19 a 23 de novembro de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Cliente no óleo, China resiste a biocombustível
Empresas pedem livre comércio
Exportações terão em 2008 o menor crescimento em 5 anos

Agronegócio

Renda agrícola em ritmo de alta
UE cobra fiscalização mais rígida da carne brasileira
Custo de importação de alimentos sobe 21%

Mercosul

Petrobras congela gasoduto de Chávez
Argentina propõe parceria na área de energia
Bolívia prioriza fornecimento ao País

Argentina propõe que Mercosul taxe a exportação agrícola

OMC

G-20s com objetivos diferentes
Briga entre China e Taiwan pára OMC
Panorama visto da OMC
OMC permite uso de medida por prazo limitado

Plano Internacional

Argentina rejeita flexibilidade por nação
Exterior sustenta lucro de empresas dos EUA




Comércio Exterior

a) Resultados

O superávit comercial em novembro registra uma queda de 11,8% em relação à média diária de novembro do ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O ritmo forte das importações tem reduzido o saldo, que, no ano, já é 10,8% menor do que em 2006.

As exportações acumulam US$ 139,28 bilhões no ano, com alta de 15,5%, e as importações, US$ 103,48 bilhões, uma expansão de 28,7%, resultando em um saldo positivo de US$ 35,80 bilhões.

Na terceira semana de novembro, a balança apresentou exportações de US$ 2,67 bilhões e importações de US$ 1,98 bilhão, resultando em superávit de US$ 693 milhões. Com isso, as vendas externas subiram para US$ 6,91 bilhões no mês e as importações para US$ 5,49 bilhões, com superávit de US$ 1,42 bilhão. A média diária das importações em novembro é de US$ 549 milhões, 26,8% acima da média de 2006, enquanto as exportações, com média diária de US$ 691,9 milhões, têm alta de 16,3%.

b) Cliente no óleo, China resiste a biocombustível

A Petrobras deverá fechar 2007 com a exportação de 14 milhões de barris de petróleo para a China, o que lhe garantirá receita de US$ 839 milhões. O montante inclui um carregamento que está a caminho do país e tem chegada prevista para os primeiros dias de dezembro. A exportação de petróleo projetada pela estatal para China este ano é igual à de 2006, embora no ano passado a receita tenha sido menor (US$ 823 milhões). Em 2005, a empresa embarcou 6,5 milhões de barris de petróleo à China (US$ 323 milhões).

A venda de petróleo é o caminho mais curto encontrado pela Petrobras para marcar presença no mercado chinês, e a estatal aproveita o fato de ter escritório em Pequim, aberto em maio de 2004, para fazer contato com autoridades governamentais e dirigentes de empresas. Quem já foi executivo de uma grande companhia na China sabe que no país o "guanxi", mistura de poder de influência e rede de relações e interesses, é vital para os resultados nos negócios.

A busca de oportunidades no ponto forte da Petrobras, que é a exploração de petróleo em águas profundas, ainda não deu resultados. Qualquer eventual parceria futura deverá ser estabelecida com a Cnooc, estatal autorizada a fazer joint ventures na área offshore, mas não em águas profundas.

c) Empresas pedem livre comércio

A Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), uma rede de organizações da indústria, comércio e serviços coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), encaminhou ao governo, na semana passada uma proposta de abertura de negociações de um acordo de livre comércio com o México. A intenção dos empresários é acelerar a liberalização do comércio bilateral entre os dois países que já têm um Acordo de Complementação Econômica (ACE), ou seja, de redução de tarifas.

O atual acordo permite que cada país membro do bloco sul-americano avance no comércio com os mexicanos bilateralmente, segundo suas necessidades. No caso do Brasil, a lista de produtos com preferência tarifárias possui 800 produtos. De acordo com a analista de negociações internacionais da CNI, Lúcia Maduro, o avanço do acordo comercial entre Brasil e México servirá para resolver problemas de deslocamento de produtos que o Brasil está enfrentando no mercado mexicano. Isso tem ocorrido porque o México tem diversificado seus acordos comerciais, por isso, os produtos brasileiros estão perdendo mercado para outros países.

O superávit brasileiro em relação ao México vem caindo. Até setembro ficou em US$ 1,7 bilhão. O Brasil exportou US$ 3.082 bilhões e importou US$ 1.379. No ano passado, até setembro, o país havia exportado US$ 4, 4 bilhões e importado US$ 1,3 bilhão, ou seja, o saldo foi de US$ 3, 1 bilhões.

d) Exportações terão em 2008 o menor crescimento em 5 anos

O Brasil deverá exportar o equivalente a US$ 172 bilhões no ano que vem, apenas 10% acima dos US$ 157 bilhões projetados para este ano. A estimativa foi divulgada ontem pelo Secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. Será o menor crescimento das vendas externas brasileiras desde 2003. A projeção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior já inclui "alguma piora" da economia americana.

