02 a 04 de janeiro de 2008

Comércio Exterior

Balança tem primeira piora em 10 anos
Governo deve estimular exportações
Vendas da China para o Brasil crescem 57%
Aumenta déficit na balança do petróleo
Latinos vendem menos para americanos

Agronegócio

Regulamentação anima o mercado de orgânicos
Câmbio concentra preocupações no campo
Café terá receita recorde em 2008

Mercosul

Argentina prorroga restrição
Argentina troca bois por soja

Plano Internacional

Democrata Obama e republicano Huckabee saem na frente na corrida à presidência dos EUA
Brasil vai se manter na negociação




Comércio Exterior

a) Balança tem primeira piora em 10 anos

O forte aumento das importações em 2007 interrompeu uma década seguida de crescimento do saldo comercial, representando uma mudança estrutural no Comércio Exterior brasileiro. As importações encerraram o ano passado em US$ 120,6 bilhões, 32% maior em comparação a 2006.

A balança comercial encerrou o ano passado com superávit de US$ 40 bilhões, menor que os US$ 46,5 bilhões registrados em 2006 e que os US$ 44,9 bilhões contabilizados em 2005. Como as compras no exterior devem seguir em ritmo acelerado, a tendências é de redução do superávit também este ano.

O encolhimento do saldo comercial irá gerar efeitos importantes na contabilidade do país. Devido a isso, a conta de transações correntes, que trata do movimento de mercadorias e serviços do país com o exterior, deve registrar em 2008 o primeiro déficit desde 2003.

De acordo com estimativa do Banco Central, este ano essa conta deve fechar com déficit de US$ 3,5 bilhões.

Ao comentar o desempenho da balança comercial, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, argumentou que a queda do superávit não impediu o Brasil de registar um elevado nível de saldo comercial em comparação à maioria dos países.

Ele informou que o saldo de US$ 40 bilhões ainda assegura superávit comercial de 25% em relação às exportações. Segundo ele, com a exceção dos países exportadores de petróleo, somente a Argentina e a Indonésia registram percentuais superiores a 25%.

A expansão das importações foi sustentada pela maior encomenda ao exterior de máquinas, matérias-primas, bens intermediários e bens de consumo. Entre os fornecedores, o fato relevante foi a alta de 33% das encomendas feitas à Ásia. Somente em relação à China, as compras brasileiras aumentaram 57%.

Welber Barral também destacou que o nível das importações é baixo em comparação a outros países emergentes. Com os US$ 120,6 bilhões em gastos com compras no exterior, as importações passaram a responder por 10% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, percentual inferior ao da Argentina (16%), China (30%) e México (30%).
A tendência é que as encomendas a fornecedores estrangeiros sigam aquecidas, mas podem não repetir o incremento de 32% verificado em 2007.

Com um crescimento mais modesto, de 16,6%, as exportações perderam brilho. Deixaram de ser o motor da economia, mas, ainda assim, exibem números vistosos.

No ano passado, as empresas brasileiras venderam US$ 160,6 bilhões em produtos e serviços no exterior.

Os produtos brasileiros mais exportados foram minério de ferro (US$ 10,5 bilhões, alta de 17,5%), petróleo (US$ 8,9 bilhões, alta de 28,7%), soja (US$ 6,7 bilhões, alta de 18%), aviões (US$ 4,7 bilhões, alta de 45%), automóveis (US$ 4,6 bilhões, alta de 0,8%), carne de frango (US$ 4,2 bilhões, alta de 44%) e carne bovina (US$ 3,5 bilhões, alta de 10,7%).

b) Governo deve estimular exportações

A segunda fase da política industrial deve ser anunciada ainda neste mês, e vai incluir medidas para superar gargalos da logística e aperfeiçoar o ambiente jurídico para estimular exportações e competitividade dos produtos brasileiros. A informação foi dada pelo secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que previu iniciativas do governo destinadas a reduzir a burocracia e lentidão de decisões administrativas no setor de exportação. "Política industrial é muito mais que desoneração de tributos", comentou.

A política industrial deve trazer, também, novos mecanismos de financiamento e incentivos à produção, e medidas para dar prioridade a produtos fabricados no país, nas compras feitas pelo setor público. Segundo técnicos envolvidos na preparação das medidas, que terão um capítulo da política dedicado ao setor automotivo, o governo pretende conceder financiamentos do BNDES, por exemplo, para projetos de engenharia automotiva desenvolvidos no Brasil. Entre os principais setores a serem beneficiados pelas compras governamentais está o de equipamentos médicos. O governo quer estimular, entre outros, a fabricação de máquinas de hemodiálise.

