19 a 23 de março de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Brasil e Canadá: união em P&D
Brasil perde posto entre exportadores


Agronegócio

Carne aumenta as exportações do campo
Rússia ameaça novo embargo à carne
Soja desvaloriza no exterior
Alta nas commodities altera previsões


Mercosul

Presença brasileira na Argentina
Baixa presença dos vizinhos no Brasil
Banco do Sul divide bloco


OMC

Nova tentativa para desbloquear Doha
Europeus estão pessimistas quanto à retomada
Amorim tenta articular emergentes
Canadá aumenta seus subsídios


Plano Internacional

Europeus querem trava ao biodiesel americano




Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial registrou superávit de US$ 706 milhões na terceira semana de março, resultado de exportações de US$ 2,762 bilhões e importações de US$ 2,056 bilhões. No mês, o saldo comercial é de US$ 1,695 bilhão, com vendas externas de US$ 6,855 bilhões e importações de US$ 5,160 bilhões. As importações continuam crescendo em ritmo mais forte e mostram alta de 27,9% na média diária das importações antes março de 2006, enquanto as exportações subiram 15,6%.

No ano, as exportações totalizam US$ 27,920 bilhões, alta de 15,9% em relação ao mesmo período de 2006. As importações acumulam US$ 20,856 bilhões, o que representa aumento de 26,7%. O superávit acumulado é de US$ 7,064 bilhões. O saldo da balança comercial brasileira está cada vez mais dependente das commodities. Produtos como café, açúcar e soja responderam por quase 50% do superávit obtido pelo país nas trocas com exterior no ano passado, revela levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), divulgado ontem. Já os setores de alta intensidade tecnológica, como eletroeletrônicos, aprofundam as perdas no comércio mundial. Em 2006, esse setor foi responsável por 20% dos resultados negativos do país no exterior.

No ano passado, o setor de agricultura tropical obteve a maior contribuição para o saldo da balança comercial. Açúcar e café são os principais produtos, apurando, respectivamente, superávits de US$ 6,3 bilhões e US$ 3,7 bilhões. Favorecido pelo aumento dos preços dessas commodities, o superávit da agricultura tropical chegou a US$ 11,2 bilhões, acima dos US$ 8,4 bilhões de 2005 e quase três vezes os US$ 4,6 bilhões de 2001.

b) Brasil e Canadá: união em P&D

Representantes dos governos do Brasil e do Canadá assinaram no dia 21 de março, em São Paulo, uma carta de intenções para criar um programa de cooperação tecnológica entre os dois países. Nos próximos três meses, o Ministério da Ciência e Tecnologia trabalhará junto com Departamento de Relações Internacionais do Canadá, para estabelecer as prioridades de um acordo bilateral, que incluirá desde intercâmbio de pesquisadores entre os países até a criação de um fundo para encubar projetos ligados à inovação tecnológica. "O Brasil, ao lado de outros países em desenvolvimento, será um dos líderes globais no futuro, com uma economia fortemente baseada em conhecimento", disse Arthur Carty, conselheiro-chefe para Ciência e Tecnologia do governo do Canadá, em entrevista exclusiva ao Valor. "É importante que estejamos engajados com o país."

Antes de apertar as mãos com o Brasil, os canadenses firmaram acordos semelhantes com países como Japão e Alemanha, além de nações em desenvolvimento, como China e Índia. Mas isso não significa que os projetos com o Brasil partirão do zero, argumenta Carty. "De maneira geral, já temos um mercado anual de US$ 4,7 bilhões entre Canadá e Brasil. Isso é muito maior do que os negócios que temos com a China ou a Índia."

c) Brasil perde posto entre exportadores

Dados internos da Organização Mundial do Comércio (OMC) obtidos pelo Estado mostram que o Brasil está estagnado e deve perder posições no ranking dos maiores exportadores globais. Em 2006, a participação do Brasil no comércio internacional manteve-se entre 1,1% e 1,2%. Com isso, o País deve cair uma posição no ranking mundial elaborado pela OMC neste ano. A China ultrapassou os Estados Unidos em exportações nos dois primeiros meses de 2007 e caminha para se tornar a maior exportadora do mundo (à frente da Alemanha) ainda neste ano, fato inédito na história do atual sistema comercial. Segundo dados preliminares da OMC, o Brasil deve ocupar a 24ª posição no ranking dos maiores exportadores do mundo de 2006, que será publicado em abril. Em 2005, o País era o 23º colocado, com 1,1% das exportações mundiais. A classificação é liderada pela Alemanha, seguida por Estados Unidos e China.