"Ainda que tenha uma redução das importações americanas, isso vai afetar todos os países, inclusive o Brasil. Mas o Brasil está reduzindo sua vulnerabilidade a isso", comentou o secretário-executivo do ministério, Ivan Ramalho. Segundo ele, 20% das vendas externas brasileiras vão para os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil, enquanto os 80% restantes estão "distribuídos por mais de uma centena de países".

Ramalho também explicou que o Brasil quer reduzir os superávits comerciais que tem com os parceiros sul-americanos. Ele argumenta que o País vem aumentando as importações num ritmo mais intenso, em torno de 30% ao ano, e que nas compras de produtos de países asiáticos o aumento é ainda maior. Chega a 50% de crescimento, no caso da China. O presidente da AEB, Benedito Moreira, criticou a decisão, dizendo que o País parece estar "pedindo desculpas" aos parceiros, por estar ganhando no Comércio Exterior.

Agronegócio

a) Renda agrícola em ritmo de alta

As projeções de que a produção brasileira de grãos será em geral maior e mais valorizada nesta safra 2007/08 deverão garantir a continuidade da recuperação da renda agrícola ("da porteira para dentro") no país no ano que vem.

Levantamento concluído na semana passada por José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, sinaliza que a receita conjunta dos 20 principais produtos do campo nacional alcançará R$ 119,7 bilhões em 2008, 2,6% acima do montante previsto para 2007 (R$ 116,7 bilhões, 11,6% superior ao do ano anterior).

É a primeira estimativa de renda agrícola do governo para o próximo ano. Foi finalizada a partir da publicação, em 8 de novembro, do primeiro prognóstico do IBGE para a safra de grãos que está sendo plantada - que indicou colheita de 137,1 milhões de toneladas em 2008, 2,9% mais que neste ano. O valor envolve apenas produção agrícola.

b) UE cobra fiscalização mais rígida da carne brasileira

Técnicos da União Européia (UE) que estiveram inspecionando fazendas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas, Paraná e São Paulo apontaram falhas no combate de doenças no rebanho nacional, principalmente a febre aftosa. Numa reunião tensa com representantes da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, eles pediram mais agilidade nas ações do governo e alertaram para a necessidade de que os programas para eliminar a doença sejam colocados em prática.

Atualmente, a União Européia não importa carne in natura do Mato Grosso do Sul e do Paraná, devido ao surgimento de focos de aftosa em 2005. Pela proximidade geográfica, também a produção de São Paulo foi barrada. A UE é o principal mercado para a carne brasileira, absorvendo 33% das exportações.

Na reunião os europeus demonstraram preocupação em relação ao sistema de fiscalização de trânsito de animais. Eles temem que animais de áreas não aprovadas pela Comissão Européia sejam abatidos em áreas aprovadas e que a carne seja enviada para o bloco. Sobre o controle de trânsito de gado nas fronteiras do País, os técnicos não apontaram inconformidades, disse uma fonte do governo.

c) Custo de importação de alimentos sobe 21%

Países importadores de alimentos enfrentam custo recorde para obter os produtos este ano. O valor global dessas importações deve aumentar 21%, alcançando US$ 745 bilhões. A fatura dos países em desenvolvimento como um todo deve subir 25%.

Os dados foram apresentados ontem pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), no comitê agrícola da Organização Mundial do Comercio (OMC). A entidade faz a avaliação a partir do ponto de vista importador. Em outros estudos, sempre destacou que o Brasil é um dos principais ganhadores, como grande exportador competitivo.

Em setembro, o custo dos alimentos era 37% maior do que no mesmo período do ano passado. A entidade destaca que alta ou baixa de preços não é raro nos mercados agrícolas. O que distingue a atual situação é como esse fenômeno está propagado, afetando não algumas, mas quase todas as commodities agrícolas.

Isso leva consumidores de países importadores a pagar mais pelo pão, pasta, leite e carne. Segundo a FAO, a atual situação, especialmente "atípica", só não eleva o preço do açúcar, do qual o Brasil é o maior produtor mundial. Ao mesmo tempo, porém, a ajuda alimentar fornecida por países ricos declina - é 45% menor do que há oito anos.

