06 a 10 de agosto de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Petrobras e Pemex assinam acordo limitado
Depois da queda em julho, exportações voltam a crescer
CSN exporta minério de Casa de Pedra em contrato com a MMX


Agronegócio

Carne brasileira pode ajudar Reino Unido a evitar escassez
Safra é recorde
Alta do algodão estimula venda antecipada

Mercosul

Lula tenta atrair México para Mercosul
O credor de Kirchner
Uruguai exige mais liberdade no Mercosul

OMC

UE recorre de novo à OMC contra o País sobre pneus usados

Plano Internacional

Reino Unido detecta 2º foco de febre aftosa
Países fecham parceria na área energética
Tigres de papel

 




Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 370 milhões na primeira semana do mês (dos dias 1º a 5). No período, as exportações totalizaram US$ 1,955 bilhão e as importações, US$ 1,585 bilhão, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O resultado da semana passada representa o movimento de apenas três dias úteis. A média diária das exportações (total negociado por dia útil) do mês está em US$ 651,7 milhões e a das importações, em US$ 528,3 milhões. Os dois resultados representam um crescimento de, respectivamente, 9,9% e 33,3% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

No ano, o saldo apresenta uma queda superior a 5%. O superávit comercial está em US$ 24,355 bilhões, 5,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2006 (US$ 25,845 bilhões). O principal fator para essa queda é a compra de produtos importados. As importações têm subido em um ritmo muito superior ao das exportações. As vendas ao exterior totalizam US$ 89,289 bilhões e as compras, US$ 64,934 bilhões, crescimentos de 15,8% e 26,7%, respectivamente.

b) Petrobrás e Pemex assinam acordo limitado

Depois de um longo período de distanciamento na época do governo Fox, Brasil e México pretendem intensificar suas relações comerciais e estabelecer parcerias nas áreas agrícola, energética e de biocombustíveis. Mas a principal parceria entre empresas dos dois países - a associação da Petrobrás com a Pemex para a exploração de petróleo em outros países e no Golfo do México - deve ficar muito aquém do que gostariam os brasileiros devido ao rígido monopólio exercido pela estatal mexicana.

O máximo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu ontem, na Cidade do México, onde se encontra em visita oficial, foi assinar um memorando que permitirá a troca de tecnologia entre a Petrobrás e a Pemex. O próprio Lula, que se referiu às duas estatais como "musas" reconheceu as limitações do acordo e disse que ele será exercitado dentro das "leis mexicanas". Trata-se de um assunto delicado para os mexicanos. Do lado de fora do palácio presidencial, um pequeno grupo de manifestantes gritava palavras de ordem contra o presidente Felipe Calderón. Algumas faixas pediam sua renúncia. Outros protestavam contra a "entrega" da Pemex.

Segundo o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrieli, a empresa já está no México, onde produz 1 bilhão de metros cúbicos de gás. "Esse é o modelo possível, não há limitação da legislação mexicana. Essa limitação existe até para a exploração em outros país. Oferecemos participação para exploração, com eles, nos Estados Unidos, aqui na fronteira (Golfo do México)", disse Gabrieli.

Assim, a parceria, no momento, deve mesmo se limitar à pesquisa e transferência de tecnologia. A Petrobrás é especialista na exploração de petróleo em águas profundas, enquanto a Pemex "tem reservatórios de basalto, nos quais não temos nenhuma experiência".

c) Depois da queda em julho, exportações voltam a crescer

Depois da queda em julho, as exportações começam a se recuperar. Na primeira semana de agosto, o País exportou a média de US$ 651,7 milhões por dia, ante US$ 641,8 milhões em julho, um aumento de 1,5%. A alta ocorreu apesar de os embarques de produtos básicos terem recuado 26,6% no mesmo período de comparação. A queda foi compensada pelo aumento de 48,7% nos embarques de semimanufaturados.

Com isso, as vendas ao exterior somaram US$ 1,955 bilhão na semana. As importações somaram US$ 1,585 bilhão, resultado num saldo de US$ 370 milhões. No ano, as exportações subiram 15,8% em relação a 2006, mas as importações aumentaram 26,7% e por isso o saldo recuou 5,8%.

