03 a 07 de abril de 2008

Comércio Exterior

Resultados
Governo interrompe exportação de arroz

Agronegócio

BNDES na África
Embargos não reduzem rendimento

Mercosul

Mais cinco anos com tarifa

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Acordo em Doha reduziria inflação mundial
Empresários brasileiros escrevem para Bush
Emergentes frustram planos brasileiros
Brasil se contradiz na OMC



Comércio Exterior

a) Resultados

Depois de começar o mês mais enfraquecidas, as importações voltaram a ganhar fôlego e derrubaram o superávit da balança comercial. Na terceira semana de abril, o saldo foi de apenas US$ 260 milhões - 79% menor que o resultado do mesmo período de 2007. Na semana, as exportações somaram US$ 3,28 bilhões e as importações, US$ 3,02 bilhões.

No mês, as exportações acumulam US$ 8,98 bilhões e as importações, US$ 7,56 bilhões, com superávit de US$ 1,42 bilhão. Pela média diária, que é de US$ 101,5 milhões, o saldo comercial já é 51,4% menor que o de abril de 2007.

Segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações no mês, pela média diária de US$ 540,3 milhões, ficaram 30,7% acima da média de abril de 2007 (US$ 413,4 milhões). Cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (73,2%), combustíveis e lubrificantes (51,1%), veículos e partes (47,6%) e aeronaves e peças (44,1%).

b) Governo interrompe exportação de arroz

Para evitar uma disparada nos preços dos arroz e garantir o abastecimento no mercado doméstico, o governo decidiu ontem suspender temporariamente as exportações do cereal e também leiloar seus estoques.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem, segundo comunicado de sua pasta, que uma reunião hoje, com técnicos do Ministério da Agricultura, Conab e produtores, vai definir que volume dos estoques oficiais de arroz irá a leilão. O objetivo da medida é evitar uma disparada nos preços do produto, que já vêm registrando fortes altas no mercado doméstico.

Conforme o indicador Cepea/Esalq/BM&F, a saca de (50 quilos) de arroz com casca ficou em R$ 32,06 ontem, alta diária de 2,89%. No mês, o produto acumula valorização de 37,48%. Atualmente, conforme o Ministério da Agricultura, o estoque governamental tem 1,6 milhão de toneladas de arroz. Ao interromper temporariamente as exportações de arroz, o governo quer evitar problemas no abastecimento interno.

Nas últimas semanas, Índia e Vietnã deixaram de exportar o produto para garantir a oferta no mercado doméstico e evitar mais altas nos preços, em mais um efeito da chamada agroinflação.

Agronegócio

a) BNDES na África

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fechou ontem o financiamento para a produção de etanol na África. O primeiro projeto foi acertado entre Brasil e Gana para a exportações do biocombustível para a Suécia, país europeu que hoje mais consome o etanol e que está comprometido em expandir o uso do novo combustível até 2020.

Outros cinco países africanos serão alvo da diplomacia do etanol do Brasil nos próximos meses. O primeiro projeto ocorrerá na cidade de Makago, em Gana, entre a Northern Sugar Resources e a Constram. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto gera desenvolvimento, cria empregos e ainda reduz emissões de gás carbônico (CO2), um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. "Estamos dispostos a compartilhar com a África a experiência que adquirimos."

b) Embargos não reduzem rendimento

Apesar do embargo da União Européia às carnes "in natura" do Brasil, as exportações nacionais rendem mais. Os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que a média de receitas deste mês atinge US$ 51,2 milhões por dia, 16% mais do que a de igual período de 2007. Assim como já ocorreu no ano passado, as receitas com café estão aumentando. Nas três primeiras semanas deste mês, o Brasil arrecadou US$ 18,3 milhões por dia, 26% mais do que em igual período do ano passado, informou a Secex.

Os produtores de soja diminuíram o ritmo de vendas nas últimas semanas, à espera de melhores preços. Neste mês, as vendas totais atingiram 67% do volume produzido, contra 62% em abril. Entre os principais produtores, Mato Grosso (85%) e Goiás (75%) lideram a comercialização. Os dados são da Agência Rural, de Curitiba.

A produção de milho sobe para 54,8 milhões de toneladas na safra 2007/8, acima dos 50,1 milhões da anterior. As estimativas são da consultoria Safras & Mercado, que aponta produtividade média de 4.049 quilos por hectare para esta safra. A consolidação da agricultura passa por um modelo de desenvolvimento que promova o crescimento econômico com as questões sociais e ambientais. "Sua busca não é novidade, mas os desafios de hoje são maiores." É o cenário que Fábio Meirelles mostrará hoje ao assumir, mais uma vez, a presidência da Faesp.

Mercosul

a) Mais cinco anos com tarifa

O livre comércio de automóveis e autopeças entre Brasil e Argentina foi definitivamente adiado, contrariando a posição defendida pelo Brasil nas negociações mantidas com o governo argentino. Em compensação, a Argentina finalmente concordou em estabelecer um prazo de cinco anos para o novo acordo automotivo bilateral que está em discussão e deve ser concluído até junho, quando vence o que está atualmente em vigor.

Só no fim desse prazo é que haveria livre trânsito de veículos e peças entre os dois países. A Argentina nunca concordou com a liberação do comércio, que vem sendo adiado desde dezembro de 2005 quando venceu o primeiro acordo assinado em 2002. Até agora a renovação tem sido anual.

Em fevereiro, quando ficou claro para o governo brasileiro que os argentinos não aceitariam o livre comércio, o Brasil passou a defender um regime de longo prazo, para dar estabilidade ao setor e atrair novos investimentos. Agora se chegou a um consenso pelo prazo de cinco anos na negociação entre as equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro e a Secretaria de Indústria argentina, em reunião em Buenos Aires.

