rogelio Pontón, diretor da divisão de Estudos Econômicos (DIyEE) da Bolsa de Comércio de Rosário.

Terceira maior exportadora de soja em grão do mundo, depois dos Estados Unidos e Brasil, e primeira em derivados (farelo e óleo), a Argentina deverá colher 39 milhões de toneladas dessa oleaginosa este ano, na previsão do USDA. Isso representaria quase 10 milhões de toneladas menos que a safra passada. Para muitos, a estimativa do USDA é otimista. Pablo Andreani, economista e sócio da consultoria Agripac, disse que os produtores com quem ele trabalha já falam em uma produção máxima de 34 milhões a 35 milhões de toneladas, ou seja, 27% menos que na safra passada.

A queda da produção de grãos argentina aumenta a diferença em relação ao Brasil, conforme demonstra trabalho recém concluído pelo Instituto de Estudos da Realidade Argentina e Latino-americana (Ieral), ligado à Fundação Mediterrânea. Há dez anos, Brasil e Argentina tinham participações de 3,7% e 3,3%, respectivamente, na produção mundial. De lá para cá, o ritmo de avanço da produção de ambos cresceu, mas o Brasil ampliou mais a margem que a Argentina.

Depois de atingir sua participação mais elevada, com 4,3% na safra 2006/07, a Argentina começou a recuar. Naquela temporada, a fatia brasileira atingiu 5,9%. No ciclo 2008/09, a Argentina deverá representar 2,9% da produção produção mundial de grãos, enquanto o Brasil, cujos problemas climáticos foram concentrados na região Sul e em Mato Grosso do Sul, deverá ficar com 5,5%, conforme o Ieral. Juntos, os principais sócios do Mercosul responderão por 8,4% do total em 2008/09, ante 10,2% em 2006/07 e 2007/08.

O Brasil conseguiu superar a contradição entre exportações e mercado interno na produção de alimentos, resistindo à tentação fiscal quando os preços estavam em alta, comenta o autor do estudo, o economista Jorge Vasconcelos. Ele se refere à disputa entre governo e agricultores em torno de um aumento dos impostos sobre exportações.

A brecha entre os dois principais sócios do Mercosul se amplia quando se fala em futuro. Produtores, analistas e especialistas no agronegócio argentino são quase unânimes em culpar o governo da presidente Cristina Kirchner pelo mau desempenho do setor agropecuário. Não há nenhuma medida para promover a produção, as expectativas são negativas, diz Andreani.

Durante uma conferência na última terça-feira, na sede do Movimento Produtivo Argentino, o empresário Gustavo Grobocopatel, considerado o rei da soja, alertou para a forte deterioração das estimativas de produção do país: há dois anos prevíamos que a produção argentina chegaria a 100 milhões de toneladas e atingiria 150 milhões em 2012. Para Grobocopatel, o país está não apenas se distanciando destes números, mas corre o risco de ter que importar trigo e carne se não recuperar sua produção. Enquanto no Brasil há previsões de chegar a 300 milhões de toneladas nos próximos dez anos, aqui ainda estamos enredados no conflito com o campo, completa Jorge Vasconcelos.

b) Polo tecnológico de MG busca mercado uruguaio

Uma iniciativa de pequenos e médios empresários mineiros vai levar empresas dos arranjos produtivos locais (APLs) do Estado para o Uruguai. Foi inaugurado, em Montevidéu, um escritório para intermediar os negócios entre companhias brasileiras e uruguaias - posteriormente, será um ponto de apoio para a instalação de subsidiárias naquele país.

Participam da iniciativa os APLs (ou polos) de Biocombustíveis, Biotecnologia, Eletroeletrônicos e Softwares de Minas Gerais. A maioria se concentra na região de Santa Rita do Sapucaí, conhecida como vale do silício brasileiro. A expectativa é que comecemos com 40 empresas locais. Até 2010, os negócios devem ficar na casa de R$ 4,5 milhões, diz o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindivel), Carlos Henrique Ferreira. O projeto tem apoio do governo de Minas Gerais e da Apex-Brasil.

