11 a 15 de junho de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Investimento e consumo puxam PIB
Preço de commodities compensa câmbio
País rejeita maior limite a benefícios


Agronegócio

Tudo pela corrida do álcool
Agricultor quer subsídio por produto nos EUA
Há limites para a "agroinflação" global

Mercosul

Mercosul tem 'pacote mínimo' para Doha
Adesão ao Mercosul ameaçada
Acordo entre Mercosul e UE está próximo, diz conselheiro

OMC

Canadá vai à OMC contra os subsídios americanos
Putin diz que OMC é "arcaica"
A novela da OMC e o fracasso do G8

Plano Internacional

Investimentos estrangeiros na América Latina
A área internacional mais rentável
O México lidera os investimentos estrangeiros

 




Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial brasileira acumula, em cinco dias úteis de junho, um superávit de US$ 1,069 bilhão. O valor corresponde à diferença entre US$ 3,452 bilhões em exportações e US$ 2,383 bilhões em importações. No ano, há um saldo positivo acumulado de US$ 17,923 bilhões, contra 16,764 bilhões em importações no mesmo período de 2006.

Em termos de médias diárias, tanto as exportações (US$ 690,4 milhões) como as importações (US$ 476,6 milhões) são as mais altas do ano. As compras externas, porém, crescem a uma taxa mais elevada do que das vendas externas, se o período de comparação for junho do ano passado. A média diária importada aumentou 35,8%, enquanto a média exportada subiu 26,5%.

Isso significa que, apesar da valorização do real frente ao dólar, a balança comercial continua a pleno vapor. Somente na semana passada, foi registrado um superávit de US$ 746 milhões. As vendas externas somaram US$ 2,751 bilhões e as importações atingiram US$ 2,005 bilhões.

b) Investimento e consumo puxam PIB

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, de 4,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, foi considerado "modesto" pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). O resultado do PIB foi divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisado pelas duas entidades industriais em comunicados à imprensa.

Para o diretor de departamento de economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Boris Tabacof, “além do modesto crescimento de 0,8% em relação ao quarto trimestre de 2006, é preciso ressaltar a aceleração dos gastos públicos, que avançaram 3,5% na margem e a variação de 4,1% das importações frente ao aumento de apenas 1,2% das exportações. Mantido esse quadro, a contribuição líquida do setor externo será novamente negativa para o crescimento do PIB.”

O texto avaliava como "altamente positivo o avanço de 15,4% dos bens de capital no acumulado do ano e de 8,5% no acumulado dos últimos 12 meses” e finalizava afirmando que “o momento é favorável à indústria e não estamos assistindo desempenho superior apenas em função dos juros reais ainda muito elevados e da taxa de câmbio absolutamente fora do lugar".

c) Preço de commodities compensa câmbio

Os preços relativamente altos de alguns dos principais produtos agrícolas exportados pelo Brasil minimizam o impacto do câmbio valorizado nas contas dos produtores, afirmaram analistas e um representante do setor nesta terça-feira.
Mas, assumindo que o real continue nestes níveis, eles prevêem problemas graves nos próximos anos, com as cotações agrícolas retornando para perto das médias históricas, como normalmente ocorre nas commodities.

Pelos cálculos da Ocepar, o valor médio recebido pelo exportador brasileiro de soja este ano está em 270 dólares por tonelada, ante uma média nos últimos seis anos de 228 dólares. No caso do farelo, a diferença é também de 40 dólares por tonelada entre os valores deste ano e a média recente. O principal fator a impulsionar os preços dos grãos este ano foi à demanda aquecida nos Estados Unidos por milho, para alimentar a crescente indústria de etanol. Considerando que os valores voltem para o patamar médio, a Ocepar calcula que para as contas ficarem no azul seria preciso um câmbio de 2,21 reais no caso da soja e 2,81 reais no do milho.

d) País rejeita maior limite a benefícios

Brasil e Estados Unidos ainda divergem sobre o teto que deve ser imposto aos subsídios para a agricultura, mas as posições dos dois países começam a se aproximar. Negociadores revelaram ao Estado que o governo americano insistiu, ontem, que pode somente estabelecer um teto de US$ 17 bilhões por ano em um acordo final da Organização Mundial do Comércio (OMC). O valor foi dito no primeiro dia de reuniões confidenciais entre Brasil, Estados Unidos, Índia e Europa em Potsdam que vão definir o futuro da Rodada Doha.