No começo da década, o Brasil representava 0,9% das exportações mundiais. Em 2005, passou a representar 1,1% e deve chegar a 1,2%. Ainda assim, o porcentual é insignificante diante do tamanho da economia brasileira. O peso ainda é menor que o que o País detinha nos anos 80. A realidade é que as vendas brasileiras não conseguiram acompanhar o aumento registrado na média da América do Sul nem de alguns dos principais países emergentes, como China, Índia, México e Rússia, em 2006. De janeiro a setembro, o aumento nas vendas brasileiras em valores foi de 16%, inferior aos 22,6% de 2005. No ano passado, o aumento das exportações mundiais em valores foi de 13%. Esse desempenho reflete muito mais os aumentos de preços internacionais das commodities do que um crescimento efetivo do volume de vendas dos produtos brasileiros. Na América do Sul, a taxa média de crescimento das exportações neste ano chegou a 26,6%.

Agronegócio

a) Carne aumenta as exportações do campo

Lideradas pelas carnes e alavancadas pelo forte crescimento do segmento sucroalcooleiro, as exportações brasileiras dos agronegócios totalizaram US$ 3,483 bilhões em fevereiro, 20,7% mais que no mesmo mês de 2006 (US$ 2,886 bilhões). as importações aumentaram 39,2% na mesma comparação, para US$ 610 milhões, e pressionou o superávit do setor, que ainda assim foi 17,4% maior e atingiu US$ 2,873 bilhões. os embarques mensais e bimestrais foram puxados, na ordem, por carnes (bovina, de frango e suína), produtos florestais, açúcar e álcool e soja e derivados (farelo e óleo). No primeiro bimestre, as vendas atingiram US$ 7,3 bilhões, 25,5% mais que em igual intervalo de 2006, as importações registraram salto de 34,4%, para US$ 1,246 bilhão, e o superávit subiu 23,8% e chegou a US$ 6,054 bilhões.

No caso da soja e seus derivados, o mês passado foi de recuperação. O valor das exportações voltou a crescer em relação ao mesmo mês do ano anterior (15,3%, para US$ 400 milhões), mas no bimestre ainda houve queda sobre igual intervalo de 2006 - de 3,9%, para US$ 749 milhões. Apesar desse desempenho, no período de 12 meses até fevereiro o complexo ainda lidera os embarques do agronegócio do país, com US$ 9,278 bilhões (queda de 2,8% sobre os 12 meses anteriores).

b) Rússia ameaça novo embargo à carne

A Rússia pode interromper a importação de carnes brasileiras por causa de preocupações relacionadas à área veterinária e de saúde, informou a agência de notícias Interfax, citando o Serviço Federal de Controle Veterinário e Fitossanitário da Rússia. o serviço russo acredita que o Brasil está deliberadamente escondendo informação sobre doenças animais. O país tem tido problemas constantes com a febre aftosa, principalmente nos últimos anos. No mês passado, 12 governos estaduais apelaram por mais recursos do governo central para combater a doença, especialmente em estados na fronteira com o Paraguai e a Bolívia.

O Ministério da Agricultura informou ter sido surpresa a notícia de que a Rússia ameaça interromper a importação de carnes brasileiras. O governo federal explicou ainda que não foi informado oficialmente pelo governo russo de qualquer decisão sobre o assunto. A Rússia é o maior comprador de carnes brasileiras, com negócios anuais em torno de US$ 1,5 bilhão.

c) Soja desvaloriza no exterior

O aumento da oferta global de soja convencional nesta safra trouxe um resultado inesperado para as indústrias, que estimavam que os prêmios pagos por importadores alcançaria US$ 12 por tonelada. O prêmio, que há seis meses era de US$ 8, em média, recuou para US$ 3. Empresários afirmam que a queda deve-se ao aumento da oferta global de soja não-transgênica e do desinteresse dos importadores em pagar bônus, já que os preços da commodity estão acima da média histórica no mercado externo. Embora o plantio de soja transgênica no mundo tenha aumentado 7,7% na safra 2006/07, alcançando 58,6 milhões de hectares, a sua participação em relação à produção global de soja diminuiu, de 60%, para 57%. No Brasil, ocorreu o inverso.

