16 a 20 de março de 2009

Comércio Exterior

Resultados
Coreana STX busca parceiros locais para crescer no Brasil
Produção de aço cai 39%
Exportações brasileiras têm previsão de queda de 11%
Votorantim consegue US$ 300 mi para ampliar produção no Peru
Projetos da Vale em Carajás puxam expansão de Itaqui

Agronegócio

Dia de otimismo sobre a economia e queda do dólar sustentam grãos
Rússia já aceita carne suína de SC
Consumo de café sobe pouco e afeta objetivo para 2010

Mercosul

Kirchner decide evitar negociações comerciais antes de visita ao Brasil
Empresários temem ampliação de barreiras comerciais na Argentina
No Paraguai, senadores se opõem à Venezuela
Brasileiros e argentinos discutem divergências comerciais no dia 25
Superávit com Argentina cai a US$ 24 milhões

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Brasil vai à OMC pelo etanol

Plano Internacional

Encontro Lula-Obama reduz chances de Doha
Opep mantém produção de petróleo até maio



Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial brasileira foi superavitária em US$ 138 milhões na segunda semana de março (dias 9 a 15, com cinco dias úteis). No período, as exportações somaram US$ 2,515 bilhões e as importações ficaram em US$ 2,377 bilhões, uma média diária respectiva de US$ 503 milhões e US$ 475,4 milhões.

Nas duas primeiras semanas deste mês, o saldo comercial está positivo em US$ 422 milhões, sendo US$ 284 milhões da semana inicial de março mais US$ 138 milhões da semana seguinte. As vendas externas totalizaram US$ 5,197 bilhões e as compras situaram-se em US$ 4,775 bilhões.

No acumulado de janeiro até a segunda semana de março o saldo ficou positivo em US$ 1,665 bilhão, decorrente de exportações da ordem de US$ 24,567 bilhões e importações de US$ 22,902 bilhões. Nos 49 dias úteis em questão, segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a média diária das vendas externas foi de US$ 501,4 milhões e a das importações ficou em US$ 467,4 milhões.

b) Coreana STX busca parceiros locais para crescer no Brasil

O Brasil está ganhando importância na estratégia de internacionalização do coreano STX Business Group, conglomerado com atividades em indústria naval, navegação, equipamentos pesados, construção e energia. O grupo, que tem como meta ser líder global em construção naval, quer crescer no setor no Brasil por meio de parcerias com sócios locais. Há possibilidade de o STX investir em novo estaleiro no país. Outra área de interesse é fornecer equipamentos para navios, sobretudo motores.

Dong-Hwan Oh, gerente-geral da área de desenvolvimento de negócios da holding STX Corporation, diz que o interesse do grupo no mercado brasileiro é resultado das novas descobertas de campos de óleo e gás no mar (na área do chamado pré-sal). O desenvolvimento desses projetos irá requerer equipamentos, navios e plataformas, o que abre oportunidades de investimento e cooperação com empresas brasileiras, afirma Oh. Gostaríamos de aproveitar as oportunidades neste mercado com a nossa experiência. Um dos objetivos é identificar os melhores potenciais parceiros no Brasil.

Em novembro de 2008, o presidente do conselho do STX Business Group, Kang Duk-Soo, esteve no Brasil. Ele integrou a comitiva empresarial que acompanhou a visita de Estado do presidente coreano, Lee Myung-bak. A partir da visita, intensificaram-se os esforços do grupo para entender melhor o mercado brasileiro. Em dezembro, executivos do STX estiveram no Brasil para preparar um plano de negócios. A visita de Oh, que participou de um fórum Brasil-Coreia no Rio, é mais um passo no desenvolvimento das atividades do grupo no país. Ele reuniu-se com executivos da construção naval e da área de petróleo e gás.

Waldemiro Arantes Filho, presidente do STX Brasil Offshore, empresa que integra o braço do grupo para a construção de navios de apoio às plataformas, mostra-se otimista. Existem estudos sendo desenvolvidos para verificar a implantação de um estaleiro. Mas também existe a possibilidade de trazer (para o Brasil) uma fábrica de motores, disse Arantes.

Segundo ele, a STX Heavy Industries, especializada em equipamentos marítimos como grandes motores diesel e processamento de aço e blocos, analisa as oportunidades em dois segmentos no Brasil: a construção naval em outros segmentos além dos navios de apoio offshore e o fornecimento de equipamentos, sobretudo a linha de motores. O grupo produz motores para navios sob licenças técnicas dos principais fabricantes mundiais.

No Brasil, o grupo já tem atuação diversificada. Abriu no Rio, no fim de 2008, uma empresa comercial, a STX Brasil Trading. O grupo está crescendo no Brasil e nós vamos dar suporte a esse crescimento, diz Taek Hwan Moon, presidente da STX Brasil Trading. A empresa tem contratos de longo prazo com empresas do setor siderúrgico e, em 2008, transportou 3 milhões de produtos siderúrgicos para a Ásia e 14 milhões de minério de ferro para China, Coreia e Europa, além de carvão sul-africano, na importação.

A trading tem participação da STX Pan Ocean, empresa de navegação do grupo que opera no Brasil e tem acordo com a Global Transporte Oceânico, empresa da Lachmann. Na construção naval, o STX opera no país por meio do estaleiro STX Brasil Offshore, de Niterói (RJ). No local são construídos navios de apoio às plataformas, com foco em embarcações maiores que operam no transporte de âncoras ou que são equipados com guindastes de grande porte. O estaleiro é líder no Brasil nesse segmento e tem planos de levar adiante a construção de um novo estaleiro offshore em Quissamã, no norte fluminense, o que depende de obras de infraestrutura no local.