O chanceler Celso Amorim defendeu que o teto seja de US$ 13 bilhões a US$ 14 bilhões. "Ainda não foi suficiente (o que foi proposto pelos americanos). Não chegamos ainda aonde queremos", disse, depois de sete horas de negociações. Os ministros dos quatro principais atores da Rodada Doha tentam até o fim da semana apresentar uma proposta que possa permitir um acordo final da OMC até o fim do ano.

Amorim demonstrou que quer manter o diálogo aberto com os americanos e não pretende atacar ninguém ainda a cinco dias do final do encontro. "O número apresentado pelos americanos não me decepcionou, mas também não me surpreendeu." De fato, os números estão mais próximos do que os limites que os dois governos vêm declarando publicamente. Os Estados Unidos apontam para US$ 22,5 bilhões e o Brasil fala em US$ 12,5 bilhões.

Agronegócio

a) Tudo pela corrida do álcool

Se o Brasil hoje é tido como um dos maiores produtores de álcool e de açúcar – ganhando a disputa com grandes concorrentes como os Estados Unidos e a Índia –, na década de 80, não era assim. No auge do Pro-álcool, apesar do grande interesse de pesquisas na área de destilação alcoólica, a eficiência do produto causou discussões, desconforto e muita dor de cabeça. Principalmente aos proprietários de automóveis, quando o combustível usado apresentava maior volume de água, o que acabava ocasionando danos ao motor.

Hoje o Brasil é um dos maiores produtores de álcool e açúcar do mundo. No início de tudo, o objetivo da pesquisa do professor e engenheiro de alimentos da FEA era encontrar uma fórmula para substituir o benzeno por outro produto químico capaz de desidratar o álcool. “Só que não cancerígeno, como o benzeno”, explica. Para a época foi algo considerado inovador porque ainda não existiam experiências industriais do uso do etilenoglicol para desidratar o álcool.

“Embora já se conhecesse o seu poder de desidratação, era ainda um processo sem qualquer experiência de desenvolvimento industrial e não se tinham estudos tecnológicos e de engenharia que pudessem ser aplicados na construção de um equipamento”, lembra.

O pesquisador não tem receio em afirmar que a indústria do açúcar e do álcool, no Brasil, é reconhecida como a mais eficiente do mundo. “Isso acaba provocando um investimento grande em tecnologia por parte das usinas, que passam a usar processos cada vez mais eficientes na produção de álcool e açúcar. A produção de álcool no Brasil só não é maior devido a algumas barreiras alfandegárias, em particular o caso norte-americano, que dificulta a importação do produto brasileiro, privilegiando a sua produção interna menos eficiente que a brasileira”, afirma.

b) Agricultor quer subsídio por produto nos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, em seu programa de rádio Café com Presidente, a redução dos subsídios agrícolas no Estados Unidos e Europa. De acordo com ele, nos últimos três anos, foram dados US$ 15 bilhões em subsídios aos agricultores norte-americanos.

Os países em desenvolvimento pedem que esse valor caia para US$ 12 bilhões. “Eles estão propondo 17. Ou seja, estão querendo aumentar, inclusive, a média dos últimos três anos. Nós não podemos aceitar”, disse Lula.

