11 a 15 de setembro de 2006

Comércio Exterior

Resultados
Aumento nas previsões de superávit
CAMEX vai ao Congresso
Comércio trilateral Brasil-Índia-África do Sul
1.Aproximação entre Brasil e Índia


FMI: Brasil crescerá 3,6% em 2006
Índia rejeita concessões a emergentes

Agronegócio


UE e o frango brasileiro
Algodão indiano mais competitivo
Tuberculose bovina em SC
Créditos de Carbono para a suinocultura
Suspeitas de Aftosa em São Paulo

Mercosul


Ministro uruguaio apóia TLC com EUA

OMC


Aumento dos subsídios americanos

Mandelson apóia Índia

  • Mandelson cobra concessões da indústria

  • Plano Internacional

    Bolívia volta a ameaçar petrolíferas
    Recorde no superávit chinês em agosto




    Comércio Exterior

    a) Resultados


    As duas primeiras semanas de setembro somaram superávit de US$ 821 milhões, resultado de US$ 3,010 bilhões em vendas e compras no valor de US$ 2,189 bilhões.

    Considerando o período entre o início do ano e o dia 10 de setembro, a balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 30,449 bilhões. As exportações renderam US$ 91,174 bilhões e as importações alcançaram US$ 60,725 bilhões.


    b) Aumento nas previsões de superávit 

    O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou que as previsões para balança comercial brasileira em 2006 estimam um saldo positivo em torno de US$ 45 bilhões. Ainda que as importações venham registrando crescimento, a projeção supera a meta de US$ 42 bilhões definida pelo governo ainda em janeiro. Considerando as médias diárias, as exportações registradas no início de setembro estão em US$ 600 milhões. O saldo alcançado pelo comércio brasileiro em 2005 foi de US$ 44,764 bilhões.

    As previsões para as exportações também aumentaram. O MDIC espera pelo menos US$ 134 bilhões embarcados até o final do ano – a expectativa original era de US$ 132 bilhões. As importações devem totalizar US$ 90 bilhões até dezembro.


    c) CAMEX vai ao Congresso 

    A Comissão de Relações Exteriores do Senado e da Câmara receberá do governo o modelo para o acordo de promoção e proteção a investimentos estrangeiros negociado com 16 países. A proposta envolve normas como a proibição a arbitragem privada em caso de interesse público envolvido nos contenciosos e também prevê o pagamento de Títulos da Dívida Agrária (TDA) nas desapropriações de terras.

    Como consta na Constituição, o Legislativo precisa aprovar o novo padrão para que entrem em vigor em território nacional.


    d) Comércio trilateral Brasil-Índia-África do Sul

    Durante a Primeira Reunião de Cúpula índia-Brasil-África do Sul (Ibas), realizada no Itamaraty, foram assinados acordos planejados ainda em 2004 entre os três países com objetivo de estabelecer um fluxo comercial de US$ 10 bilhões até o final de 2007. Durante o encontro com o presidente sul-africano Thabo Mbeki e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender sua política de fortalecimento das relações Sul-Sul.

    A cerimônia foi encerrada com assinaturas de acordos nos setores de biocombustíveis, sociedades de informações, agricultura, navegação mercante e transporte marítimo e normas técnicas. Singh apontou para novos impulsos em segurança estratégica. "O Brasil tem uma larga experiência na área do etanol; a Índia, no setor de energia eólica e solar; a África do Sul, no campo do carvão, gás e combustíveis sintéticos. O Ibas pode mostrar-nos novas alternativas".

  • Aproximação entre Brasil e Índia
  • Aproveitando a visita do primeiro-ministro da Índia ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da aproximação comercial entre os dois países – havia 38 anos que um governante indiano não visitava o Brasil. Lula ainda ressaltou a importância do projeto da comunidade que envolveria Brasil, Índia, China, África do Sul e Argentina. O encontro rendeu a assinatura de acordos bilaterais para parcerias em mineração, ferrovias, pesquisas agropecuárias, biocombustíveis, energia e serviços em geral.