Mercosul

a) Petrobras congela gasoduto de Chávez

A desistência da Petrobras do campo de Mariscal Sucre, na Venezuela, congelou a participação do Brasil no Gasoduto do Sul, megaprojeto do presidente Hugo Chávez. Uma das razões que incentivavam a estatal brasileira a investir no gasoduto de cinco mil quilômetros era justamente o escoamento da parcela de gás natural que exploraria no campo venezuelano - cerca de 18 milhões de metros cúbicos por dia, equivalentes a 60% das importações da Bolívia.

Os problemas da Petrobras com a Petroleos de Venezuela SA (PDVSA) não terminaram em Mariscal Sucre. As empresas também não conseguiram até agora encontrar uma equivalência acionária nos projetos que acordaram tocar juntas nos dois países desde o ano passado, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o campo gigante de petróleo de Carabobo, na Venezuela.

O Gasoduto do Sul ficou congelado; por enquanto não tem participação da Petrobras neste projeto - afirmou o gerente-executivo da área Internacional da companhia, Samir Awad, em entrevista à Gazeta Mercantil. A saída da Petrobras do Gasoduto do Sul deverá ser oficializada em dezembro, após reunião na Venezuela entre diretores das duas empresas.

b) Argentina propõe parceria na área de energia

Investimentos da Petrobras em águas profundas do litoral argentino, cooperação nuclear e a construção de uma hidrelétrica de 2,2 megawatts, a Garabi binacional, estão entre os principais temas que a presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, quer discutir com o governo brasileiro, na agenda de cooperação entre os dois países.

Cristina informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se preocupa também com o acordo automotivo entre os dois países, que expira neste ano, e que quer discutir com o Brasil mecanismos de financiamento de investimentos de projetos de interesse comum.

Ao relatar a conversa privada com Lula, seguida de reunião ampliada, com ministros dos dois governos, Cristina Kirchner informou que, por sugestão do brasileiro, os dois presidentes passarão a fazer duas reuniões anuais, além dos encontros semestrais do Mercosul, para fazer avançar a agenda comum. "Vamos estabelecer metas, objetivos e prazos para alcançá-los, de maneira que as discussões não sejam só um exercício de reunionismo, mas também tenham resultados concretos", avisou a presidente eleita.

A mandatária argentina informou que propôs a Lula que as reuniões bilaterais não sejam feitas "de ministério a ministério", mas por temas, para que participem todos os ministérios necessários para tirar do papel as decisões dos governos, e que seja designado um responsável pela execução de cada tema. A sociedade nos dois países precisa perceber "resultados concretos" da integração, defendeu. "É bom, não só para a integração, mas para o processo político, ter resultados que possam ser quantificados, mostrados e percebidos pelas duas sociedades." A decisão de tratar com mais freqüência, em reuniões de cúpula, as questões entre os dois governos mostra um interesse maior do que indicavam conversas com ministros argentinos, pouco antes do encontro.

c) Bolívia prioriza fornecimento ao País

A falta de investimentos no mercado boliviano de petróleo e gás começa a causar problemas também na Argentina. O país está recebendo um volume de gás menor do que o contratado com La Paz e ameaça a estatal boliviana YPFB com multa pelo descumprimento de contrato.

Anteontem, o ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, admitiu o problema e disse que só com novos investimentos seu país terá condições de ampliar as vendas externas do combustível.

Bolívia e Argentina se reúnem no início de dezembro, em Santa Cruz de la Sierra, para discutir o assunto. No ano passado, as estatais YPFB e Enarsa assinaram acordo de fornecimento de gás ao mercado argentino por 20 anos. Segundo o contrato, já em 2007 a Argentina deveria receber até 7,7 milhões de metros cúbicos por dia. O volume deve subir para 27,7 milhões de m3 por dia no início da próxima década, após o fim das obras do Gasoduto do Nordeste Argentino (Gnea).

O problema é que, com o aumento do consumo interno e das exportações para a Petrobrás, a YPFB teve de reduzir os volumes para outros clientes. Notícias locais indicam que a Argentina estaria recebendo volumes abaixo dos 4,6 milhões de metros cúbicos indicados como piso em contrato. Por isso, o país ameaça cobrar uma multa de US$ 10 milhões da YPFB.

d) Argentina propõe que Mercosul taxe a exportação agrícola

A Argentina quer discutir com os sócios do Mercosul a adoção de taxa na exportação de produtos agrícolas pelo bloco. Buenos Aires já cobra o imposto de seus exportadores, desde que os preços das commodities dispararam. "Não nos critiquem, juntem-se a nós", é a mensagem argentina para Brasil, Uruguai e Paraguai, em vista da cúpula do bloco nos dias 17 e 18 de dezembro, em Montevidéu, onde gostaria de ver o assunto debatido.