As exportações seguem fortes a ponto de, na semana passada, o governo ter elevado a sua meta de US$ 152 bilhões para US$ 155 bilhões neste ano. Mas é possível que alguns setores estejam próximos de abandonar as vendas ao exterior por causa do dólar baixo, segundo admitiu o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Meziat. 'E, se é verdade que setores importantes da economia estão chegando ao limite, pode ser que a balança de 2008 seja afetada', disse.

As exportações se mantiveram fortes porque muitas empresas encontraram maneiras de contornar o problema do dólar desfavorável. Elas cortaram custos de produção, inovaram no processo produtivo, reajustaram o preço e passaram a exportar para outros países.

d) CSN exporta minério de Casa de Pedra em contrato com a MMX

Neste mês começam os primeiros embarques de minério de ferro da mina Casa de Pedra rumo ao exterior. A venda, de 1,3 milhão de toneladas, foi fechada com a MMX Mineração e Metálicos, companhia controlada pelo empresário Eike Batista. A MMX vai atender um de seus clientes que tem operações no Oriente Médio, conforme apurou o Valor com fontes do setor. Casa de Pedra pertence à Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), controlada por Benjamin Steinbruch.

O produto começou a ser estocado desde julho em Itaguaí, em área ao lado do terminal portuário da CSN, onde será embarcado em navios. A responsabilidade sobre o transporte desde a mina, em Congonhas (MG), até Itaguaí (RJ) ficou por conta da MMX, que contratou serviços da ferrovia MRS Logística.

O contrato firmado com a MMX é o primeiro de minério de Casa de Pedra voltado para exportação sobre o qual a Vale do Rio Doce não exerceu seu direito de preferência de compra, conforme apurou o Valor. Na venda de 53 milhões de toneladas para a trading Mitsubishi, em 2005, a mineradora optou em ficar com o produto, mas até hoje não retirou nenhum grama.

Agronegócio

a) Carne brasileira pode ajudar Reino Unido a evitar escassez

Supermercados e empresas de alimentos britânicos estão sendo orientados a procurar fornecedores brasileiros e de outros países para evitar uma escassez de carne no Reino Unido até o final da semana.

Oficialmente, a UE rejeita a tese de ampliar as cotas para as carnes brasileiras. O tema é um dos mais polêmicos dentro das negociações comerciais entre o Mercosul e a Europa. Por enquanto, a cota destinada ao País é de 5 mil toneladas de carne bovina com um imposto de apenas 20%. Mas, na prática, o Brasil vem conseguindo aumentar as exportações fora da cota, pagando taxas altas que chegam a mais de 170%.

Apesar de todas as indicações, o Estado apurou que os fazendeiros do Reino Unido tentaram criar um vínculo entre o surto de aftosa no gado britânico e as importações de carne do Brasil. A estratégia era a de culpar o produto brasileiro pela contaminação. Mas a campanha fracassou depois que as autoridades inglesas e de outros países avisaram que rejeitariam a ligação entre a carne brasileira e a aftosa no Reino Unido se o plano fosse colocado em prática.

Mas para evitar que a doença se espalhe ainda mais, o governo ordenou a proibição da movimentação de gado pelo país. Sem animais para o abate, autoridades britânicas estão recomendando que indústria intensifique compras do Brasil e outros países para evitar que a escassez leve a um aumento exagerado de preços.

b) Safra é recorde

A safra agrícola de grãos 2006/2007 bateu novo recorde, atingindo 131,15 milhões de toneladas. O volume é 7% maior do que a produção registrada no ciclo anterior (122,53 milhões de toneladas), segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O milho foi o grande destaque entre as lavouras pesquisadas. Os produtores brasileiros aumentaram a produção de 42,5 milhões para 50,6 milhões de toneladas — alta de 19,1% — estimulados, principalmente, pela elevação do preço do produto no mercado internacional e a expansão da demanda interna nos Estados Unidos. Esses dois fatores têm como principal causa o incremento da produção de etanol no mundo.

