17 a 21 de setembro de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Para exportador, commodities em alta compensam a queda do dólar
Netuno capta para vender ao exterior
Missão empresarial vai tentar negócios na Costa Oeste dos EUA

Agronegócio

Agroconsult estima salto de 7,4% na safra de grãos
Brasil exporta menos para Reino Unido
Greve afeta frango
Exportações do setor perdem novamente vigor em agosto

Mercosul

Marfrig quer Quickfood para crescer no Mercosul
Peugeot vai investir R$ 1 bi no Mercosul
Camex limita compra de pneus do Mercosul

OMC

Mandelson vê avanços na Rodada Doha
Brasil e Argentina unem forças na pesca
Novo fôlego para a Rodada

Plano Internacional

Alta nas exportações americanas ajuda a sustentar PIB
Inscrição "made in China" prejudica imagem




Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial acumula no ano, até o dia 16 de setembro, superávit de US$ 29,179 bilhões. No período, as exportações somam US$ 109,059 bilhões e as importações, US$ 79,880 bilhões. As informações são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex).

As exportações totais estão 19,3% maiores do que aquelas registradas em período semelhante de 2006, variação essa, contudo, inferior à das importações, que cresceram 31,3% nessa comparação. No ano, a média diária de vendas ao exterior é de US$ 612,7 milhões e a de compras, de US$ 448,8 milhões.

b) Para exportador, commodities em alta compensam a queda do dólar

Os exportadores brasileiros comemoraram o corte de 0,5 ponto, para 4,75% ao ano, nas taxas básicas de juros dos Estados Unidos. A medida favorece a manutenção ou até leve aumento do preço das commodities exportadas pelo país, porque conserva a demanda mundial aquecida.

"Manter as cotações das commodities, que estão altas, já é um ótimo negócio", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior. Ele ressalta que as exportações brasileiras são dependentes das commodities, que representam 65% do total. Esse percentual é expressivo, porque produtos como suco de laranja e açúcar, apesar de classificados como manufaturados, são vendidos como commodities.

As cotações das commodities agrícolas devem se manter no atual patamar, mas as metálicas podem subir ainda mais. De acordo com Júlio Callegari, economista do JP Morgam, as negociações globais sobre o preço do minério de ferro entre mineradoras e siderúrgicas indicam mais uma alta de 20%.

"Recuperamos o cenário otimista para o comércio exterior", diz Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Apesar da valorização do real, os analistas projetam uma leve queda do saldo comercial do país dos US$ 46 bilhões de 2006 para algo entre US$ 39 bilhões e US$ 44 bilhões esse ano.

c) Netuno capta para vender ao exterior

A Netuno Alimentos, maior grupo de pescados do país, fechou a primeira operação de pré-pagamento de exportação (PPE) lastreada em um contrato de exportação de lagosta para os Estados Unidos por quatro anos, no valor de US$ 48 milhões. A captação foi realizada pelo Standard Chartered Bank, instituição sediada em Londres. Essa é a primeira operação de financiamento de exportações feita no segmento de pesca no Brasil.

Ele afirma que, atualmente, a Netuno responde por cerca de 40% das exportações brasileiras de lagosta, que no ano passado totalizaram 2 mil toneladas e geraram receita de US$ 82 milhões ao país. Desse total, 95% tiveram como destino os Estados Unidos, segundo dados da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap).

Conforme o executivo, 99% da lagosta produzida pela Netuno é vendida para os Estados Unidos. Para este ano, a empresa prevê um crescimento de 20% em receita, para R$ 265 milhões. Além do bom desempenho nos embarques de lagosta, a empresa estima uma expansão de 50% na receita com vendas para o mercado interno, graças sobretudo ao avanço nas vendas de filés de tilápia. Teixeira estima que a Netuno vai processar 5 mil toneladas de tilápia neste ano, contra 1,2 mil em 2006.

d) Missão empresarial vai tentar negócios na Costa Oeste dos EUA

Liderada pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, uma missão composta por mais de 40 empresários chega em 30 de setembro à Costa Oeste Americana. A viagem, parte da estratégia da entidade que elegeu o mercado norte-americano como prioridade em 2007, visitará Sacramento e Los Angeles, na Califórnia, e Seattle, no Estado de Washington, com o objetivo de manter contatos e fechar negócios nas áreas de energia, biotecnologia, portos, informática, cinema/audio-visual, alimentos, Terceiro Setor e outros produtos e serviços.

Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, a missão não só está inserida no recente e intenso relacionamento entre os dois países, através de encontros dos presidentes George Bush e Luis Inácio Lula da Silva, como também é uma retribuição à visita de 30 empresários norte-americanos feita a São Paulo em outubro de 2006, coordenada pelo Washington Council on International Trade. A viagem também está sendo apoiada pelo consulado brasileiro e pela Parceria Califórnia-Brasil, iniciativa do Senado estadual para relações bilaterais nos setores público e privado.

Na Califórnia, a missão conhecerá os esforços do estado rumo à redução dos níveis de poluição, como também iniciativas nas áreas e energia renovável, especialmente biocombustíveis, além de educação, meio ambiente e comércio internacional. Estão programados encontros reservados com diferentes empresas e investidores, além de uma visita ao Porto de Los Angeles, o maior e mais movimentado dos EUA. Uma das metas também é fazer acordos com a indústria cinematográfica em Hollywood, de forma que o Brasil se torne alternativa na localização de filmagens.

Já em Seattle, os empresários visitarão as principais empresas da região do Puget Sound (região metropolitana), como Microsoft e Boeing, além do Porto de Seattle, e realizarão uma série de encontros com empresários locais.

Agronegócio

a) Agroconsult estima salto de 7,4% na safra de grãos

A produção brasileira de grãos deverá alcançar 142 milhões de toneladas na safra 2007/08, conforme projeção divulgada na sexta-feira pela Agroconsult. Se confirmado, o volume será 7,4% maior que o calculado pela consultoria para o ciclo 2006/07 (132,3 milhões de toneladas).

A previsão leva em consideração uma área plantada total de 48,1 milhões de hectares, 4,2% maior que a de 2006/07 (46,2 milhões). A Agroconsult acredita que a área de grãos da região Sul voltará ao patamar recorde de 2004, mas que no Centro-Oeste, mesmo com crescimento, o nível recorde só será visto em 2008/09. Isso por conta da descapitalização dos produtores da região, sobretudo os de soja no Mato Grosso.

Para a soja, carro-chefe do agronegócio do país, a consultoria prevê área plantada total de 22 milhões de hectares, 6,5% superior a de 2006/07, e colheita de 62,3 milhões de toneladas, avanço de 6,4% na mesma comparação. No caso do milho, as estimativas para o plantio de verão sinalizam área de 9,7 milhões de hectares (+ 2,5%) e produção de 38,3 milhões de toneladas (+ 4,9%), e para o inverno 4,5 milhões de hectares (- 0,8%) e 15,5 milhões de toneladas (+ 5,2%).

b) Brasil exporta menos para Reino Unido

A campanha de pecuaristas britânicos contra a carne bovina brasileira se reflete nas exportações do produto. Em agosto passado, as vendas totais de carne recuaram 5,12% sobre o mesmo mês de 2006, para US$ 382,628 milhões. A receita menor é decorrência de uma redução no volume embarcado - 214,089 mil toneladas - recuo de 13,78% em relação a agosto de 2006, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Entre janeiro e agosto, porém, as vendas seguem em alta. Foram US$ 2,935 bilhões, aumento de 20% sobre igual intervalo de 2006, e um total de 1,770 milhão de toneladas (equivalente-carcaça), alta de 14,61%. A expectativa da Abiec é de que as vendas externas alcancem US$ 4,5 bilhões no ano.

A queda das vendas para o Reino Unido contribuiu para o desempenho negativo em agosto. Os embarques para a região caíram 78,06%, para 2.925 toneladas. Em valor, a redução foi de 59,56%, para US$ 10,2 milhões. Entre janeiro e agosto, a receita com as exportações ao Reino Unido foi de US$ 85,401 milhões, queda de 43,24%.

c) Greve afeta frango

A greve dos fiscais federais agropecuários, retomada há duas semanas, está afetando as exportações de carne de frango, de acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef). A entidade informou ontem que 39 mil toneladas do produto estão retidas em portos desde o fim de agosto, quando a paralisação foi retomada. No período, os exportadores deixaram de embarcar o equivalente a US$ 74 milhões, segundo a Abef.

d) Exportações do setor perdem novamente vigor em agosto

As exportações do agronegócio brasileiro registraram, pelo segunda vez, uma desaceleração mensal na comparação com o acumulado do ano. Em agosto, o ritmo dos embarques bateu em 13,1% enquanto as vendas dos oito meses deste ano avançaram 19,3%, revelam dados da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). Ainda assim, o crescimento das vendas externas do agronegócio segue com desempenho superior à expansão das exportações totais do Brasil - 10,5% em agosto e 15,9% em oito meses.

