18 a 22 de setembro de 2006

Comércio Exterior

Resultados
Alta nas exportações de semimanufaturados
Real forte reduz exportações para os EUA
Aumentos de importados asiáticos
Missão empresarial vai a Washington pelo SGP
Real valorizado prejudicou 72% dos exportadores

Agronegócio

UE adia decisão sobre alimentos brasileiro novamente
Controle sanitário europeu acusado de fraude

Mercosul


Expansão da atividade econômica argentina
Retomada das negociações com a EU
Papeleiras desistem de fábricas no Uruguai

OMC


FMI e Bird pedem retomada de Doha


Plano Internacional

FMI: maior poder a China, Turquia, Coréia do Sul e México

Tratado de livre comércio entre Chile e Japão

  • Colômbia também anuncia TLC com chilenos

    China restringe investimentos estrangeiros




  • Comércio Exterior

    a) Resultados


    A terceira semana de setembro registrou saldo positivo de US$ 1,283 bilhões na balança comercial brasileira. Esse superávit é resultado de exportações que somaram US$ 3,119 bilhões e compras que fecharam em US$ 1,836 bilhão. A média diária de vendas durante os 5 dias úteis da semana foi de US$ 623,8 milhões, enquanto que as compras se mantiveram a US$ 367,2 milhões por dia.

    O mês de setembro atingiu, em suas três semanas, superávit de US$ 2,104 bilhões, resultado de US$ 6,129 bilhões em vendas externas e US$ 4,025 bilhões em compras no mercado internacional. Comparando a marca com setembro de 2005, as exportações aumentaram 21% enquanto que as importações deram um salto de 33,8%. Considerando o mês de agosto, os embarques mostraram um avanço de apenas 3,3% e as compras tiveram alta de 1,4%.

    Os embarques desde janeiro já registram US$ 94,231 bilhões, as importações totalizam US$ 62,561 bilhões. A soma do superávit ao longo do ano já atinge US$ 31,732 bilhões.

    b) Alta nas exportações de semimanufaturadost 

    As vendas de semimanufaturados como alumínio, celulose, açúcar e determinados tipos de ferro e aço registraram em agosto um salto de 26,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado surpreendeu, uma vez que o setor vinha registrando suas piores marcas de exportação desde o início do ano: as vendas cresceram apenas 12,6% - sendo que de janeiro a agosto as exportações cresceram 3,6%.

    c) Real forte reduz exportações para os EUA 

    O primeiro semestre do ano registrou uma redução de 5% na quantidade de produtos exportados para o mercado americano. Considerando o mesmo intervalo, o volume de vendas para o Mercosul aumentou 3% e os embarques para a Ásia saltaram 7,6%. A valorização do real frente o dólar foi apontada como principal fator para a mudança e exigiu dos exportadores brasileiros um reajuste médio de 10% nos preços de seus produtos.

    Os Estados Unidos importam 25% dos manufaturados brasileiros, cifra que deve diminuir devido à pressão dos produtos mais competitivos oferecidos pela China. A quantidade de tratores e máquinas exportados pelo Brasil aos americanos caiu 9%, mesma redução registrada pelos calçados ao longo dos seis meses analisados. Ao mesmo tempo em que a China é vista como ameaça por alguns setores, as importações de mercadorias chinesas pelo Brasil aumentaram 55% em volume, os bens de capital subiram 74% e a entrada de bens de consumo duráveis n o mercado chinês praticamente dobrou, alta de 91%.

    d) Aumentos de importados asiáticos

    Considerando as importações brasileiras do primeiro semestre de 2006, a venda de produtos asiáticos ao Brasil cresceu 58% comparado ao mesmo dado de 2005 - a China é responsável por 55% do aumento nas compras,segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Durante o mesmo período, as compras aumentaram 1,7% no Mercosul, 5,8% no Nafta e 1,8% na União Européia.


    e) Missão empresarial vai a Washington pelo SGP

    A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo liderou uma missão empresarial à Washington para conversas com 25 parlamentares americanos sobre a permanência do Brasil na lista de países beneficiados pelo Sistema Geral de Preferências (SGP). Este instrumento isenta de tarifas de importação uma série de produtos industrializados que chegam ao mercado americano e a exclusão do Brasil representaria perdas de US$ 386 milhões, 3% dos US$ 12,8 bilhões exportados ao mercado americano em 2005.