c) Alta do algodão estimula venda antecipada

A recuperação dos preços do algodão no mercado internacional tem impulsionado as vendas antecipadas da pluma brasileira. Há registros de volumes comprometidos, sobretudo para exportação, até a safra 2009/10. As cotações atuais do algodão estão em torno de 63,50 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York (contratos de dezembro), com valorização de 12,3% nos últimos doze meses. Para os contratos de dezembro de 2008, os preços estão em 70,58 e para julho de 2009, em 73 centavos.

A intenção dos produtores americanos de destinar maior área para milho e para soja, em detrimento do algodão, tem dado suporte às cotações da pluma. "O aquecimento da demanda global por algodão também dá sustentação aos preços", diz Marco Antonio Aloísio, da trading Esteve.

De olho nesse possível cenário apertado no mercado internacional para os próximos anos, os produtores brasileiros começaram a antecipar suas vendas. Para esta safra em curso, a 2006/07, a colheita será recorde, de 1,520 milhão de toneladas. Deste total, 1,046 milhão de toneladas, ou 69% do total, já estão comprometidas. Para as exportações, são 606 mil toneladas, o dobro do exportado em 2005/06. Esses embarques devem gerar uma receita aproximada de US$ 750 milhões.

Mercosul

a) Lula tenta atrair México para Mercosul

Na visita que começou ontem no México, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou um país disposto a ampliar aos poucos os seus acordos comerciais com o Mercosul e garantir a vaga que pretende de membro associado do bloco. Foi o que revelou a chanceler do México, Patrícia Espinosa, para quem as resistências à negociação de um acordo de livre comércio entre seu país e o Brasil esbarram sempre nas sensibilidades mexicana na área agrícola e brasileira, no setor de serviços.

“Esse tema sempre está na agenda. O presidente Felipe Calderón está muito interessado em ouvir, da boca do presidente Lula, uma avaliação da situação do Mercosul e de seus objetivos”, disse a chanceler. “Essa avaliação ajudará ao México definir o que vai fazer. O que está claro é nossa vontade de continuar atuando de maneira muito próxima ao Brasil e ao Mercosul e de mostrar que os governantes da América Latina podem identificar pontes para trabalhar desafios comuns”, acrescentou. Espinosa afirmou que as relações entre as duas maiores economias latinas não podem continuar na inércia e que o encontro de hoje entre Lula e Calderón mudará o sentido dessa convivência. A aproximação deverá se assentar em um memorando na área de energia, que envolverá os biocombustíveis, e em uma parceria entre a Petrobras e a Pemex.

b) O credor de Kirchner

Néstor Kirchner e Hugo Chávez se entendem. Na véspera da rápida visita do presidente venezuelano a Buenos Aires, o jornal La Nación reproduziu declarações da primeira-dama e candidata à sucessão do marido, a senadora Cristina Kirchner, que em outras condições e em outros lábios provocariam irada reação do caudilho. "Chávez foi eleito democraticamente", disse a senadora entre outras críticas, "mas seus gestos não fazem bem à imagem internacional da democracia venezuelana." A candidata, como se comenta abertamente nos círculos governistas de Buenos Aires, está se afastando tão discretamente quanto possível do caudilho venezuelano - o benfeitor do governo de seu marido -, seja para aplainar o caminho para a Casa Rosada, seja para facilitar contatos com a comunidade internacional. Daí o governo argentino ter decidido tratar a visita de Chávez com uma discrição inaudita.

Em Buenos Aires, Chávez comprometeu-se a financiar a construção de uma usina de reprocessamento de gás liquefeito de petróleo no valor de US$ 400 milhões. Assim, além do petróleo que já fornece, abastecerá a Argentina com 10 milhões de metros cúbicos diários de gás, o equivalente a 10% do consumo do país.

