08/02/2005
Panorama 2020
Rubens Antonio Barbosa

O National Intelligence Council (NIC), orgão de pesquisa e de formulação estratégica da CIA, em colaboração com diversos orgãos do governo norte-americano, organizações não governamentais e conhecidos especialistas, deu recentemente publicidade a dois interessantes trabalhos sobre as tendencias globais e os cenários para o mundo em 2020.

Pareceu-me util resumir o trabalho e comentar algumas de suas conclusões pelo que afirma e pelo que deixa de assinalar em relação à América Latina.

Para identificar as principais tendencias internacionais, o NIC selecionou alguns fatores que influirão na conformação do mundo nos proximos 15 anos.

Esses fatores são demografia, recursos naturais e meio ambiente, ciencia e tecnologia, economia global e globalização, governança nacional e internacional, futuros conflitos e o papel das Nações Unidas.

Ao proceder ao exame dessa elementos vários aspectos foram levados em conta: nenhum elemento individual ou tendencia será dominante para influir no futuro do mundo até 2020; cada um dos elementos terá um impacto variavel nas diferentes regioes e paises; os elementos não incidem necessariamente um sobre o outro e podem se reforçar mutuamente.

Esses elementos influirão de forma significativa sobre a capacidade, as prioridades e o comportamento dos Estados e sociedades bem como sobre o ambiente de segurança internacional.

O outro trabalho sobre o Panorama Global em 2020 mostra como a ordem internacional está passando por profundas transformaçoes, como o mundo em 2020 será marcadamente diferente do de 2004 e como, nesse período, os EUA terão de enfrentar desafios na área externa completamente diferentes das que respondem hoje.

A magnitude e a velocidade das mudanças como resultado do mundo globalizado serão uma característica dominante até 2020. Além dessa caracteristica, as transformações que ocorrerem serão influenciadas pelas contradições da globalização, as modificações no panoram a geopolitico com o surgimento de novos potencias, nos novos desafios à governança e um sentido mais difundido de insegurança.

As sementes das maiores transformações foram plantadas em tendencias já aparentes hoje. Reforçando essas caracteristicas genéricas, uma série de tendencias especificas que se sobrepõem e interagem podem ser identificadas: a expansão da economia global, a rapidez das modificações cientificas, a dispersão de tecnologias de uso dual, a persistencia das desigualdades sociais, o aparecimento de novas potencias, o fenomeno de envelhecimento global, os riscos para a democracia, a expansão da ideologia islamica radical, o potencial para formas catasftroficas de terrrorismo, a proliferação de armas de destruição de massa e a crescente pressão sobre as instituições internacionais
No tocante às transformações do panorama geopolitico com a emergencia de novas potencias, o trabalho apresenta as principais conclusões:

- Os EUA continuarão a ser em 2020 a nação mais poderosa do mundo, perdendo, porém, gradualmente o poder que detem hoje. O mundo com uma única potencia é um acontecimento unico nos tempos modernos e apesar das circunstancias desfavoraveis ao seu poder nacinal, a unipolaridade com os EUA não deverá ficar ameaçada nos proximos 15 anos.

- A Asia será a região dinâmica nas primeiras duas decadas do seculo XXI. China e India emergirão como os novos atores globais no campo politico e economico, como resultado da combinação de alto e sustentado crescimento economico, expansão da capacidade militar, promoção ativa de tecnologia de ponta e grande população. A China ultrapassará a todos em termos de gasto com a defesa, perdendo apenas para os EUA e se transformara numa potencia militar de primeira classe.

- Europa, com uma dramatica redução populacional, deverá perder posição relativa e se distanciar das novas potencias emergentes, embora não se possa descontar a possibilidade de uma Europa mais forte e unida e de um Japão mais ativo internacionalmente.

- A possivel emergencia do poderio economico do Brazil, Africa do Sul, Indonesia e Russia não trará a mesmo influencia politica da China e da India e por isso terá um impacto geopolitico mais limitado. O crescimento economico desses paises deverá beneficiar seus vizinhos mas dificilmente eles terão condições de se transformar em motores de crescimento economico capaz de alterar o fluxo de poder economico nas respectivas regiões, fatores fundamentais na ascenção politica e economica da China e da India.

-O aparecimento desses paises poderá reforçar a atuação da China e da India e permitir o aparecimento de novos alinhamentos internacionais, podendo marcar uma ruptura definitiva com algumas das instituições e praticas do mundo pos-Segunda Gerra Mundial.

Ressalta da analise desses documentos uma situação bastante negativa para a America Latina. No sumário introdutorio do panorama para 2020 a região não é nem mencionada, forte indicação da sua desimportancia para influir nos rumos da politica e da economia mudiais.

A perspectiva, na opinião de especialistas que contribuiram para o trabalho, é a de que a região continuará a perder influencia nas questões mundiais e ficará de forma crescentemente marginalizada. Em consequencia disso, a America Latina verá aumentar a distancia que a separa das nações mais desenvolvidas, com impacto sobre o fluxo de investimentos e de avanços tecnologicos.

Ineficiencia dos governos, aparecimento de lideres carismaticos em populistas, distanciamento tecnologico, baixo nivel educacional, crescente pobreza, corrupção são algumas das razões que jusftificam o pessimesmo das projeções em relação a América Latina.

O Brasil e o Chile aparecem como exceções nesse cenario negativo por suas crrescentes vinculações cm os polos dinamicos da economica mundial, inclusive com a Asia. O Brasil é visto como um Estado chave, por sua democracia vibrante, economia diversificada, população empreeendora e instituições economicas solidas. O sucesso ou fracasso do Brail em cnciliar medidas a favor do crescimento economico com uma ambiciosa agenda social que reduza a pobreza e a desigualdade de ren da terá um profundo impacto no desempenho me conomico e na governança d aregião nos proximos 15 anos.

Dentro desse cenario a posição do Brasil na região tenderá a tornar-se cada vez mais ativa e importante. A emergencia do Brasil como uma potencia economica global nos proximos 15 anos coloca grandes desafios para a politica externa e a politica comercial externa do atual e dos futuros governos que demandará a constução de uam efetiva parceria entre governo e setor privado para assegurar a efetiva defesa do interesse nacional na construção desse poderio nunca experimentado ate aqui.

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