O STX assumiu o controle do estaleiro de Niterói no ano passado após adquirir os ativos da norueguesa Aker Yards, dona de estaleiros na Europa, Ásia e Brasil. Os coreanos, que já tinham 40% da Aker Yards, ampliaram sua participação para 92,46%. O STX tem o objetivo de estar presente em todos os segmentos da construção naval, diferente da Aker, cujo foco, no Brasil, era o mercado offshore (de navios de apoio), disse Arantes, o presidente da STX Brasil Offshore.

c) Produção de aço cai 39%

A retração da demanda mundial por aço ainda castiga o setor siderúrgico brasileiro. De acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), a produção de aço bruto em fevereiro situou-se em 1,7 milhão de toneladas, volume 39% inferior ao registrado em igual mês do ano passado, mas 2,3% maior em relação a janeiro.

Na avaliação do setor, apesar de muito pequena, o aumento da produção em fevereiro já pode ser visto como um sinal positivo. O simples fato de não termos registrado uma queda no volume produzido frente a janeiro já é um sinal muito positivo. A avaliação era de que o setor chegaria ao fundo do poço entre dezembro e janeiro. Apesar do crescimento ter sido pequeno, pode ser um indício de que estamos começando a sair do fundo do poço , afirma o vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes.

Já nos laminados, a recuperação foi mais expressiva, apresentando elevação de 11% em relação a janeiro, para 1,1 milhão de toneladas. Em relação a fevereiro do ano passado, no entanto, houve queda e 44,3% na produção.

No que diz respeito às vendas internas, o resultado do mês passado foi de 958 mil toneladas de produtos, com expansão de 0,8% ante janeiro e queda de 47,2% na comparação com fevereiro de 2008. O foco das siderúrgicas tem sido o mercado interno. Os preços no exterior estão extremamente aviltados. As medidas do governo para o setor automobilístico surtiram efeito e há a expectativa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Coma o esforço da manutenção da oferta de crédito e a redução da taxa de juros, acreditamos que a economia pode se recuperar , acrescenta Lopes.

A forte briga por preço no exterior fica clara nos números das exportações no mês de fevereiro, que cresceram 8,2% em relação a janeiro, enquanto a receita caiu 31,2% no período. Comparado com fevereiro de 2008, o volume de exportações recuou 45,6% no mês passado. Lopes ressaltou, ainda, que a produção de fevereiro é impactada negativamente pelo menor número de dias úteis e o feriado de carnaval.

d) Exportações brasileiras têm previsão de queda de 11%

As exportações brasileiras devem cair pelo menos 11% em volume em 2009, e a redução mundial do comércio já passa a ser equivalente à queda nos anos 1930. Pior: uma plena recuperação do fluxo de comércio aos níveis de 2007 e 2008 deverá ocorrer apenas a partir de 2012.

Os dados foram divulgados pelo Escritório de Análise Econômica da Holanda, considerada uma entidade de referência sobre dados comerciais. A constatação é de que a América Latina terá um dos piores resultados comerciais neste ano. No mundo, a nova projeção indicou uma queda do comércio de 12,5% em volume em 2009. Para 2010, os países ricos continuarão a sofrer queda das exportações.

Os especialistas holandeses estimavam que o comércio mundial iria encolher em mais de 10% em 2009, bem acima de qualquer previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em valores, a queda seria de 22%.

Esses números não eram vistos desde os anos 30. A partir de 1945, não há nenhum registro de quedas como a que teremos neste ano, afirmou Wim Suyker, autor da projeção. O encolhimento do comércio é drástico e afetará em cheio a América Latina. A queda na demanda nos países ricos, a falta de créditos para exportação e ainda as medidas protecionistas devem aprofundar a crise no setor comercial.

A América Latina sofrerá uma queda de 11,5% nas exportações no ano. A redução é a maior entre todas as regiões de países em desenvolvimento. Na Ásia, a queda será de 10,75%, ante 6,5% apenas na China.

Os últimos meses de 2008 já tiveram um impacto no comércio latino-americano. O ano terminou com uma queda de 2% no volume exportado pela região ao mundo e a América Latina foi o único continente a sofrer uma contração.

O Brasil, por sua dependência em exportações de commodities, será um dos países mais afetados, afirmou Suyker. Segundo ele, a queda deverá ser de pelo menos 11%. Outro país na região que sofrerá em 2009 será o México, diante de sua relação comercial de proximidade com a economia americana, em plena recessão.

Parte da explicação para o resultado negativo no Brasil está nos países ricos. A previsão é de que os Estados Unidos reduzirão as compras de produtos importados em 14% em volume em 2009. Na Europa, a queda será de 10,5%, e no Japão de 20%. Já a China, um dos principais mercados para as exportações latino-americanas, sofrerá redução nas importações de 9,5% em 2009. A queda das importações na América Latina também será substancial, com 12,5% neste ano, após um crescimento de 3,5% em 2008.

Entre os países ricos, as estimativas apontam para uma queda das exportações de 13,75% em 2009. Nos Estados Unidos, a redução será de 16% em volume, ante 23% no Japão e 12,5% na Europa. Já em 2008, o comércio dos países ricos ficou praticamente estagnado, com alta de apenas 0,7%, já afetados pelos últimos três meses do ano.

O Escritório de Análise Econômica da Holanda, porém, destaca que as exportações mundiais terão leve recuperação em 2010, com alta de 2,25% graças à recuperação da Ásia. A taxa é ainda menor que a de 2008, de 2,7%. A recuperação tímida indica que o mundo levará alguns anos para voltar a ter os mesmos volumes de comércio de 2007 e 2008. Segundo especialistas, isso poderia ocorrer apenas em 2012 ou 2014.

No caso da América Latina, a estimativa é de que as exportações voltem a se expandir em 2% em 2010, em comparação aos níveis baixos de 2009. A taxa será bem abaixo dos demais emergentes, que, em média, vão crescer 4,25%.

e) Votorantim consegue US$ 300 mi para ampliar produção no Peru

O Grupo Votorantim acaba de captar US$ 300 milhões, pelo prazo de vencimento em 12 anos, para usar em investimentos no Peru. A transação, organizada pelo banco japonês Tokyo-Mitsubishi, que foi o agente, contou também com a participação, sob a forma de club deal, das filiais de Tóquio dos franceses Société Générale, BNP Paribas e Calyon. Os bancos entraram em condições de igualdade: recebem a mesma comissão e não há um líder da transação.