No Uruguai, há cerca de 250 empresas de software e 360 empresas de hardware, consumidoras em potencial dos produtos brasileiros. Mas a escolha por Montevidéu não ocorreu apenas visando aumentar o comércio entre os dois países, que movimenta cerca de US$ 2,5 bilhões anuais, no total.

Como o Uruguai possui acordos comerciais mais flexíveis com México, Canadá e alguns países europeus e asiáticos, as empresas brasileiras terão acesso mais fácil a outros mercados, explica Ferreira. No Uruguai, por exemplo, não se paga imposto sobre exportações de software.

A Alarmes Santa Rita, empresa de médio porte do polo de Eletroeletrônicos, é uma das interessadas em ter uma subsidiária no Uruguai. Parte de nosso portfólio é composta de rastreadores para frotas, cargas ou penitenciários. Em uma pesquisa de mercado recente, vimos que o Uruguai e o México têm demanda por esse produto, conta o diretor-presidente da empresa, Roberto Pinto. Estando lá, temos acesso mais fácil ao México do que a partir daqui. Ferreira, do Sindivel, afirma que as empresas do APL têm como maior concorrente a China. Porém, em um mercado menor, como o Uruguai, as brasileiras levam vantagem. Não é interessante para uma empresa chinesa entregar duas mil peças em um país da América Latina, é pouco volume. Para nós, é interessante e podemos entregar mais rápido e com assistência técnica.

Com o crescimento das operações uruguaias, as empresas devem realizar o mesmo processo em outras regiões. Estão planejadas as inaugurações de escritórios semelhantes no Chile, no México, em Hong Kong e na Califórnia. É uma estratégia importante. E como esses polos já têm um tamanho considerável e experiência de exportação, podem almejar ir mais longe, afirma o superintendente do Sebrae-MG, Afonso Maria Rocha. Em 2008, o APL de Eletroeletrônicos (formado por 132 empresas) faturou R$ 1 bilhão. Em geral, menos de 10% da empresas que sondam outros mercados tornam-se exportadoras, diz Rocha. Por isso, apoiamos a pesquisa e a preparação da empresa em termos de gestão e também de conhecer a cultura estrangeira.

c) Barreiras comerciais da Argentina não preocupam, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao chegar a Buenos Aires para uma visita oficial, que as medidas protecionistas levantadas pela Argentina aos produtos exportados pelo Brasil não o preocupam, mas espera convencer os vizinhos de que o protecionismo é negativo. "Essas medidas não me preocupam porque nesse momento o que estamos vendo é vários países, que sempre foram contra (a adoção de medidas protecionistas), adotar (estas medidas) e as pessoas entendem com certa normalidade por conta da crise", afirmou o presidente em entrevista à imprensa no hall de entrada do hotel onde se hospedou.

Lula disse que o Brasil defende a tese de que "quanto mais protecionismo, menos chances temos de resolver o problema da crise", mas admite que "ninguém é obrigado a pensar como o Brasil". Segundo ele, "o que precisamos é um processo de convencimento para fazer as pessoas entenderem que precisam continuar com muita liberdade de comercio, porque é a única chance que temos (de enfrentar a crise)".

Lula se reuniu com a presidente argentina pela sexta vez em apenas 30 dias - eles se encontraram no Qatar, em Londres, Viña del Mar (Chile), São Paulo e Trinidad Tobago, em diversas reuniões de cúpula presidenciais. Neste encontro, o presidente veio acompanhado do assessor especial da presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e dos ministros das Comunicações, Helio Costa, da Defesa, Nelson Jobim, das Relações Exteriores, Celso Amorim, das Minas e Energia, Edison Lobão, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O ministro Lobão disse que o Brasil vai garantir à Argentina todo o suprimento de energia elétrica necessária para que o país atravesse o inverno "confortavelmente". Segundo ele, a Argentina poderá importar em 2009 os mesmos 1.500 megawatts importados em 2008, que é o máximo de capacidade permitida pelas linhas de transmissão.

