10 a 14 de Janeiro de 2005


Comércio exterior

Apesar do crescimento de 32% nas exportações, o Brasil deve ficar apenas em quinto lugar na América do Sul em termos de expansão das vendas externas em 2004. O Chile, que aumentou suas exportações em 52%, lidera o ranking. Em seguida vêm Venezuela, Bolívia e Peru, com aumento nas vendas externas de 49%, 37% e 35%, respectivamente. É preciso considerar, no entanto, que o desempenho da Venezuela se deve quase exclusivamente ao aumento do preço internacional do petróleo e ao crescimento do volume da produção doméstica, regulada pela OPEP. Ademais, o volume exportado pela Bolívia em pouco ultrapassou os US$ 2 bilhões, montante pouco significativo, e foi beneficiado pelo aumento da produção de gás.

O ano de 2005 começou com as importações crescendo mais rapidamente do que as exportações. O volume importado foi maior do que no mesmo período do ano passado, sugerindo que a valorização do real já está surtindo efeito nas contas externas do Brasil. Mesmo assim, a balança comercial registrou superávit de R$ 376 milhões na primeira semana de janeiro.

Brasil – Argentina

Autoridades e empresários do Brasil e da Argentina voltarão a debater no final do mês de janeiro a proposta de imposição de salvaguardas a produtos brasileiros. Os argentinos ameaçam impor novas barreiras alfandegárias a partir de março caso não se chegue a um acordo favorável. Caso isso ocorra, é possível que o Brasil imponha medidas semelhantes a produtos argentinos, como arroz, cebola e sucos.

Brasil – Bulgária

O presidente da Bulgária, Gueorgui Parvánov, realizou nesta semana a primeira visita oficial de um chefe de Estado búlgaro ao País. Iniciou, junto ao presidente do Brasil, negociações para que nos próximos meses o país comece a comprar carne in natura do Brasil. A Bulgária, que ingressará na União Européia em 2007, serviria como uma porta de entrada do produto brasileiro em todo o Leste Europeu, onde, exclusive na Rússia, grande compradora da carne brasileira, a presença do produto nacional ainda é fraca.

Brasil – China

A China suspendeu uma vez mais a emissão de autorizações para que traders locais comprem soja do Brasil. Desta vez, Pequim alega que o governo brasileiro não renovou o certificado que atesta que as cargas podem conter soja geneticamente modificada, e que ela não faz mal à saúde humana ou animal. O certificado exigido pelo governo chinês venceu em 31 de dezembro de 2004 e só foi enviado pelo ministério da agricultura do Brasil após a comunicação do novo “embargo”, no dia 11 de janeiro.

A suspensão dos pedidos dos compradores não afetou as cotações doméstica e internacional do grão, já que nesta época do ano os embarques para a China são poucos. Além disso, por causa do embargo feito à soja brasileira em 2004 sob a alegação de falta de certificação fitossanitária, poucos novos contratos de exportação de longo prazo foram fechados, de modo que não há grandes compromissos que correm o risco de serem descumpridos caso a questão se prolongue.

Mesmo com o embargo do ano passado, a China foi o maior destino da soja brasileira em 2004, com importações no valor de US$ 2,2 bilhões. Os produtores brasileiros afirmam que a regularização não pode passar de março, quando começa o embarque da nova safra. Considerando a natureza do problema, é provável que este prazo seja atendido.
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