A Nexi (Nippon Export and Investment Insurance), seguradora de crédito à exportação do governo do Japão criada em 2001 para apoiar os objetivos do Ministério da Economia, Comércio e Indústria, cobre 97,5% do risco político e 90% do risco comercial da transação. Com isso, os bancos assumem um risco pequeno no total do empréstimo e podem alocar menos capital para ele. A Votorantim consegue alongamento de prazo do financiamento e redução de custos. As taxas de juros pagas pela companhia não foram reveladas.

O empréstimo será destinado para as obras de expansão da refinaria Cajamarquilla de produção de zinco primário do grupo Votorantim no Peru. O grupo está ampliando sua fábrica, onde prevê desembolsar um total de mais de US$ 400 milhões até o fim deste ano. A capacidade de produção da fábrica de zinco será ampliada para 320 mil toneladas por ano, dobrando a capacidade atual. A empresa da Votorantim no Peru chamada Votorantim Metais Cajamarquilla (VMC) vai também produzir 76 toneladas por ano de índio metálico, um mineral raríssimo que é subproduto do zinco e que é usado na produção de telas de LCD, encontradas em monitores de computadores, TVs e celulares. Esse é um dos grandes interesses dos japoneses pelo projeto.

Segundo a Nexi, parte da produção de zinco que será feita graças ao seu seguro será exportada para o Japão. Além disso, a Nexi espera que o índio metálico produzido pela Votorantim no Peru seja vendido para empresas japonesas. Essa é a terceira vez que a Nexi fornece seguro para projetos da Votorantim, segundo comunicado da seguradora.

Os investimentos da Votorantim Metais no Peru começaram a ser feitos no fim de 2004 quando o grupo comprou por US$ 210 milhões a Refineria de Zinc, que fica na cidade de Cajamarquilla, a 25 quilômetros da capital peruana Lima. A empresa pertencia à canadense Teck Cominco (85%) e à japonesa Marubeni (15%).

Além da produção do metal, a Votorantim também é maior acionista da mineradora peruana Milpo, com 34,9% das ações, ficando com seu controle. A Milpo é responsável pelo suprimento de parte das necessidades de concentrado de zinco de Cajamarquilla. No final do ano passado, o grupo comprou ainda 68,11% das ações, classe A, da mineradora peruana de zinco Compañia Minera Atacocha por um total de US$ 117 milhões. A operação foi fechada pela subsidiária do grupo no país, a Votorantim Andina Perú SAC.

f) Projetos da Vale em Carajás puxam expansão de Itaqui

As importações de máquinas e equipamentos para os projetos da Companhia Vale do Rio Doce na Serra dos Carajás, no Pará, estão ajudando o porto do Itaqui, no Maranhão, a manter os volumes de carga neste início de ano. Estamos na contramão da crise, disse Angelo Baptista, presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que controla o porto. Ele afirmou que os projetos de expansão da Vale no chamado sistema norte não pararam com a crise econômica.

Segundo informações da Emap, a Vale importou por Itaqui trilhos, escavadeiras, tratores e caminhões de grande porte, perfuratrizes, pneus e um guindaste. Procurada, a Vale disse que não iria se pronunciar. Segundo Baptista, a Emap tem uma receita alta com armazenagem pelo fato de a mineradora utilizar o porto para fazer a internação de equipamentos e peças. A perspectiva é de manutenção desse ritmo pela expansão das minas de Carajás. Baptista prevê que o faturamento da Emap supere R$ 100 milhões em 2009, um aumento de 25% sobre os R$ 80 milhões de 2008.

Dados da Emap mostram que a exportação de minério de ferro pelo sistema norte da Vale, via Maranhão, não foi tão afetada como os embarques feitos pelo sistema sul, no Espírito Santo. A movimentação do porto também vem sendo sustentada pelos derivados de petróleo, que caíram mas continuam sendo importantes. A importação de diesel por Itaqui somou 592 mil toneladas no primeiro bimestre do ano, volume 6% menor do que igual período de 2008. Em janeiro e fevereiro de 2009, foram exportados 196,4 mil toneladas de derivados de petróleo via Itaqui ante 222,4 mil toneladas em igual período de 2008, menos 11,6%.

No total, as cargas na importação por Itaqui em janeiro e fevereiro, excluindo os derivados de petróleo, somaram 112,4 mil toneladas, volume praticamente igual ao do mesmo período do ano passado (111,8 mil toneladas). Na exportação, Itaqui embarcou, sem considerar os derivados de petróleo, 461,6 mil toneladas no primeiro bimestre, 271% acima de igual período de 2008. Baptista disse que a queda na movimentação de ferro-gusa está sendo compensada por outras cargas.

Baptista prevê crescimento na exportação de soja pelo porto, que, em 2008, movimentou 1,7 milhão de toneladas do produto. Segundo a Emap, o aumento nas exportações de soja será determinado pela expansão da ferrovia Norte-Sul, que permitirá escoar parte da produção agrícola do Mato Grosso. A Norte-Sul se liga à Estrada de Ferro de Carajás (EFC), que chega até Itaqui.

Uma missão da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA, na sigla em inglês) visitou o porto do Itaqui para discutir, segundo o presidente da Emap, os termos finais de um convênio para financiar estudos técnicos relacionados à expansão do porto. A Emap estima o custo desses estudos em US$ 8 milhões, os quais seriam bancados pela JICA. A expansão será necessária considerando-se a instalação no Maranhão de novos projetos industriais, incluindo a possibilidade de uma refinaria da Petrobras. Julio Akira Inoue, coordenador de projetos da JICA no Brasil, disse que a aprovação dos estudos para expansão do porto do Itaqui depende da matriz da agência, no Japão.

Agronegócio

a) Dia de otimismo sobre a economia e queda do dólar sustentam grãos

Um novo surto de otimismo em relação ao comportamento das economias americanas e global no curto e médio prazos dominou ontem os mercados de commodities agrícolas e determinou a valorização de milho, trigo e soja na bolsa de Chicago.