A participação da soja transgênica sobre o plantio total aumentou de 42% para 54,3%, passando de 9,4 milhões para 11,2 milhões de hectares. A expansão da soja transgênica obrigou empresas que atuam no país e exportam grão convencional a conceder prêmios aos produtores, para garantir oferta. Para Cesar Borges, vice-presidente da Caramuru, o prêmio pago hoje pelos importadores não tem sido rentável para as indústrias, que têm como ônus o pagamento de bônus aos produtores e a segregação do grão. Para ele, a soja convencional tende a se tornar cada vez mais um nicho de mercado. "Se a oferta aumenta, o bônus cai muito. Não compensa uma oferta global elevada."

d) Alta nas commodities altera previsões

Ainda não acabou o primeiro trimestre e os economistas já começam a elevar as previsões para o saldo da balança comercial. No fim de 2006, as projeções pessimistas apontavam para US$ 34 bilhões. Hoje, os mais otimistas falam em US$ 42 bilhões. Se confirmadas, as estimativas ainda indicam saldo menor que os US$ 46 bilhões de 2006, o primeiro recuou desde 2001. Mas está longe de ser um resultado ruim.

Fazem pelo menos dois anos que os analistas apostam que o fôlego dos preços das commodities está acabando. Mas a economia mundial teima em crescer com vigor. Por outro lado, as exportações brasileiras de manufaturados são prejudicadas pelo fortalecimento do real. Com a disposição dos Estados Unidos de aumentarem o consumo de etanol feito de milho, os fazendeiros americanos devem plantar mais milho e menos soja, abrindo mais espaço para o grão brasileiro. Os Estados Unidos, maior economia do planeta, devem crescer menos: entre 2% e 2,5% em 2007, contra os 3,4% de 2006. Só que a China deve crescer novamente mais de 10% e a Europa, puxada pela Alemanha, repetir a alta de 2% de 2006, que é considerado razoável.

MERCOSUL            

a) Presença brasileira na Argentina

Empresas brasileiras já dominam seis setores-chave da economia argentina. O país cresce a uma taxa de 9% nos últimos quatro anos, três vezes mais que o Brasil, e atrai grandes grupos que despontam nas áreas de energia, cimento, aço para a construção, produtos têxteis, carne e bebidas. De 2002 a 2006, houve fluxo de cerca de US$ 7 bilhões em investimentos brasileiros na Argentina, calcula o economista Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb e ex-secretário da Indústria. Boa parte desse montante saiu dos cofres da Camargo Corrêa, Belgo, AmBev, Friboi, Petrobrás e Coteminas, que adquiriram empresas locais.A Camargo Corrêa adquiriu em 2005 a maior cimenteira argentina, a Loma Negra, detentora de 46% do mercado de cimento.

Os argentinos comem bifes provenientes dos frigoríficos que outrora foram da megaempresa Swift, hoje pertencente à goiana Friboi. Bebem cerveja da tradicional Quilmes, controlada pela AmBev. O combustível que utilizam nos carros provém, em boa parte, de postos da Petrobrás. Até o sono dos argentinos é embalado pelos lençóis Arco-Íris, produzidos pela Coteminas. No ano passado, o Brasil foi o segundo investidor estrangeiro na Argentina em fusões e aquisições, segundo relatório da consultoria KPMG. Entre 2006 a 2008, as estimativas são de que o Brasil invista US$ 2,047 bilhões no país.

b) Baixa presença dos vizinhos no Brasil

Maior empresa argentina instalada no Brasil, a fabricante de doces Arcor vai inaugurar em maio a quinta fábrica no País. A nova unidade será instalada no Recife. Foram mais de US$ 40 milhões em investimentos no projeto, que levou dois anos para ser concluído e terá 350 trabalhadores. O grupo, com 3.700 funcionários, faturou no ano passado R$ 815 milhões. As fábricas brasileiras exportam para mais de 100 países, entre os quais Estados Unidos, China e Grécia.

No entanto, exemplos de grandes companhias argentinas no Brasil são raros, diz o presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira, Alberto Alzueta. Segundo Alzueta, não há levantamento sobre a atuação das empresas argentinas no Brasil, mas certamente a maioria é de médio e pequeno portes. Além disso, são investimentos pulverizados. Um deles, que vem crescendo nos últimos anos, é o de empresas de conversão de motores para uso do gás em veículos.

c) Banco do Sul divide bloco

O plano do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de criar uma alternativa ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) expôs as crescentes diferenças entre os países-membros do banco regional, que encerrou anteontem seu encontro anual, na Cidade da Guatemala. Enquanto, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, manifestava forte apoio ao BID, cuja sede fica em Washington, chamando-o de "o banco regional desta área", outros o criticavam por respaldar principalmente megaprojetos e não fazer o suficiente para ajudar os países da América Latina a distribuir as suas riquezas.

