13/09/05
O Brasil e a Globalização
Rubens Antonio Barbosa

O II Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, organizado recentemente pela BM&F, ao lado de discussões altamente especializadas acompanhadas com interesse por mais de 700 participantes, propiciou um amplo debate sobre a inserção externa do Brasil no contexto do processo da globalização.

Paul Krugman, economista do MIT e de Princeton, observou que o capital está fluindo para onde os retornos são menores, o que, por si, parece violar a lógica empresarial e econômica. Essa situação ocorre em virtude dos desequilíbrios da economia dos EUA, com grandes déficits em transações correntes, baixa poupança pessoal e bolha especulativa no mercado imobiliário, estimulada por uma taxa de juros estremamente baixa. Do outro lado do mundo, a China com seu câmbio desvalorizado, exportando e acumulando reservas de forma assustadora e com substanciais investimentos financeiros nos EUA. Essa situação pode parecer quase insustentável a médio e a longo prazo. Tudo isso, em meio a uma escalada sem precedentes nos preços do petróleo.

Ken Rogoff, ex-economista Chefe do FMI e agora professor em Harvard, observou que o crescimento de longo prazo da economia mundial segue uma tendência positiva e que as crises registradas recentemente foram bem mais curtas do que no passado. Os dados confirmam que o mundo vive hoje um ciclo de prosperidade da economia comparável com o observado nos períodos após a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais.

Tanto a política monetária norte-americana quanto a eficiência para distribuir os efeitos do crescimento dos EUA pelo mundo podem ser apontados como elementos catalisadores desse ciclo de crescimento e pela velocidade de recuperação econômica, após cada crise. Como debatedor da apresentação de Rogoff, fiz uma avaliação da crescente inserção externa do Brasil e dos avanços e retrocessos observados nas negociações multilaterais e observei que a globalização envolve riscos e benefícios que devem ser melhor avaliados pela sociedade.

Assinalei que a análise atual parte da constatação de que o ambiente internacional é extremamente favorável: crescimento da economia internacional, expansão do comércio, da integração financeira, excesso de capital e baixa taxa de juros. Situação bastante similar ocorreu na década dos noventa, o que não impediu sucessivas crises como a do México em 1994, da Asia em 97 e da Rússia em 98. Na década passada, a crecente livre movimentação de capitais, que hoje é considerada um ganho e um progresso, foi vista como um dos principais fatores da crise.

No caso do Brasil, a globalização aumenta ou reduz a vulnerabilidade externa ? Qual seu impacto sobre o crescimento?

Os indicadores da economia, sobretudo os da relação da divida/PIB e divida/Exportaçõe ainda não deixam o Brasil imune ou mais resistente à crise.

É importante ressaltar que a globalização financeira, com a livre movimentação da conta de capital apresenta aspectos muito positivos, que, no entanto, são transitórios. Assim, o investimento externo direto e os empréstimos governamentais se expandem com taxas de juro extremamente baixas, que poderão ser revertidas de forma brusca se ocorrer uma crise internacional.

O setor externo da economia brasileira tem acompanhado essa tendência positiva e tem desempenhado um papel relevante quando se examina o comportamento recente da economia e sua vulnerabilidade.

O Brasil tem, contudo, aproveitado parcialmente o cenário internacional favorável, em virtude das ineficiências internas, do alto custo Brasil para as empresas, em decorrência da alta carga tributária, das deficiências logísticas, entre outras, além da indecorosa taxa de juros e de uma apreciação da taxa de câmbio, contrária aos interesses exportadores.

A taxa de crescimento da economia em 2005 sera a menor da América Latina e bem inferior à da China, India e outros países emergentes.

Crescer ou crescer, é alternativa para a economia brasileira a fim de reduzir sua vulnerabilidade e as desigualdades sociais, em um cenário em que, como acentua recente relatório da ONU, a globalização tende a reforçar a concentração de renda e as disparidades sociais.
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