Colaboraram para esse otimismo a preocupação do G-20 com ativos tóxicos e o fato de Ben Bernanke, presidente do Fed (banco central americano) ter declarado que a recessão nos Estados Unidos poderá ter fim ainda em 2009. A desvalorização do dólar em relação a outras moedas também ajudou a sustentar as cotações, já que, em tese, o movimento confere maior competitividade às exportações americanas.

No mercado de trigo em Chicago, os contratos com vencimento em julho, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega (normalmente a de maior liquidez), fecharam a US$ 5,5675 por bushel, alta de 26 centavos de dólar em relação à sexta-feira. Proporcionalmente, foi a maior elevação desde novembro.

Na soja os ganhos também foram expressivos. Os papéis para julho (segunda posição) voltaram a superar a barreira de US$ 9 por bushel e fecharam a US$ 9,07, valorização de 32,25 centavos de dólar. Foi o maior salto desde o início de janeiro deste ano.

No caso do milho, finalmente, a alta observada foi mais modesta. Julho (segunda posição) subiu 3,50 centavos de dólar, para US$ 4,0175 por bushel. Na semana passada, o milho já havia registrado valorização de 7,5% em Chicago, a maior alta semanal de 2009 na bolsa americana.

Os ganhos mantêm as três principais commodities agrícolas com cotações pelo menos 30% superiores às médias históricas na bolsa de Chicago, mas as quedas em relação ao mesmo período do ano passado, quando a ascensão já era vertiginosa, ainda são também superiores a 30%.

Traders realçaram que ganha força a especulação em torno do primeiro relatório de campo do Departamento da Agricultura dos EUA (USDA) sobre as intenções de plantio no país na safra 2009/10, que será publicado no dia 31 deste mês.

b) Rússia já aceita carne suína de SC

O setor produtor de suínos em Santa Catarina comemorou a reabertura comercial do mercado da Rússia para as carnes do Estado, após três anos e três meses sem exportar para o país. Os catarinenses pretendem retomar a liderança na venda global de suínos, perdida para o Rio Grande do Sul após o embargo causado pelo registro de aftosa no Brasil, em outubro de 2005. Mas a retomada formal depende ainda de auditoria do Ministério da Agricultura nos frigoríficos e autorização final de autoridades russas para a habilitação das plantas exportadoras.

Mesmo assim, o vice-presidente da federação estadual de Agricultura (Faesc), Enori Barbieri, afirmou que a reabertura veio em um momento muito crítico do setor. Há 50 mil toneladas de carnes em estoques devido à queda de demanda provocada pela crise mundial. Agora vamos dividir o bolo da Rússia com os outros Estados. Mas isso não resolve a crise da suinocultura aqui. Isso só vai ser solucionado com mais mercado, como Japão e África do Sul, disse. A retomada, avaliou, resulta do uso da força diplomática pelo governo brasileiro, que esteve na Rússia em negociações diversas vezes.

Para o presidente da associação da indústria exportadora (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, a decisão russa corrige uma injustiça com Santa Catarina. Antes tarde do que nunca. Não muda o volume total a ser exportado, mas corrige a injustiça. Ele recebeu carta do Ministério da Agricultura informando a reabertura, condicionada às auditorias.

A suspensão dos embarques para a Rússia começou a ceder no fim de 2007, quando restabeleceu autorização a diversos Estados para exportar. Santa Catarina estava nesta lista, mas os russos não habilitaram nenhum frigorífico. Nas últimas tentativas de retomar os embarques, no início deste ano, o Estado chegou a pedir ao governo federal para negociar uma troca de carne suína por trigo russo.

A indústria prevê que a exportação para a Rússia neste ano varie de 50 mil a 150 mil toneladas. Nos tempos áureos, o volume atingia 250 mil toneladas - mais da metade dos embarques do Estado. Os números são menos otimistas devido à crise, que afetou a oferta de crédito também para os russos. O presidente da associação estadual de criadores (ACCS), Wolmir de Souza, espera uma reação dos preços ao produtor. Hoje, os produtores recebem R$ 1,60 pelo quilo do suíno vivo. Espero que, em abril, os preços já cubram os custos de produção, que chegam a R$ 2,20, disse.

c) Consumo de café sobe pouco e afeta objetivo para 2010

A ambiciosa meta das indústrias de café de atingir um consumo de 21 milhões de sacas em 2010 no país não deverá se concretizar neste prazo. A desaceleração do crescimento em 2008 e ao que tudo indica também neste ano deixará o Brasil ainda como o segundo maior consumidor mundial, atrás dos Estados Unidos, até pelo menos 2012, quando este marco, enfim, poderá ser alcançado, de acordo com a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café).

No ano passado (ano-base outubro de 2007 a novembro de 2008), o consumo alcançou 17,66 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento de 3,2% sobre igual período do ano anterior. Apesar do incremento significativo do consumo em 550 mil sacas, a Abic projetava uma elevação ainda maior, entre 5% e 6% ao ano, a partir de 2004. As indústrias estipularam uma meta muito desafiadora para o setor, afirmou Nathan Herszkowicz, diretor da Abic.

Dados, ainda preliminares, indicam que haverá elevação do consumo de café em 2009, mas será bem tímido. Uma indicação entre novembro de 2008 e fevereiro mostra um crescimento nas vendas um pouco abaixo de 1%, de acordo com Herszkowicz.

A crise financeira global até afetou o avanço do consumo de café no país, mas, para Herszkowicz, o dilema das torrefadoras é outro. De acordo com pesquisa encomendada pela Abic, 97% da população acima de 15 anos garante que consome café. A base para o avanço do consumo ficou menor.

Para este ano, o mercado interno deverá consumir 18,2 milhões de sacas. Para 2010, ainda não há estimativas prontas. A meta desafiadora da Abic era alcançar 21 milhões de sacas no ano que vem.

O setor também foi atingido pela crise. Os custos de produção estão altos e as indústrias estão fazendo ajustes, disse Herszkowicz.