A explicação para o recuo está na perda de vigor das exportações do setor sucroalcooleiro, além de carne bovina e algodão. O ritmo das vendas de açúcar e álcool caiu 18% quando se compara o acumulado do ano com agosto. "Há um sobreinvestimento na agroindústria que não tem sido recompensado com a abertura de novos mercados", diz o especialista em comércio exterior da CNA, Antonio Donizeti Beraldo.

A CNA manteve as projeções para a balança comercial em 2007. A entidade, que já havia previsto US$ 57 bilhões para as vendas externas, projeta US$ 55 bilhões em vendas externas - em 2006, foram US$ 49,4 bilhões. No saldo comercial, a revisão aponta para US$ 47 bilhões em vez dos anteriores US$ 49 bilhões previstos de julho. Impactadas pela alta de 40% no trigo em 2007, as importações do setor devem subir de US$ 6,7 bilhões para US$ 8 bilhões.

Mercosul

a) Marfrig quer Quickfood para crescer no Mercosul

O maior frigorífico de capital nacional da Argentina, o Quickfood, está perto de ser vendido para o brasileiro Marfrig. O negócio é mais um capítulo do avanço das indústrias de carne bovina do Brasil no Mercosul. Em 2005, o Friboi comprou o Swift Armour na Argentina e em 2006, o próprio Marfrig adquiriu o AB&P naquele país.

Segundo informações veiculadas na imprensa argentina, o valor do negócio pode oscilar entre US$ 110 milhões e US$ 300 milhões. A operação envolve quatro fábricas do Quickfood na Argentina e uma no Uruguai, onde o Marfrig já comprou três frigoríficos - Tacuarembó, Elbio Perez Rodriguez e La Caballada - e já é o maior exportador de carne bovina.

Procurado, o Marfrig disse que não comentaria "especulações". A direção do Quickfood admitiu que recebeu oferta de compra de 70% de seu capital em comunicado à Bolsa de Buenos Aires, na quinta-feira, mas não informou o autor da proposta. Declarou ainda que o preço da aquisição dependerá dos resultados de uma due dilligence. Além do Quickfood, o Marfrig também adquiriu participação no frigorífico Estancias del Sur, em Córdoba, segundo fontes do setor. A empresa brasileira também não comentou a informação.

b) Peugeot vai investir R$ 1 bi no Mercosul

O grupo francês PSA Peugeot Citroen anunciou ontem que vai investir US$ 500 milhões (cerca de R$ 1 bi) no Brasil e na Argentina até 2010. Nesse período, a empresa planeja lançar 12 veículos no Mercosul. O diretor-geral do Brasil e Mercosul, Vincent Rambaud, disse que até 90% dos recursos serão destinados a melhorias na produção, mas não detalhou a quantia que será aplicada em cada país. Ele não descartou a possibilidade de construir uma terceira fábrica na região.

Segundo o executivo, mil engenheiros serão necessários para trabalhar nos projetos, sendo que boa parte já foi contratada. ’Não somos suficientemente competitivos (no Mercosul). A principal razão dessa insuficiência se deve ao fato de tradicionalmente não termos desenvolvimento local’, afirmou Rambaud. Com a criação do centro próprio de design e engenharia, a empresa espera sanar essa deficiência.

Rambaud não deu detalhes sobre os 12 veículos que serão lançados. No mercado, as apostas são para um monovolume que seria feito na mesma plataforma do C3 (na categoria do Meriva e do Idea) e a reestilização do C3, no caso da Citroen brasileira. Para a Argentina, o cotado é o C4 hatch.