Como exemplo do que chamou de melhoria do ambiente jurídico, Barral citou os obstáculos para realizar a dragagem no Porto de Santos. Criticou o fato de o Ministério Público estimar em um ano o tempo necessário para elaborar um estudo de impacto ambiental. "É muito para um país que precisa desesperadamente resolver seus problemas de logística", lamentou. O setor de portos terá medidas específicas na nova política.

Foram suspensas e estão ainda em discussão na equipe econômica as medidas que envolviam redução de impostos, como a chamada desoneração da folha de pagamentos, e corte de tributos como IPI e Cofins sobre compra de máquinas e equipamentos destinados a investimento.

c) Vendas da China para o Brasil crescem 57%

A balança comercial de 2007 consolidou a China no segundo posto entre os principais fornecedores de mercadorias ao Brasil, atrás dos Estados Unidos. No total, as importações de produtos chineses alcançaram US$ 12,617 bilhões - um aumento de 57,3% em relação ao total registrado em 2006 - e foram suficientes para reverter o saldo no comércio bilateral. Do superávit de US$ 412 milhões, em 2006, o Brasil amargou um déficit de US$ 1,868 bilhão nas trocas de bens com a China, que hoje detém 10,5% do mercado importador brasileiro.

Esse déficit será um forte elemento nas negociações sobre a expansão das exportações brasileiras e dos investimentos recíprocos, em março, quando se reunirão em Brasília os representantes da Comissão bilateral Brasil-China. De fato, as exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram em ritmo bem mais lento, de 27,4%, e alcançaram US$ 10,749 bilhões.

Os dados da balança comercial de 2007, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostraram que a Argentina acabou desbancada para o terceiro lugar entre os fornecedores de produtos ao Brasil e teve acentuado o seu déficit no comércio bilateral. Trata-se de um elemento que contraria o discurso do Palácio do Planalto e do Itamaraty em favor do equilíbrio nas trocas comerciais entre o Brasil e sua vizinhança.

Em 2007, a Argentina destinou US$ 10,410 bilhões em bens ao Brasil - 28,8% mais que no ano anterior - e viu o saldo negativo aumentar de US$ 3,687 bilhões, em 2006, para US$ 4,004 bilhões, no ano passado. As exportações brasileiras para o mercado argentino cresceram menos, 22,3%, mas somaram US$ 14,414 bilhões.

Primeiro colocado entre os países que exportam para o País, os Estados Unidos venderam US$ 18,887 bilhões ao Brasil no ano passado, uma cifra que aponta expansão de 27,0%. Mas a participação do país no mercado nacional encolheu de 16,2% para 15,7% entre 2006 e 2007.

Mesmo com a elevação de apenas 1,8% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2007 o Brasil conseguiu manter seu saldo positivo nesse comércio bilateral. Mas o superávit de 2006, de US$ 9,956 bilhões, diminuiu para US$ 6,424 bilhões em 2007.

d) Aumenta déficit na balança do petróleo

O déficit na balança comercial de petróleo aumentou, mesmo com "auto-suficiência" na produção do combustível, proclamada em abril de 2006.

A quantidade de petróleo importada pelo país de janeiro a outubro de 2007 cresceu quase 17% na comparação com o mesmo período de 2006. O déficit na transação comercial do combustível subiu de US$ 2,141 bilhões para US$ 4,457 bilhões -mais do que duplicou.

De janeiro a outubro de 2006, o Brasil importou 17,7 bilhões de litros de petróleo. Em igual período de 2007, a quantidade subiu para 21,3 bilhões de litros, segundo informa a ANP (Agência Nacional do petróleo). Na compra do petróleo no mercado internacional, o país gastou aproximadamente US$ 7,7 bilhões em 2006 (até outubro). Em 2007, esse valor subiu para cerca de US$ 9,5 bilhões.

A auto-suficiência não é alcançada na prática por causa das características do petróleo produzido no Brasil.

O país produz óleo pesado (mais viscoso, mais barato) e não tem condições de refinar essa matéria-prima e produzir derivados (óleo, gasolina, querosene etc). O refino do petróleo pesado é mais caro e tem dificuldades técnicas. Por isso, é necessário importar petróleo leve (menos viscoso, mais caro) e misturar ao pesado.