Segundo a Abic, as exportações brasileiras de café torrado e moído alcançaram US$ 35,6 milhões em 2008 (com embarques de 135 mil sacas), um aumento 37% sobre o ano anterior. Para 2009, a meta é atingir uma receita de US$ 42 milhões, com 160 mil sacas embarcadas.

O avanço no exterior será focado em três países: Chile, Turquia e Cingapura. Segundo Herszkowicz, esses países foram escolhidos por registrar um mercado interno carente e um potencial de exportação grande. Para o Chile, as indústrias já fecharam campanhas com a associação da alta gastronomia daquele país para impulsionar o consumo de café.

Mercosul

a) Kirchner decide evitar negociações comerciais antes de visita ao Brasil

Após obter garantia do governo brasileiro de que apoiará a restrição voluntária de exportações de alguns setores industriais para a Argentina, a presidente Cristina Kirchner tomou providências para evitar que os contenciosos comerciais entre os dois países atrapalhem a visita ao Brasil, no fim da semana. Foi excluída da agenda dos próximos dias qualquer reunião entre empresários e governos dos dois países destinada a negociar as limitações de comércio entre os maiores sócios do Mercosul.

O governo Kirchner tem a preocupação de evitar más notícias durante a visita, como seria um eventual impasse na negociação de restrições de exportação entre empresários argentinos e brasileiros. Os argentinos querem impor limites às vendas, no mercado local, de mercadorias brasileiras de setores como calçados, têxtil, linha branca, papel, motocicletas, tratores, máquinas agrícolas e produtos de alumínio. O setor privado brasileiro pediu ao governo que incluísse restrições às vendas de farinha de trigo, leite, vinhos e aerossóis argentinos ao Brasil.

Estava marcada reunião para iniciar discussões entre os empresários, sob coordenação dos governos, na quinta-feira. Foi cancelada, a pedido do governo argentino, que adiou o encontro para dia 24. Também por decisão dos argentinos, foi excluída da visita que Cristina Kirchner fará à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a realização, proposta pelos empresários paulistas, de reuniões setoriais entre executivos, destinadas a discutir os problemas localizados de comércio entre os dois países e formular uma estratégia comum para as negociações internacionais de liberalização comercial, a começar pela Organização Mundial de Comércio (OMC).

Os argentinos quiseram manter apenas a visita da presidente, um seminário de caráter acadêmico e rodas de negócio - reuniões de promoção comercial entre empresas argentinas em busca de mercados e eventuais compradores brasileiros. Nada que possa prejudicar o êxito da visita, argumentam os assessores da presidente. Enquanto isso, a Argentina segue com barreiras não-tarifárias, administrando a entrada de importações no país por meio de licenças não-automáticas, emitidas pelos métodos tradicionais, de formulários em papel. A primeira reunião para definir uma espécie de cota para produtos brasileiros deve se realizar em Brasília, na próxima semana.

b) Empresários temem ampliação de barreiras comerciais na Argentina

Os empresários brasileiros estão preocupados com os sucessivos atrasos nas negociações com a Argentina e reclamam que o comércio com o sócio do Mercosul está quase paralisado desde novembro em alguns produtos. O setor privado também teme que o governo argentino amplie o número de produtos sujeitos a licenças não-automáticas de importação, uma barreira burocrática, na próxima semana.

É um absurdo e transcende qualquer grau de compreensão com a situação da Argentina, disse Fernando Pimentel, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Ele acrescentou que o clima na indústria têxtil brasileira em relação ao governo argentino é o pior possível. Segundo a Abit, 30% das exportações do setor para a Argentina estão sujeitas a barreiras e vai chegar a 40% com as novas medidas previstas, que atingem cama, mesa e banho. A reunião entre os setores privados dos dois países, inicialmente marcada para amanhã, havia sido adiada para a próxima semana, porque o governo argentino não queria contaminar com uma agenda negativa a visita da presidente do país, Cristina Kirchner, a São Paulo, na sexta-feira.

O país rompe com todos os acordos e vai ficar por isso mesmo. Estão empurrando com a barriga, disse José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Móveis (Abimóvel). O setor é um dos prováveis prejudicados com as novas barreiras. Para o executivo, o problema é grave porque o país vizinho se tornou o segundo maior cliente do Brasil no exterior. Os Estados Unidos cortaram suas compras pela metade, buscamos um outro mercado e agora isso, reclamou.

Segundo Ivan Ramalho, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, os argentinos estão com dificuldade em organizar a agenda para vir até Brasília. Da parte do governo brasileiro, iniciaremos o mais rápido possível, disse. Promover acordos de restrição de exportações entre privados é uma sugestão das diplomacias dos dois países para diminuir os conflitos, mas há resistências em outros setores do governo argentino. O comércio bilateral entre os sócios do Mercosul foi duramente atingido pela crise. No primeiro bimestre do ano, as exportações do Brasil para a Argentina caíram 49% e as importações, 44%.

Outro ponto que também preocupa os empresários brasileiros é a perspectiva de novas barreiras. Conforme resolução publicada no Diário Oficial da Argentina, serão incluídos no regime de licenciamento não-automático 58 novas posições tarifárias a partir da próxima semana, como têxteis (cama, mesa e banho), móveis e máquinas. O percentual de exportações brasileiras sujeito a barreiras deve subir dos atuais 7% para 14%, conforme a Abeceb.com

Para o setor privado brasileiro, os argentinos estão confortáveis com a situação e não tem pressa em negociar. Com as licenças não-automáticas , o governo do país controlaria a entrada de produtos sem discutir os volumes com o Brasil. O governo já assegura o que os empresários argentinos querem, disse Maria Tereza Bustamante, coordenadora de comércio exterior da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros). Ela disse que seu setor já está sujeito às licenças e que até poderia negociar um acordo, se a proposta viesse dos argentinos.