Já na Peugeot, as novidades esperadas são o novo 206 no Brasil e o 308 na Argentina, que substituiria o 307. Picapes também estão nos planos. Hoje, a PSA produz no Rio os modelos Peugeot 206 e 206 SW, Citroen C3 e Xsara Picasso. Na Argentina são feitos os modelos 206 e 307, da Peugeot, e o C4 Pallas e o Berlingo, da Citroen.

c) Camex limita compra de pneus do Mercosul

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) baixou ontem uma resolução que limita a 250 mil unidades por ano as importações de pneus remoldados (reformados uma única vez) dos países do Mercosul. A medida, que vale já a partir deste semestre, prevê um teto de 130 mil unidades do Uruguai e 120 mil do Paraguai. Segundo a Camex, a principal justificativa para a medida são os impactos negativos sobre o meio ambiente e a saúde pública, já que os pneus são produtos que se tornam resíduos rapidamente.

Os números foram calculados com base na média dos últimos três anos, o que não deverá provocar queda significativa nas exportações dos países vizinhos para o Brasil, mas também evitará o crescimento do ingresso de remoldados. As importações de pneus usados (apenas a carcaça) estão totalmente proibidas no Brasil desde 1991. No entanto, o ingresso de pneus reformados do Mercosul, por força de decisão do tribunal arbitral do bloco, é autorizado. Não há registro de compras da Argentina.

A resolução da Camex também deverá ajudar o Brasil em uma disputa com a União Européia (UE). Os europeus tiveram uma primeira derrota na ação que movem na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a proibição prevista na legislação brasileira. A OMC reconheceu a argumentação do Brasil relacionada ao meio ambiente e à saúde. Mas recomendou medidas para conter as importações dos países do Mercosul e, mais do que isso, resolver o problema das inúmeras liminares judiciais que permitem a importação de carcaças de pneus para remodelagem no país.

OMC           

a) Mandelson vê avanços na Rodada Doha

A Rodada Doha, de negociações para liberalização do comércio mundial, fez mais progressos do que as pessoas podem imaginar e um acordo em pontos cruciais pode estar próximo, disse ontem Peter Mandelson, o comissário europeu do Comércio.

"Há esboços de texto já na mesa, outros não estão muito atrás. O próximo estágio será de revisões, acrescentando alguns detalhes sobre os aspectos práticos em que hoje há algumas lacunas", afirmou.

A Rodada Doha foi iniciada em 2001 com a pretensão de ampliar a liberalização comercial em diferentes âmbitos.

b) Brasil e Argentina unem forças na pesca

O Brasil e a Argentina farão nova ofensiva na Organização Mundial do Comércio (OMC), na próxima semana, pelo direito de dar subsídios para montar frota nacional de barcos e desenvolver o setor pesqueiro. Numa ação política pouco habitual, Brasília e Buenos Aires reuniram suas respectivas propostas numa só, definindo os termos de "tratamento especial e diferenciado" num futuro acordo global estabelecendo regras para o setor.

Com isso, o Brasil procura preservar o Profrota, que prevê R$ 1,5 bilhão até 2009 para financiar aquisição, construção, compra de equipamentos e adaptação de embarcações. O país quer formar uma frota pesqueira oceânica, com embarcações para atuar na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e em águas internacionais, que compreende a faixa que se estende das doze às duzentas milhas marítimas. É onde são capturados atuns, caranguejo de profundidade e outras espécies de maior valor comercial.

Os espanhóis, que têm excesso de embarcações, tentam atrair governos do Nordeste com outro negócio. Prometem milhões de dólares de investimentos em troca de criação de portos internacionais, onde seus próprios barcos beneficiariam o peixe e exportariam, reduzindo os custos de levar o produto até os portos espanhóis. Só que a decisão para esse tipo de porto é federal, e o governo rejeita a demanda espanhola por estimar que desestimularia a indústria pesqueira nacional.

c) Novo fôlego para a Rodada

Um gesto inesperado reacendeu a esperança de ver concluída a Rodada Doha de negociações comerciais antes da próxima eleição presidencial nos Estados Unidos, no próximo ano. O governo americano revelou a disposição de aceitar uma redução dos subsídios agrícolas para algum valor na faixa de US$ 13 bilhões a US$ 16,4 bilhões anuais. Com esse lance, aproximou-se da posição do Brasil e de outros países emergentes empenhados em liberalizar o comércio do agronegócio e deu novo fôlego às negociações multilaterais.

Pela proposta do Brasil e do Grupo dos 20 (G-20), formado por emergentes, os Estados Unidos deveriam cortar seus subsídios para US$ 12,9 bilhões. Seria, segundo argumentam, a única forma de garantir uma redução efetiva e não um corte de vento. Embora o governo americano esteja autorizado a conceder até US$ 48,2 bilhões, os pagamentos efetivos têm ficado muito abaixo desse limite. Ficaram em média em US$ 15,4 bilhões no período 1995-2005.