"Nós temos uma auto-suficiência virtual", afirma o pesquisador Giuseppe Bacoccoli, da Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da UFRJ).

"Importamos o petróleo mais valioso e exportamos o menos valioso", afirma.

Segundo ele, a situação pode melhorar no médio prazo, caso as expectativas da Petrobras com a produção do campo de Tupi se confirmem.

De acordo com a análise feita pelo professor Saul Suslick, diretor do Cepetro (Centro de Estudos do petróleo da Unicamp), o déficit na balança comercial de petróleo se deve a atrasos e dificuldades na operação das plataformas da Petrobras. Ele avalia que a balança comercial do petróleo deverá deixar de ser deficitária a partir do final deste ano.

De acordo com Felipe Dias, do setor de Economia e Política Energética do IBP (Instituto Brasileiro de petróleo, Gás e Biocombustíveis), a produção nacional de petróleo se manteve relativamente estável de 2006 a 2007 (1,72 milhão de barris por dia em 2006 e 1,75 milhão em 2007).

"A produção não cresceu como se esperava no inicio de 2007, possivelmente por questões técnicas", informou, via correio eletrônico.

Segundo ele, não há recuo de produção que justifique piora no saldo comercial.

Para o analista, a explicação se deve mais ao tipo de petróleo produzido no país (pesado, de menor valor) e às cotações no mercado internacional.

"Para obter um saldo comercial zero, temos de exportar mais que importar, em algum nível que equilibre esse diferencial de preço [entre óleo pesado e leve]. Pois bem, o que aconteceu ao longo de 2007 foi uma piora das condições comerciais para o país nessa transação", analisa.

"Não apenas o preço do petróleo subiu fortemente, mas este diferencial entre o preço de óleos de melhor e pior qualidade também aumentou, afetando negativamente o saldo comercial brasileiro", explica Dias. Ele, no entanto, espera uma mudança nessa situação a partir deste ano.

e) Latinos vendem menos para americanos

O Tio Sam está menos afoito na hora de ir às compras no exterior, principalmente na vizinhança. Não é só o Brasil que enfrenta dificuldades para aumentar as vendas para os Estados Unidos. Com exceção da Bolívia, todos os países da América Latina tiveram desempenho pior no mercado americano do que no restante do mundo, revela relatório produzido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Estimativas preliminares do banco apontam que Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela registraram queda nas exportações para os EUA no ano passado. Em relação a 2006, a baixa foi de, respectivamente, 4%, 6%, 6%, 21%, 12,5% e 6%. A maioria desses países obteve um bom desempenho nas vendas totais para o exterior. As exportações da Argentina para o mundo cresceram 17,6%.

Impulsionadas pela alta dos preços do cobre, as exportações totais do Chile subiram 19,5% em 2007 ante 2006, embora com queda para os EUA. Nem mesmo o acordo de livre comércio entre os dois países foi capaz de incrementar o intercâmbio. Os dados do BID ainda não captam o recém-aprovado acordo de abertura de mercados entre EUA e Peru.

A apreciação das moedas nacionais do continente está prejudicando a competitividade dos produtos latino-americanos no maior mercado do mundo. Outro fator determinante é a desaceleração da economia dos EUA, contaminada pela crise no mercado imobiliário do país.

De acordo com Maurício Moreira Mesquita, economista do BID, o Brasil - que esteve longe de ter um desempenho brilhante - foi um dos países que ajudou na performance da região. As vendas do Brasil para os EUA cresceram 1,8% em 2007 ante 2006, um ritmo inferior ao registrado em anos anteriores e à alta de 16,6% das exportações totais.

Mesmo as exportações do México para os Estados Unidos cresceram apenas 3,5%. Por conta do Acordo de Livre Comércio das Américas (Nafta) e da extensa fronteira, o país direciona cerca de 90% de suas exportações para o mercado americano. As vendas do México para os países da América Latina, embora ainda representem uma fatia reduzida do total, subiram mais de 30% no ano passado. Com a economia americana crescendo menos, a concorrência com produtos chineses se tornou ainda mais acirrada nos EUA, um problema para todos os países da região, mas principalmente para os mexicanos.

