12 de junho a 16 de junho de 2006

Comércio Exterior

a) Resultados

A balança comercial apresentou entre 5 e 11 de junho um total de exportações no valor de US$ 2,772 bilhões e US$ 1,982 bilhões em importações, o que rendeu um superávit de US$ 790 milhões. Tal resultado está 26,23% abaixo dos US$ 1,07 bilhão da mesma semana em maio e 65,9% acima da comparação com a primeira semana de junho, cujo saldo positivo foi de US$ 521 milhões.

O saldo positivo acumulado desde o início de 2006 é de US$ 16,775 bilhões - US$ 53,346 bilhões vendidos e US$ 36,571 bilhões em compras no exterior. Esta cifra representa uma queda de 2,81% em relação aos US$ 17,26 bilhões atingidos em igual período do ano passado.

b) Importações aumentam ritmo 

A soma das importações brasileiras registrou um crescimento de 21% desde o início do ano até a segunda semana de junho, ao passo que no mesmo período as exportações cresceram 12%. Segundo a Secex, observou-se um fluxo de importações com média diária de US$ 554 milhões entre os dias 5 e 11 de junho, um aumento de 35,1% comparado à mesma semana de 2005.

Considerando os sete dias úteis de junho registrou-se uma média de importações de US$ 367 milhões ao dia, quantia 30,8% maior que a média de junho do ano passado e 11,4% acima do mesmo dado em maio.

Agronegócio

a) Frango 

A ocorrência de focos de gripe aviária na Ásia, Europa e África no início do ano implicou em retração da demanda internacional pela carne de frango. O total exportado pelo Brasil em maio somou 196.472 mil toneladas, uma queda de 17,84% no volume embarcado em relação ao mesmo mês do ano passado.

A receita obtida em tais vendas foi de US$ 216,782 milhões, quantia 22,57% abaixo da mesma comparação. Os resultados de 2005 acumularam um volume de exportações de 2,845 milhões de toneladas de frango que contabilizaram um total de US$3,508 bilhões.

b) Relatório da USDA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira, dia 2, o relatório de oferta e demanda de grãos. A previsão 2006/07 para a produção americana ficou em 83,8 milhões de toneladas e em 56 milhões para o Brasil. Se confirmada, a estimativa tira a liderança mundial dos exportadores brasileiros de soja, responsáveis por 39% das vendas no levantamento de 2005/06, e devolve a marca aos americanos cuja previsão é de 41.7%. Analistas apontam como causa o câmbio desfavorável ao exportador brasileiro e os elevados estoques americanos que aumentam sua competitividade.

Mercosul

a) Aproximação do México

Em passagem pelo Brasil, o chanceler mexicano Luis Ernesto Derbez tentou negociar com o governo brasileiro o ingresso do México como membro associado ao Mercosul. A intenção é aproximar os mexicanos do processo de integração da América Latina. Derbez pediu ao Itamaraty que considerasse suficiente para a aprovação do pedido um documento de preferências comerciais firmado por México e os quarto sócios plenos do Mercosul. O governo brasileiro exige, porém, assinatura prévia de acordo de livre comércio com o bloco, requisito básico para qualquer país que pretenda tal participação.

Ainda que admita a inviabilidade das negociações da ALCA por resistências dos setores privados de ambos os países, o chanceler mexicano comentou que a fragmentação dos acordos praticados pelos EUA ? NAFTA (Máxico e Canadá) e CAFTA (América Central) - impedem a otimização do comércio das industrias de qualquer país do continente e reduz a competitividade latino-americana frente às importações americanas de produtos provenientes da China e da Índia.

b) Peru

Antes mesmo de tomar posse, o recém-eleito presidente do Peru, Alan García, viajou a Brasília na terça-feira, dia 13 de junho. A agenda trouxe discussões de maior aproximação econômica por meio da ampliação do comércio bilateral que permita maiores investimentos de empresas brasileiras no Peru, principalmente em setores energéticos como etanol, biodiesel e petróleo, além de siderurgia. A integração rodoviária e ferroviária entre os dois países também foi abordada.

Quanto a um possível ingresso como membro pleno do Mercosul, García pretende, inicialmente, fortalecer suas relações bilaterais com Bolívia e Brasil na condição de país associado ao bloco, para depois complementar a parceria. Peru e Mercosul já possuem um acordo de livre comércio, porém seus prazos são bastante flexíveis no que diz respeito à retirada de barreiras comerciais. No primeiro quadrimestre do ano, o comércio bilateral entre ambos somou US$ 520 milhões. 