    f) Real valorizado prejudicou 72% dos exportadores

    Segundo análise da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, 72% dos 31 setores de exportação brasileiros foram afetados ou estão em alerta devido à valorização do real frente o dólar. A valorização dos produtos da pauta de exportação brasileira atingiu uma média de 3,6% ao longo do segundo trimestre na comparação com as médias entre 2000 e 2006, permitindo que os rendimentos compensassem os altos custos causados pelo câmbio.

    O levantamento da Fiesp classificou apenas 7 setores como grandes beneficiários das altas dos preços no exterior, outros 10 setores “ascenderam a luz amarela” e 14 sofreram desvalorização acima de 10% em seus produtos. Considerando os 31 setores estudados, aqueles mais favorecidos pelos preços do mercado externo responderam por 7,4% dos empregos gerados na indústria, os setores em alerta geraram 40% das vagas de trabalho e os setores cujas exportações estão em risco concentram 52% dos postos.

    As exportações brasileiras registraram um salto de 25% ao longo do intervalo 2003-2005, desempenho muito superior à média mundial que oscilou entre 5% e 10%. Este bom aproveitamento foi atribuído à rápida expansão dos países asiáticos e a conseqüente elevação da demanda por commodities.

    Agronegócio

    a) UE adia decisão sobre alimentos brasileiro novamente

    O Comitê Veterinário Permanente da União Européia enfrenta dificuldades para chegar a um consenso sobre o tratamento dado aos produtos agropecuários brasileiros. A delegação da Irlanda almeja maior participação no mercado europeu de carne bovina e por isso pressiona por um bloqueio à carne brasileira alegando que seus padrões sanitários não estão de acordo com as exigências do bloco. Os pecuaristas ingleses também manifestaram desconfiança em relação aos exportados brasileiros.

    A Comissão Européia submeteu uma proposta aos países-membros segundo a qual seriam mantidos os embargos ao Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, estados onde com Febre Aftosa. França, Inglaterra e Irlanda bloquearam o documento e exigiram medidas mais restritivas.

    b) Controle sanitário europeu acusado de fraude

    Após a constatação da venda de carne bovina deteriorada com selos falsificados, a Alemanha colocou em cheque a o controle de alimentos da União Européia - o bloco europeu vem exigindo maior rigor dos órgãos de inspeção de alimentos brasileiros no controle dos produtos vendidos à Europa. O foco foi estimado em 100 toneladas de carne imprópria para o consumo e foi vendido por empresas da Bavária a estados alemães mais oito países europeus.

    Ao mesmo tempo, foi decidido no dia 21 de setembro, o envio de uma missão técnica ao Brasil para inspeções em propriedades produtoras de carne bovina no estado de São Paulo.

    Mercosul

    a) Expansão da atividade econômica argentina

    A economia da Argentina apresentou, em julho, crescimento de 9,1% na comparação com o mesmo mês de 2005, considerando o mês de junho desse ano, o aumento foi de 1,1%. Os sete primeiros meses de 2006 acumularam crescimento de 8,5% em relação a igual período de 2005.

    b) Retomada das negociações com a UE

    Está prevista para os dia 4 e 5 de outubro, no Rio de Janeiro, uma reunião entre representantes do Mercosul e da União Européia para que sejam reiniciadas as negociações para um acordo bilateral de livre comércio entre ambos. Em meio a desconfianças quanto à retomada da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, estima que a revisão da posição européia reconhecerá a abertura aos importados mas também exigirá “tratamento justo” que garanta o acesso a mercados para as empresas européias.