Os americanos pretendem, como contrapartida de sua nova oferta, concessões dos países em desenvolvimento tanto no comércio de produtos do agronegócio quanto no intercâmbio de bens industriais. Para o Brasil, a abertura do mercado agrícola à competição internacional não representa grande problema. O País está preparado para concorrer em todos os mercados, se houver uma efetiva liberalização. Outros países do Mercosul também são eficientes na produção de várias commodities agropecuárias. Mas outros membros do G-20, como a Índia e a China, têm assumido posição diferente. Cobram mais abertura do que estão dispostos a conceder nessa área. Além disso, outros parceiros em desenvolvimento pretendem manter uma elevada proteção, alegando a necessidade de preservar os pequenos produtores. Ainda falta coordenar as posições de dezenas de países, mas pelo menos agora se abre espaço para algum avanço das discussões.

Plano Internacional

a) Alta nas exportações americanas ajuda a sustentar PIB

A recessão no mercado habitacional e as condições de crédito apertadas poderão até mesmo acelerar essa tendência: à medida que cair a demanda nos EUA, o mesmo acontecerá com as importações. Ao mesmo tempo, crescimento ininterrupto no exterior e nova desvalorização do dólar continuarão a estimular as exportações americanas. Isso pode assinalar o início do longamente aguardado realinhamento do crescimento mundial que reequilibrará os fluxos comercial e de capital entre os EUA e o resto do mundo.

Desde fins dos anos 90, os EUA vêm consumindo mais do que produzem - em grau cada vez maior -, o que se reflete na disparada do déficit em conta corrente. Ano passado, o desequilíbrio, compreendendo o déficit comercial e algumas outras transações financeiras, tinha crescido para um recorde de 6,2% do PIB, em comparação com apenas 2,5% em 1998. Totalizando US$ 811,5 bilhões no ano passado, a disparidade entre o consumo e a produção americanas precisou de um igual montante de capital estrangeiro para ser financiada.

A inflexão acontece em momento oportuno, quando a economia defronta-se com mais desaquecimento no mercado habitacional. No ano passado, a construção de casas subtraiu cerca de um ponto percentual da taxa de crescimento da economia e exercerá aproximadamente o mesmo impacto negativo neste ano. Um desequilíbrio comercial maior em 2006 foi um freio adicional ao crescimento, mas, neste ano, o comércio está rumando para fazer sua primeira contribuição positiva desde 1995.

b) Inscrição "made in China" prejudica imagem

"Made in China". Essas palavras estão se tornando o pesadelo dos marqueteiros. Após gigantescos recalls de brinquedos, sustos com pastas de dente contaminadas e incidentes com ração envenenada para bichos de estimação, os consumidores estão pensando mais antes de comprar itens produzidos na China. De fato, uma pesquisa com profissionais de administração e marketing do mundo todo mostra que 69% dos consultados consideraram que a frase "Made in China" prejudica as principais marcas. A palavra mais associada a produtos chineses? "Barato". Fazendo uma previsão conservadora, "levará cinco anos antes de as pessoas deixarem de temer o ´Made in China´", observa Jonathan Chajet, diretor de estratégia na Ásia-Pacífico da consultoria Interbrand, que elaborou a pesquisa para a "BusinessWeek".

Isso cria grandes desafios para os exportadores chineses, mesmo os que estão bem distantes dos setores de brinquedos e alimentos. Na pesquisa, com 569 consultados fora da China, a Interbrand descobriu que os recalls deste ano representaram um sério golpe para as marcas chinesas. Embora os pesquisados tenham dito que os produtos chineses tem um "bom valor", poucos os consideraram "seguros", de "alta qualidade", "prestigiosos" ou "luxuosos".

Por outro lado, algumas marcas chinesas começam a ser reconhecidas além do continente. A Interbrand sondou o reconhecimento de 28 marcas chinesas e analisou as que têm mais chances de chegar ao cenário global. As cinco consideradas mais "sérias e reconhecíveis" foram a Lenovo, de computadores; a cervejaria Tsingtao; a fabricante de eletrodomésticos Haier; a Huawei, de telecomunicações e a montadora Chery. Essas empresas "querem reescrever as regras de seus setores - para ir além da China", diz Chajet.

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