OMC

a) Rodada Doha


Um dos mediadores das negociações da Rodada Doha da OMC, o embaixador neozelandês Crawford Falconer concluiu, em um texto enviado no dia 9 de junho aos 147 países envolvidos, que a proposta do G-20, grupo liderado pelo Brasil, tem melhores chances de levar esta rodada de negociações a um acordo final. A proposta de países como Ìndia, Argentina, África do Sul, China, Brasil e outros, defende um meio-termo entre as ambições americanas e o protecionismo europeu no tocante aos cortes de tarifas de importações agrícolas. Enquanto os países ricos reduziriam em 51% suas taxas médias limitando-as a um teto de 100%, as nações em desenvolvimento cortariam suas alíquotas em 36% e limitariam como máximo 150%.

A última proposta americana estabelecia um corte médio de 66% para as nações ricas contra os 39% propostos pela União Européia, ainda que esta tenha se disposto a elevar sua oferta para 49% se os EUA acenassem com cortes em seus subsídios domésticos.

b) USTR e Celso Amorim


Susan Schwab, representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR) telefonou na sexta-feira, dia 9, para o chanceler brasileiro Celso Amorim demonstrando grande vontade em estreitar as conversas entre Brasil e Estados Unidos nas negociações para liberalização comercial no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC). Pouco após ser confirmada no cargo pelo Senado americano, Susan propôs uma reunião com Amorim antes do encontro com os negociadores da Rodada Doha, no dia 29 em Genebra.

Atualmente, a Rodada Doha se encontra num impasse: enquanto os países ricos exigem maior acesso aos setores de serviços e industria dos países em desenvolvimento, estes últimos exigem mais concessões no comércio agrícola.

b) China

Pequim apresentou, no dia 13 de junho, à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma série de demandas na área industrial visando reduzir suas tarifas a um nível inferior às praticadas por nações como o Brasil e estender seu prazo até 2026. Os chineses defendem que países recentemente integrados à OMC devem reduzir suas tarifas a um ritmo menor que os demais países em desenvolvimento ? se do Brasil fosse exigida uma redução de suas alíquotas a uma média de 70%, a China seria obrigada diminuir as suas para apenas 50%.

Além dessa exigência de menores obrigações para a liberalização de sua economia, Pequim ainda pede que seja estendido de 2010 para 2013 o prazo para sua adequação aos acordos definidos pela Rodada Doha da OMC. Estados Unidos, União Européia e outros países recusaram com veemência os pedidos chineses, considerados ?fora de questão? pelos europeus.


Internacional 

a) Superávit chinês 

O superávit da balança comercial chinesa fechou o mês de maio com o recorde de US$ 13 bilhões em maio, cifra superior aos US$ 12 bilhões registrados em outubro de 2005, melhor marca até então. Este saldo positivo é resultado de exportações no valor de US$ 73,11 bilhões ? alta de 25,1% em relação ao mesmo mês do ano passado ? e importações que somaram US$ 60,11 bilhões ? 21,7% a mais na mesma comparação.

Considerando que o superávit chinês de maio de 2005 foi de US$ 9 bilhões e de US$ 10,5 bilhões em abril de 2006, observa-se a permanência do alto nível de crescimento da economia chinesa. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano a China totaliza US$ 46,8 bilhões, crescimento expressivo se comparado com US$ 30 bilhões atingidos ao longo do mesmo período de 2005.

b) EUA e Uruguai

O governo americano declarou nesta segunda-feira, dia 12 de junho, que a prioridade nas relações comerciais com o Uruguai é a ratificação pelo Senado Americano do Tratado Bilateral de Proteção de Investimentos. Daniel Sullivan, secretário de Estado adjunto para Assuntos Econômicos e Comerciais, afirmou que o importante no momento é proteger os direitos dos investimentos americanos no Uruguai, sendo um tanto prematuro pensar em um acordo de livre comércio com um país membro do Mercosul.

c) México

Durante sua visita ao Brasil, o chanceler mexicano Luis Ernesto Derbez discutiu com o ministro das relações exteriores Celso Amorim temas como uma possível associação entre México e Mercosul, maior aproximação entre América do Sul, América Central e Caribe, a atuação do Brasil e do G-20 na OMC e as propostas de reforma da Organização das Nações Unidas (ONU). Projetos na área energética foram colocados em pauta por meio de uma possível integração para o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como o etanol, e também foram abordadas cooperações bilaterais quanto ao meio ambiente, pesquisas científicas, cultura, direitos humanos e desarmamento.

Apesar de mostrarem convergências em muitos pontos, México e Brasil ainda permanecem com interpretações diferentes sobre a reforma da ONU. No que diz respeito à representatividade dos membros permanentes do Conselho de Segurança, mexicanos preferem uma cadeira nomeada por uma determinada região, enquanto que o Itamaraty defende que esta posição deve responder por uma nação, ainda que esta fale em nome de um grupo de países em aliança, mas não necessariamente de uma região comum.
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