    O intercâmbio comercial Brasil-índia saltou de US$ 400 milhões no final dos anos 90 para US$ 2,3 bilhões em 2005.


    e) FMI: Brasil crescerá 3,6% em 2006

    Em relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional, a previsão de crescimento para a economia brasileira é de 3,6%, expectativa 0,1% maior que a registrada em documentos anteriores. Considerando a Argentina, cujo crescimento esperado é de 8%, e o Chile, de quem se espera 5,2%, o Brasil parece perder sua atividade econômica na América do Sul.

    f) Índia rejeita concessões a emergentes

    Em negociação realizada no âmbito do Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPC) – mecanismo institucionalizado pela UNCTAD (Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) – a Índia permaneceu contrária a uma maior abertura comercial nas relações Sul-Sul. Enquanto o governo indiano propunha cortes tarifários entre 15% e 20%, o Mercosul, representado pela Argentina defendia cortes de 20% a 30%. Atualmente, participam do acordo 40 integrantes, entre eles Mercosul, índia, Tailândia, Coréia do Sul, Indonésia e Egito.

    A decisão sobre os cortes deve ocorrer até o final de 2006.

    Agronegócio

    a) UE e o frango brasileiro

    A pressão do governo brasileiro pelo aumento das cotas européias ao frango importado do Brasil foi atendida em negociação bilateral entre as duas partes, no dia 13 de setembro, na Organização Mundial do Comércio (OMC). A Comunidade Européia aumentou a cota global de 231.168 toneladas para 322.764 toneladas, composta por cortes salgados, frango processado (industrializado) e carne de peru processada. Para cada tonelada que supere estas cotas será cobrado o valor de € 1,024.

    O volume embarcado durante o mês de agosto alcançou as 299 mil toneladas, alta de 12,7% na comparação anual. A revisão deve aumentar os rendimentos desse mercado de US$ 600 milhões a US$ 700 milhões por ano.

    b) Algodão indiano mais competitivo

    A previsão para a safra de algodão 2006/07 coloca a Índia à frente dos Estados Unidos no ranking de produtores. A liderança é da China, responsável por 6 milhões de toneladas anuais, Índia e Estados Unidos seguem distantes com 4,7 milhões e 4,6 milhões respectivamente.

    A profissionalização dos produtores, a maior produtividade e os grandes clientes vizinhos impulsionam o setor indiano que deve ocupar 25% da área plantada mundial – 9,2 milhões de hectares – e cresce a taxa de 8% ao ano desde a safra 2002/03. Cerca de 55% da área cultivada aproveita tecnologias de cultivo de algodão transgênico, mais uma vantagem de custo.

    O rendimento indiano com o algodão saltou de US$ 25 bilhões em 2003 para US$ 45 bilhões em 2006. Sendo o terceiro maior exportador, a Índia deve sair de 7,76% para 8,9% do mercado mundial na safra 2006/07. “O nosso grande competidor é a Índia” alerta o presidente da consultoria Ecom Cotton Mercosul, Antonio Vidal Esteve.

    c) Tuberculose bovina em SC

    De acordo com relatórios da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), foram identificados casos de tuberculose bovina em 85 animais. A doença atacou rebanhos de leite em Turvo, ao sul, e em Correia Pinto, na região serrana. Os animais diagnosticados foram sacrificados e novas análises serão feitas em 60 dias para verificar se houve transmissão a outros bovinos.

    d) Créditos de Carbono para a suinocultura

    Em reunião da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) com o Japan Carbon Finance (JCF), foram negociados acordos para a comercialização de créditos de carbono. Segundo Hiroshi Tomita, representante da JFC, os japoneses seriam os responsáveis pela operacionalização dos biodigestores envolvidos no projeto.

    Tomita também desenvolve planos com créditos de carbono negociáveis a partir de aterros sanitários – oportunidade bastante promissora para países em desenvolvimento como o Brasil.

    d) Suspeitas de Aftosa em São Paulo

    O Ministério da Agricultura confirmou a presença do vírus causador da febre aftosa em 41 bovinos de 36 propriedades localizadas na região de São José do Rio Preto (SP).