Os setores têxtil, calçadista e de linha branca ainda não receberam dos argentinos as propostas de cotas ou tarifas para os acordos de restrição de exportações. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) não havia sido informada do interesse argentino em incluir produtos como celulares no pacote. O governo da Argentina entregou ao Brasil na semana passada uma lista de 37 produtos sensíveis, que deveriam estar nos acordos. Conseguir um entendimento entre todos esses setores ao mesmo tempo não será fácil.

c) No Paraguai, senadores se opõem à Venezuela

As medidas internas polêmicas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, respingaram outra vez no processo de adesão do país ao Mercosul. Depois de determinar na segunda-feira a intervenção federal em portos e aeroportos administrados pela oposição nos estados de Zulia e Carabobo, Chávez recebeu críticas da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, em espanhol). A instituição divulgou em Assunção (Paraguai) um comunicado no qual destaca que a situação da liberdade de imprensa piorou na região nos últimos seis meses. Os governos populistas que continuam ditados pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, intensificaram suas campanhas de abuso e ridicularização das empresas midiáticas e seus repórteres.

Para a Venezuela entrar de vez no Mercosul, falta apenas a resposta dos senados brasileiro e paraguaio, mas alguns partidos do Paraguai deram sinais de que não vão confirmar o novo país-membro. Consideramos que as declarações e atuações do presidente Hugo Chávez em nível internacional se distanciam muito do aspecto democrático que reclama o Mercosul como um de seus pontos fundamentais , disse em entrevista coletiva o senador do Partido Pátria Querida (PPQ, centro-direita) Marcelo Duarte. Não entrará só a Venezuela, também entrará seu regime político que é altamente conflitivo e, neste momento, a região não necessita de novos conflitos.

O tema está agora na Comissão de Constituição do Senado paraguaio e, na próxima quinzena, os 45 senadores da Casa devem votar se ratificam ou não a Venezuela como membro pleno do bloco. Vamos analisar todos os prós e contras da presença da Venezuela como país-membro do Mercosul, disse ao Correio o vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado paraguaio e senador pelo Partido Colorado, Orlando Fiorotto.

Segundo ele, os senadores se debruçam agora sobre a cláusula democrática do Mercosul, as intervenções em assuntos internos de outros países do continente, e as restrições ou fechamento de meios de comunicação. Temos de fortalecer o Mercosul assim como está, afirmou o senador da bancada vanguardista do Partido Colorado, destacando que Brasil e Argentina deveriam abrir mais seus mercados aos produtos paraguaios e uruguaios e demonstrar que querem levantar as economias da região.

Enquanto os senadores de oposição prometem barrar a Venezuela, o chanceler do Paraguai, Alejandro Hamed Franco, declarou seu apoio a Caracas. Não vejo por que, principalmente no Paraguai (não se aprova o pedido de entrada), se a Argentina e o Uruguai já o aceitaram. O Brasil está a caminho de aceitá-lo , disse. No entanto, quem preside o Senado brasileiro é José Sarney, um dos parlamentares que mais criticam o estilo de governo do venezuelano. Ambos trocam farpas desde 2007, quando Chávez acusou o Senado, em Brasília, de ser papagaio de Washington . O protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul foi assinado em 2006, mas até agora só os congressos de Argentina e Uruguai o ratificaram.

O próximo encontro de líderes sul-americanos será em abril, durante a Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Chávez afirmou ontem que está preparando uma boa artilharia para a reunião. Haverá uma boa artilharia... Acho que os canhões vão ser ouvidos aqui, disse. O venezuelano pretende questionar a ausência de Cuba no evento e debater o bloqueio comercial dos Estados Unidos contra a ilha. O presidente dos EUA, Barack Obama, estará presente.

d) Brasileiros e argentinos discutem divergências comerciais no dia 25

Representantes de empresas brasileiras e argentinas vão se reunir na quarta-feira, dia 25, em Buenos Aires para discutir uma solução para os desequilíbrios do comércio bilateral. O encontro foi anunciado pelo Ministério da Produção da Argentina através de um comunicado. De acordo com a nota, a reunião setorial foi decidida pelos ministérios de Relações Exteriores, Produção e Desenvolvimento de ambos os países, durante encontro do Grupo de Trabalho realizada dia 12 em Buenos Aires.

A reunião estava marcada mas foi adiada a pedido da presidente Cristina Kirchner, que se encontra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo. O governo argentino temia que a falta de acordo entre os empresários comprometesse o êxito da visita presidencial.

Espera-se que surjam desta rodada os primeiros acordos setoriais através da negociação direta dos empresários, sob a forma de cotas de mercado ou estabelecimento de preços mínimos, informava o comunicado.

Com o argumento de proteger sua indústria contra a invasão de produtos importados, o governo argentino passou a impor licenças não-automáticas para diversos setores. Na reunião do dia 12 houve uma troca de listas de produtos considerados sensíveis à concorrência de importados.

A lista argentina continha 37 produtos dos setores eletrodomésticos, automotivo e autopeças, maquinaria agrícola, têxteis e confecções, metalurgia e materiais elétricos. A lista brasileira era composta de farinha de trigo, leite em pó, milho, aerossóis, automóveis, têxteis, calçados, produtos metalúrgicos, vestuário, linha branca, couro e borracha, papel e celulose, móveis, ferramentas e metais.

Representantes das Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da Associação de Indústrias Metalúrgicas da Argentina (Adimra) se reuniram em São Paulo. Embora não fosse o tema oficial do encontro, as licenças não-automáticas de importação para máquinas agrícolas e tratores, que entram em vigor no dia 25, também fizeram parte das discussões. Precisamos verificar se o origem dos problemas da Argentina com importações de máquinas é o Brasil ou a Ásia, disse Mário Mugnaini, diretor de comércio exterior da Abimaq.

Segundo ele, o setor está disposto a negociar com seus colegas argentinos, depois da visita da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na sexta-feira.

e) Superávit com Argentina cai a US$ 24 milhões

Com a forte queda do comércio bilateral, a Argentina está prestes a zerar seu déficit com o Brasil depois de cinco anos. O saldo mensal entre importações e exportações está negativo para a Argentina há 70 meses e vinha em alta no ano passado até julho, quando atingiu US$ 578 milhões. Depois começou a cair até chegar a fevereiro de 2009 a US$ 24 milhões, o nível mais baixo desde junho de 2003. No acumulado de 2008, o déficit da Argentina no comércio com o Brasil atingiu o recorde de US$ 4,3 bilhões.