As exportações da América Latina para o mundo cresceram 11% em 2007, atingindo US$ 715 milhões, apesar da fraca performance no mercado americano. É o quinto ano consecutivo de alta, mas o ritmo está mais lento do que a média de 20% registrada nos três anos anteriores. As exportações entre os países da região cresceram 18%, contra apenas metade disso no mercado extra regional. A participação do comércio dentro do próprio continente nas vendas totais cresceu de 16,2% em 2006 para 17,3% no ano passado.

Agronegócio

a) Regulamentação anima o mercado de orgânicos

Foram dois longos anos de espera para os produtores brasileiros, mas o governo federal finalmente aprovou, no antepenúltimo dia útil de 2007, o decreto número 6.323, que regulamenta a agricultura orgânica no país. A expectativa é que o Brasil, que movimenta estimados US$ 200 milhões a US$ 250 milhões por ano, registre uma guinada significativa tanto na produção quanto nas vendas desses produtos.

A regulamentação da lei nº 10.831- publicada há quatro anos - define regras nacionais para a produção, certificação e comercialização de orgânicos. Ela era uma exigência do mercado externo, para onde o Brasil estimava embarcar US$ 21 milhões em 2007 e US$ 26 milhões neste ano, mas também crucial para o avanço do setor no mercado interno. Isso porque, sem padronização, cada produtor se auto-regula ao seguir o que a certificadora sugere. Para agricultores e empresas, é uma situação que tira a credibilidade do consumidor, ajudando a limitar a escala de produção e a elevar os preços.

"A regulamentação é, sem dúvida, uma grande notícia", disse Ming Liu, gestor do Organics Brasil, projeto desenvolvido com a Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) para incentivar as vendas externas. Os produtores terão a partir de agora dois anos para se adequar às normas.

b) Câmbio concentra preocupações no campo

O esperado aumento da safra brasileira de grãos e a tendência de preços firmes para as principais commodities agropecuárias produzidas e exportadas pelo país não são suficientes para garantir lucros polpudos no campo neste ano.

Especialistas concordam que o cenário é promissor, mas contêm a euforia. Afirmam que a renda das lavouras ("da porteira para dentro") se manterá em recuperação com os mercados valorizados e acreditam em novos avanços nas exportações e no PIB do agronegócio, também sustentados pelas carnes. Mas, em geral, encaram câmbio, custos, sustentabilidade e infra-estrutura com preocupação e projetam taxas de incrementos menores que as do ano passado.

"Teremos a segunda safra seguida com boa rentabilidade para os grãos. Mas como os custos subiram muito, sobretudo no caso dos fertilizantes, e o dólar seguirá fraco na comercialização, quem não tomar cuidado perderá a oportunidade de aproveitar a fase", afirma Alexandre Mendonça de Barros, da MB Associados e do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Como a queda do dólar tem sido contínua desde 2003, os agricultores brasileiros vêm sendo prejudicados também pela diferença entre a cotação da moeda americana no momento da definição da compra de insumos e na hora da venda da colheita.

A grosso modo, desprezadas vendas antecipadas e outras estratégias de hedge, a aquisição de fertilizantes e defensivos (com preços dolarizados por ser o Brasil importador) visando às safras de verão é mais concentrada nos terceiros trimestres, enquanto as vendas ganham força nos segundos trimestres dos anos posteriores. Para as safras de verão, o "gap" acontece desde 2003/04. Em 2006/07, segundo o Valor Data, o valor médio do dólar fechou o terceiro trimestre de 2006 a R$ 2,1709 e o segundo trimestre de 2007 a R$ 1,9818.

Com tal comportamento cambial - e com as previsões de que ele pode cair mais em relação ao real quando o Brasil conquistar seu desejado "grau de investimento" - as oscilações de preços de insumos e commodities vêm tirando o sono dos agricultores. Na safra 2006/07, ambos registraram altas superiores à retração do dólar e o saldo foi positivo para o agronegócio e negativo para a inflação, que sofreu forte pressão dos alimentos.

Para o plantio de 2007/08, fertilizantes e o herbicida glifosato, muito utilizados em plantações de grãos, subiram mais de 30% no Centro-Oeste, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), e resta confiar que as cotações dos grãos, embaladas pela crescente demanda global por alimentos e matérias-primas para bioenergia, voltarão a compensar o aumento. Neste caso, com mais inflação.