O Equador juntou-se a outros governos latino-americanos esquerdistas e apóia os planos de Chávez de criar o banco para financiar a região e ampliar a integração econômica continental. Argentina e Bolívia também se comprometeram a integrar a instituição, junto com a Venezuela, tão rica em petróleo. O governo brasileiro cogita juntar-se ao banco, mas as ofensivas para atrair o Brasil foram frustradas até agora. Autoridades disseram que a meta é criar o banco com capital de US$ 7 bilhões. Inicialmente, a Venezuela já se comprometeu a aportar US$ 1 bilhão. O BID, criado em 1959, fornece mais de US$ 6 bilhões em empréstimos ao ano.O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, disse estar satisfeito com a posição que o país tem na Comunidade Andina de Nações (CAN) e com a colaboração dada a ela tanto pela CAF (Corporação Andina de Fomento) quanto pelo BID.

OMC

a) Nova tentativa para desbloquear Doha

Negociadores do Brasil e da União Européia voltaram a se reunir no dia 23 de março em Londres, na tentativa de desbloquear a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), paralisada desde meados do ano passado. A expansão de cotas para carnes bovina e de frango no mercado europeu continua no centro da agenda dos negociadores. O Brasil tem procurado garantir cota global (para todos os países) em torno de 500 mil toneladas para carne bovina, segundo fontes. Os brasileiros utilizariam uma fórmula do G-20, que conclui que os europeus ao fim dos cinco anos estarão importando mais de 1 milhão de toneladas. Como manterão altas tarifas de importação, precisam compensar essa proteção a seus produtores com cota, pelo qual determinado volume entra com alíquota menor.

Mas os Estados Unidos insistem que na prática os europeus acenam com cota de apenas 160 mil toneladas. Os EUA querem ainda mais que o Brasil: cota de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina. Para carnes de aves (frango e peru em todas suas formas), cálculos que circulam no Brasil indicam que a cota global mais justa na Europa deve ser de umas 900 mil toneladas, acima de 10% do consumo doméstico. Quanto a subsídios, os Estados Unidos resistem a discutir certas idéias brasileiras. A representante comercial dos EUA, Susan Schwab, em recente visita a São Paulo, ficou irritada quando foi confrontada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com a sugestão de que o teto de subsídio por commodity fosse fixado a 10% do valor da produção. Atualmente, o subsídio está mesmo mais baixo, em razão dos preços altos no mercado internacional. A proposta brasileira visa frear os subsídios quando os preços caem.

b) Europeus estão pessimistas quanto à retomada

A rápida retomada das negociações bilaterais de comércio entre Mercosul e União Européia, forte reivindicação dos empresários brasileiros, foi descartada ontem por uma das maiores autoridades do bloco europeu, o diretor-geral de Relações Exteriores da Comissão Européia, Eneko Landaburu. "O realismo tem de ser o princípio que devemos adotar para saber aonde ir", disse Landaburu, após uma série de reuniões com autoridades brasileiras. Só depois de uma definição das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) fará sentido pensar em negociações bilaterais comerciais, argumenta. De visita ao Brasil para participar da reunião periódica da Comissão Mista Brasil-União Européia, Landaburu, de nacionalidade basca, considerou "frutíferas" as reuniões que teve em Brasília, porém, e garantiu que há interesse europeu em facilitar o comércio entre Europa e Brasil.

Na reunião em Brasília, os europeus aceitaram criar uma comissão permanente, denominada "diálogo sobre questões agrícolas", para discutir barreiras sanitárias e fitossanitárias, impostas a produtos como a carne brasileira. Os europeus reclamam de exportações do produto brasileiro fora das rígidas especificações européias e acertaram enviar técnicos para aperfeiçoar a fiscalização no país. O governo brasileiro ainda não deu resposta aos europeus, em um pedido para estabelecimento de um "diálogo" sobre políticas setoriais de energia, mas aceitou participar da organização de uma Conferência Internacional de Biocombustíveis, em Bruxelas, em julho. O fórum discutirá temas como a formação do mercado internacional e o esforço de pesquisa em biocombustíveis, além dos efeitos do biocombustível no meio ambiente e para os países em desenvolvimento.

c) Amorim tenta articular emergentes

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vai propor hoje a união dos dois grupos de países em desenvolvimento da Organização Mundial do Comércio (OMC), o G-20 e o G-33. O objetivo é pressionar as nações ricas a fazer concessões na área agrícola para a conclusão da Rodada Doha até julho. A proposta será apresentada na reunião de ministros do G-33 na Indonésia e trará embutido um apelo do G-20 para que seus colegas do G-33 reduzam a ambição de manter parte do setor agrícola protegida dos cortes de tarifas que vierem a ser acertados ao final da rodada. Os dois grupos incluem produtores agrícolas e há países que fazem parte de ambos. O G-20 é mais heterogêneo. É formado tanto por grandes exportadores de produtos agrícolas quanto importadores líquidos de produtos agrícolas. O G-33 é mais homogêneo, com nações populosas, com maioria concentrada no campo, em atividades de subsistência.

