11/05/04
Missão Civilizadora no Iraque
Rubens Antonio Barbosa



Um ano depois de ter declarado o fim da guerra no Iraque, a bordo de um porta-aviões, em que, onde baixou no melhor estilo hollywoodiano, o Presidente George Bush está às as voltas, na frente militar, com uma grave situação, mantida sob aparente controle à a custa de muitas vidas de militares norte-americanos e de civis e milíciasmilicias iraquianas e, em casa, com uma séria crise política que pode custar sua reeleição.

O ataque ao Iraque foi justificado perante a opinião pública dos EUA, como uma “ação preventiva” destinada a evitar o que seria uma ameaça iminente ao território norte–americano, com o uso de armas de destruição em massa. A ação bélica resultou de decisão unilateral e representou a aplicação concreta, pela primeira vez, da Lei de Segurança Nacional, editada pelo Governo Bush em 2002, sob o impacto do atentado de 11 de setembro de 2001.

O fato, porém, é que não só a justificativa para o ataque até hoje não pôde ser comprovada, pois não se encontrou sinal algum de estoque de armas nucleares, químicas ou biológicas, mas também uma série de erros elementares e de julgamentos apressados e arrogantes tornaram a presença dos EUA no Iraque um dos maiores equívocos de política externa de sua história.

Ficaram superadas, em curto espaço de tempo, as expectativasA aventura militar ganhou, nas últimas semanas, características que, embora previsíveis, não foram antecipadas pelos formuladores de políticas do Governo de Washington.
As percepções iniciais dos EUA de rápida vitória, seguida de reorganização institucional e democratização do Paíspaís, de bons negócios para as empresas norte-americanas no processo de reconstrução, de normalização do fornecimento de petróleo e conseqüentecom a consequente queda nos dos preços.

e a democratização do país, ficaram superadas em curto espaço de tempo.

O ataque ao Iraque foi justificado perante a opinião publica norte-americana como uma “ação preventiva” para evitar ameaça iminente ao território norte –americano com armas de destruição em massa. A ação bélica resultou de decisão unilateral e representou a aplicação, pela primeira vez, da lei de segurança nacional, editada pelo governo Bush em 2002.
Não só a justificativa para o ataque não pôde ser comprovada até hoje, pois nenhum sinal de estoque de armas nucleares, químicas ou biológicas foi encontrado, como uma série de erros, de julgamentos apressados e de oportunidades perdidas tornaram a presença dos EUA no Iraque um dos maiores equivocos em termos militares e politicos da história dos EUA.
O crescente envolvimento norte-americano, que custa cerca de US$4,7 bi, por mês, só com despesas do pessoal militar, gerou reação dramática dos iraquianos de diferentes etnias e cor política.

O Governo dos EUA, que esperava ser tratado como libertador – em mais uma missão civilizadora para criar uma nova era político-sócio-econômica no Iraque - viuvê-se confrontado com a oposição de sunitas e de xiitas, inimigos mortais entre si, mas unidos contra os “invasores”, nem uma luta aberta de guerrilha reservada às potências consagrada às potencias ocupantes. e dominadoras. A ação unilateral, acompanhada pelos poucos países que contribuiram com tropas, agora se revela utilizando os mesmos metodos de potências coloniais.

O crescente envolvimento norte-americano, a um custo de cerca de US$ 4,7 bilhões mensais, só com pessoal militar, despertou forte sentimento de revolta dos iraquianos de todas as tendências e religiões. Procurando minimizar a importância da oposiçãooposiçao interna iraquiana, Bush a ela se refere como a “uma pequena facção” rebelde”, cuja reação, dramática e violenta, apesar da inferioridade bélica, contudo, fez subir rapidamente o número de baixas entre os militares norte-americanos.

Recentemente, o Senador Edward Kennedy qualificou o Iraque como um novo Vietnã, numa alusão à gradual escalada militar norte-americana na Indochina para enfrentar a onde o Governo de Washington gradualmente aumentou seu poderio militar com crescente oposição feita pela da guerrilha rural de Ho-Chi-Minh. De fato, a As montanhas e as florestas eram as bases de operação da resistência; raramente, os encontros se davam nas cidades. A brutalidade da presença militar e a dramaticidade dos combates no país asiático, lembram as cenas de horror no Iraque, a que hoje assistimosvemos diariamente na pela televisão, com onde os choques que se multiplicam nas diferentes regiões do país.
Os confrontos sangrentos que ocorrem em diversas cidades iraquianas estão mais próximos daquilo do que se viu na Argélia, contra os franceses, do que no Vietnã.

As montanhas e as espessas florestas eram, no Vietnã, as bases de operação da resistência; raramente, os confrontos se davam nas cidades. No Iraque, como na Argélia, a A luta de atrito se dá nas cidades. e não nas selvas. A área rural, pouco povoada, oferece baixa segurança às milíciasmilicias; a densa paisagem urbana, em contrastepor outro lado, propicia condições operacionais mais favoráveisfavoraveis aos insurgentes, que passam a contar com o apoio da a população civil, a exemplo do que ocorreu na Argélia.

Militares e guardas terceirizados norte-americanos recorrem aos perdas humanas, começam a utilizar os mesmos métodos que os franceses empregavam para extrair confissão de prisioneiros. O mundo apenas começa a assistir, chocado e indignado, à a “guerra suja”, com cenas de tortura, de repressão e de violênciaviolencia , deixando Washington e Londres em situação embaraçosa e defensiva.

No dia 30 de Junhojunho, os EUA deverão transferir o poder a um governo interino que conduzirá o paíspais até Janeirojaneiro, quando seriam realizadas eleições gerais, para que um governo representativo passe a dirigir o Iraque. passe a dirigir o Iraque. O controle efetivopais, contudo, permanecerá, por muito tempo, em com Washington, que deverá manter em Bagdámanterá em Bagda a maior Embaixada norte-americana no exterior, com mais de 3.000 funcionários, e um exército poderoso em solo iraquiano para garantir a lei e a ordem.

É difícil visualizar, em um país ocupado militarmente, nas atuais circunstâncias, uma transição tranqüila, aÉ dificil visualizar uma transição tranqüila para a democracia no Iraque nas atuais cirunstâncias. Rivalidades étnicas, religiosas e políticas deverão emergir, agravando ainda mais a situação.

A menos que os EUA aceitem proposta da ONU – - para que a transferência de poder, dentro de menos de dois meses, seja feita sob administração internacional, envolvendo necessariamente as Nações Unidas. Uma recusa, a situação poderá levar evoluir para uma guerra civil de desfecho imprevisível.consequências imprevisíveis.

A eleição presidencial de novembro próximo introduz um elemento de incerteza adicional no tocante às reações de Washington. Nada do que Bush venha a fazer pode ser percebido, no contexto de disputa eleitoral, internamente como sinal de fraqueza, e muito menos como uma evidênciaevidencia de fracasso ou de derrota militar.

Imagens de tortura e de abusos sexuais recentemente divulgadas geraram um terremoto político que, para ser contido, pode custar a cabeça do Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, a fim de acalmar a crise interna, e buscar conter o dano à já abalada credibilidade dos EUA.

A história americana mostra que nenhum presidente engajado em guerras durante seu primeiro mandato logrou reeleger-se. A combinação do fantasma do Vietnã com o pesadelo da Argélia passou a ser um elemento crítico na campanha de Bush.

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