04 a 08 de junho de 2007

Comércio Exterior

Resultados
Exportações do agronegócio atingem US$ 5,2 bi em maio
Embraer fecha negócio de US$ 1 bi com indianos
Número de exportadores cai


Agronegócio

Exportações de carne
Leilões e estoques fazem café subir em NY
Integrada, do Paraná, investe R$ 17 milhões em fruticultura
Agronegócio deve ter saldo recorde

Mercosul

Oposição quer Venezuela fora do Mercosul
Mal-estar com Chávez continua

OMC

Resina PET leva Argentina a ir à OMC contra o Brasil

Plano Internacional

Bernanke fala e mercado se ajusta
G-8 vê economia em 'boas condições'

 




Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial apresentou um saldo positivo de apenas US$ 323 milhões nos primeiros dias de junho (dias 1 a 3), segundo divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento. O resultado, na verdade, refere-se apenas ao movimento da última sexta-feira, dia 1 º. O superávit é a diferença entre exportações de US$ 701 milhões e importações de US$ 378 milhões.

Com esse resultado, o superávit comercial acumulado no ano está em US$ 17,177 bilhões, um crescimento de 7,53% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a balança registrou saldo positivo de US$ 15,974 bilhões em igual período. A meta do Ministério do Desenvolvimento para este ano é exportar US$ 152 bilhões. Em 2006, a balança comercial registrou recorde histórico de superávit comercial, US$ 46,077 bilhões.

b) Exportações do agronegócio atingem US$ 5,2 bi em maio

As exportações do agronegócio somaram US$ 5,199 bilhões em maio, um recorde para o mês e o segundo maior valor mensal da série histórica, iniciada em 1989. O primeiro foi US$ 5,236 bilhões, em julho de 2006.

O valor exportado em maio representa acréscimo de 33,7% em relação a 2006, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciou ontem.
As importações cresceram 40,9%, atingindo US$ 698 milhões. Com isso, o saldo da balança comercial ficou positivo em US$ 4,497 bilhões. O destaque foi o complexo das carnes, que pela primeira vez teve resultado mensal de US$ 1 bilhão, contribuindo com quase 20% do total. Os setores que tiveram melhor desempenho foram o de soja (43,7%), carnes (44,9%), produtos florestais (26,4%), complexo sucroalcooleiro (30,7%), sucos de frutas (50%) e cereais, farinhas e preparações (162%).

Apesar das vendas da carne, a soja continua no topo do ranking das exportações brasileiras do agronegócio. Em maio, o valor exportado pelo setor foi de US$ 1,294 bilhão, contra US$ 900,5 milhões de 2006. Os embarques de soja em grão renderam US$ 824 milhões, aumento de 18,5% em relação ao ano passado. Essa performance deve-se principalmente ao aumento de 19,3% nos preços do produto. As vendas de farelo registraram aumento de 104,7%, somando US$ 293 milhões.

c) Embraer fecha negócio de US$ 1 bi com indianos

A Embraer conquistou um cliente de peso na Índia, que comprará, neste ano, 40 jatos ER-175 com gasto estimado de US$ 1 bilhão, segundo informou ontem o diretor-gerente da Paramount Airways, M. Thiagarajan. "Somos a companhia líder no sul da Índia e os passageiros preferem bastante a Embraer: é uma opção lógica", disse Thiagarajan, ao Valor, ao sair de um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual comunicou a decisão de ampliar a frota da companhia com aeronaves da empresa brasileira.