Na avaliação do presidente, há chances de se retomar as negociações da Rodada de Doha, que discute o fim dos subsídios agrícolas concedidos nos países desenvolvidos aos produtores nacionais. Em troca, as nações mais ricas exigem a diminuição de barreiras a produtos industriais.

c) Há limites para a "agroinflação" global

Acelerada desde o fim de 2006 pelo aumento da demanda para a fabricação de biocombustíveis, sobretudo nos Estados Unidos, a alta dos preços internacionais de commodities como milho e soja já esbarra em limites que poderão atenuar a "agroinflação" global.

Muitas projeções indicam que a recente "disputa" entre alimentos e energia por produtos agrícolas abre espaço para que os grãos e outros produtos subam pelo menos até 2010. Mas recomposição de estoques, expansão do plantio, ganhos de produtividade e redução de subsídios poderão conter disparadas. Especialistas lembram que a onda dos biocombustíveis se tornou mais firme em um momento de estoques globais baixas, por conta da crescente demanda de emergentes como China e Índia, e acreditam que os próximos anos serão de ajustes No longo prazo, prevêem ganhos de eficiência gerados por uma "revolução verde" liberada pelos transgênicos, apontam o fortalecimento da África como continente produtor e vêem equilíbrio entre oferta e demanda.

No curto prazo, contudo, aumentos como o do milho (quase 50% em doze meses no exterior) preocupam. A FAO prevê que as importações globais de alimentos vão superar US$ 400 bilhões em 2007 - um recorde -, as margens de lucro das agroindústrias estarão sob pressão e o custo de vida deverá aumentar. No Brasil, economistas crêem que o pior já passou, ainda que arroz, feijão, leite e trigo possam subir mais.

Mercosul

a) Mercosul tem 'pacote mínimo' para Doha

Brasil e parceiros do Mercosul começaram, afinal, a definir uma posição comum na discussão sobre o comércio de bens industriais na Rodada Doha. Essa é a boa notícia. Negociadores brasileiros, europeus, americanos e indianos tentarão formular, até o fim de junho, um acordo sobre temas básicos da negociação. É urgente pôr todos os pacotes sobre a mesa para as barganhas mais importantes. As más notícias, como de costume, são mais numerosas.

Até agora, os sócios do Mercosul vinham atuando sem grande articulação nas negociações da Rodada Doha. Seu principal objetivo comum era cobrar de americanos e europeus melhores condições para o comércio de produtos do agronegócio. Como membros do Grupo dos 20 ou do Grupo de Cairns, fizeram campanha pela redução dos subsídios à agricultura no mundo rico e por maior acesso aos mercados mais desenvolvidos. Mas, para negociar, precisam também oferecer concessões.

A discussão da lista envolve principalmente Brasil e Argentina, as economias mais industrializadas do Mercosul. Segundo Stancanelli, não há divergências entre os dois países, mas essa declaração contrasta com os fatos conhecidos até agora. Nas negociações entre Mercosul e União Européia, a Argentina foi sempre mais protecionista que o Brasil quando se tratou da abertura de mercado para bens industriais. Essa diferença tem sido visível também no comércio bilateral. O governo argentino tem apoiado a imposição de barreiras contra vários produtos brasileiros e a liberalização do comércio de veículos e componentes foi adiada mais de uma vez. Além disso, o Brasil tem mais interesse que a Argentina em proteger a indústria de máquinas contra exportadores de fora do bloco.

b) Adesão ao Mercosul ameaçada

A partir de agora, o Mercosul conta oficialmente com seu quinto país membro. A Venezuela entra no bloco em um momento em que as nações menores, como Paraguai e Uruguai, pedem o reforço das políticas de enfrentamento às grandes diferenças econômicas, o que poderia ajudar na integração política e econômica. Com a adesão do quinto país, o bloco passará a ter 250 milhões de habitantes, área de 12,7 milhões de quilômetros quadrados e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1 trilhão, 76% do total da América do Sul.

O presidente Hugo Chávez destaca que o acordo marca "uma nova etapa, não só na história da Venezuela, mas também na história sul-americana". A Venezuela celebra os 195 anos da declaração de sua independência e, segundo Chávez, a entrada de seu país no bloco pode ser comparada com as bases lançadas pelo líder Simon Bolívar no século 19. "Estamos colocando pedras fundamentais para a liberação da América do Sul, para a concretização de um grande projeto sul-americano", disse.