Além disso, comprometeu-se a comprar US$ 1 bilhão em títulos da dívida Argentina, o que elevará para cerca de US$ 5,3 bilhões o estoque de bônus em poder da Venezuela. Sem essa ajuda, Kirchner teria dificuldades para quitar títulos no valor de US$ 2,5 bilhões que vencem este ano, já que o mercado financeiro continua fechado para a Argentina.

Os títulos da dívida têm uma remuneração mínima de 11%, praticamente o dobro da taxa cobrada pelo FMI. Além disso, esses bônus são arbitrados pelos bancos venezuelanos, que ganham na operação algo entre 12% e 20%. Com a operação, reduz-se a liquidez interna da Venezuela, o que tem contribuído para manter a inflação no (elevado) patamar dos 18%/19% ao ano. Mas esse efeito antiinflacionário tende a se dissolver no médio e longo prazo, já que a produção interna de bens (6,7%) não acompanha o ritmo de crescimento de gastos dos consumidores (44,3% em 12 meses).

c) Uruguai exige mais liberdade no Mercosul

O ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, voltou ontem a artilharia contra o funcionamento do Mercosul e exigiu que seu país tenha a oportunidade de negociar acordos fora da região. Em discurso na Associação dos Despachantes de Alfândega, ele denunciou o “acúmulo de políticas de incentivos internos na Argentina e no Brasil, com um grande descontrole nesses países que, junto às restrições e impostos às exportações uruguaias causam impactos negativos muito fortes no país”. As críticas de Astori foram feitas um dia depois que o presidente Tabaré Vázquez fez uma veemente defesa da entrada da Venezuela no bloco, durante a visita do colega venezuelano Hugo Chávez a Montevidéu.

“Uma integração que esconde seus problemas tem, em si mesma, o germe de sua destruição”, alertou Astori, acrescentando que a ênfase nas críticas ao bloco não significa oposição ao Mercosul. “A melhor forma de integrá-lo é assinalar os obstáculos, que são muito sérios e prejudicam as economias pequenas”, afirmou. De acordo com o ministro, o Brasil reconheceu ser incapaz de controlar os incentivos internos. “Estamos dispostos a dar ao Brasil o tempo necessário para que ganhe a capacidade de eliminar políticas regionais distorcidas, mas pedimos que nos dêem flexibilidade para negociarmos fora da região”, avisou. As palavras de Astori sinalizam uma mudança de opinião do governo uruguaio. Há 15 dias, ele disse que o “estilo de confrontação” de Chávez era negativo para o Mercosul.

OMC           

a) UE recorre de novo a OMC contra o País sobre pneus usados

A União Européia (UE) abre uma nova guerra contra o Brasil na disputa dos pneus. Bruxelas decidiu entrar outra vez nos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que árbitros internacionais deixaram de avaliar aspectos das práticas brasileiras em seu primeiro julgamento, há dois meses. A UE quer agora garantir que não haja discriminação entre os pneus recauchutados importados pelo Brasil do Mercosul e do restante do mundo. Além disso, quer uma definição mais clara sobre a diferença entre usados e recauchutados.

O País adota restrição contra os pneus importados por considerar que trazem prejuízos ao meio ambiente e à saúde. Mas importam milhões de pneus todos os anos graças a liminares dadas pela Justiça. O Brasil permite ainda a importação de pneus recauchutados do Uruguai. Os europeus, que perderam mercado com a lei brasileira, alegaram que as práticas eram discriminatórias.

Há dois meses, a OMC determinou que o Brasil violava as leis internacionais ao permitir que pneus recauchutados entrassem no País por meio de liminares. A entidade, porém, nem sequer chegou a avaliar a questão das importações do Mercosul. O Brasil comemorou a decisão, argumentando que a OMC reconheceu o direito dos países em aplicar barreiras por motivos ambientais e de saúde. Mas admitiu que teria de acabar com as liminares. Para o Brasil, a decisão dos europeus de apelar é uma demonstração de que o Itamaraty venceu a disputa. Mas os europeus não têm essa avaliação. "A OMC deixou claro que as práticas brasileiras são inconsistentes. O que queremos agora é tocar em aspectos que os árbitros não lidaram", disse um negociador de Bruxelas.