A redução do saldo negativo poderia ser uma boa notícia para os argentinos se não fosse reflexo de uma queda pela metade do fluxo comercial com o Brasil, seu principal parceiro comercial, situação acirrada pela crise econômica mundial que chegou à América Latina. Também é resultado de uma série de barreiras à entrada de uma enorme lista de produtos importados, muitos dos quais procedentes do Brasil. As barreiras já afetam 15% do comércio entre os dois países.

Na quarta-feira, as barreiras aumentaram ainda mais com uma Nota Externa (24/2009) da aduana argentina que ampliou em oito itens a lista de produtos sujeitos os valores-critério - um sistema de valoração de importados que impõe preços mínimos para a entrada de produtos no país, com o objetivo de evitar o subfaturamento. Nesta nota foram acrescentados oito tipos de suéteres e aventais de tecidos e modelos variados.

Na próxima semana, empresários brasileiros vão se encontrar com seus pares em Buenos Aires para discutir uma solução para a retomada do fluxo do comércio e, ao mesmo tempo, discutir os limites impostos pelos argentinos. O setor de máquinas agrícolas argentino quer manter o controle das importações brasileiras só até que haja uma melhora das vendas. Já o setor têxtil fala em manter a proteção por mais dez anos.

No caso de máquinas agrícolas, o presidente da câmara de fabricantes (Cafma), Jose Maria Alustiza, explicou que o setor não é contra importações, e nem poderia ser porque a capacidade instalada cobre apenas 50% da demanda quando a agricultura está em plena atividade (o que aconteceu até 2007). A dificuldade agora, diz ele, é que por causa de três pragas que atingiram a lavoura argentina (a crise política governo-campo, a crise internacional que derrubou os preços das commodities e a seca), o mercado de máquinas agrícolas que vinha em baixa, caiu 90% no primeiro bimestre de 2009, ou seja, praticamente desapareceu.

A Argentina tem um parque industrial de máquinas agrícolas composto por aproximadamente de 600 empresas, a maioria pequenas e médias, que estão fechando as portas e demitindo empregados. Neste setor a briga é diretamente com o Brasil que é o maior fornecedor de máquinas e implementos para a Argentina: 62% das importações de colheitadeiras e 82% dos tratores vêm de fábricas instaladas no Brasil. O restante é dividido entre fábricas alemãs, americanas e italianas, não há praticamente nenhuma concorrência de asiáticos. Somo a favor do livre comércio e não temos problemas com o Brasil, garante Alustiza. E completa: Esse é um caso pontual de assimetria econômica.

A negociação entre os empresários será difícil. O governo da presidente Cristina Kirchner não tem a menor intenção de voltar atrás nas medidas de bloqueio aos importados e tem o apoio de todo o empresariado local. Na verdade, ambos os países aplicam licenças não-automáticas, afirma Felix Peña, especialista em relações econômicas internacionais e ex-subsecretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia Argentina (1999).

Peña menciona um documento recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) informando que o Brasil aplica licenciamento não-automático para 3.500 linhas tarifárias, muito mais que a Argentina. Todos têm os seus pecados, disse. No entanto, ele lembra que no Brasil o sistema é informatizado e a aplicação de licenciamento é ágil, obedecendo ao prazo máximo de 60 dias estabelecido pela OMC. Já na Argentina o sistema é manual implicando demora nos procedimentos, segundo queixa dos empresários brasileiros.

Organização Mundial do Comércio (OMC)

a) Brasil vai à OMC pelo etanol

Um levantamento feito pelo próprio governo americano coloca em dúvida a capacidade dos Estados Unidos de cumprirem sua meta de expandir a produção de etanol no país na próxima década. O resultado veio no mesmo momento em que o Brasil cobrou uma explicação dos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre seus subsídios ao etanol. A diplomacia americana rejeitou classificar os programas de ajuda como incentivos ilegais e ignorou o pedido de esclarecimentos.

Na quinta-feira, o Itamaraty questionou os americanos e pediu um esclarecimento sobre o apoio financeiro dado ao setor de biocombustíveis. O Brasil queria saber se um programa de incentivo fiscal não seria um subsídio agrícola ilegal, que estaria contribuindo para distorcer o mercado. Os incentivos seriam de US$ 100 milhões por ano em redução de impostos.

Em resposta ao pedido de esclarecimento do Brasil, o governo americano alegou que já havia dado explicações e alertou que não concordava com a interpretação de que os incentivos pudessem ser classificados como subsídios agrícolas. Para os diplomatas americanos, o assunto nem sequer é um debate agrícola e os programas já teriam sido notificados como incentivos numa área industrial.

O questionamento do Brasil na OMC ainda não é uma disputa legal. O tema foi apenas levantado em um comitê regular da OMC. No ano passado, Brasil e Canadá iniciaram consultas para questionar a política de subsídios dos EUA na OMC, incluindo três programas de apoio à produção de etanol.

Estudo feito pelo Departamento de Energia americano indicou que o país dificilmente conseguirá atingir sua meta de 36 bilhões de galões de etanol até 2022, como foi estipulado em 2007. No mundo, a produção de etanol dobraria até 2020, com 50 bilhões de galões. Em 2030, esse volume chegaria a 80 bilhões. Mas, os americanos não conseguiriam atingir sua meta diante das dificuldades em produzir milho suficiente para ser transformado em etanol.

Plano Internacional

a) Encontro Lula-Obama reduz chances de Doha

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no primeiro encontro entre os dois: discursos falam em ação conjunta para o G-20, mas formato da cooperação não ficou claro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicaram no fim de semana que consideram bastante remotas as possibilidades de uma retomada das negociações da Rodada Doha de liberalização comercial enquanto o mundo estiver sofrendo os efeitos mais severos da crise econômica internacional.