As lideranças dos três maiores países, Brasil, Argentina e Venezuela, repetiram a necessidade de buscar alternativas para diminuir as diferenças econômicas das nações menos industrializadas, Paraguai e Uruguai, como membros plenos, e Bolívia, como país associado ao bloco. Paraguai e Uruguai tem criticado a ausência de políticas para ampliar o desenvolvimento das economias menores. Lula voltou a citar a possibilidade de mecanismos de financiamento com o do BNDES, mas com "garantias" para o Brasil. "Nós temos os países mais pobres, menos industrializados e sempre há problemas e divergências que teremos que ir contemporizando", defende.

c) Acordo entre Mercosul e UE está próximo, diz conselheiro

As relações entre o Mercosul e a União Européia (UE), sem sombra de dúvida, deram um novo impulso à difícil cooperação anteriormente existente entre a América Latina e a Europa. Contudo, às vésperas da Reunião de Cúpula UE - América Latina (a realizar-se no Rio de Janeiro em 28 e 29 de junho de 1999), três anos e meio após a assinatura do Acordo Marco de Cooperação Inter-Regional União Européia - Mercosul, o futuro do relacionamento entre os dois processos de integração ainda não se encontra claramente definido.

Ao longo das décadas anteriores, a cooperação entre a Europa e a América Latina foi marginal e pontual, situação que se alterou com o ingresso de Portugal e Espanha na Comunidade Européia em 1986. Com os processos de abertura econômica nos anos 90, e em particular com a criação do Mercosul, a situação alterou-se. Entre 1990 e 1992, os quatro países-membro renegociaram seus acordos comerciais com a Comunidade, e neste último ano foi firmado o Acordo Bilateral de Cooperação Interinstitucional entre os dois blocos. Este acercamento político-institucional avançou paralelamente ao incremento acelerado do comércio inter-regional (que triplicou entre 1990 e 1996), e em dezembro de 1995, durante a Presidência Espanhola, foi assinado o Acordo Marco de Cooperação Inter-Regional de Cooperação UE - Mercosul.

Este Acordo pretendia, após uma etapa preparatória que iria até 2001, criar uma Área de Livre Comércio UE - Mercosul aproximadamente em 2005. Ainda que tal tipo de acordo inter-regional, no contexto da globalização, destine-se instrumentalmente à evitar um declínio nos fluxos comerciais, este se revestiu igualmente de aspectos político-estratégicos. Por um lado, a criação do NAFTA reduzira o comécio UE - México em aproximadamente 40% (devido ao desvio de comércio) e, por outro, o anuncio do estabelecimento de uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) ameaça reduzir ainda mais a presença econômica européia na América Latina, especialmente no Mercosul.

OMC           

a) Canadá vai à OMC contra os subsídios americanos

O Canadá se queixou nesta sexta-feira, na OMC (Organização Mundial do Comércio), dos subsídios que os Estados Unidos concedem a seus agricultores, dizendo que eles "distorcem o comércio". A decisão foi considerada "sem fundamento" por Washington, que se declarou "decepcionado".

O governo canadense anunciou que pediu a formação de um painel de arbitragem da OMC para avaliar estas subvenções que, segundo Ottawa, violam as obrigações dos Estados Unidos em termos de comércio internacional. "As queixas do Canadá não têm fundamento e demonstraremos isto", informou Gretchen Hamel, porta-voz da representante americana de Comércio (USTR).

Ottawa alega que os subsídios superam o limite de 19,1 bilhões de dólares americanos anuais autorizado pela OMC entre 1999 e 2005, com exceção de 2003.

b) Putin diz que OMC é "arcaica"

Os países que integram a OMC e outras entidades internacionais exercem "protecionismo" e levaram ao "congelamento" das negociações para o livre comércio, afirmou Putin, durante o 11º Fórum Econômico de São Petersburgo.