    Entretanto, os resultados representam ocorrências em apenas 0,4% das 9.177 amostras coletadas pelo Estado, valor abaixo do piso de 2% para situações de alerta.


    Mercosul

    a) Ministro uruguaio apóia TLC com EUA

    Durante palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro de Economia e Finanças do Uruguai, Danilo Astori, defendeu o acordo de livre comércio entre seu país e os Estados Unidos alegando que o Mercosul não permite outra escolha à economia uruguaia. Em 2000, Brasil e Argentina importavam 40% do total exportado pelo Uruguai, comércio que está previsto para 22% neste ano. Durante o mesmo período, a absorção de mercadorias uruguaias pelo mercado americano saltou de 8% para 16% - maior parcela individual na balança comercial do Uruguai.

    A aproximação comercial entre Estados Unidos e Uruguai foi impulsionada pelas exportações de carne bovina uruguaia, setor que se beneficiou dos problemas fitossanitários canadenses. Astori ainda disse que estão em negociação acordos bilaterais com Índia e China, estratégia que imita o Chile e o coloca como um exemplo a ser seguido pela América do Sul.

    OMC

    a) Aumento dos subsídios americanos

    De acordo com Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), o governo dos Estados Unidos reverterá US$ 16,7 bilhões em subsídios para produtores de milho, algodão, trigo, soja e arroz em 2006. A estimativa representa um salto de 19,5% sobre os US$ 14 bilhões em incentivos agrícolas concedidos em 2005.

    Os subsídios destinados à cultura de algodão são alvo de recursos brasileiros na Organização Mundial de Comércio (OMC) e devem somar US$ 3,6 bilhões – o produto mais beneficiado será o milho com US$ 8,6 bilhões.

    b) Mandelson apóia Índia

    O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, mostrou-se solidário às propostas dos países emergentes liderados pela Índia que defendem maiores barreiras contra produtos agrícolas importados. A manifestação de apoio aumenta a pressão sobre os Estados Unidos e seus subsídios agrícolas e divide os países em desenvolvimento, uma vez que o aumento do protecionismo não interessa a grandes exportadores agrícolas como argentina e Brasil.

    A Índia solicita uma lista de produtos sensíveis e salvaguardas especiais para evitar que sua agricultura de subsistência seja devastada pela invasão de commodities subsidiadas.

  • Mandelson cobra concessões da indústria
  • Mandelson também cobrou maior abertura do setor industrial brasileiro, segundo ele um dos fatores fundamentais para destravar a Rodada Doha da OMC. O corte esperado pela União Européia é o que consta na fórmula Suíça 15 - uma redução de 35% para 10,5% nas tarifas de importação brasileira a produtos industrializados.

    O empresariado paulista, reunido com o comissário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), desconsiderou esta possibilidade e reforçou sua proposta na fórmula Suíça 30 – cortes de 35% para 16%.

    Quando questionado sobre acordos bilaterais com o Mercosul, Mandelson apontou para o fato de que a Argentina não permitiu uma maior flexibilização da oferta de abertura para os produtos industriais.


    Plano Internacional

    a) Bolívia volta a ameaçar petrolíferas

    O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, divulgou resolução para que a administração financeira das refinarias da Petrobras no país fosse confiscada sem pagamento de indenização. A justificativa aponta para os rendimentos excessivos da petrolífera brasileira que teria lucrado US$ 320 milhões acima da meta máxima prevista por lei em decreto de 2005.

    Após forte pressão do governo brasileiro, o governo boliviano, suspendeu a resolução na noite de 14 de setembro.

    b) Recorde no superávit chinês em agosto

    A balança comercial chinesa alcançou superávit de US$ 18,8 bilhões em agosto, resultado recorde que supera os US$ 14,6 bilhões registrados em julho. O saldo positivo acumulado ao longo do ano soma agora US$ 95,6 bilhões.

    A expansão da potência asiática tem sido alvo de críticas por parte de europeus e americanos que acusam o governo chinês de promover uma desvalorização excessiva da moeda local.

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