O setor de aviação indiano é um dos clientes potenciais do Brasil, identificados pelo Itamaraty como candidatos a elevar o comércio bilateral de US$ 2,4 bilhões. O setor registra crescimento médio anual de 25% no tráfego aéreo, hoje de cerca de 17 milhões de passageiros/ano. Os representantes da Embraer que participaram da missão empresarial que acompanhou a visita do presidente Lula pediram ao governo para que pressione as autoridades indianas a reduzir as sobretaxas cobradas na aquisição de aeronaves executivas, que superam 15%. A Embraer vende, além de aviões de passageiros para linhas regionais, o jatos Legacy, que tem grande receptividade no mundo corporativo da Índia. (SL)

d) Número de exportadores cai

Mauro Varejão, dono da marmoria Real Rio, no Rio de Janeiro, viu a parcela de exportações da sua empresa cair de 30%, entre 2004 e 2005, para os 5% atuais. 'Hoje nem adianta dar preços no exterior', diz Varejão, que é diretor da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e presidente do Fórum de Rochas Ornamentais. O setor de mármore e granito é outro que teve um avanço exportador espetacular nos últimos anos, saindo de US$ 210 milhões de vendas externas em 1998 para US$ 1,05 bilhão em 2006, apesar da valorização cambial. O segmento também evoluiu em termos de valor agregado. Em 1998, as exportações de rochas processadas foram de 44% do total. Em 2006, o produto processado já correspondia a 80%. Em volumes físicos, a exportação total passou de 920 mil toneladas em 1998 para 2,6 milhões em 2006. Apesar da exuberância dos números, a quantidade de empresas exportadoras caiu 17% de 2005 para 2006, de 877 para 731.

No setor de jóias, folheados a ouro e bijuterias de Limeira, o empresário Juarez Fabriz, da Artesul Limeira Metais, praticamente parou de exportar. Até poucos anos, ele exportava bijuterias semi-acabadas para países como México, Argentina, Peru e Estados Unidos, mas a valorização cambial e a agressividade dos fabricantes chineses o tiraram do mercado. 'Desde que eu me conheço como gente, todo governo pede para a gente exportar, mas agora não está fora de cogitação virar uma empresa de comércio, e começar a importar.'

Agronegócio

a) Exportações de carne

As exportações de carne bovina brasileiras atingiram em maio 138,2 mil toneladas, segundo o Ministério de Comércio Exterior. O resultado representou um avanço em relação a abril, quando foram exportadas 105,7 mil toneladas, e a maio do ano passado, com 106,8 mil toneladas de carne embarcadas. Rússia, Egito, Holanda e Itália foram os principais destinos. Em valores nominais, essas vendas representaram alta de US$ 267 milhões em abril para US$ 355,7 milhões em maio. O Brasil é o maior exportador de carne do mundo.

b) Leilões e estoques fazem café subir em NY

A previsão do governo de que os estoques privados de café cairão para sete milhões de sacas até o dia 30 de junho, quando termina o ano-safra 2006/07, e o anúncio de leilões de prêmio para sustentar os preços do produto fizeram as cotações da commodity registrar forte alta na última sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos de setembro subiram 545 pontos para US$ 1,2020 por libra-peso, o maior valor desde 12 de fevereiro deste ano, segundo o Valor Data.

"O mercado se surpreendeu com a previsão para os estoques privados", afirmou Sérgio Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos. Ele fala em estoques de oito milhões de sacas de café no início do próximo ano-safra 2007/08, no dia 1 º de julho, um patamar que "nunca foi tão baixo", disse.

Para Carvalhaes, tal número pode significar entrar com estoques zerados na safra 2008/09, considerando uma produção estimada pelo mercado em 35 milhões de sacas na safra 2007/08 e que o consumo mundial de café cresce 1,5% ao ano. Na safra que está acabando, de 43 milhões de sacas, as exportações brasileiras somaram 28 milhões de sacas e o consumo interno, 17 milhões.

c) Integrada, do Paraná, investe R$ 17 milhões em fruticultura

A cooperativa Integrada, de Londrina, irá investir US$ 17 milhões em um projeto de fruticultura no Paraná que tem como objetivo oferecer alternativas de renda a pequenas e médias propriedades familiares do Estado. Intitulado Sucos, o projeto pretende desenvolver a citricultura e outras culturas frutíferas na região norte paranaense para fornecer produtos in natura no mercado e matéria-prima para a indústria de sucos, que destinará a produção final à exportação.