A falta de entusiasmo com que os dois se expressaram sobre o assunto após a reunião que tiveram sábado na Casa Branca tende a esfriar ainda mais o ânimo dos negociadores da Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem se esforçado para reativar as discussões desde que elas foram suspensas, em julho do ano passado.

Acho que na crise econômica é mais difícil a gente concluir o acordo, disse Lula numa entrevista ao lado de Obama, indo em direção contrária à dos pronunciamentos que fizera nos dias anteriores ao encontro. Há duas semanas, numa entrevista ao The Wall Street Journal, o presidente definira o momento atual como o mais oportuno para a gente discutir a rodada.

Tanto Lula como Obama disseram continuar interessados em um acordo, mas ambos fizeram questão de enfatizar os obstáculos que a rodada enfrenta. Pode ser difícil para nós finalizar vários acordos comerciais no meio de uma crise econômica como esta, disse Obama, referindo-se a Doha e três tratados bilaterais assinados pelo ex-presidente George Bush que o Congresso não aprovou até agora.

Num relatório recente para o Congresso, o governo Obama acusou o Brasil e outros países em desenvolvimento de impedir o avanço da Rodada Doha ao relutar em abrir mais seus mercados a produtos importados. O Brasil e outros países emergentes criticam os EUA por se recusar a promover cortes mais substanciais nos subsídios recebidos pelos fazendeiros americanos.

Lula e Obama estiveram juntos por duas horas no sábado, no primeiro contato pessoal dos dois presidentes. Eles disseram que pretendem trabalhar juntos na busca de soluções para a crise e propostas para a próxima reunião de líderes do G-20, o grupo de países ricos e potências emergentes que tem um encontro marcado para abril, em Londres.

Os dois dirigentes não deixaram claro o formato que essa cooperação poderá ter. Lula disse que Obama sugeriu a criação de um grupo de trabalho para apresentação de uma proposta conjunta dos dois governos. Obama disse apenas que haverá reuniões entre ministros dos dois lados para coordenar nossas atividades para fortalecer o crescimento econômico global.

O encontro de sábado também serviu para deixar claro que os EUA não pensam em abrir tão cedo o mercado americano para o etanol produzido no Brasil, uma reivindicação que Lula e os usineiros brasileiros tem feito com insistência. Na entrevista ao lado de Lula, Obama admitiu que as barreiras tarifárias impostas ao álcool importado geram tensão entre os dois países, mas disse que o problema só será solucionado com o tempo.

Num encontro na sexta-feira em Washington, o secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, disse a representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) que não há a menor possibilidade de eliminar as tarifas do etanol no curto prazo. A legislação em vigor assegura sua manutenção até o fim de 2010 e sua retirada agora poderia aumentar os problemas gerados pela crise econômica para a indústria americana de etanol.

Mas Lula indicou no fim de semana que está interessado em abrir uma nova frente de cooperação entre os dois países nessa área, explorando oportunidades que poderão surgir para usinas de álcool e outras indústrias brasileiras se Obama levar mesmo para frente o audacioso programa de combate às mudanças climáticas que está começando a ser discutido em Washington.

O plano de Obama inclui um sistema de controle dos gases que contribuem para o aquecimento global e a criação de um mercado de créditos de carbono que poderá movimentar centenas de bilhões de dólares por ano. Os usineiros acreditam que créditos acumulados na produção de álcool no Brasil poderão ser negociados nesse mercado, se o país tiver como influir no desenho da política americana.

Numa entrevista na Embaixada do Brasil em Washington após o encontro com Obama, Lula disse que a associação de biocombustíveis como o etanol aos esforços para combater as mudanças climáticas tornou-se a área mais promissora para o aprofundamento das relações do Brasil com os EUA. Estou convencido de que vamos dar passos extremamente importantes, disse. Essa coisa está maturada.

b) Opep mantém produção de petróleo até maio

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordou em manter inalterada a produção de petróleo do cartel, mas ministros disseram que cumprirão com maior rigor suas metas. O cartel volta a se reunir novamente no dia 28 de maio para reavaliar o equilíbrio entre a oferta e a demanda, disse o ministro de Petróleo do Catar, Abdullah al-Attiyah.

Por sua vez, a Líbia afirmou que a Opep cortará sua produção na reunião de maio se for necessário. Antes do encontro deste domingo, de quase seis horas, ministros da Opep disseram que o primeiro item a ser debatido seria um rigoroso cumprimento dos acordos acertados desde setembro para a redução da oferta em 4,2 milhões de barris por dia.

Mas alguns integrantes do grupo disseram querer uma redução maior para evitar maiores quedas no preço e o aumento dos estoques com a baixa demanda.

Na sexta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) e a Opep haviam reduzido suas previsões para a demanda por petróleo em 2009 pelo sétimo mês consecutivo e cortaram as estimativas de oferta, uma vez que a crise econômica mundial mina o consumo e os investimentos em novos campos.

As duas organizações preveem que a demanda vai cair em mais de 1 milhão de barris ao dia este ano. A AIE, sediada em Paris e consultora de 28 países, reduziu a sua projeção de consumo para 84,4 milhões de barris ao dia, um declínio de 1,25 milhão de barris em relação ao de 2008. A estimativa da Opep foi de uma queda para 84,6 milhões de barris por dia, um corte de 1,01 milhão de barris.

O colapso da demanda tem sido assombroso, baseado no turbilhão da crise na economia mundial, disse a AIE em seu relatório mensal sobre o petróleo, divulgado sexta-feira. Os países da Opep, que também publicaram na sexta-feira a sua análise mensal do mercado, disseram que a terrível situação econômica está provocando a queda. As duas organizações normalmente divulgam seus relatórios em dias diferentes.

O contrato de WTI negociado para o mês de abril caiu 78 centavos de dólar na sexta-feira, para US$ 46,25. Em Londres, o barril de Brent para o próximo mês caiu 16 centavos de dólar, para US$ 44,93.
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