Segundo diplomatas brasileiros que estavam na embaixada em Buenos Aires na missão precursora, a reunião entre os dois presidentes têm pauta aberta, ou seja, não há nenhum tema previamente definido. É provável, disseram, que Lula e Cristina discutam sobre o comércio internacional, a situação regional e a relação da América Latina com os Estados Unidos, já que vêm de duas reuniões onde o tema foi debatido recentemente - a do G-20 em Londres e a cúpula das Américas em Trinidad Tobago.

Os diplomatas frisaram que os presidentes não vão discutir as barreiras comerciais levantadas pela Argentina contra produtos brasileiros e que, segundo dados da consultoria Abeceb.com já atingem 14,2% da pauta de exportações do Brasil para a Argentina. Paralelamente ao encontro presidencial, será realizada a terceira reunião do Mecanismo de Integração e Coordenação Brasil-Argentina (MICBA), um grupo de trabalho com funcionários de vários ministérios dedicados a fazer sair do papel os projetos prioritários definidos pelos presidentes.

Da lista de projetos, os mais avançados são o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), que já está operando, a cooperação aeronáutica e entre os bancos estatais BNDES e Banco de La Nación. O SML serve para eliminar o dólar das transações comerciais entre os dois países. Está operando desde outubro, mas até agora atingiu uma participação mínima no comércio total, apenas 0,12%.

A cooperação aeronáutica é uma tentativa de tornar a Área Material Córdoba, um complexo aeronáutico do governo argentino, em parceiro estratégico da Embraer. Depende da aquisição de aviões Embraer pela Aerolíneas Argentinas, operação que está prestes a ser concretizada com recursos do BNDES. O acordo do banco de fomento brasileiro com o Banco de La Nación é mais amplo e, além de financiar a compra das aeronaves, deve liberar recursos para o financiamento à importação de outros produtos de interesse bilateral.

Plano Internacional

a) Só Trinidad e Tobago assina declaração final

A 5ª Cúpula das Américas terminou com uma curiosa solução diplomática para a falta de unanimidade sobre o documento final. Os chefes de Estado presentes passaram ao primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, a atribuição de assinar a Declaração de Compromisso de Port of Spain. Nos debates, a Venezuela e seus aliados da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) concordaram com essa solução, que deixou latente os conflitos em torno de Cuba e da crise econômica global.

Com essa iniciativa, os 34 líderes evitaram que, pela primeira vez, a Cúpula das Américas fosse encerrada sem a divulgação de um texto de consenso - ato que marcaria a desintegração desse fórum de diálogo entre latino-americanos e caribenhos, de um lado, e EUA e Canadá, de outro.

Nem mesmo na cúpula anterior, em Mar del Plata, na Argentina, a decisão de acabar com as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) impediu a assinatura de um documento final.

Em entrevista à imprensa, ao final do encontro, Manning disse que houve consenso sobre a aprovação da declaração - de caráter insosso e centrado em questões sociais, de energia e de meio ambiente. Segundo ele, porém, não se alcançou unanimidade sobre seu conteúdo durante a cúpula, que se estendeu por quase três dias.

A foto oficial que marcaria o final do encontro estampou a falta de sintonia entre os 34 países. Os chefes de Estado chegaram, um a um, à escadaria do Centro Diplomático.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago foram os primeiros a se acomodar diante da escada. Mas Evo Morales, da Bolívia, somente passou pelo local. Barack Obama, dos EUA, acenou para os colegas, em despedida, e se encaminhou para a sua última entrevista coletiva.

Hugo Chávez, da Venezuela, nem se aproximou da escadaria e foi embora. Rafael Correa, do Equador, e Felipe Calderón, do México, chegaram ao local depois que muitos chefes de Estado já haviam ido embora.

O desajuste foi marcado especialmente pelos países da Alba presentes ao encontro - Venezuela, Bolívia, Honduras, Nicarágua, Equador, Dominica - sobre temas sensíveis, como o fim do embargo econômico dos EUA a Cuba e sua reinserção no espaço interamericano.

No início da semana passada, a Venezuela já havia deixado evidente a sua insatisfação com a ausência de Cuba do texto e ameaçado vetar sua aprovação. Entretanto, nos oito meses de negociação, nem o governo de Hugo Chávez nem o de seus aliados da Alba haviam pleiteado formalmente a introdução do tema, segundo diplomatas brasileiros.