Em geral, segundo projeções de José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, os preços serão mais que um alento e a renda agrícola das 20 principais lavouras do país deverá alcançar R$ 125,6 bilhões em 2008, 6% mais que em 2007.

Confirmada a expectativa, será um crescimento menor que o do ano passado, que foi de quase 12% em relação a 2005. Como houve na safra passada uma explosão de preços de produtos como milho, soja e trigo nos mercados externo e interno, a queda no ritmo de expansão não pode, segundo analistas, ser considerada uma tragédia.

Mais preocupante é o futuro das exportações do agronegócio. Estima-se que os embarques de todo o setor, incluindo os produtos processados, renderam US$ 58 bilhões em 2007, 18% mais que no ano anterior. Preços e volumes, dependendo do segmento, compensaram o dólar e voltaram a acelerar o crescimento, que em 2006 foi de 13% na comparação com 2005, mas para manter o ritmo será preciso uma nova combinação semelhante.

Nesta conta, porém, entram carnes e etanol. O primeiro grupo disputou com a soja a liderança das exportações do agronegócio em 2007 e deve seguir em alta, mas poderá enfrentar restrições na União Européia no ramo de bovinos por questões sanitárias. O Brasil já representa mais de 30% das exportações mundiais de carne bovina.

Já os embarques de etanol, que dispararam em 2006, amargaram a ausência de um mercado internacional consolidado e caíram no ano passado, devem voltar a subir.

Bom para o mercado global do combustível e para as exportações de milho do Brasil, que superaram 10 milhões de toneladas em 2007 (recorde histórico) e devem somar pelo menos 8 milhões em 2008, de acordo com Paulo Molinari, da Safras&Mercado. Apesar do câmbio.

c) Café terá receita recorde em 2008

A cadeia cafeeira vai colher uma das suas melhores safras em 2008. Embora não haja perspectivas de grandes saltos nos preços internacionais dos grãos para o ano que vem, a receita das indústrias torrefadoras e dos Exportadores brasileiros deve ser novamente a melhor da história, aliada a um aumento expressivo da produção nacional de café.

Com consumo aquecido no mercado interno - que cresce em média de 4,5% a 5% ao ano, ante 1,8% no mercado global -, as indústrias torrefadoras traçam planos para expandir ainda mais as vendas no país. Segundo Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a expectativa é que a demanda continue aquecida no mercado interno e cresça em torno de 1 milhão de sacas em 2008.

Em 2007, o consumo de café no país está estimado em 17,3 milhões de sacas, um aumento de 6,1% (ou 1 milhão de sacas a mais), comparado à 16,3 milhões de sacas consumidas em 2006. Para este ano, a expectativa é continuar neste ritmo de crescimento. "Considerando os fatores macroeconômicos, como o aquecimento das vendas no varejo, nos bens duráveis e boas perspectivas econômicas, o setor de café deverá se manter otimista", afirma Herszkowicz.

As indústrias devem ter encerrado 2007 com movimento de R$ 6,7 bilhões, um crescimento robusto de 24%, estimulado pelos bons preços da matéria-prima no mercado internacional. Em uma estimativa conservadora, 2008 deve registrar valorização de 5%, ultrapassando R$ 7 bilhões.

O mesmo clima otimista contagia os Exportadores. A expectativa é de que os embarques no ano passado totalizem cerca de 28 milhões de sacas, repetindo os volumes de 2006. Em receita, as exportações devem ultrapassar a marca de US$ 4 bilhões, com um aumento de 11% sobre o ano passado (de US$ 3,6 bilhões).

Para 2008, os volumes embarcados devem ficar entre 27 milhões e 28 milhões de sacas, mantendo ou mesmo ultrapassando a receita alcançada neste ano, afirma Guilherme Braga, diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Depois de um ano de safra menor, por conta da bianualidade da cultura, a colheita do ciclo 2008/09 deverá crescer, no mínimo, 30%, em estimativas mais conservadoras. No mercado, analistas acreditam que a nova colheita poderá alcançar até 50 milhões de sacas, ultrapassando o recorde de 48 milhões alcançados em 2002. Depois de um longo período de estiagem, que afetou os cafezais entre os meses de setembro e parte de outubro, as chuvas contínuas nas últimas semanas indicam que a produção de café dará bons frutos.