Para o secretário de Comércio Internacional da Argentina, Alfredo Chiaradia, o momento é propício, por causa do excesso de demanda que manterá os os preços elevados. "No mercado internacional não há grãos, produtos lácteos ou carne em quantidade suficiente, a demanda é bem maior que a oferta e essa mudança é estrutural", afirmou. "Se não adotássemos a medida, os exportadores argentinos venderiam tudo para fora." Se a renda aumenta, também existe o risco de a exportação crescer em volume excessivo, deixar menos comida em casa e a inflação subir, argumenta o argentino.

Para Chiaradia, a taxa merece ser examinada pelos sócios, porque "está comprovado pela situação do mercado de commodities que é um instrumento bom, útil e não extemporâneo, e em vez de nos criticarem que discutam conosco (sobre sua aplicação)".

OMC           

a) G-20s com objetivos diferentes

O G-20 financeiro, que se reuniu na África do Sul no fim de semana, é uma organização diferente do G-20 comercial, criado em Cancún, no México, em 2003, durante reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nascido em 1999, o G-20 financeiro representa 90% do PIB do planeta. Isso porque reúne ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos sete países mais ricos do mundo - o G-7 -, além de outras 13 nações emergentes. Um dos objetivos da organização é servir de fórum para discussão de assuntos-chave da economia global.

Já o grupo criado no âmbito da OMC é atualmente integrado por 23 países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina. Eles se uniram há quatro anos para defender seus interesses agrícolas nas negociações internacionais com os países ricos.

b) Briga entre China e Taiwan pára OMC

Uma disputa entre Taiwan e China bloqueia o sistema de solução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e adia a tentativa do Brasil de abrir um caso contra os subsídios americanos ao etanol. Ontem, de forma inesperada, os representantes de Taiwan rejeitaram a nomeação da primeira chinesa para o tribunal máximo do comércio. Na entidade, a politização do tribunal foi considerada um "ato grave" e põe em risco a única parcela da OMC que ainda não sofre com a falta de credibilidade.

A advogada chinesa Yuejiao Zhang seria a escolhida para fazer parte do grupo de sete juízes da OMC. A escolha tem um caráter simbólico, já que pela primeira vez a China terá um representante no órgão, considerado o único no mundo a poder impor sanções a governos.

Taiwan, porém, decidiu impedir a nomeação, alegando que a imparcialidade da chinesa não poderia ser garantida. A sessão do Órgão de Solução de Disputas - como é chamado o tribunal - acabou cancelada e todas as disputas que seriam abertas ou avaliadas ontem foram suspensas por tempo indeterminado.

No mesmo dia, um grupo pequeno de países se reuniu na OMC e cobrou de Taiwan uma nova posição. Para alguns países, a atitude poderia pôr em risco a capacidade da OMC de resolver disputas sem interferência política. "O chamado foi para que Taiwan abandonasse a tentativa de politizar o órgão", disse um negociador brasileiro.

c) Panorama visto da OMC

O Brasil continuou marcando passo no comércio mundial, no ano passado, com uma fatia de apenas 1,1% das exportações globais, enquanto outros emergentes continuaram ampliando sua participação. O País faturou US$ 137,5 bilhões com as vendas externas em 2006, 16% mais que no ano anterior. Esse crescimento foi o dobro da expansão do comércio mundial, mas não bastou para garantir uma classificação melhor entre as nações comerciantes. O Brasil caiu da 23ª para a 24ª posição, a mesma de dois anos antes. Na lista dos 50 países com maior faturamento em dólar, 24 exibiram crescimento de vendas maior que o brasileiro. Destes ainda sobram 15, quando se excluem da lista os exportadores de petróleo, beneficiados pelos grandes aumentos de preços.

O governo brasileiro deveria dar maior atenção ao relatório global divulgado periodicamente pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Com enorme volume de informações e dados sobre todos os países participantes do mercado internacional, esse documento permite comparações úteis. Autoridades brasileiras costumam confrontar o Brasil de hoje com o de ontem para avaliar o progresso econômico e social. É um exercício útil, e até necessário, mas também é preciso, para avaliação de resultados e formulação de políticas, comparar o desempenho brasileiro com o de outros países.