O projeto prevê uma capacidade inicial para industrialização de 3 milhões de caixas. O faturamento deverá ser da ordem de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões, estima a cooperativa. Desse total, US$ 9 milhões serão destinados ao pagamento dos produtores, em uma média de US$ 3 a caixa. O empreendimento prevê a geração de 70 empregos diretos e mais de mil indiretos. Ao menos mil agricultores da região deverão ser integrados no projeto.

De acordo com Katsumi Sergio Otaguiri, um dos diretores da cooperativa integrada, o Sucos reúne todas as condições para ser um projeto bem-sucedido, já que a região apresenta clima e solo favoráveis para a fruticultura.

d) Agronegócio deve ter saldo recorde

Os problemas de renda, câmbio e endividamento devem ter efeito pequeno sobre os resultados estimados para o agronegócio brasileiro em 2007 em termos globais. As projeções da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) indicam que as exportações do setor alcançarão US$ 55 bilhões e baterão novo recorde, superando o desempenho de US$ 49 bilhões de 2006.

De janeiro a abril, a balança comercial do agronegócio teve saldo recorde de US$ 13,8 bilhões, um aumento de 23,1% em relação a 2006. O mais expressivo ocorreu com a carne bovina, cujas exportações aumentaram 43,3%, para US$ 1,42 bilhão. 'Os resultados mostram que o mundo continua fortemente demandante pela carne brasileira', disse Beraldo.

Outro indicador que projeta bom ano para o agronegócio são os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do setor, divulgados ontem pela CNA. No primeiro trimestre, o PIB da agropecuária, referente apenas ao que se produz nas fazendas, teve crescimento de 1,49% em relação a igual período do ano passado. Em março, o crescimento do PIB foi de 1%. No caso da agricultura, o PIB cresceu 1,7% no primeiro trimestre, e o da pecuária, 1,22%. O crescimento foi atribuído à safra recorde de grãos e à valorização de praticamente todas as commodities.

Mercosul

a) Oposição quer Venezuela fora do Mercosul

A oposição no Senado brasileiro ameaça travar a votação do protocolo que permite a adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul se Hugo Chávez não se retratar dos ataques feitos à Casa. A matéria ainda está na Câmara dos Deputados. O líder do DEM (ex-PFL), senador José Agripino (RN), afirmou que um dos pilares do bloco é a democracia. "Ele não é um bom parceiro para o Brasil (...) e para o Mercosul." O PSDB adotou a mesma posição. "O PSDB não aceita a permanência da Venezuela sob nenhuma forma, a menos que, formal e cabalmente, o presidente Chávez se retrate", disse o líder do partido, Arthur Virgílio (AM).


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a criticar Chávez pelos ataques feitos à Casa. O imbróglio começou com a aprovação pelo Senado, na semana passada, de um requerimento solicitando ao governo venezuelano que revisse o fim da RCTV. "Acho que a democracia não é um regime perfeito, mas é o melhor dos regimes políticos. O chefe de Estado da Venezuela tem de saber conviver com as posições políticas do Brasil", disse Renan.

b) Mal-estar com Chávez continua

O mal-estar diplomático entre Brasil e Venezuela ganhou novo capítulo ontem. Em visita à Índia, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o embaixador brasileiro em Caracas, João Carlos Souza Gomes, recebeu telefonemas do presidente Hugo Chávez e do chanceler Nicolas Maduro. Os contatos acontecem depois de o Itamaraty anunciar a convocação do embaixador venezuelano no Brasil, Julio Garcia Montoya, para prestar esclarecimentos sobre a cassação da concessão da RCTV, emissora do país vizinho. Lula, que cumpriu mais um dia de agenda em Nova Déli, repetiu que só vai se pronunciar sobre a polêmica quando voltar ao Brasil.

 O presidente em exercício, José Alencar, disse que Chávez deveria ter sido "mais comedido" ao classificar a posição do Brasil em relação ao caso RCTV de "grosseira" e chamar o Congresso de "papagaio dos Estados Unidos". - (Chávez) Provavelmente poderia dizer: "O Senado, com toda a sua boa intenção, não conhece as questões aqui da Venezuela". Seria mais natural que respondesse assim - declarou Alencar, durante o São Paulo Ethanol Summit, encontro que discute a utilização do etanol como fonte de energia.