"Algumas estruturas que estavam projetadas para um pequeno número de atores ativos parecem arcaicas, antidemocráticas. E não chegam a levar em consideração o equilíbrio do mundo moderno", declarou o presidente russo, segundo a agência Itar-Tass. Putin se referiu desse modo não apenas a OMC mas também ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial. Ele alertou para o fato de que "os velhos métodos para tomar decisões simplesmente não funcionam".

"Para estimular o comércio e os investimentos é necessário pensar na criação de instituições de livre comércio na região euro-asiática", defendeu o presidente. A Rússia deseja entrar na Organização Mundial do Comércio, mas apenas sob "condições aceitáveis." As negociações já duram mais de uma década e enfrentam obstáculos pelas tensões da Rússia com a União Européia.

c) A novela da OMC e o fracasso do G8

Conforme previsto, a cúpula do G8 não foi além do óbvio. O término da reunião na Alemanha foi marcado pela falta de metas concretas dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia para combater o aquecimento global.

Mais uma vez, os Estados Unidos retalharam qualquer acordo efetivo de redução de emissões de gases do efeito estufa. Nem o consenso científico sobre a necessidade de cortar em 50% as emissões até 2050, mantendo a elevação da temperatura abaixo dos 2°C dos níveis pré-industriais, foi suficiente para levar os grandes líderes mundiais à ação concreta.

“O documento final da cúpula apenas diz que medidas de redução devem ser ‘consideradas seriamente’, enquanto os líderes do G8 deveriam apresentar metas claras e definir as negociações do período pós-2012 do Protocolo de Kyoto”, avalia Furtado.

Plano Internacional

a) Investimentos estrangeiros na América Latina

A América Latina desfruta hoje de uma das melhores conjunturas de todo cenário internacional, e tira proveito disso mediante um forte crescimento econômico, com a entrada de capital estrangeiro e alta nas bolsas. Os especialistas consultados por Universia-Knowledge@Wharton destacam que as baixas taxas de juros no mercado internacional, o aumento dos preços das matérias-primas e o menor prêmio de risco das economias latinas foram os principais elementos propulsores da região, a ponto de convertê-la no destino mais rentável para os investimentos nos últimos dois anos.

Hugo Macías Cardona, professor do Centro de Pesquisas CIECA da Universidade de Medellín (Colômbia), Centro da rede Econolatin, explica que os países da região beneficiaram-se de quatro fatores de ordem mundial: altos níveis de poupança, liquidez internacional, elevação dos termos de troca em decorrência dos preços das matérias-primas e demanda mundial (sobretudo asiática). Tudo isso fez com que os recursos aportassem à região por meio de investimentos, crédito e, principalmente, pelo crescimento da demanda mundial. “Embora a atual conjuntura não apresente problemas graves para a América Latina, tampouco se pode dizer que as expectativas sejam positivas. A variável que propicia uma idéia mais ampla sobre o comportamento das economias em nível agregado é o crescimento do PIB, que é considerado bom quando atinge 5%”.

De fato, o aumento dos preços das matérias-primas injetou quantidades enormes de dinheiro nas economias latino-americanas. O cobre, por exemplo, no Chile, é o principal produto de exportação do país, e cada centavo de dólar no preço médio anual significa para o fisco mais de 40 milhões de dólares, e 72 milhões para a balança de pagamentos. Nicholas Morse, diretor de renda variável para a América Latina da administradora britânica Schroders, vê com otimismo as perspectivas econômicas para a região, de modo geral, e para o Chile, em particular. “Atualmente, o Chile se beneficia de um grande superávit graças às exportações de cobre e as importações de petróleo. Como no caso do Brasil, um fator de importância fundamental será a maneira como o governo chileno reage a qualquer declínio futuro das receitas relacionadas com o cobre. Parece provável a promulgação de uma lei que fixará em 1% do PIB o superávit fiscal em um futuro próximo”, disse.