Quando se olha para fora, os progressos obtidos no Brasil, embora importantes em vários campos, parecem muito menos satisfatórios. Um exemplo bem conhecido é a educação. A instrução básica difundiu-se notavelmente nos últimos 15 anos, mas a mão-de-obra, no Brasil, permanece, na média, bem menos qualificada e menos produtiva que a de outros países de industrialização semelhante.

d) OMC permite uso de medida por prazo limitado

A taxa de exportação não é proibida pelas regras da OMC, mas é vista como medida de curto prazo para manter os preços internos baixos e não pode durar indefinidamente. A União Européia (UE), importadora de alimentos do Mercosul, quer interditar a prática. Entre os exportadores agrícolas, há também os contrários à medida, como Austrália e Nova Zelândia.

Países membros da UE, em todo caso, também chegam a usar a taxa de exportação para evitar problemas no abastecimento interno quando o preço internacional sobe. Quando o atual diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, era comissário europeu de Comércio, alguns países chegaram a taxar a exportação de feno (comida para animal).

Ontem, Lamy minimizou o impacto da alta dos preços agrícolas sobre a Rodada Doha. Considera a influência marginal, senão inexistente, por causa dos "tempos diferentes" da negociação para estabelecer regras para o comércio e a situação dos mercados. Lembrou que a discussão para reformar as regras do comércio agrícola começou em 1995, depois da Rodada Uruguai. Com Doha, as novas regras começam a ser aplicadas em 2010, com um período de implementação a ser negociado.

Negociadores não vêem sinal de concessão do lado dos EUA, em plena campanha presidencial. Ontem, o Brasil voltou a acusar os americanos de dar subsídios agrícolas gigantescos, com potencial para distorcer preços de commodities como o algodão.

Plano Internacional

a) Argentina rejeita flexibilidade por nação

O secretário de comércio internacional da Argentina, Carlos Chiaradia, rejeitou ontem enfaticamente a sugestão de um grupo de países ricos e alguns emergentes, como México e Chile, para limitar flexibilidade adicional na área industrial para países separadamente, num futuro acordo da Rodada Doha.

A idéia desse grupo informal, chamado "amigos da ambição", é de que um país individualmente demande para ampliar o número de setores nos quais cortaria menos tarifas de importação industrial, desde que comprove circunstâncias econômicas ditas específicas para proteger setores sensíveis. "Se poderia negociar em base individual aumento de 1%, 2% ou 3% nas flexibilidades’’, disse o embaixador de um país rico.

Procurado pelo Valor, Chiaradia foi incisivo, dizendo que não admite nem começar a conversar. Ele reafirmou a proposta do Mercosul, de flexibilidade adicional, para cortar menos em 16% das linhas tarifárias, em vez dos 10% sugeridos no texto do mediador industrial.

Para vários países em desenvolvimento, de fato, maior flexibilidade deve ser garantida para todos os países igualmente. Essa proposta do Mercosul é alvejada também pelo raquítico grupo de países formado por México, Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hong Kong e Paquistão, conhecido como "middle group".

b) Exterior sustenta lucro de empresas dos EUA

Se o destino da Power Curbers dependesse apenas de clientes norte-americanos, o momento seria de preocupação aqui em Salisbury, na Carolina do Norte. A pequena empresa familiar fabrica máquinas que usam cimento para a produção de meios-fios e calçadas, e a expectativa para este ano é que as vendas no país caiam 10%, devido à crise no setor de construção dos EUA.

Mas, felizmente para a Power Curbers, e para a economia norte-americana em geral, a empresa conseguiu superar as barreiras geográficas. Com ajuda da queda do dólar, que torna os bens norte-americanos mais baratos nos mercados mundiais, a companhia, como milhares de outras empresas nos EUA, está aproveitando o rápido crescimento no exterior a fim de compensar as vendas lentas no mercado interno. "Houve uma sobreposição providencial", disse Dyke Messinger, presidente da Power Curbers, empresa criada por seu avô em 1953. "Sem os negócios externos, os dias seriam difíceis. Teríamos que fazer algumas demissões, certamente."

À medida que os EUA se aproximam de uma desaceleração econômica que muitos economistas prevêem que seja substancial, o sucesso das empresas do país em reforçar as vendas externas pode ajudar a amortecer o impacto. E pode também ajudar a impedir que a economia entre em recessão.

No primeiro semestre, os lucros auferidos por empresas norte-americanas no mercado do país não cresceram em nada, se comparados ao ano anterior, segundo uma análise da Economy.com, uma empresa do grupo Moody’s. Mas os lucros no exterior cresceram 22%.

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