Apesar da maior produção, os estoques nas mãos do governo devem zerar ao longo de 2008. No ano passado, foram realizados 23 leilões dos estoques oficiais, de grãos armazenados de safras antigas, sobretudo dos anos 80. Os estoques nas mãos da iniciativa privada e produtores não são divulgados. Mas, de acordo com fontes do setor, os volumes devem girar entre 3 milhões a 4 milhões de sacas.

Nos últimos 12 meses, os preços internacionais do café arábica na bolsa de Nova York acumulam alta de 5,77%. Nos 24 meses, elevação de 25,02%. Na bolsa de Londres, as cotações do café robusta acumulam alta de 19,25% em 12 meses e valorização de 63,9% em 24 meses.

Mercosul

a) Argentina prorroga restrição

A Argentina prorrogou a medida que determina uma cota para a importação de televisores fabricados na Zona Franca de Manaus. De acordo com a Resolução Número 18, publicada na segunda-feira, o limite de compra será de 175 mil unidades. A medida vale por nove meses e há a expectativa de que seja a última prorrogação.

Em 2004, o então presidente Nestor Kirchner determinou a aplicação de tarifas alfandegárias de 21% para televisores brasileiros. Em a restrição foi transformada na cota de importação. Até setembro, só poderá ser importado o equivalente a 10% do mercado argentino - 175.244 unidades.

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, a medida será analisada na próxima reunião da Comissão de Monitoramente do Comércio Brasil-Argentina, em fevereiro.

b) Argentina troca bois por soja

A restrição às exportações de carne e a disparada dos preços de grãos estão levando os fazendeiros argentinos a trocar seus rebanhos por lavouras de soja, que são mais lucrativas. Os argentinos estão entre os maiores consumidores de carne do mundo, com consumo per capita de aproximadamente 70 quilos por ano.

Desde 2005, os pecuaristas transformaram cerca de 3 milhões de hectares de pasto em lavouras de soja, o que representa uma queda de 10% na área de pasto, segundo Pablo Adreani, analista da AgriPAC Consultores, de Buenos Aires.

As restrições às exportações, impostas pelo ex-presidente Néstor Kirchner como uma medida para combater a inflação, inundaram o mercado local de carne, mantendo os preços do produto em baixa, enquanto a soja, o milho e o trigo seguem em forte alta.

Com a mudança, a Argentina passou para o quarto lugar entre os maiores exportadores de carne do mundo no ranking elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), ficando atrás de Brasil, Austrália e Índia. Desde a década de 50, o país figurava como maior exportador mundial de carne bovina. Para este ano, o USDA prevê que a Argentina deverá cair para o quinto lugar, atrás do Canadá.

A diminuição da atividade pecuária é mais visível na região dos Pampas. A visão romântica da vida no rancho continua importante na cultura argentina, mas as equações econômicas envolvidas mudaram profundamente essa realidade nos últimos anos, com a produção americana de etanol e o interesse global por biocombustíveis impulsionando os preços dos grãos para preços recordes.

Alguns analistas agrícolas sugerem que o cultivo de soja agora é três vezes mais rentável do que a pecuária. Segundo Ricardo Baccarin, especialista em commodities, a tendência contra a pecuária é poderosa. "O cultivo de soja é um grande negócio hoje em dia na Argentina", disse ele, que trabalha na corretora Paniagricola.

Atualmente, metade da área agrícola cultivada na Argentina é dedicada à soja. Baccarin explica que esse aumento expressivo foi impulsionado pelo tempo de cultivo da soja: apenas oito meses para alcançar a colheita, bem menos que os dois a três anos necessários para se criar um rebanho.

Plano Internacional

a) Democrata Obama e republicano Huckabee saem na frente na corrida à presidência dos EUA

O senador democrata Barack Obama e o ex-governador republicano de Arkansas Mike Huckabee venceram as eleições primárias no estado de Iowa na corrida pela sucessão ao presidente americano George W. Bush.

Com todos os votos já contabilizados, Obama, que aspira a ser o primeiro negro a ocupar a Casa Branca, recebeu 38% de apoio ante os 30% do ex-candidato à vice-presidência americana John Edwards e 29% da senadora Hillary Clinton.

Hillary felicitou Obama pela vitória e declarou que, "juntos, estão construindo o caminho para a mudança". A senadora prometeu continuar lutando por sua candidatura nos demais Estados americanos. "Estou preparada para o resto da campanha e estou preparada para ganhar", manifestou a seus partidários.