Considerada maximalista, a posição do G-33 tem sido usada pelos Estados Unidos como justificativa para não apresentar uma nova proposta de corte nos subsídios concedidos aos agricultores americanos. O governo de George W. Bush argumenta que, sem a real abertura dos mercados populosos desses países em desenvolvimento, não haverá condições políticas para o Congresso americano aceitar a redução mais profunda das subvenções. Sem essa nova oferta de Washington, a rodada naufragará. Os acertos no capítulo agrícola, em princípio, precisam estar prontos até o fim de maio. Sob a liderança da Indonésia e da Índia, o G-33 exige que 20% das linhas tarifárias agrícolas - entre 160 e 180 produtos - sofram um corte de tarifas de importação bem menor do que o porcentual que vier a ser definido ao final da rodada. Desse universo, 50% das linhas tarifárias permaneceriam a salvo de qualquer redução por um período de dez anos. O G-20 considera o argumento justo, mas não pretende ver a rodada naufragar por conta da intransigência do G-33. “Esperamos que possamos reduzir as nossas diferenças, mas só podemos fazer isso se entendermos e transmitirmos bem os interesses dos países do G-33”, afirmou Amorim.

d) Canadá aumenta seus subsídios

Decididamente os subsídios agrícolas aumentam ao redor do mundo, na linha oposta da Rodada Doha de liberalização. Hoje, a Organização Mundial do Comércio (OMC) apontará alta das subvenções e altas tarifas de importação agrícola no Canadá. Esse país faz parte do Grupo de Cairns, coalizão dos maiores exportadores agrícolas, que justamente quer abertura nos mercados dos parceiros. Na avaliação da política comercial canadense, a OMC dirá que o país aumentou seus subsídios agrícolas desde 2003, principalmente para compensar despesas ligadas a problemas sanitárias e de seca no país.

No período 2004-05, os subsídios federais aumentaram 18% em relação a média dos cinco anos anteriores. As tarifas de importação agrícola tem média de 22,4%, comparado a 3,8% para outros produtos. Além de restrições a importação, produtores de frango, leite e ovos recebem a mais alta proteção com alíquotas extracota excedendo os 200%.

Plano Internacional

a) Europeus querem trava ao biodiesel americano

As primeiras operações no comércio internacional de biodiesel foram atingidas no dia 20 por denúncias de práticas desleais, envolvendo União Européia (UE), Estados Unidos, Brasil e Argentina e sinalizando para futuras disputas.
A associação de produtores europeus pediu formalmente à Comissão Européia para sobretaxar ou impedir a entrada de biodiesel dos EUA, alegando que Washington concede "subsídios exagerados" aos produtores, o que pode inviabilizar a produção européia. Os europeus também denunciaram o início de um comércio triangular, pelo qual americanos importam biodiesel de países como o Brasil e Malásia, adicionam 1% de diesel comum e, dessa forma, obtêm subsídios do governo americano e subvenções européias com a venda do "B99".

Produtores enviaram carta aos comissários de Comércio, de Energia e da Agricultura denunciando que Washington concede subsídio de US$ 1 por galão (3,8 litros) do B99. O produto americano é vendido na União Européia até 150 euros por tonelada mais barato que o biocombustível produzido no bloco. Os europeus dizem que em janeiro deste ano o montante de B99 importado pela UE aumentou para 30 mil toneladas por mês, e pode alcançar 500 mil toneladas até o fim do ano. Os produtores também alegam que o comércio triangular seria estimulado pelos altos subsídios. O Brasil já reclamou junto à UE contra norma técnica estabelecida por Bruxelas, que estimula a produção do combustível a partir de canola, mas limita "severamente" a importação de óleos de soja e palma (dendê). Um porta-voz da UE disse que a reclamação será examinada e que Bruxelas vai insistir na redução de subsídios e comércio na área de biodiesel. A UE produziu 4,5 milhões de toneladas de biodiesel em 2006, representando quase 70% da produção mundial. O segundo maior produtor são os EUA, com 1 milhão de toneladas. Os outros produtores emergentes são Brasil, Argentina, Malásia e Indonésia, que poderiam teoricamente exportar livres de tarifas pelo Sistema Geral de Preferências (SGP).
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