    As dificuldades enfrentadas na Rodada Doha são as mesmas que mantém imóveis as conversas sobre o acordo Mercosul-UE: abertura dos mercados agrícolas por parte da Europa e maior acesso aos setores industrial e de serviços na Cone Sul. Regis Arslanian, diretor do Departamento de Negociações internacionais do Itamaraty, espera maiores movimentos por parte de Bruxelas enquanto que o Mercosul oferecerá melhorias em resseguros, transporte marítimo e serviços financeiros. As negociações parteM de expectativas de eliminação das tarifas em um prazo de dez anos.

    c) Papeleiras desistem de fábricas no Uruguai

    A empresa espanhola Ence anunciou oficialmente ao governo do Uruguai, em documento enviado a 21 de setembro, que não construirá mais a fábrica de celulose e papel na cidade de Fray Bentos. As obras envolviam também a finlandesa Botnia e se localizavam às margens do Rio Uruguai em região próxima à fronteira com a Argentina, motivo pelo qual o governo vizinho e sua opinião pública protestaram contra as plantas. Os projetos, cujos investimentos seriam de US$ 1,7 bilhão, despertaram acusações sobre os riscos de poluição e prejuízos aos agricultores argentinos e motivaram diversos protestos apoiados por organizações ambientais.

    O presidente da Ence, Juan Luis Arregui, disse que a empresa pretende se instalar em outra região do Uruguai.

    OMC

    a) FMI e Bird pedem retomada de Doha

    Em cerimônia de abertura da Assembléia Anual entre FMI e Bird, seus respectivos presidentes, Rodrigo Rato e Paul Woulfowitz, fizeram um apelo ao reinicio das negociações comerciais para a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC).

    Rato chamou a atenção para a necessidade de se escolher entre o “aumento do crescimento de das oportunidades” ou o retrocesso para a “miopia do nacionalismo”. Wolfowitz pediu a redução dos subsídios aos americanos e a queda das barreiras que limitam o acesso ao mercado europeu, ao mesmo tempo lembrou de China, Índia e Brasil para exigir tarifas mais baixas para produtos manufaturados.

    Plano Internacional

    a) FMI: maior poder a China, Turquia, Coréia do Sul e México

    Os membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovaram, com 90,6% de apoio, o plano que eleva o peso do voto de China, Coréia do Sul, México e Turquia dentro da instituição. Esta reforma foi elaborada pelo diretor-gerente desse organismo multilateral, Rodrigo Rato, e tem como objetivo tornar o órgão mais representativo para seus 184 membros – o cronograma da reforma prevê uma segunda etapa, mais abrangente, para o fim de 2008.

    b) Tratado de livre comércio entre Chile e Japão

    Chile e Japão concluíram as negociações para a definição de um acordo-base para o estabelecimento de uma zona bilateral de livre-comércio, documento a partir do qual deve surgir uma versão oficial que será assinada no início de 2007. Ao entrar em vigor, este será o quinto acordo firmado entre Chile e um país asiático – o primeiro de livre comércio entre Japão e um país sul-americano.

    A relação comercial entre ambos se baseia em exportações de automóveis, auto-peças e eletrônicos japoneses e cobre, salmão, carne de porco e vinho chilenos. O acordo prevê a redução progressiva dos impostos cobrados por ambas as partes aos produtos que importa até que sejam eliminados – exceto para arroz e trigo no caso japonês por serem considerados produtos sensíveis pelos asiáticos.

  • Colômbia também anuncia TLC com chilenos

    Após encontro em reunião do Conselho das Américas, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e sua colega chilena, Michelle Bachelet anunciaram para o fim de novembro a assinatura de um tratado de livre comércio entre Chile e Colômbia.

    c) China restringe investimentos estrangeiros

    A recente reformulação da política de mercado do governo chinês tem imposto limites aos investimentos estrangeiros no país, principalmente os destinados ao mercado imobiliário e os processos de fusões e aquisições. Ainda que a China tenha assumido compromissos de abertura de mercado para aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC), algumas medidas aumentam os riscos para os investidores e surpreendem muitos deles.

    A justificativa de Pequim aponta para garantias de competitividade e tentativas de desaceleração do crescimento de determinados setores da economia. Os baixos salários que atraíram o capital no passado levaram à rápida industrialização estão aumentando e com eles os custos de propriedade – os custos de trabalho aumentam de 13% a 15% ao ano na China.

    O volume investimentos estrangeiros destinado à China em 2005 somou US$ 72,4 bilhões.

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