Hoje, em Genebra, as delegações do Brasil e da Europa devem fechar um entendimento para que o processo seja retomado em setembro. Pelas regras, o prazo para a apelação terminaria nesta semana. Mas Brasília e Bruxelas optaram por chegar a um acordo e permitir que o cronograma seja retomado no dia 3. A OMC, então, fará uma nova avaliação dos casos.

Plano Internacional

a) Reino Unido detecta 2º foco de febre aftosa

O governo do Reino Unido confirmou ontem a existência de um segundo foco de febre aftosa no país. O caso aconteceu na mesma região em que foi detectada a primeira ocorrência da doença neste ano, divulgada na última sexta-feira, em Surrey (a oeste de Londres).

Segundo o departamento para assuntos rurais e de saúde do país, pelo menos 102 animais foram sacrificados no local do novo foco (que fica a menos de três quilômetros do anterior). Outros 97 já haviam sido abatidos após o primeiro caso.

Investigadores do governo britânico disseram que há uma "forte probabilidade" de a cepa do vírus por trás do foco de febre aftosa no Reino Unido ter vindo de dois laboratórios próximos ao local em que a doença foi registrada.

A União Européia e vários países já anunciaram a suspensão da importação de carne e derivados de leite do Reino Unido. Cerca de 90% das exportações britânicas de carne bovina vão para o bloco.

b) Países fecham parceria na área energética

O Uruguai e a Venezuela assinaram um Acordo de Segurança Energética durante a visita de Hugo Chávez a Montevidéu. Em troca, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, se comprometeu a fazer todos os esforços possíveis para que a Venezuela seja incorporada como membro pleno do Mercosul.

Segundo Chávez, o acordo solucionará a falta de petróleo do Uruguai "pelo resto do século". A parceria prevê que a Venezuela fornecerá petróleo ao Uruguai e a participação da refinaria uruguaia Ancap na exploração de uma parte das reservas da Faixa do Orinoco. Nessa tarefa, terá a parceria da estatal venezuelana de petróleo PDVSA e da Enarsa, da Argentina.

c) Tigres de papel

Ontem o Daily Telegraph, de Londres, relatou que dois altos funcionários do Partido Comunista Chinês fizeram esta advertência: se os Estados Unidos forçarem o governo chinês a valorizar o yuan (em relação ao dólar), o Banco Popular da China (banco central) passará a vender títulos do Tesouro americano (T-Bonds) armazenados em suas reservas.

O Telegraph esclarece que o valor em títulos do Tesouro americano nas reservas chinesas chega a US$ 900 bilhões, ou 70% do total. E que essa é uma 'opção nuclear' para enfrentar o jogo duro dos Estados Unidos.

As pressões sobre o governo de Pequim são de fato fortíssimas. Os últimos quatro secretários do Tesouro dos Estados Unidos (cargo que equivale a ministro das Finanças) fizeram inúmeras viagens a Pequim com esse objetivo. Na semana passada, por exemplo, foi a vez do atual secretário, Henry Paulson, espremer o presidente chinês Hu Jintao para obter o mesmo objetivo.

O arsenal não é nada desprezível. A persistir a atual situação simbiótica entre Estados Unidos e China, não seria necessária uma desova de T-Bonds para que houvesse forte desvalorização do dólar. Bastaria que a China deixasse de aplicar suas reservas em ativos amarrados ao dólar. As reservas chinesas têm crescido entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões por ano e, se tudo isso fosse aplicado em ativos denominados em outra moeda, a desvalorização do dólar aconteceria do mesmo jeito, porque faltariam opções. Nem o Euro nem o Iene japonês assumiram condição de moeda de reserva internacional.

Alguns países da Opep, que também dispõem de reservas enormes, fizeram ameaças semelhantes. Elas nunca foram muito longe. Mas pelo menos dois bancos centrais, o da Rússia e o da Suíça, vêm reduzindo as posições em moeda americana.

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