Organização Mundial do Comércio (OMC)           

a) Acordo em Doha reduziria inflação mundial

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que a conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que prevê a liberação do comércio mundial, ajudará a conter a alta dos preços dos produtos agrícolas.

“Não se pode esquecer que, para alimentar sua população, os Estados dependem da liberdade de comercializar. Mas já estamos vendo que algumas decisões tomadas em nível nacional, como a de limitar a exportação de produtos alimentícios, têm efeitos devastadores em nível mundial”, escreveu o diretor do FMI em um artigo publicado ontem no “Financial Times”. “Levar a (rodada de) Doha a um bom termo representaria uma ajuda de capital já que reduziria as barreiras alfandegárias e as distorções de competição e favoreceria o comércio agrícola.”

Strauss-Kahn recorda que os “preços do arroz no mercado mundial aumentaram mais de 50% desde o início do ano e que os preços do resto dos produtos alimentícios estão em clara alta”. Para fazer frente a este desafio, o diretor do FMI defende a necessidade de um acordo concertado em escala mundial. “Temos a responsabilidade moral de colocar comida na mesa dos pobres”, destaca o titular do FMI.

b) Empresários brasileiros escrevem para Bush

Os CEOs de um grupo selecionado de grandes empresas de Brasil e Estados Unidos enviaram uma carta para ambos os governos em favor da Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). Assinado por 20 presidentes de empresas, o documento solicita que os dois países exerçam sua liderança para atingir uma conclusão bem sucedida das negociações multilaterais de comércio ainda esse ano.

Do lado brasileiro, estão Coteminas, Banco Safra, Camargo Corrêa, Vale, Odebrecht, Embraer, Gerdau, Stefanini, Cutrale e Votorantim. Do lado americano, International Paper, General Motors, Cargill, Citibank, Motorola, Cummins, Intel, Coca-Cola, Illinois Tool Works e Alcoa. Esse grupo de CEOs foi formado recentemente a pedido dos governos de Brasil e EUA para sugerir medidas que contribuam para o incremento do comércio.

De acordo com Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas e co-chairman do grupo pelo lado brasileiro, a mensagem é sintética e destaca a importância da conclusão das negociações nas áreas agrícola, industrial e de serviços. "Colocamos de forma enfática a importância do avanço na questão agrícola e de serviços", diz Gomes da Silva. "Dependendo dos termos da negociação, a indústria também pode ser beneficiada", completa.

Para Marco Antônio Stefanini, presidente da Stefanini IT Solutions, o Brasil tem muito a ganhar em serviços. "Nosso mercado já tem uma abertura grande. Somos competitivos. O Brasil poderia tratar de forma mais agressiva esse assunto", ressalta. Ele ressalta que o mercado mundial de serviços de tecnologia da informação gira em torno de US$ 1,2 trilhão. Desse total, US$ 700 bilhões são terceirizados e US$ 100 bilhões provém dos serviços offshore. Neste último caso, o serviço é prestado no Brasil ou na Índia, mas o cliente está nos Estados Unidos ou na Europa.

No documento, os CEOs reconhecem que "toda nação deve contribuir significativamente" para a conclusão da Rodada Doha. O documento reconhece que os países possuem temas politicamente sensíveis e preocupações econômicas - uma referência indireta a crise financeira nos EUA. Mesmo assim, insiste na conclusão de um acordo ambicioso e equilibrado na OMC.

c) Emergentes frustram planos brasileiros

Os objetivos do Brasil de conseguir unir os países emergentes em torno de um acordo comercial sofreram um parcial revés. No dia 22 de abril, os governos de 40 economias em desenvolvimento anunciaram um pacote para a liberalização do comércio entre os países do Sul. Mas, com a oposição da Índia, México e algumas economias asiáticas, o acordo foi aguado e, por enquanto, tem pouco impacto comercial.

O acordo era a principal bandeira do Brasil na reunião aberta no fim de semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na capital de Gana, Acra. Lula chegou a citar o entendimento em seu discurso e pediu que o processo fosse concluído com sucesso. A negociação foi lançada em 2004 em São Paulo, após três décadas de impasses e desentendimentos entre os emergentes. Há quatro anos, os governos entraram em entendimento para iniciar o diálogoO projeto inicial do Brasil era a redução de 30% nos impostos de importação de 40 países. Com o processo na Organização Mundial do Comércio (OMC) paralisado, a esperança era de que esse acordo poderia dar novo impulso às exportações dessas economias.

Mas nem todos concordaram. A China, economia que mais cresce entre os emergentes, avisou há um ano que não participaria da iniciativa. A Índia se mostrou relutante e só aceita um corte menor de tarifas para não afetar sua indústria e agricultura. Ante as resistências a um corte mais profundo, negociadores previam que uma saída poderia ser o corte de tarifas de 20% sobre o que é hoje de fato aplicado. Mas nem isso conseguiu ser acordado
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d) Brasil se contradiz na OMC

A decisão do governo de restringir a exportação de arroz pegou de surpresa e desagradou aos negociadores do Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio). O temor é que a medida enfraqueça a posição brasileira nas negociações da Rodada Doha, aumentando a resistência à abertura de mercados aos produtos agrícolas, que é a principal bandeira comercial do Itamaraty.

A disparada nos preços dos alimentos levou vários países produtores, sobretudo na Ásia, a restringir as exportações, despertando preocupação na OMC. Um deles reconheceu na semana passada que as restrições alcançaram "níveis sem precedentes". Os importadores já ameaçam contra-atacar. O primeiro disparo partiu do Japão, maior importador de alimentos do mundo, que pretende pedir, na próxima semana, que a OMC adote normas contra as barreiras ao suprimento de grãos como trigo, arroz e milho.

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