b) A área internacional mais rentável

As administradoras internacionais de fundos de investimentos redescobriram a América Latina e chegaram à conclusão que se trata da região mais rentável para aplicações de três meses ou três anos. Os fundos de ações que investem na América Latina galgaram os primeiros lugares de todos os rankings de rentabilidade preparados por empresas especializadas, como a Standard & Poor’s e Morningstar. No último ano, foram os produtos de investimentos em ações relacionados com o ouro, China, Índia ou Turquia que ocuparam os primeiros lugares nas listas de honra dos investimentos mundiais. Agora, nomes como o do Brasil, Chile e Argentina aparecem em outras áreas emergentes. “Os bons resultados da renda variável na América Latina, com empresas mais bem administradas e que atendem melhor aos interesses dos acionistas, continuam atraindo a atenção dos investidores mundiais”, diz Morse.

Um exemplo representativo desse tipo de comportamento é a Bolsa de São Paulo, cujo índice de referência, o iBovespa, subiu em torno de 25% desde janeiro. Trata-se de um percentual líquido interessante que passa a ser exuberante ao se aplicar o efeito divisa. Em suma, o real brasileiro valorizou-se 40% em relação ao euro em 2005. Portanto, 1.000 euros investidos em ações brasileiras convertem-se em 1.250 euros devido à subida de 25% da bolsa. Por outro lado, no momento de repatriar esse investimento para a Europa, deve-se somar mais 40% de rendimento adicional. Com isso, um investimento inicial de 1.000 euros converte-se em 1.750 euros — um rendimento de 75%.

Todas as grandes administradoras internacionais que lançaram fundos de investimentos em euros e investiram em bolsas latino-americanas colheram resultados excelentes. Nas aplicações de um mês, o fundo HSBC GIF Brasil Equity obteve uma rentabilidade de 14% que se converteu em 40% aplicados de 3 meses. É o melhor fundo a curto prazo. No médio e longo prazos os valores são muito mais espetaculares. O fundo Merrill Lynch Latin América Equity, por exemplo, o mais rentável nas aplicações de três anos, teve uma valorização de 241% desde 2003, seguido muito de perto por outro produto semelhante do JPMorgan, com rendimentos de 229%. Os dez fundos de ações mais rentáveis para aplicações de três anos investem na América Latina.

c) O México lidera os investimentos estrangeiros

Pablo Rión, analista mexicano da empresa Pablo Rión e Associados, apresenta uma rápida radiografia dos principais mercados latinos. “No México, temos uma inflação em níveis baixos, taxas de juros igualmente baixas, abertura aos investimentos estrangeiros, participação do país no Nafta e seu apoio à Alca. Na América do Sul, o preço das commodities (matérias-primas) é fator altamente favorável, e os países que conseguiram controlar a inflação e estão abertos aos investimentos estrangeiros (como Chile, Peru e Colômbia) estão crescendo. A Argentina continua com problemas, já que o presidente Kirchner não dá sinais claros sobre seus planos de abertura, e como pretende levar adiante um modelo fechado em parceria com o Brasil (o Mercosul), isso deverá atrasar o país”, explica.

Para Rión, o México não apresenta sinais de desaceleração econômica, e tanto no primeiro trimestre quanto no primeiro semestre de 2006, terá crescimento semelhante ao de 2005. “Os investimentos estrangeiros no México foram de aproximadamente 18 bilhões de dólares em 2005, ao passo que, via de regra, esse valor era de cerca de 12 bilhões ao ano. “Isto significa que a  estabilidade da economia mexicana atrai o investimento estrangeiro. O México não apresenta desaceleração e, ao que tudo indica, no decorrer do primeiro trimestre e até o final do primeiro semestre de 2006 haverá um crescimento semelhante ao de 2005, isto é, de 3% a 3,5% ao ano. A bolsa mexicana, porém, tem força, e experimentou um crescimento importante”, explica Rión.
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