A Bolívia reclamou da menção aos biocombustíveis, mas acabou satisfeita com uma ressalva registrada no rodapé sobre seus riscos à produção de alimentos. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu-se entre os insatisfeitos com a maneira pela qual o texto abordou a crise econômica. Lula criticou a realização de uma reunião entre ministros da Fazenda dos 34 países apenas em 2010.

Nesse caso, os 34 chefes de Estado concordaram com a tentativa de antecipar esse encontro para julho deste ano, mas o texto final não foi alterado, nem mesmo nesse tópico menos polêmico.

b) PIB do Brasil cairá 1,3% neste ano, prevê FMI

O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que o Brasil encerrará 2009 com uma contração de 1,3% em sua economia. O Fundo justificou a projeção afirmando que o país sofrerá mais neste ano os impactos da desaceleração global, principalmente por conta da queda nos preços das commodities que exporta.

Para o Fundo, a economia brasileira só se recuperará em 2010, ano em que será eleito o sucessor do presidente Lula, quando o país poderá crescer 2,2%. No ano passado, o Brasil cresceu 5,1%. Em 2007, 5,7%.

A última vez em que a economia brasileira encolheu foi em 1992, quando o PIB caiu 0,5%. Em 1990, porém, houve retração ainda maior que a prevista pelo FMI, de 4,3%. Ela foi gerada pelos efeitos do chamado Plano Collor, choque econômico que incluiu o congelamento dos depósitos na poupança.

"Vemos alguns sinais de recuperação [no Brasil] no primeiro trimestre do ano, em parte porque o governo está utilizando estímulos fiscais e sendo agressivo na redução dos juros. Isso é positivo e deve amenizar os choques externos. Mas nossa visão global é que o Brasil será afetado. Não porque esteja particularmente fraco, mas porque é um participante importante da economia mundial", afirmou Charles Collins, diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas do FMI.

O Fundo vê a economia mundial se contraindo 1,3% neste ano, quase dois pontos percentuais a mais do que previsão feita em janeiro. Já o corte na projeção anterior para o Brasil foi de 3,1 pontos percentuais.

Em relatório divulgado, o FMI justifica a contração em vários países produtores de commodities com uma expectativa de queda nos preços desses produtos de 46,4% neste ano -e de uma contração no comércio mundial de 11% (a maior no pós-Segunda Guerra).

"Além disso, a forte queda na atividade econômica nos países avançados, especialmente nos EUA, o maior parceiro comercial da América Latina, está deprimindo a demanda externa e diminuindo as receitas com exportações, turismo e remessas [de dólares]", diz o relatório. Na média, entre os nove países da América do Sul (e México) monitorados pelo FMI, a contração prevista é de 1,6%.

A boa notícia para o Brasil é que o Fundo afirma que o mercado financeiro tem feito uma "diferenciação" entre os tomadores de empréstimos.

"O custo financeiro aumentou substancialmente para alguns países [como Argentina, Venezuela e Equador], mas se mantém relativamente baixo para outros mais bem posicionados, como Brasil, Chile, Colômbia e México", diz o FMI.

c) Japão tem o 1º déficit na balança em 28 anos

Com a queda na demanda mundial por seus produtos, o Japão teve no ano fiscal encerrado em março seu primeiro déficit na balança comercial em 28 anos.

O país registrou saldo negativo de US$ 7,3 bilhões no período, com queda de 16,4% nas exportações e 4,1% nas importações.

O ministro das Finanças do país, Kaoru Yosano, disse que os resultados são preocupantes. "Todos nós temos que levar esses números a sério", afirmou. "Nós precisamos descobrir se os produtos e serviços japoneses ainda são competitivos."

A queda nas vendas externas levou a uma contração na economia. No trimestre encerrado em dezembro, o PIB do país encolheu 12.1% -a pior queda desde 1974.

Tomados isoladamente, porém, os resultados de março mostram melhora. No mês passado, as exportações caíram 46% -contra queda de 49% em fevereiro.

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