O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, abaixou o tom do discurso contra Chávez. Em entrevista, Garcia afirmara que não considera o fim da concessão à RCTV uma violação da democracia na Venezuela.

OMC           

a) Resina PET leva Argentina a ir à OMC contra o Brasil

A Argentina avisou ao Brasil que pretende realmente pedir a instalação de um painel (comitê de investigação) contra o país na Organização Mundial do Comércio (OMC) nos próximos dias, alegando barreira ilegal contra a entrada de sua resina PET. Buenos Aires já tinha acionado a OMC no começo do ano contra seu sócio do Mercosul, acusando o Brasil de ter violado acordos internacionais com uma investigação deficiente para concluir pela prática de dumping (diferença entre valor normal e preço de exportação).

Na ocasião, a OMC deu prazo de 60 dias para os dois sócios do Mercosul buscarem uma solução amigável. Os argentinos pediram então ao Brasil para abrir uma revisão da investigação que constatou a prática do dumping na exportação do produto, que é usado para envasar principalmente refrigerantes, óleos combustíveis e água mineral.

Depois de três meses, Brasília indicou aos argentinos que seus argumentos eram frágeis para rever a investigação. Buenos Aires reagiu informando que acionaria a OMC para a formação de um comitê de três juízes para decidir quem tem razão, num processo que demora pelo menos 16 meses. Se Buenos Aires de fato trouxer o caso à fase final na OMC, reflete também a dificuldade para harmonizar as regras no bloco. Brasil e Argentina resistem em mudar suas práticas, diferentes, de defesa comercial. Nas arrastadas negociações sobre medidas antidumping, sempre uma das duas partes rechaça propostas por não considerá-las benéficas para sua indústria.

Plano Internacional

a) Bernanke fala e mercado se ajusta

O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, frustrou ontem as expectativas daqueles que esperavam um corte da taxa básica de juros americana no curto prazo. Em um discurso transmitido via satélite para a conferência monetária internacional da Cidade do Cabo, na África do Sul, ele afirmou que o núcleo da inflação continua elevado.

'Bernanke não disse nada de novo, mas esse pode ser o problema', afirmou David Page, economista da Investec Securities. Para ele, as declarações afastaram a possibilidade de uma redução do juro em breve. O banco suíço UBS, por exemplo, anunciou ontem que adiou sua projeção para o primeiro corte da taxa básica nos EUA de agosto para outubro.

Para o presidente do Fed, a inflação 'deve se moderar gradualmente durante o tempo', citando a desaceleração do crescimento e dos custos das residências. Bernanke também disse que os elevados preços do petróleo são um 'desafio' para a política macroeconômica, apesar de 'as expectativas de inflação estarem muito bem ancoradas', o que ajuda a política monetária dos EUA a responder mais facilmente aos riscos.

b) G-8 vê economia em 'boas condições'

Os oito países mais industrializados estimam que a economia mundial está em “boas condições”, com crescimento mais equilibrado entre as regiões, segundo documento divulgado ontem em Heiligendamm.

“O crescimento é agora mais equilibrado entre as zonas geográficas, como indica a desaceleração nos Estados Unidos, o reforço da demanda interior na Europa e os investimentos sempre robustos no Japão”, sublinham os oito países (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha e Rússia).

“Os desequilíbrios mundiais mostraram alguns sinais de estabilização mais recentemente”, segue a declaração, referindo-se ao elevado déficit comercial americano, enquanto os países asiáticos (essencialmente a China) e aqueles produtores de petróleo têm grandes excedentes.

O documento pede colaboração nesse ponto: “Nas economias emergentes com excedentes importantes e em crescimento, é crucial que a taxa de câmbio efetiva evolua de maneira que se produza um necessário ajuste”.
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