Com 95% dos votos republicanos apurados, Huckabee obteve 34% de respaldo frente aos 25% de seu concorrente mais direto, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney. Mais distantes, apareceram o ator e ex-senador Fred Thompson e o senador John McCain (13% cada), o congressista Ron Paul (10%) e o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani (4%).

Huckabee se disse surpreso pelo sucesso alcançado, mas destacou que essa vitória não terminava agora e sim "na Casa Branca dentro de um ano".

A rede CNN reportou que os senadores democratas Joe Biden e Christopher Dodd abandonaram a corrida presidencial após o fraco desempenho em Iowa.

Os candidatos voltam-se agora para New Hampshire, onde a disputa entra em nova fase. Os dois partidos terão eleições primárias na próxima terça-feira.

Matéria de ontem do Valor destacou que, embora pequenos, Iowa e New Hampshire têm enorme importância no sistema político americano por serem os primeiros a se manifestar. Os candidatos que tiverem bons resultados na largada terão chances melhores nas próximas etapas, quando chegará a vez dos eleitores de Estados mais importantes, como a Califórnia e a Flórida, darem a sua opinião.

b) Brasil vai se manter na negociação

O assessor para Relações Iternacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, negou que a operação para a libertação de três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tenha sido um fracasso. Disse que a ação será retomada, mas não arriscou falar em prazos.

- Quem tem o controle da situação, lamentavelmente, são as Farc - reconheceu.

Garcia disse que o cancelamento da liberação dos reféns causou "uma grande decepção, saímos todos frustrados", mas não relacionou a frustração da missão com a mediação do presidente venezuelano Hugo Chavéz e da ação do presidente colombiano Álvaro Uribe:

- Os dois sempre colaboraram para o processo, apenas enfrentamentos verbais houve entre eles.

Segundo o assessor, a retomada da operação deve se dar desde que não haja novas ações por parte das Farc e que a entrega dos reféns seja em uma área desmilitarizada.

Como representante brasileiro, Garcia fez parte da missão humanitária que foi à Colômbia para receber Clara Rojas, de 44 anos, seu filho Emmanuel, de 3, e a ex-deputada Consuelo González, de 57 anos, das Farc. Apesar da missão não ter conseguido a liberação dos reféns, Garcia disse que foi dado um passo importante para a solução do problema, porque "o tema tem reconhecimento da opinião pública na Venezuela, Colômbia e mundial, e não pode ser jogado para debaixo do tapete".

O assessor contou que ainda ontem falaria com o Lula para relatar os últimos acontecimentos na Colômbia e que, durante as negociações, o presidente falou por telefone com Uribe e com Chavéz.

O Itamaraty divulgou nota em que o "governo brasileiro lamenta que as circunstâncias tenham impedido" a libertação dos reféns.

Na segunda-feira, em mensagem lida pelo presidente venezuelano, as Farc afirmaram que as "intensas operações lançadas na região nos impedem, por agora, de entregar os três reféns, como era nosso desejo". No domingo, a guerrilha já havia anunciado a suspensão, "por enquanto", da entrega dos reféns, alegando que o governo colombiano teria intensificado as operações militares em Villavicencio, à 95 km de Bogotá. Este era o local indicado pela guerrilha para a missão receber o aviso sobre o ponto de contato para receber os reféns.

O anúncio da guerrilha pôs fim a cinco dias de expectativa sobre a libertação dos três seqüestrados, prometida no dia 18 de dezembro. Naquela data, as Farc anunciaram que entregariam os três como um "ato de desagravo" a Chávez, afastado das mediações da troca dos reféns por guerrilheiros presos.

O ex-presidente argentino Nestor Kirchner e representantes da França, Suíça, Cuba, Equador, Bolívia e Brasil e Cruz Vermelha, que integravam a missão, abandonaram Villavicencio na segunda. Mas anunciaram que retornarão para concluir a operação quando o processo for reaberto.

A missão foi adiada por tempo indeterminado, em meio a acusações das Farc e de Chávez, de que o governo colombiano teria sido responsável pelo fracasso do plano por ter intensificado a repressão aos guerrilheiros na zona de Villavicencio.
Mas o presidente Uribe negou que o Exército de seu país tenha realizado operações ou travado combates que pudessem prejudicar a entrega dos reféns. No entanto, afirmou que a guerrilha jamais teve a intenção de libertar os três seqüestrados.

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